terça-feira, 15 de abril de 2014

Esquerda versus Direita: O autoritarismo nos aproxima

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A existência ate hoje de stalinistas e maoistas é a prova de que setores da esquerda são simplesmente autoritários e não aprendem com a historia.

O socialismo real fracassou não porque o capitalismo é/era mais forte/melhor e sim porque o autoritarismo corrói por dentro. Nos torna iguais ao que combatemos.

Esquerda brasileira nunca será nada e ficará a reboque da piada que é o PT até superar o autoritarismo e o sectarismo arraigados.

É tão inaceitável a defesa de Hitler quanto a de Stalin. De Thatcher quanto de Mao. De Pol Pot quanto de Reagan/Nixon/Bush (pai e filho)/etc, de Franco e por aí vai....

[Não entendam as comparações como lineares, não é um indivíduo contra o outro e sim campos ideológicos opostos, direita e esquerda. E sim, coloco liberais/neoliberais como Thatcher no mesmo bolo que Hitler e cia pelo conjunto final da obra]

A esquerda não se diferencia da direita no autoritarismo, nas desculpas esfarrapadas para promover massacres, limpezas étnicas, limpezas em geral - ou para justificá-las após o fato consumado. Esta esquerda precisa ser extirpada de uma vez por todas, ou sempre repetiremos os erros do passado. Esse papo de louvar Stalin, de fingir que Mao era santo e etc não pode prosseguir.

Oras, enquanto Pol Pot massacrava os Cambojanos (e minorias) parte considerável da esquerda fazia vista grossa ou acusava m "imperialismo" de apenas fazer propaganda. Pois é, não era propaganda.


Como não é propaganda a divulgação dos crimes do regime da Coréia do Norte.

A negação dos crimes do "socialismo real" está no mesmo nível da negação do Holocausto. Assim como a negação dos crimes de sucessivos presidentes dos EUA, de Israel, Thatcher, Franco, Blair e cia.

O autoritarismo é o que aproxima direita e esquerda, é o que norteia certos (e amplos?) setores. É o que precisa urgentemente mudar. Ou muda, ou estaremos fadados a repetir o passado da pior forma possível.
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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Colônia de Férias sem Fronteiras, mas pode chamar de Ciência Sem Fronteiras

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Para conseguir minha bolsa CAPES eu tive de conseguir certificado de proficiência em Espanhol. Não apenas tive de fazer curso (pagando do meu bolso), como tive de pagar pelo exame, que é BEM caro.

Não apenas a CAPES exigia como minha universidade, a Deusto, em Bilbao.

A Mariana, minha esposa, teve que fazer curso no Cervantes e o mesmo exame que eu para vir pra cá, sua universidade exigia o exame de proficiência.

Pagamos caro e passamos.

Porque digo isso? Porque o Estado acabou de tomar um rombo de 1 milhão e 320 mil reais de 110 estudantes (sic) que foram para o Canadá e a Austrália SEM SABER FALAR A PORRA DO INGLÊS!

Trata-se a piada do Colônia de Férias Sem Fronteiras, vulgo "Ciência Sem Fronteiras", um programa canalha que manda GRADUANDOS pra passar uns meses coçando o saco pelo mundo. E ainda manda uns pós-graduandos pra fora, desde que não sejam de humanas, essa área do demônio.

Estes "estudantes" já estavam ha meses nestes países SEM falar a língua, ganhando dinheiro público, passagem e seguro-saúde.

Vejamos, qualquer estudante brasileiro que quiser estudar fora tem obrigatoriamente que ter certificado de proficiência para que a universidade o aceite. E para pedir bolsa CAPES ou CNPq eu preciso ter o certificado de proficiência para concorrer à bolsa.

Mas o "estudante" do Ciência (sic) Sem Fronteiras não precisa de nada disso. Vai pro exterior com grana pública sem provar nada.

Nem vou comentar sobre o número de vagas, que no fim apenas facilita que estudantes ruins sejam aprovados. Não sou a favor do pequeno número de vagas da CAPES/CNPq, claro, mas o numero de vagas do CSF é irreal. Qualquer um entra. Isso não é academia, é oba-oba.

Muitos destes 110 que retornaram queriam ir inicialmente pra Portugal, e o governo vetou. Motivo: Quer que falem uma segunda língua. Oras, o MEC usa dinheiro público pra mandar estudantes irem aprender inglês? É essa a noção de educação superior do PT?

Em tempo, eu acho absurdo que o acadêmico (e não estou contando graduandos, é vergonhoso que sequer exista um programa pra graduandos saírem do país com grana estatal) tenha que pagar caro por certificados para poder estudar fora. Mas esta é a realidade e não faz sentido os que querem o CSF tenham privilégios frente os demais. Se eu, da CAPES, tenho que ter certificado, o do CSF tem que ser tratado da mesma forma.

