sexta-feira, 3 de abril de 2015

A redução da maioridade penal junto à pena de morte já é realidade nas favelas brasileiras

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Uma criança de 10 anos, Eduardo de Jesus Ferreira, foi baleada no Complexo do Alemão ontem. As suspeitas (ou certezas) são sempre as mesmas: Policiais Militares da UPP.

Sim, a foto é gráfica, mas é importante para que se entenda: É este tipo de imagem que crianças vêem quase todos os dias nas favelas brasileiras. Não, não é na Síria, não é no Iraque, não é a ISIS, é o Rio de Janeiro, é a PM carioca, é o tráfico, a milícia, é o Brasil.

Se a criança que vive na favela vê esse tipo de imagem todo dia você que lê este blog também pode ver. 

Enquanto 90% da população defende a redução da maioridade penal crianças são mortas violentamente ou são forçadas a conviver com esta realidade de medo. Podem ser mortas a qualquer momento. São submetidas desde a infância à violência, são alvos. Não tem direito nem dignidade.

E isso gera revolta.

CRIANÇA DE 10 ANOS MORTA PELA UPP NO COMPLEXO DO ALEMÃO
COVARDES, VIERAM PARA MATAR UMA CRIANÇA DE 10 ANOS.É ISSO MESMO GOVERNADOR.#SOSCOMPLEXODOALEMAO Quero ver nas #Olímpiadas2016#Rio2016 #Olimpiadas#FoxNews#Bbc#Itv#Cnn#Abc#Cbs#TheNewYorkTimes#TheGuardian#ERREJOTA#ElPaís#TheNewYorkTimes #Brasil2016#RioDeJaneiro#Rio2016
Posted by Complexo Alemao on Quinta, 2 de abril de 2015
Não estou justificando a revolta, mas apenas deixando claro que ela existe, e que há nela alguma legitimidade. Você consegue imaginar o que é ser discriminado, violentado e abusado desde criança? De ser tratado como lixo, de ver seus amigos, pais, parentes, serem humilhados, violentados e mortos pela polícia que deveria os proteger? Aceitaria passível toda a desgraça que te cerca? Uns sim. Outros não.

É lógico que a revolta acaba gerando apenas mais resposta violenta alimentando o ciclo, mas é importante entendê-la para poder debater, propor saídas.

E não estou tirando a autonomia dos indivíduos, nem todos "viram bandidos", nem todos seguem o caminho do ódio - pese muitos sentirem esse ódio -, mas acreditar apenas que estes são "ruins", que escolheram e ponto seu caminho é de uma infantilidade, torpeza e desumanidade incrível.

Vejam só o comentário de um garoto, no Facebook, numa das várias postagens sobre o assassinato dessa criança (o garoto da postagem deve ter a mesma idade da criança morta):
Se esse garoto tiver mais de 10 anos é muito. E já sente ódio.
Qual o futuro dele? Se tornar um traficante? Um assaltante? Um assassino? Acabar morto ou trancafiado numa cadeia onde irá sentir ainda mais ódio da sociedade?

É incompreensível o ódio que ele sente? Não. Incompreensível é a negação de amplos setores sociais da realidade de violência e exclusão a que crianças são submetidas. Negação da realidade seguida de pura vingança: Vamos meter mais e mais adolescentes em centros de tortura estatal para se pós-graduarem no crime e sentirem ainda mais ódio - que se voltará contra a própria sociedade.
Postagem de um rapaz já mais velho, mas no mesmo tom de revolta. A lógica dele é incompreensível?
Longe de APOIAR a violência ou respostas violentas, eu busco entender para, então, ser capaz de enxergar que TODO o sistema precisa de reforma. Educação, inclusão, direitos humanos, o fim da PM, o tratamento humano a todos, políticas de promoção de igualdade, ajuda psicológica, enfim, o pobre, o favelado tem que parar de ser tratado como marginal ou marginal em potencial, ser vigiado, violentado e deve ser tratado como... ser humano. Como todos temos de ser tratados, mas apenas poucos somos.

A redução da maioridade penal vai apenas piorar o quadro de violência, mas os defensores irão apenas lavar as mãos e, no fim, irão defender penas mais duras para crianças como esta da foto que abre a postagem, isso se não chegarem ao cinismo de comemorar: Que bom, morreu antes de poder cometer crimes.
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

O não-debate da maioridade penal: O que queremos é vingança?

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Justiça ou vingança?
Aqui na Europa uma boa quantidade de países - como Espanha, Alemanha, etc - tem a maioridade penal aos 18 e em alguns casos até aos 21 usando um instrumento particular que permite que o jovem de 18-21 anos cumpra pena como adolescente em alguns casos (o sistema de justiça juvenil). A questão não é ~consciência~, é capaz de ter jovem de 14 com mais consciência que muito adulto de 40, a questão é que simplesmente NÃO funciona jogar um adolescente na cadeia e ponto.

É apenas vingança. É uma forma da sociedade se vingar e achar que resolveu um problema social apenas trancafiando adolescentes e mesmo crianças (cansei de ver gente dizendo que tem que prender até com 10 anos e etc e não foi só no Sensacionalista).

