segunda-feira, 21 de julho de 2014

Uma mentira repetida mil vezes: O PT e o Governo são coisas diferentes

------
Propaganda
-------
Quando Lula foi eleito, petistas buscavam desculpar ou justificar os recuos nas bandeiras do partido na base do "esse é um governo em disputa". Anos passaram e não há qualquer disputa em um governo dominado por Katia Abreu, Jader Barbalho, Collor, Maluf, fundamentalistas e cia (não que a desculpa servisse antes, agora apenas ficou ridícula).

Agora, o discurso é outro (e tem um tempinho já, desde o começo do governo Dilma), o do "O PT e o Governo são coisas diferentes".
A arma que te deu três tiros é minha, o porte de arma tá no meu nome, as digitais são minhas, mas disparei sem ter consciência que poderia ferir ou matar.Gilson Moura, no Faebook
Mesmo que levássemos isso a sério - oras, a presidente do País é do PT, o ministro da Justiça é do PT, o das Comunicações é do PT, exatamente áreas críticas e mais criticadas - há um pequeno problema: Se Dilma, Cardozo e cia vão CONTRA o que defende o PT, então porque ainda não foram expulsos? Porque o PT só agora, após um ano de violência e repressão nas ruas, fez notinha chocha contra as prisões políticas no Rio?

O PT esteve aliado do Cabral por anos. Será que é coincidência que tenha lançado nota (PT, LindBleargh e Juventude do PT) exatamente quando saem deste governo? O cheiro do oportunismo chega longe.

Mas voltando, se o PT discorda dos rumos do país, porque não chama a atenção e força seus filiados a governar de acordo com seu programa? Oras, se não o faz é porque está contente com a situação. Está no poder (mesmo que não TENHA o poder, para fingir que acreditamos nas suas desculpas), ganha com isso e nada faz contra o que supostamente considera desvios.

Oras (novamente), Cardozo, Ministro da Justiça que reafirmou várias vezes concordar, apoiar e patrocinar a brutalidade policial e a repressão pelo país é filiado ao PT. De que adianta uma nota pública do partido se nada é feito contra um de seus filiados responsável pelos atos repudiados pelo próprio partido?

Logo se vê que as notinhas petistas não passam de item para consumo interno e para o consumo de uma esquerda que continua caindo no velho conto do "PT de esquerdas" e que ainda cai na velha história de "PT é o mal menor". É para auto-enganados e convertidos. E não esqueçam que não faltam os "convertidos" que aplaudem de maneira entusiasmada a repressão policial mostrando realmente o que é o PT e o que defendem e o nível de fascismo que alcançam.

Volto a repetir, o PT governa o país e o PT é o partido responsável pela repressão nas ruas. Não é o único, sem dúvida, mas é o mandante e o principal interessado. Não faltam declarações de Dilma e Cardozo para sustentar esta tese.

Chega a ser risível e vergonhoso ver notinhas de repúdio do partido dos responsáveis pelas prisões políticas e violência reclamando de forma abstrata do fato, como se não existissem mandantes, ou estes fossem, não sei, do PSDB!

Aliás, PSDB que é igualmente entusiasta de métodos repressivos, não nos enganemos pensando que há diferença substancial nesta área entre PT e PSDB. São irmãos na brutalidade.

Enfim, o papo de "PT e governo são coisas diferentes" não cola. É infantil e covarde. Infantil por nos tratar como crianças incapazes de ligar os pontos e covarde por se recusar a entender que sim, os recuos e o fascismos pregado e posto em prática pelo governo é referendado, apoiado e mesmo incitado pela direção do PT.

Não se deixem enganar.
------

sábado, 19 de julho de 2014

Os "exemplos" do PTMDB: #PresosdaCopa deveriam pedir asilo

------
Propaganda
-------
Via "Seja um manifestante, fique rico"
Os 23 ameaçados de prisão novamente tem que pedir asilo em embaixadas/consulados. Países escandinavos, Suiça, Uruguai... Não dá pra aceitar a situação. Esse processo é claramente político, conhecendo a "justiça" brasileira eles podem passar 10 anos presos por nada. Eu já teria pedido asilo e dedicaria minha vida a denunciar esse governo do PTMDB.