De quebra o governo ainda inventou um "inglês Sem Fronteiras", para ensinar inglês a quem quer viajar de graça pelo CSF.

É simplesmente vergonhoso e inaceitável que a educação seja tratada dessa maneira pelo PT. Só quer os holofotes, só quer números. A inútil da Dilma quer engenheiros e para isso ela passa por cima de tudo e todos, envia pra fora do Brasil estudantes SEM qualificação mínima, envia graduandos para colônias de férias e investe apenas em exatas e saúde.

Enquanto isso bolsistas CAPES e CNPq recebem bolsas de merda no Brasil e bolsas ruins fora. Este é o investimento do PT na educação?

Quem vai arcar com o prejuízo de mais de um milhão? Com o curso gratuito de inglês? Não vai ser o PT, com certeza. Não será Dilma.
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terça-feira, 1 de abril de 2014

50 anos do Golpe: O pacto do PT e as torturas do presente #DesarquivandoBR

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Cansei nessa semana de ler petistas esperando ansiosos por um "discurso contundente" de Dilma pelos 50 anos do Golpe. Conseguimos um arremedo, uma piada. Ela exige que "lembremos o que aconteceu". Oras, as vítimas se lembram, as famílias se lembram, mas você consegue se lembrar, presidente? Ou só lembra na hora de fazer média com o eleitorado e com seus fanáticos?

A Dilma não é apenas uma sucessão de erros, ela é, em si, um erro.

Seus discursos são em geral uma piada, motivo de chacota por ela ser incapaz até de saber em que cidade está ou de a quem pertence o cachorro atrás. E quando ela lê um discurso ele é simplesmente xoxo.

Celso Amorim recentemente declarou que as forças armadas se desculparam por terem torturado e assassinado por duas décadas. Visto que a presidente não disse nada, ela concorda com seu ministro. Visto que Dilma se recusa a sequer discutir a Anistia, ela concorda que foi tudo perdoado. Ela concorda, mas não perguntou a ninguém. Decidiu sozinha, como a ditadora que dá mostras inúmeras de ser.
A declaração terrível, desastrosa, canalha e mesmo criminosa do Celso Amorim (o que fizeram com ele? De melhor Chanceler brasileiro desde Rio Branco ou Oswaldo Aranha pra um lambe-botas de milico?) de que as indenizações pagas às vítimas e familiares de vítimas da Ditadura são o suficiente enquanto pedido de desculpas (ou fazem as vezes disso) equivale a dizer que hoje uma vítima de tortura nas mãos da polícia deveria receber "cinquentinha" e sair com um sorriso imenso enquanto o algoz continua numa boa como se nada tivesse acontecido.

Como resumiu o Francisco :"Foi torturado? Leva cinquentinha aí que passa "

E o Brasil segue sendo o país da impunidade institucional.
Mas meia e volta usa seu passado (ou tem seu passado usado pelos fanáticos que lhe cercam) como propaganda. É o cúmulo do escárnio. Aliás, minto, o cúmulo do escárnio foi às vésperas dos 50 anos do Golpe Dilma assinar decreto para que o exército ocupe um complexo de favelas (o da Maré).

Seu passado está morto e enterrado. E a única responsável é ela própria.
Quando olhamos a luta pela redemocratização, o processo histórico, onde estávamos e onde estamos agora, a grande decepção da redemocratização é o PT.

O PT não só virou um imitador do modelo de Fernando Henrique, como, não raro, foi adiante na repressão militarista que os grandes negócios exigem.

O episódio que envolve o mandato coletivo e a volta do exército às ruas do Rio de Janeiro com poderes de polícia ficará marcado na história. Se não ao lado, ao menos bem próximo da posse de uma torturada na presidência. Rodrigo Luis Veloso.
Pelo Twitter Dilma dá mostras também de ser uma total incapaz e uma insensível, além de sempre nos garantir imensas doses de hipocrisia. Milhares de pessoas apanham diariamente nos protestos que tomam as ruas desde junho, e Dilma se limitou a se revoltar quando despentearam um coronel.

Claudia Silva Ferreira foi executada e teve o corpo arrastado pelo asfalto por bandidos fardados.

Onde está revolta, presidente?

Vejam agora seus valorosos e hipócritas comentários sobre as ameaças que a idealizadora do evento "Eu não mereço ser estuprada" recebeu:
Lindo! Agora Dilma vai debater, por exemplo, o direito ao aborto? Vai rever o veto dela à lei que dava paridade de salários entre homens e mulheres? Ou talvez ampliar a conscientização sobre a Lei Maria da Penha? Ah, não vai?

Apenas discursos (a maioria péssimos e vergonhosos) e palavras (vazias). 