Esse é um não-debate, só faz crescer o ódio e não se resolve nada - apenas mantem aqueles que impulsionam o ódio no poder. O Brasil vê a cada dia mais os índices de criminalidade crescer - lembrando que 20% dos homicídios forma causados pela PM, mas aí ninguém fala, ninguém exige penas mais duras pra PM e etc, joga-se pra debaixo do tapete - e no que a cadeia resolveu?

Temos a terceira população carcerária do mundo e somos um dos países mais violentos do mundo. Será que ninguém parou pra pensar nisso? Ou é apenas sede de vingança?

Porque o debate não é sobre o fim da violência policial? Sobre o fim do exército em favelas? O fim do genocídio da população negra? Porque não se discute que o filho branco e rico do Eike pode matar que nada acontece com ele - e ele tem mais de 18 anos! -, mas querem mandar pra cadeia um adolescente preto e pobre de 16? Quantos filhos da elite vão presos nesse país, independentemente da idade? Quantos deputados corruptos vão presos?

A esquerda

É lógico que parte da culpa nesse debate raso é da esquerda (de setores, que fique claro) que se recusa a debater com a sociedade a questão. Há uma percepção generalizada de impunidade, há de se lidar com isso. "Ah, mas é uma percepção errada", e daí? Se existe a percepção é preciso lidar com ela.

Muitas vezes a esquerda adota posições puristas, não dialoga, porque dialogar seria "conversar com reaças", então estamos mal quando mais de 90% da população defende redução da maioridade penal e são todos tratados uniformemente como reaças não dialogáveis. Nos fechamos no nosso mundinho.

Algo que me incomoda muito é o papo que infelizmente vem crescendo no seio da esquerda de "antipenalismo" ou "abolicionismo" em uma versão tupiniquim assustadoramente torpe, infantil, que me lembra muito as esquerdas dos anos 60-70 que diziam que quando a revolução chegasse problemas como racismo, machismo e homofobia (isso quando viam problema na homofobia) se resolveriam por mágica com o "novo homem" que iria surgir. Entrementes, deixavam de lado todas estas lutas "menores".
Estado Laico? Onde?

É o que acontece hoje com o debate sobre maioridade penal e cadeias.

Um grupo de iluminados que acha que todos os problemas se resolverão nesse futuro maravilhoso e que esquecem da realidade e do debate agora. E se recusam a debater, aliás, caso você não concorde com seus postulados.

E os presídios?

Temos um problema principal, na verdade dois, quando se faz uma pergunta simples: Para que existe a pena?

Se a resposta for "para ressocializar o indivíduo além de para fazê-lo pensar no que fez e também para garantir a segurança da sociedade e dele pró
prio" então temos:

1) O tempo em si não quer dizer nada, ou seja, o cara pode se recuperar em 1 ano, pode se recuperar em 8 anos, pode não se recuperar.

2) mas o principal é, fazemos algo para que haja recuperação? Como são as cadeias e Fundações Casa? É possível recuperar alguém ali, é esta a intenção?

Sem começar por este ponto, pode botar a maioridade aos 2 anos de idade e prisão perpétua, só vai piorar.


Enfim, reduzir a maioridade não resolve absolutamente nada. Menos de 1% dos crimes hediondos são cometidos por menores, a mídia, no entanto, os supervaloriza. Este 1% tem que ser tratado, lógico, mas uma punição coletiva à toda a juventude (e quase exclusivamente à pobre e negra) é a solução? Nos sentiremos vingados?

Quando, depois de algum tempo, a redução para 16 anos não resolver o problema, mas piorá-lo, apenas baixaremos para 14? 12? Brigou no parquinho do jardim de infância pega 6 meses em Pedrinhas, aquela cadeia MARAVILHOSA no Maranhão onde presos cortam as cabeças uns dos outros e são tratados como animais?

Soluções?

É tão difícil enxergar que a solução do problema passa pela humanização das cadeias que precisam ser entendidas não como um depósito de corpos e de "marginais", mas sim como um espaço de ressocialização, educação e de recuperação?

Crianças precisam de amor, compreensão, educação, inclusão, assim como adultos. Não se trata de passar a mão na cabeça de quem comete crimes,  mas de estender nossa humanidade a eles. De puni-los (talvez "punir" não seja um bom termo, mas é o que tem pra hoje), sem dúvida, mas não de nos vingar ( e por "punição" não falo apenas em fechar na cadeia, mas como um conjunto de medidas que vá além, privar a liberdade não é nem de longe a única forma válida de agir, na verdade deveria ser a última).

"Punição" não é apenas coloca na cadeia, não é torturar, é também um conjunto de medidas socioeducativas que garantam a dignidade e o futuro desse menor.