Não, não é exagero. Esses 23, assim como o Luswarghi e o Hideki são os "exemplos" que o PTMDB querem mostrar pra sociedade, pra quem luta. Quem ainda não reparou no perigo, acorde. Seu direito, nosso direito de protestar está por um fio.

E apenas PAREM de ficar divulgando cartinhas oportunistas de PT, LindBleargh, Juventude do PT (manipulada, canalha, demente). Estes são os MANDANTES dessas prisões políticas e que agora querem capitalizar porque sentiram que passaram do limite.

Passaram do limite na visão mesmo de simpatizantes, o que não quer dizer que irão recuar ou mudar de métodos. Irão apenas investir em propaganda - o que estão fazendo, buscando atingir os inocentes - e azeitar a máquina. Questionem quem realmente manda, Cardozo, Dilma e cia, e se irão recuar. Beltrame, Pezão, Cabral, Paes e toda a turma de canalhas aliados não irão recuar.

A criminalização tende a crescer. Ela foi a grande responsável pela diminuição do tamanho dos protestos durante a Copa (aliado ao efeito conhecido do futebol enquanto anestesiador popular, vide 1970) e não há indícios de que cederá.
Os 23 com prisão decretada pela Justiça são: Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a "Sininho", Luiz Carlos Rendeiro Junior, o "Game Over", Gabriel da Silva Marinho, Karlayne Moraes de Souza Pinheiro, Eloysa Samy Santiago, Igor Mendes da Silva, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, Igor Pereira D'Icaray, Drean Moraes de Moura Corrêa, Shirlene Feitoza da Fonseca, Leonardo Fortini Baroni, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Rafael Rêgo Barros Caruso, Filipe Proença de Carvalho Moraes,Pedro  Guilherme Mascarenhas Freire, Pedro Brandão Maia, Bruno de Souza Vieira Machado, André de Castro Sanchez Basseres, Joseane Maria de Souza e Rebeca Martins de Souza. Além de Caio Silva Rangel e Fabio Raposo Barbosa
Já não tínhamos uma normalidade democrática, agora temos a total insegurança, as perseguições e daí tende a piorar. Estes 23 (dentre outros muito) lutaram, contribuíram com a luta popular e com a resistência, mas é hora de saber quando fugir. Não há vergonha alguma em chegar até seu limite e se recusar a perder metade da vida em uma cadeia apenas por ter lutado por seus direitos. Há outras formas de lutar, mesmo longe.

Foram décadas lutando contra a Ditadura, contra os exílios, prisões políticas e torturas... Voltamos (voltaremos) ao passado?
------

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Contra Israel e seus apoiadores, só o boicote serve

------
Propaganda
-------
Não é só de um boicote total contra Israel que precisamos, temos também que boicotar quem DEFENDE Israel, em qualquer esfera. Isolamento total.Durante o boicote contra o Apartheid tinha "jornalista" e "especialista" defendendo que era lindo o regime na África do Sul? Não. Então como aceitar que existam os que defendam o genocídio Palestino?

Não, não há "conflito", não há "guerra". Há genocídio. Um Estado armado até os dentes contra um povo sem Estado, sem exército, sem nada? Estamos diante de um massacre. Não há espaço para "amor", para "conciliação". Temos de ser duros e inflexíveis em nosso repúdio e não esperar que algo tão abstrato como "amor" mude alguma coisa. Se esperarmos muito não sobrará nenhum palestino para contar história - ou para ser amado.


Com que direito Israel isola, envenena a água, tortura, mantém confinados em campos de concentração e impede que vivam os palestinos? Não há "direito", mas há a conivência por parte da "comunidade internacional", da mídia e de todos que "compram" qualquer versão vendida por Israel e seus defensores.

Temos de isolar Israel e seus defensores, tratá-los pelo que são: Genocidas e defensores de genocídio. São NaziSionistas. Só o boicote serve. Canalha usando a Folha pra falar que "Palestinos não existem" enquanto milhares são torturados por Israel e mortos? Boicote no canalha, oras.

Se defender Hitler, Apartheid e etc é crime ou mesmo intolerável, não podemos aceitar que se defenda um regime que é uma junção destes. Que se perpetua ha mais de 60 anos, que massacra ha mais de 60 anos.

Temos de ser direitos, firmes e decididos. Impor um total isolamento a Israel e seus defensores, seja na imprensa, na academia, nas trocas comerciais ou mesmo em conversas de bar.