A solução da criminalidade entre jovens não passa por enfiá-los em prisões para que se graduem e pós-graduem no crime, e sim em evitar de todas as formas possíveis que cometam o crime, os humanizando, dando oportunidades na vida, não os submetendo a ocupações militares na porta de suas casas e, caso cometam o crime, que tenham a possibilidade de se arrepender, de serem educados, de serem aceitos e reinseridos na sociedade e não serem estigmatizados e tratados como animais.

Prestem atenção à imagem que abre esta postagem. Busca-se justiça ou apenas vingança? O filho dos dois que seguram o cartaz voltará à vida se o menor for para uma cadeia como adulto? Não seria melhor pensar em formas deste jovem encontrar outro caminho, se recuperar e também permitir que outros sigam o exemplo, mas não seu caminho para o crime.

Sim, eu sei e concordo que o jovem não se vira para o crime ~porque quer~, há muitas variáveis, mas ENTENDER isso não significa simplesmente desprezar a necessidade de justiça - que não necessariamente é uma pena, uma prisão, mas educação, medidas efetivamente socioeducativas e etc.

Enfim, é preciso responder, ou ao menos dialogar com a sociedade, buscar entender os lados - entender não significa concordar, que fique claro - e ser capaz de impor uma agenda tendo ao menos algumas respostas e propostas viáveis.

Nossas prisões são centros de tortura superlotados. Imaginem o que vai acontecer se colocarmos mais e mais jovens lá. Apenas imaginem.

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terça-feira, 31 de março de 2015

"Direitização": De alarmismos à responsabilidade da esquerda

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Paulo Arantes, durante o encontro dos seminários de quarta que acontece na FFLCH-USP ao qual fui convidado na semana passada pra expor imagens e impressões sobre a "nova direita" no Brasil: "Vendo o vídeo do Caio eu me lembrei (eu era militante na época) da marcha da família com deus em 64 que também foram bem numerosas e bem impressionantes. Depois do golpe ainda houve uma outra marcha de confraternização. Então é a primeira vez que eu vejo isso vivo novamente em 50 anos. Portanto eu vi a direita desfilando, mas era uma direita que não tem nada a ver com
essa, eram senhoras de salto alto, padres, advogados, donas de casa bem vestidas, com algumas panelas, terço... Aquilo não metia medo em ninguém, uma semana antes do golpe nós ficamos impressionados com o número de pessoas na rua, que dava de 10 a zero no comício da cut do dia 13... Mas era só, o resto não metia medo. Hoje vendo essas imagens que o Caio escolheu, aqui dá medo e a impressão é que a repetição é
muito mais sinistra do que a farsa. E assusta muito mais porque não existe o outro lado, não tem esquerda e nós estamos sozinhos esperando sermos linchados quando dermos a cara pra bater. Estamos sozinhos e por outro lado tem uma energia social solta aí... Bom, isso é uma tese clássica da esquerda européia dos anos 30, do marxismo europeu a respeito do fascismo que diz que: o fascismo é a expressão de uma derrota da esquerda, quando o fascismo surge nos anos20 na Itália é quando a esquerda já perdeu a energia revolucionária. O fascismo era a pulsão plebéia à todo vapor pra acabar com aquilo. Tinha crise, tinha desemprego, tinha humilhação, tinha classe operária desorganizada, tinha guerra, tinha tudo. A massa fascista era uma massa revoltada e por isso ela foi organizada. Se você tem uma massa revoltada, proletária e que vai te massacrar é porque você perdeu. É isso que vai acontecer conosco agora, não há dúvida... A outra coisa que nos dá medo é o que nós perdemos. Todos os "Renans"que estão aí é o que nós perdemos. A gente precisa saber o que faz isso." via Caio Castor, no FB
O comentário do professor Paulo Arantes descrito pelo Caio Castor é alarmista, mas em geral correto.

A leitura geral me parece correta, de fato é mais preocupante uma marcha de direita hoje do que em 64 onde as coisas eram mais demarcadas (pese não poder dizer apenas que a marcha do dia 15 foi só de direita ou majoritariamente pedia ditadura, tinha muita gente mais perdida que carioca em tiroteio), e sem duvida a direita está onde está por culpa da esquerda, que virou direita. 

É claro que, no entanto, não podemos resumir ou reduzir a marcha do dia 15 à "direita", tampouco a "golpismo", mas é fato que uma ampla maioria se não era de direita, subscrevia crítica ou acriticamente ao pensamento dos grupos que convocaram a marcha. Aí está o nó, a direita está liderando o centro.


Sem dúvida muitos ali são disputáveis, mas quem está fazendo esta disputa?

E não quero me repetir, mas é óbvio, o PT é o grande responsável por essa direitização e também pela situação ter chegado a este ponto, mas não só.

Setores da esquerda "radical" também tem responsabilidade, por um discurso descolado do povo, que não consegue dialogar com divergências, não conseguem dialogar sobre pautas específicas com a maioria da população (oras, não conseguem discutir entre si! É um tal de jogar pedra à mínima discordância...). Mas, enfim, a culpa é nossa enquanto esquerda, seja da que se vendeu, seja da que não consegue dialogar, seja da que se limita a ver o barco passar.


É difícil pensar em um caminho ou caminhos para superar a atual crise, mas sem dúvida este passa pela total e completa superação do PT. Sem remorso, sem olhar pra trás. E, claro, pelo combate franco às forças de direita e fascistas que crescem.

E por "forças de direita e fascistas" não me refiro apenas à grupos pró-Ditadura, que felizmente AINDA são pequenos, mas que devem ser ferozmente combatidos, mas também aos grupos neopentecostais que estão hoje formando exércitos como os Gladiadores do Altar, que saem por aí atacando praticantes de religiões afro e seus centros, perseguindo os discordantes, espalhando medievalismo e ignorância, incutindo ódio religioso e buscando controlar a política brasileira e impor sua visão deturpada de mundo à constituição e à população.

Se estes grupos não forem parados agora, poderemos não ter nova chance no futuro. Se hoje os evangélicos são 20% da população (e os fundamentalistas provavelmente metade disso e obviamente estes são os inimigos) e já praticamente controlam o congresso, imaginem se não forem impedidos de pregar seu ódio.

Mas e o resto da esquerda?

Não faz muito tempo chegou até mim um manifesto em que pese algumas críticas ao PT (e obviamente ao PSDB), não conseguia superar o sentimento enraizado de amor ao PT ou de que se deve algo ao PT, um saudosismo dos tempos de esquerda do partido, uma insistência em não enxergar o óbvio e a realidade e de embarcar no discurso fácil dos fundamentalistas neoPTcostais de que ainda há alguma disputa a ser feita no e pelo partido.

No manifesto, após críticas, o velho morde e assopra. O PT é responsável pela crise da Petrobrás, sem dúvida ~subtraiu~ valores da empresa, MAS (notem o "mas"), o PSDB... Não, meus amigos, não tem "mas". O PSDB se pudesse privatizaria a empresa sem dó e dividiria o lucro com seus amigos (como já o fez em outros caoss), mas o PT vem efetivamente privatizando lentamente a empresa e, no meio tempo, tem se refestelado com ampla corrupção.

Não é uma questão de escolher, é necessário denunciar igualmente AMBOS os partidos e seus respectivos aliados, sem continuar no joguinho de encobrir e escolher o "menos pior". De quebra, o texto ainda busca dar um tom passivo aos atos do PT, como se o partido tivesse sido LENIENTE com os roubos da Petrobrás e não parte ativa, enquanto mandantes, da roubalheira.

A linguagem diz muito. A escolha das palavras é fundamental. Recuar ou buscar de qualquer forma justificar ou acobertar, ou mesmo diminuir, o papel do PT na direitização do país é bater palmas para este processo. Tentar criar alternativas enquanto se passa o pano pro PT equivale a enxugar gelo e até que entendamos isso, é melhor nem insistir, pois todo e qualquer projeto estará fadado ao fracasso.
"(...) Camaradas, reconheçam agora que esse 'mal menor'
Que ano após ano foi usado para afastá-los de qualquer luta
Logo significará ter que aceitar os nazistas.
Mas nas fábricas e nas filas dos desempregados
Vimos a vontade de lutar dos proletários (...)"
Bertolt Brecht, 'Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte' In: Poemas 1913-1956, 2000 [1967], p. 95.
Com o perigo de mais uma vez me repetir, fica o apelo: Superem o PT. Parem de justificar, de "entender" os atos do partido. Não fiquem excitados porque no mar de lama surgiu um Janine Ribeiro que, sozinho, irá salvar a pátria. Não, ele não vai.

Não se trata te ~torcer contra~ mas de ser realista. Uma andorinha não faz verão, um Janine Ribeiro não fará a revolução na educação. Se ele conseguir ao menos brecar parte das "reformas" que Dilma vem fazendo ou debatendo até aqui (chegando ao ponto de aventar terceirizar a contratação de professores federais) já será um ganho, mas ainda assim, mais por obra dele que do PT que, sem dúvida, se vendo nas cordas e atacados por todos os lados, da direita à esquerda, resolveu fazer um aceno contando com a boa vontade dos ainda adeptos da tese do mal maior (ou mal menor, para ficarmos com o velho Brecht).

Aceitem de uma vez por todas que não há salvação - a não ser que você acredite na volta de jesus e afins, porque se acredita no PT.... - e vamos construir alternativas antes que seja tarde.
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terça-feira, 24 de março de 2015

La sociedad brasileña necesita apoyo internacional y que conozcan lo que pasa en nuestro país

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Escribo este post por razón de la participación de João Pedro Stédile (MST) junto a otras personalidades internacionales de izquierda en el pedido por la libertad de Arnaldo Otegi y por los presos políticos vascos. Y lo hago en castellano con la esperanza de que los amigos y las amigas de izquierda de Euskal Herria, Catalunya y Estado Español puedar no solo entender lo que escribo, pero también entender mejor  la situación política de Brasil y las luchas de izquierda contra el gobierno Dilma (PT).