Quem defende genocídio tem de ser tratado como perigoso, como alguém que é capaz de reproduzir esta violência que defende. Tem de ser isolado, boicotado, ridicularizado, desacreditado. Temos de ser solidários com a Palestina, e solidariedade exige comprometimento, exige que se lute pela causa.

E vale lembrar, o Brasil mantém acordos com Israel. Intercâmbios acadêmicos, comércio e acordos militares. Não basta repudiar Israel, precisamos pressionar nosso governo a suspender todo e qualquer contato com os genocidas. Precisamos mostrar que estes acordos ajudam a sustentar o regime que é tão terrível e cruel quanto o do Apartheid.

E precisamos agir logo antes que Israel tenha sucesso em eliminar até o último palestino. O boicote ajudou o regime do Apartheid a cair e pode ajudar a parar o genocídio contra os Palestinos.
Protesto pela Palestina em Bilbao
Fotos: https://www.flickr.com/photos/48788736@N03/sets/72157645737268881/
Video: https://www.youtube.com/watch?v=aCgiDBIkrYc&feature=youtu.be
------

domingo, 13 de julho de 2014

Ditadura? Prisões preventivas ilegais podem virar tática padrão pós-Copa

------
Propaganda
-------
O professor Wagner Iglesias fez um questionamento interessante e ao mesmo tempo assustador sobre as prisões políticas contra manifestantes no Rio no Facebook:
Quero crer (mas não tenho nenhuma certeza disso) que estas prisões sem base legal estão ocorrendo para não "atrapalhar" (desculpe o termo, não encontrei outro menos ruim) a Copa do Mundo, e que depois vão refluir. Mas não tenho certeza. O que te parece?
Ao que respondi:
A intenção do governo no momento é de evitar protestos, mas levando em conta que não é a primeira vez que usam este artifício que basicamente suspende a constituição para certos indivíduos, meu medo é que se torne algo comum. Se funcionar, ou seja, acabar diminuindo a potência dos protestos (mesmo que a prisões nem sejam o fator mais relevante pra isso), temo que vire lugar comum. Não custa nada ao Estado.
Acredito que a ideia mereça ser ampliada.

Não é a primeira vez que o governo do Rio, com a anuência do governo federal, age contra manifestantes com prisões preventivas absolutamente ilegais. E temo que não será a última.

Até o momento as prisões estão sendo feitas para "garantir" a Copa do Mundo, para evitar protestos, mas uma vez que estas medidas são vistas como eficazes (ainda que seja impossível medir, dado que o movimento #NãoVaiTerCopa, dentre outros, são horizontais), podem vir a se repetir indefinidamente sempre que um governo - qualquer governo - se sentir ameaçado ou vir seus interesses ameaçados.

A polícia e o Estado aprenderam com os protestos de junho. Ao invés de ouvir as ruas, preferiram reprimi-la, e conseguiram em grande medida fazê-lo. Em Minas cercaram manifestantes impedindo sua locomoção, em outros estados simplesmente continuaram a abusar da violência cada vez mais desproporcional. Mas viram que criminalizar, forjar provas e prender sem qualquer evidência poderia ser ainda mais eficaz.

Sim, há um enorme perigo desta "tática" virar moda. Caso os protestos continuem (temos olimpíadas pela frente e não nos esqueçamos que a Copa acabando seus efeitos permanecem), podemos ver mais e mais prisões arbitrárias "preventivas" ao arrepio da constituição.

Mas, mesmo ilegais, não assustam o poder.

Oras, o executivo de estados e do Estado não teriam chegado a este ponto sem o apoio não apenas das polícias, sempre interessadas em reprimir, mas com o apoio do judiciário, capaz de permitir tais operações sem pé nem cabeça.

Mas ainda pior que estas prisões preventivas (em que pessoas inocentes são mandadas a presídios pro até 5 dias com provas forjadas apenas para não poderem protestar), é a possibilidade de que haja uma escalada. De que as provas forjadas não sejam simplesmente esquecidas depois do não-protesto passar, mas que sejam usadas para efetivamente enviar para a cadeia ativistas.

E isso é algo factível. Melhor do que operações envolvendo Estado, Polícia e Judiciário a cada manifestação, porque não instaurar logo o Estado de Exceção e, com provas forjadas, enviar de vez para a cadeia certos elementos causadores de problemas?