El MST aún es un grupo muy importante fuera de Brasil (y en Brasil, por supuesto) a pesar de las tentativas de su lider, Stédile (que firma la carta contra la dispersión y por Arnaldo Otegi), de mobilizar el grupo solo para y dentro de los intereses del partido en el poder en Brasil, el PT de Dilma, que recusa hacer la reforma agrária, que pone una genocida de indígenas y defensora de la esclavitud de campesinos en el ministério de agricultura (Katia Abreu) que ataca con violencia a la gente que protesta en las calles, que pone el ejército en favelas para controlar y matar a los negros y pobres, que vulnera los derechos humanos, que privatiza, que... Bueno, que es un gobierno de derechas, neoliberal en muchos aspectos.

Me acuerdo que hace un rato Emir Sader, que muchos de nosotros llamamos de Poodle del PT (término creado por los del MTST - http://is.gd/bd24HJ), estuvo en Iruñea para una actividad de Iratzar Fundazioa invitado por Floren Aoiz Monreal para presentar su libro en que, y no es un chiste, dice que los gobiernos Lula y Dilma son "post-neoliberales". Es para reírse.

Emir Sader representa lo que existe de peor en el PT, defiende de manera radical políticas de derecha y contra el pueblo y mismo sale vez o otra con frases (o tuíts) racistas (http://is.gd/fWEhhg), sexistas (http://is.gd/Vo0gCa) y cargadas de perjuicio conta los movimientos sociales y la izquierda (http://is.gd/4JGdSk, http://is.gd/6lt6Ds o http://is.gd/aqkKZh).

Pero, desafortunadamente, aún merece el respeto de sectores internacionales de izquierda, pero este "respeto" debe ser denunciado, es necesario que la izquierda del mundo sea solidaria a las luchas de los pueblos indigenas brasileños contra las imposiciones del gobierno (y el genocidio promocionado por este gobierno) que este señor Sader defiende, o con las luchas de las mujeres que no tienen sus derechos respetados y quetinen sus derechos intercambiados por favores de la "Bancada Evangélica" o fundamentalista o con los negros que son muertos todos los dias en las favelas bajo órdenes o con el permiso o mismo la inmovilidad del gobierno que este señor defiende.

En fin, las izquierdas del mundo y en particular la izquierda de Euskal Herria necesita conocer un poco más de la realidad brasileña y de la izquierda que, en las calles, favelas y campo, es victima del gobierno del PT.

Una cosa es reconocer los cambios impulsados por Lula en su primer gobierno, otra es mantener la farsa de que este es un gobierno (aún) de izquierdas.

Doy la bienvenida, sin duda, al documento firmado por las personalidades por la libertad de Otegi e por los presos políticos vascos, pero, utilizando este evento como fondo, es importante que las izquierdas del mundo miren com más atención a Brasil y entiendan mejor nuestra situación y toda la violencia y represión contra nosotros y nosotras.
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segunda-feira, 16 de março de 2015

A esquerda perdida e as lições dos protestos do dia 15/Domingo

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Sou o primeiro a admitir que errei ao prever protestos pequenos no domingo contra Dilma. Baseado no histórico de setores da direita de não juntarem nem 1% do que previam, acreditei que o poder de mobilização deles seria pequeno uma vez mais. De fato, continuo achando que o poder de mobilização desses grupos é, em si, pequeno, mas o poder da indignação parece ter sido mais que suficiente.

Como já ficou claro por outros textos, não tenho a menor simpatia pelo protesto do domingo - como não tenho pelo dos petistas dia 13 -, mas nem por isso considero nenhum deles menos legítimo.

Dito isto, é preciso analisar friamente a realidade.

O protesto do dia 15

O protesto do dia 15 é difuso. Como Junho, possui uma base ideológica, mas se espalhou para muito além dessa base, agregando dezenas de reivindicações por vezes contraditórias. Golpistas? Muitos. Fascistas? Mais ainda. Nazistas? Também. Mas reduzir manifestações realmente imensas por todo país - ouso dizer que maiores que a mobilização do PT de dois dias antes, mas bem menor que os protestos em Junho - a estes termos não é apenas wishful thinking, é estúpido.

É óbvio que o protesto do dia 15 é conservador, mas podemos dizer que o do dia 13 era progressista? Não. Mas dentro desse conservadorismo há centenas, quiçá milhares de espectros e variantes.

Exigir a saída de Dilma, em si, está longe de ser golpe. Não importa quanto ódio isto carregue ou quanto ódio foi necessário para chegar nesse ponto. Não, não era uma manifestação só da "elite branca", nem só "da direita", este tipo de generalização comumente feita pelo PT é despolitizante, é burra e apenas esconde a superfície de algo muito mais profundo.

Há real insatisfação com o PT, mesmo entre muitos que se beneficiaram de muitos de seus programas.

O petismo morrendo?
 