Não é a primeira vez, nem a segunda. Mas podemos ver uma escalada no uso deste método contra coletivos sociais.

A certeza neste ponto é a de que teremos uma "militância" petista pronta a silenciar ou mesmo aplaudir e a mídia corporativa fará o resto do trabalho de convencer a população de que os presos são terríveis vândalos e não ativistas pelos direitos humanos criminalizados por governos com interesses escusos.



O circo está montado. Se não resistirmos perderemos o jogo e qualquer semelhança dos métodos do PTMDB de "controle" de manifestações com a ditadura não são mera coincidência. Infelizmente aprenderam bem com quem antes combatiam.
------

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sobre Copa, otimismo, pessimismo, e uma verdadeira esperança dissidente

------
Propaganda
-------
Guest post de Mariana Parra
----
Os debates e discussões sobre a Copa, muitas vezes acalorados e polarizados, me lembraram uma aula que tive o prazer de ter com um professor da República Democrática do Congo, sobre integração africana. Ele começou a aula falando sobre os afro-otimistas e os afro-pessimistas.

Os primeiros, um grupo mais reduzido, normalmente pessoas de ONGs e missionários religiosos, exaltam as maravilhas do continente e das culturas africanas, as características de seus povos, o futuro brilhante que o continente tem pela frente. Os segundos, infelizmente mais abundantes do que gostaríamos, normalmente líderes políticos e acadêmicos europeus, profetizam que a África é um continente fadado ao fracasso, ao subdesenvolvimento e à pobreza, como se pode imaginar, usando discursos e argumentos racistas e etnocêntricos.

O meu professor, uma figura bastante reconhecida no seu país e em outros países africanos, se declarou um afro-realista, como uma pessoa que conhece bem os problemas e desafios desse continente tão castigado por séculos de colonialismo e exploração, e conhece bem também suas potencialidades, sua enorme riqueza cultural e social, sua natureza prodigiosa, que trouxe grandes desafios para o ser humano, desde o início, o início de todos nós (afinal, todos viemos da África). Ele destacou a herança maldita do colonialismo que infelizmente ainda persiste na maioria dos países africanos, e afirmou sua firme esperança num futuro melhor e mais justo para o povo africano, sua esperança baseada no enorme capital humano e cultural do continente, que precisa se recuperar de tantos anos de exploração e do cruel colonialismo.

Voltando ao Brasil, me considero bem próxima ao pensamento do professor democrático congolês. Muitos no Brasil parecem querer negar nossos problemas, parecem querer varrê-los para debaixo do tapete. Nos debates sobre a Copa, se ressentem da onda de críticas contra o evento (de qualquer que seja a origem, por certo há críticas bastante questionáveis). Reafirmam a #CopadasCopas, qualificam qualquer crítica como síndrome de vira-lata.

Querem calar as vozes que apontam para a corrupção, para as remoções, para a violência policial que já ceifou muitas vidas, sim, no contexto do evento (poderiam ser ceifadas em outros contextos, mas sabemos do que estamos falando, e as comunidades atingidas demonstraram muito bem isso com o lema: A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas), além da incrível repressão policial às manifestações, com a prisão de ativistas em procedimentos totalmente ilegais (com claras irregularidades por parte da polícia e também do judiciário). Os otimistas que não toleram a dissidência querem afirmar e propagandear o Brasil que dá certo, o Brasil bonito, a festa, em troca de esconder, debaixo do tapete, a barbárie diária de massivas violações aos direitos, principalmente dos mais desfavorecidos, inclusive o básico direito à vida.

Já vi gente dizendo inclusive que críticas à organização do evento são racistas, com as comparações com países desenvolvidos. Ora, é alguma mentira que o Brasil tem mais corrupção que outros países que conseguiram avançar mais em seus mecanismos democráticos? Não coloco nenhum país em pedestal, muito menos na atual altura do campeonato, em que a crise nos países desenvolvidos demonstra a insustentabilidade total do sistema capitalista global, demonstra os limites dos avanços democráticos alcançados nesses países. Também acho que temos que valorizar nossa cultura, nossa sociedade, nossas grandes vantagens. Temos uma incrível sociodiversidade, uma cultura riquíssima, vinda do encontro de tantas culturas.

Nasci em São Paulo e me sinto privilegiada por ter crescido no cosmopolitismo da cidade. É por isso mesmo que acredito na importância da luta contra todas as barbáries e retrocessos que estamos vivendo. Síndrome de vira-lata mesmo é querer negar os próprios problemas, viver de fantasia e querer apagar a dor dos demais, é assumir um otimismo festivo que não quer saber dos problemas, aquela festividade dos que não querem que essa gente que conta os mortos atrapalhe a alegria (e nada contra quem está curtindo a Copa, muito pelo contrário, há coisas inclusive bem interessantes na Copa, o problema é os que querem curtir e não querem ouvir nenhum outro ruído, os que ainda querem calar os dissidentes, e sim, infelizmente há muitos).

Analisando outro caso de racismo em âmbito internacional: as perspectivas racistas, xenófobas e etnocêntricas em relação ao mundo árabe e muçulmano são muito disseminadas. Algumas inclusive do meu ponto de vista muito toleradas em âmbito acadêmico (assim como os afro-pessimistas). Os propagadores do "choque de civilizações" pintam os árabes como naturalmente beligerantes, lhes atribuem características essenciais, inferiores à cultura cristã ocidental. Quem conhece um pouco de história e das culturas árabes e muçulmanas sabe como isso é uma mentira completa, fruto de mentes ignorantes e fanáticas.

Quem conhece história sabe que enquanto a Europa estava mergulhada nas trevas da Idade Média, as ciências e as artes floresciam em países do Oriente. Quem conhece um pouco sobre política internacional sabe que a radicalização de grupos islâmicos se deve, em grande medida, às políticas desastrosas dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, e marcadamente depois do 11 de setembro. Quem conhece todo esse contexto, porém, não irá fingir que o Oriente Médio é hoje um paraíso. Quem conhece as causas e raízes dos conflitos no Oriente Médio não vai querer tapar ou negar que, muito tristemente, a região está hoje à beira de um conflito generalizado, com parte da sua população sendo submetida à um sofrimento extremo.

Acredito que a verdadeira luta por um mundo melhor prescinde de uma verdadeira disposição para encarar a realidade. Como lutar contra a opressão sem reconhecê-la? O imperialismo europeu e estadunidense ainda dominam o mundo, levaram à consequências desastrosas, com as quais lidamos até hoje. Promoveu a escravidão, genocídios, massacres, sociocídios (onde o tecido social e as bases morais e culturais de uma sociedade são destruídas, muitas vezes com gerações e gerações submetidas à exploração e à conflitos). O sistema internacional ainda é baseado em grande medida nessas antigas ordens, embora tenha mecanismos e uma aparência de consenso e democracia, e embora tenha, de fato, mecanismos democráticos (que infelizmente funcionam cada dia menos), e algum senso de humanitarismo.

O mesmo vale para o Brasil (e hoje as fronteiras entre o local e o global são cada vez mais tênues. Nossa situação é muito parecida à de muitos outros países, com repressão, militarismo, violência, desigualdades extremas, etc.). Os que querem esconder o sol com a peneira apenas contribuirão para a manutenção do status quo, esse status quo que tentam apagar (apagando, também, suas vítimas diárias). Talvez seja esse mesmo o objetivo destes. Prefiro seguir, como colocado nessa entrevista com Chomsky, uma esperança dissidente, que acredita na força dos que lutam diariamente, dos que atrapalham a festa, para um dia também poderem sorrir plenamente.

----
O grande Plínio de Arruda Sampaio faleceu um dia após esta postagem ser feita e suas considerações finais durante o último debate para a presidência em 2010 caem como uma luva e nos faz pensar.
Descanse em paz, Plínio. Você será sempre lembrado por nós. Plínio presente!
------

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"Mal maior": O petismo saindo do armário (de novo e outra vez)

------
Propaganda
-------
Vem chegando o período eleitoral e, com ele, petistas enrustidos começam a sair do armário.

Aquele seu amigo que passou os últimos (quase) quatro anos denunciando a violência contra os povos indígenas, denunciando a insistência do governo em não apenas não demarcar terras, como virar refém por opção de ruralistas para lidar com a questão, de repente começa a fazer campanha para.... o PT!