Porém, após 12 anos o modelo petista acabou esgotado. Oras, mesmo Dilma reconheceu tácita e explicitamente ao anunciar que os meios usados até então para controlar a economia haviam se esgotado e ao alterar significativamente a política econômica, apostando por austeridade e cortes (de gastos, de investimentos, de direitos).
Aulas de inglês, por favor! Mais educação, Dilma!;-)
O petismo - que é incapaz de entender que não é uma religião, pese ter seus religiosos - foi incapaz até hoje de entender que dar o pão num dia não escraviza o indivíduo, não o obriga a, no dia seguinte, sem o pão, a seguir o (a) líder.

Em outras palavras, ser beneficiário dos programas sociais do governo ou mesmo ter, de uma forma ou de outra, se beneficiado do petismo, ascendido socialmente (mesmo que de maneira cosmética, como tem se provado em muitos casos, ou através de pesado endividamento) não significa apoio automático ou eterno. O petismo não consegue lidar com o que considera ingratidão. Se faz de ferido e, como um cão acuado, ataca por instinto.

Uma pessoa comentou comigo no Twitter que era óbvio que o protesto do dia 15 seria maior que do dia 13 porque o primeiro era num domingo, quando as pessoas não trabalham... Oras, então porque a CUT marcou protesto para a sexta e não para o sábado? Era para ter esta desculpa esfarrapada na manga caso não pudesse pagar gente suficiente e alugar ônibus suficiente para levar pessoas para seus protestos?

E, no fim, não percebe que apenas cria uma brecha ainda maior, jogando mais combustível (que está caro, aliás) na fogueira da "venezuelização" do país.


Não, o PT não é o único culpado, pese ser, talvez, o maior. 

Setores da direita souberam aproveitar o sentimento de frustração e fazer a bolha estourar. A questão é que muitos desses movimentos não conquistaram corações e mentes de quem está na rua, mas tão somente conseguiram canalizar a insatisfação com a ajuda da incapacidade do PT de dialogar e reconhecer seus erros.

A superioridade com que petistas tratam qualquer um que discorde, como se fossem apenas uma "massa cheirosa" se aliou à uma recém-(re)descoberta da capacidade da direita de canalizar a despolitização revoltada.
Sim, tem uma suástica à esquerda da faixa maior.
O petismo perdeu o chão

Outro dos artifícios mais comuns do petismo em sua capacidade de enxergar a realidade é a de atacar a mídia. Ela seria golpista. Não posso negar a afirmação, sem dúvida a mídia é parte importante no processo de crise social, tem incitado protestos contra o governo e se mostrado muitas vezes oposição (para ser um importante aliado na hora de justificar cortes e políticas neoliberais ou mesmo repressão), mas a reação petista é apenas a de atacar a mídia com slogans ultrapassados e "tuitadas" enquanto acham a Record comandada pela IURD o máximo da revolução e sem em momento algum questionar o óbvio: QUEM financia a mídia? Oras, em geral o PT através do governo federal.

Ou seja, as "armas" do petismo para a crise são desqualificar a oposição de todas as formas e apontar o dedo para a mídia que eles próprios financiam. Não há como sair da crise assim, pelo contrário.

Comentaram comigo no Twitter que o PT sempre teve "feeling" pra protesto, pra entender as ruas... Sem dúvida, no passado. Hoje não mais. Junho deixou claro que o PT esqueceu o que era militar, esqueceu o que era ir pras ruas com o perigo de apanhar da polícia, oras, o PT ofereceu até Força Nacional para brutalizar as ruas!

Não, o PT perdeu seu feeling, se burocratizou, colocou coleira nos movimentos sociais que aceitaram ser cooptados e passaram a agir sob seu comando, com alguns poucos ensaios de rebeldia, mas em geral agindo sempre como mandava a direção, achatando a base, despolitizando a base. O preço está sendo pago agora e pode ser um preço alto.
Sim, o protesto é difuso.
Prognósticos imediatos: Ódio e revolta

É difícil saber o que sairá dos protestos de domingo. Não apenas as pautas são difusas, como não propõem nada. Em Junho havia um conjunto de pautas objetivas em torno do Passe Livre, do fim da violência contra as ruas, da defesa dos direitos humanos e etc, mas e o Domingo?
Comparem a média de idade das pessoas nos protestos pelo impeachment, nos protestos pró-governo e nos protestos contra a tarifa (que iniciaram as jornadas de junho).
Fica evidente que a juventude, que fez explodir as ruas em junho, não é mais maioria esmagadora nas ruas.
Isso porque os protestos do dia 13 e 15 não são nada mais que uma reação conservadora ao choque que a política institucional sofreu em junho.
Há ódio e revolta contra Dilma (não cabe a mim dizer se correto ou incorreto), há um "fora Dilma" ensaiado, mas o que se propõe? Se a ideia é tumultuar o congresso, criar um fato para dificultar a vida do PT, oras, a realidade é esta, não era preciso nenhum protesto. Se a tese é derrubar a Dilma, bem, convençam o PMDB, depende dele e duvido que na atual situação queiram assumir a bucha.

Enfim, há revolta, há despolitização (mas não reduzamos a isso), há ódio... Mas não há pautas efetivas. Não há a bandeira da reforma política, nem de uma completa reformulação do congresso, sequer há revolta efetiva contra o congresso. O alvo é o PT que pese ter imensa responsabilidade na crise atual, não é nem de longe o único culpado.