Aquele seu outro amigo, que você tem o maior respeito e que já deixou claro detestar Dilma e, como é do Rio, detestar também o PMDB, já começou na campanha de Lindbergh, como se ele (e o PT) não fossem aliados até ontem do PMDB "higienista, canalha, ladrão, etc".

Vários amigos simplesmente saindo do armário e se declarando eleitores de Dilma e de outros petistas pese terem passado anos os atacando. De repente estão todos limpos. Lavou, tá novo.

Cheguei a questionar alguns deles, perguntando o que achavam de Aécio, Marina, Eduardo Campos e... Que surpresa!

Concordo obviamente com todas as críticas feitas a Aécio, um desqualificado, censurador e... tucano. Dispensa comentários, não se vota em tucano.

Mas quanta surpresa quando ouço que Marina é uma canalha, uma "traíra"... E, pior, que Dudu Campos também o é, logo ele que até nem bem 6 meses era um querido aliado do PT! Os humores dos petistas e petistas enrustidos muda como o vento. Hoje você é aliado, amanhã é inimigo e, especialmente, o contrário.

Alguns não são tão abertos em sua defesa do petismo redescoberto, então investem na tese antiga do "mal maior".

O PSDB é o mal maior. Tudo é o mal maior. Logo, vamos todos votar no PT.

Concordei com essa tese na última eleição e acabei, no segundo turno, votando em Dilma. Se arrependimento matasse!

Não se vota no menos pior, busca-se construir alternativas. Voto deve ou deveria ser algo consciente, feito com a intenção de melhorar o país e não na base do medo, na base do "não tem tu, vai tu mesmo".

Se não há uma opção viável, temos de nos preparar para a luta contra quem quer que vença e não FAZER CAMPANHA para alguém ruim apenas pelo medo de outros. Claro, podemos entender o papo do "mal maior" se estivéssemos, por exemplo, frente ao perigo de uma Frente Nacional ou algum partido abertamente fascista ou neonazista vencer. Não é o caso. Oras, Bolsonaro, um legítimo fascista é inclusive da base do PT! Há fascistas para todos os gostos e em todos os lados.

Estamos, na verdade, diante de três candidatos principais que em praticamente nada se diferenciam. Dudu Campos governou com o PT por anos a fio, é praticamente igual. Aécio é terrível, mas Dilma é diferente?

Genocídio indígena, aliança carnal com ruralistas, com evangélicos fundamentalistas (Dilma chegou a revogar decreto regulando o aborto apenas por exigência dos fundamentalistas aliados, sem falar nos programas do Ministério da Saúde que Padilha cancelou pela mesma razão - e Padilha é candidato!), cooptação de movimentos sociais, brutalidade nas ruas e, é sempre bom lembrar, com uma militância (sic) fanatizada nas redes.

Na prática, o PT e o PSDB são idênticos. Assim como o PSB. A tese do "mal maior" não se aplica.

Se por um lado o PSDB é mais feroz nas privatizações (ainda que o PT também privatize), por outro o PT é voraz na cooptação e criminalização de lutas sociais. Dilma assentou MENOS que FHC. Demarcou MENOS que FHC. E FHC é um canalha que dispensa comentários, quem viveu durante seu governo sabe bem o que digo.

Se por um lado o PSDB é visto de forma mais simpática pela mídia comercial (apesar de ser hoje o PT quem a financia), o PT tem sua mídia pessoal, tem seus "progressistas" e sua "militância" virtual absolutamente fanatizada.

Já o PSB oscila entre os dois campos. Segue, não é líder.

Agora, é fato que cada pessoa tem formas diferentes de pensar e ver o mundo, até compreendo quem chegue na urna e, num momento de desespero, faça sua escolha e vote em Dilma. Mas fazer campanha? Tentar convencer outros de que um dos governos mais lamentáveis dos últimos tempos é bom?

É muita falta de noção e de coerência.

Cadafalso, pelotão de fuzilamento ou guilhotina. Faz diferença?  É uma falsa opção, vamos morrer de maneira horrível de qualquer forma. Nos cabe denunciar a situação e buscar construir alternativas e não ficar eternamente sustentando uma delas porque enquanto existir essa sustentação esse partido e esse candidato não irá ver razão para repensar como faz as coisas. O PT SABE que muita gente acaba votando nele, não importa o que façam, pela tese do "mal maior". 

Então porque fariam qualquer tipo de autocrítica se na hora que importa conseguem os votos?
------