Mas e agora?

Não sei. Com toda honestidade eu não faço ideia do passo a ser dado (ao menos pelo PT).

O governo petista acabou. Safatle chegou a comentar em artigo que a Nova República havia acabado junto, o companheiro Marcelo Castañeda disse no Facebook que os protestos de sexta e domingo encerravam o ciclo de Junho. Mas a única certeza é que algo precisa mudar.

O fato é que o PT está nas cordas e querer continuar brigando como se isso fosse resolver simplesmente não funciona. Ridicularizar protesto contrário, "xingar muito no twitter" ou mesmo manter a soberba são a receita perfeita para se dar mal. 

O PT está pagando por ter adotado a agenda do PSDB. Está pagando por ter se aliado e dado forças aos evangélicos fundamentalistas, por ter feito um governo que abusou diariamente dos direitos humanos dando voz e espaço para o preconceito e o fundamentalismo (mesmo vocalizado pela própria presidente e sua declaração de que não faria "propaganda de opção sexual") e especialmente por ter cooptado e desmobilizado movimentos sociais os usando como correia de transmissão de suas políticas em geral contrárias aos interesses destes mesmos movimentos.

O problema é que o PT paga, mas nós pagamos também.

Não acredito que Dilma sofrerá um impeachment mais pelo PMDB dificilmente querer assumi o filho do que por boa vontade - e também é mais proveitoso sugar o quanto puderem de um governo vencido e desacreditado -, mas é fato que o governo foi derrotado e acabou antes de começar. Apenas sobrevive aos trancos e barrancos.
Vamos fingir que acreditamos na manifestação do dia 13?
Então vamos lá: qual resposta do governo às (poucas) cobranças e às (tímidas) críticas feitas pelos movimentos aliados?
Nenhuma. Já pra de hoje, a resposta veio antes até do fim dos protestos.
Ridícula essa 'esquerda' que lambe botas de quem nem lhes dá atenção. Afinal, quem não se valoriza, não tem significância mesmo...
O papel da esquerda

Fica a lição e a tarefa para a esquerda que não quer superar o PT: SUPEREM. E rápido. Proponham algo novo, proponham alternativas, busquem se aproximar das ruas e dos movimentos e criar algo novo. Passou da hora da esquerda desmamar. O PT NÃO fará autocrítica, não irá magicamente abrir mão de 12 anos de direitização, aceitem de uma vez por todas.

As ruas ainda podem ser conquistadas, ainda há espaço para mediações. Ou ao menos eu espero que haja. O ódio está crescendo, mas talvez ainda não seja tarde. Mas assusta, sem dúvida é assustador ver cartazes exigindo golpe, volta dos militares ou com suásticas. É assustador ver o nível da despolitização de muitos ou da politização radicalizada e fascista de outros.
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sábado, 14 de março de 2015

Superar o PT? Jamais!

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O que mais (me) irrita hoje é a incapacidade das pessoas enxergarem um palmo diante do nariz, de conseguirem manter o mínimo de coerência.

Vejam a foto do protesto pró-PT em São Paulo.
Nela, ao lado de bandeiras da Dilma, pessoas protestando contra contaminação do solo, contra, penso eu, transgênicos e etc.

Do lado de bandeiras da Dilma, repito, cuja principal aliada é... Katia Abreu! Precisa dizer mais?

É a incapacidade máxima de entender que sua(s) pauta(s) simplesmente NÃO INTERESSA a Dilma e ao PT e MESMO ASSIM você sai na rua pra defender a porra do governo.

Em outra foto de protesto no Rio, uma faixa em defesa da Caixa... A Caixa que Dilma queria abrir capital. A defesa do governo Dilma e das pautas citadas simplesmente não combinam, não funcionam.

E o mais triste é que se você for perguntar, dirão que é óbvio que o PT defende estas pautas (contra privatização da Caixa, contra o agronegócio) e que, NO MÁXIMO fazem "aliança tática" com alguns setores ~malvados~ pela "governabilidade".

Sempre usarão alguma desculpa. Algumas inclusive mirabolantes e que fariam uma criança ter crise de risos. Mas falam com seriedade, realmente acreditando.

Lembrando, aliás, que a manifestação de ontem era "em defesa da Petrobrás", mas ninguém lembrou que o rombo de 88 bilhões na empresa, o rebaixamento de seu grau de investimento e mesmo o processo de privatização que já se iniciou é obra... do PT!

Desenhando: Defender a Petrobrás SEM ter o PT como (um dos) alvo(s) não é defender a Petrobrás, é usar a empresa como desculpa para um ato unicamente em defesa do PT (como foi o caso).

Claro que se o PSDB puder meter a mão mete, quem criou o esquema foi, afinal, o PSDB (que o PT se beneficia, e isso não diminui a responsabilidade do partido, como petistas querem fazer crer), claro que querem privatizar, mas opor privatização tucana à roubalheira (e também privatização "de leve") petista é coisa que, honestamente, só um imbecil pode fazer.

Amplos setores da esquerda são simplesmente INCAPAZES de superar o PT. Simplesmente não querem. Não há espaço para a esquerda que inclua o PT. Não há superação da situação atual de destruição de direitos com o PT sendo salvo nas ruas pela esquerda.

É uma questão muito simples, se a esquerda sempre que o PT gritar por socorro - seja nas eleições, seja agora - correr para salvar o PT, por favor, DESISTAM de criar alternativas porque simplesmente será impossível. Estes setores de esquerda não querem alternativa, não querem ser nem criar, resta apenas o grito de revolta sem capacidade de direcionar a revolta em si, e acaba no eterno retorno ao seio petista.

Já deu.
Coisas estranhas:
Stédile dizendo que a direita ta destruindo a Petrobrás e enchendo o ministério de inimigos dos trabalhadores. Em seguida chamou um 'olê olê olá, Dilma, Dilma'. Oi? Quem é a direita nessa frase?
UNE, FUP, CUT, MST, UJS e PT dizendo que estavam ali pra chamar "os direitistas" pra guerra, em defesa do governo. E como aquele aviso no final de comercial de bebida, um corrido "e contra os ataques aos trabalhadores" sem dizer que eles vem justamente do governo.
"Petroleiros" (entrevistei duas que nunca foram petroleiras e outro que não quis falar) que vieram de ônibus de Campos e Macaé com cartazes como esse da foto. Além de outras como "A Petrobrás é nossa e ninguém tasca" ou "Fora FHC e FMI, o petróleo é nosso". Oi???

Umas 40-50 mil pessoas compareceram à marcha petista do dia 13 em são Paulo (eis um relato de quem estava lá e atesta que era uma marcha PETISTA de nada mais), e se contarmos com o país inteiro poderíamos pensar em 200 mil pessoas. Aparentemente é o teto do apoio do PT. Mesmo com os números inflados do PT não passaria de 300 mil.

Muita gente, mas em Junho o MPL - sem 1% da verba da CUT que alugou ônibus e fora as denuncias de pagamento a manifestantes - juntou muitas vezes mais que isso. Dentro da previsão de 40 mil da CUT pode-se considerar um sucesso, mas frente a outros protestos SEM o poder e a verba da CUT, um fracasso.

Ainda que o objetivo do PT era criar um "fato novo" e nisso foi bem sucedido, assim como conseguiu manter acesa a chama da cooptação e do nefasto efeito do "mal maior".

Mas o mais engraçado era gente querendo jurar que era um ato "de esquerda em defesa da Petrobrás" e não um ato montado com pesado apoio (e verba) da CUT/PT/PseudoB/UNE/CTB pra apoiar o governo cada vez mais direitista e tentar criar um fato novo e mostrar uma suposta força que o governo definitivamente não tem.

Como questionado pela Luka (do link acima), cadê essa força na hora de pressionar por pautas progressistas e em prol dos direitos humanos? Ah, ai não interessa. Só pra defender o PT.

Agora voltamos à programação normal com parte considerável desse povo que estava nas ruas defendendo criminalização de protestos e gritando "VAI PM".

"Ain, mas há um movimento golpista contra Dilma".

Bem, existe - e sempre existiu - uma minoria golpista, saudosa da Ditadura, não é novidade. Agora, IMPEACHMENT não é golpe. É do jogo.

Desenhando (de novo): Impeachment é golpe? Collor foi vítima de golpe? Impeachment é legal, é da democracia, Dilma não vendeu o país inteiro e todas as bandeiras do PT pra comprar PMDB e dezenas de partidos? Quer dizer que ela será traída pelos queridos aliados? E se for, a esquerda deve sair para defendê-la? A mesma esquerda que, em Junho, durante a Copa e depois foi BRUTALIZADA pelas polícias à serviço do PT, PMDB (e PSDB) com oferta de Força Nacional e ocupação militar (na Maré)?

Seria estelionato eleitoral razão para impeachment? Bem, IDEALMENTE todo governo deveria cair com base em estelionato eleitoral. 

 Mas, no mais, impeachment é constitucional, se o governo tem maioria - e o PT fez o possível para ter - não cai. É parte do jogo. Eu que não vou mover uma palha, offline ou online, para defender, justificar, minimizar ou dar espaço a este governo canalha. Vamos confrontar aqueles que EFETIVAMENTE são golpistas? Tamos junto, ao lado de bandeiras do PT e de movimentos cooptados pelo PT? Não, aí não.
PT e PSDB ativamente defendem a repressão de movimentos populares que saem às ruas, ambos partidos fecham os olhos (quando não incentivam) chacinas e assassinatos contra pobres e negros, ambos privilegiam o agronegócio, privilegiam os bancos, o capital financeiro, desprezam educação pública... Sair às ruas dia 13 ou dia 15 significa a mesma coisa: A defesa de políticas de austeridade, da direita, de políticas contra a população.

Nem 13, Nem 15, Nem 45! Nem PT, nem PMDB, nem PSDB!  
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