É difícil não se comover ao ler o depoimento da Dilma sobre o que ela sofreu na ditadura. Não seria de esperar que ela fosse mais sensível ao sofrimento alheio? Acho que está aí uma prova de que, ao contrário do que costuma pregar a cultura cristã, sofrimento não torna ninguém santo ou melhor, muito pelo contrário, se não for muito bem tratado a tendência é ele simplesmente se perpetuar e se multiplicar. É incrível como a Dilma é um símbolo do que se passa com esse país, e de vítima hoje é lider de um projeto excludente e opressor, é conivente e usa a violência do Estado pra conter tudo o que vai contra esse projeto insano, e as consequencias indesejadas dele, com suas vítimas fatais, tratadas como se fossem meras fatalidades. Foi por fatalidade que você sofreu tudo isso Dilma? Triste. Mariana Parra.
Em tempo, reproduzo texto que postei no Facebook sobre os 50 anos do Golpe. Não podemos esquecer, não podemos perdoar os criminosos que nunca foram punidos e não podemos permitir que Dilma, o PT ou qualquer outro os perdoem por nós.

Nos 50 anos do Golpe os indígenas continuam sem direitos, perseguidos e mortos pelo Estado e seus aliados. Nas favelas o povo ainda é vítima de torturas e execuções. Protestos são reprimidos com violência enquanto a propaganda oficial é de que a economia vai bem e que devemos amar o Brasil ou deixá-lo, mas jamais se opor à Copa de 70, ops, 2014.

Sem dúvida hoje podemos falar, reclamar, apontar os erros e crimes dos governos, dos políticos. Mas em muitos casos somos reprimidos, processados e muitos são até mortos por ousar desafiar o poder.

Os militares nunca forma tocados. Bolsonaro é deputado. A Anistia nunca foi revista e temos na presidência uma ex-guerrilheira que foi torturada, mas discursa e age em muitos casos igual aos seus algozes de ontem - que hoje ela abraça.

Foram 50 anos pra pensar e evoluir, mas pensamos muito, evoluímos pouco. Sem dúvida uma democracia é melhor que uma ditadura, poucos são os que discordam, mas ainda estamos longe de uma democracia real.

Há o que comemorar? Sem dúvida. O que lembrar? Mais ainda. Quem homenagear? Lógico. E mais do que nunca é preciso fazer isso tudo tendo os olhos para o presente e para o futuro.

Repetimos hoje muitos dos erros do passado. A esquerda (sic) no poder se assemelha à direita, é homofóbica, repressora, truculenta. Ainda falta muito a aprender. No trato às mobilizações populares, aos índios, aos divergentes abusa da mesma força polícia repressora que, no passado, vitimava a quem hoje a controla.

O que são as UPPs senão instrumentos típicos de uma Ditadura para controlar o povo mediante o pavor?

Lembremo-nos nesses 50 anos do Golpe que ainda falta muito por fazer, muito por superar e muito pelo que lutar. E acima de tudo, muito que aprender para não repetir.

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Atualização:

Hoje no ato para lembrar dos 50 anos do golpe, no rio, a PM partiu pra cima dos manifestantes. Bandidos de farda à serviço do PMDB e do PT atacaram pessoas que protestavam contra o Golpe. O mesmo Estado que reprimia na Ditadura reprime hoje. Mudamos tanto? 

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segunda-feira, 17 de março de 2014

Derrubando mitos: Neutralidade da rede e #MarcoCivil

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Em uma discussão no Facebook, chegou até mim o link para este texto, de alguém que SUPOSTAMENTE entende do Marco Civil e da Neutralidade da Rede. 

Não entende. Patavinas. E presta um desserviço tremendo ao se propor didático e apenas reforçar a ladainha anti-Marco Civil baseado em mentiras e desinformação. Um trecho em especial me deixou de cabelo em pé e fiz questão de responder a ele nos comentários do blog do autor (está aguardando moderação) e reproduzo aqui pela necessidade de se derrubar mitos absurdos de desentendidos passando por especialistas.
Comecemos pelo conceito de Neutralidade da Rede. Segundo o projeto, esse conceito é definido ou exemplificado da seguinte forma: "O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação".
Na prática isso significa que "todos os usuários têm o direito de serem tratados sem discriminação". Mas aí começa a discussão. O relator Alessandro Molon (PT-RJ) e alguns deputados de esquerda não admitem que eu pague um provedor ou uma operadora de telecomunicações para ter transmissões com maior velocidade, maior confiabilidade, maior disponibilidade de serviço e o maior nível de segurança. Uma proposta sem lógica.
E pior: na prática ninguém está sendo discriminado. A rede é neutra em todo o mundo, como regra geral. Se houver algum abuso não precisamos de uma lei para definir o que é a suposta "falta de neutralidade".
"Neste ponto, alguns perguntariam: "Mas você não acha que todos os conteúdos devem encaminhados com a mesma velocidade? Isso não é um exemplo de neutralidade?"

Esse é outro equívoco. Podemos ter conteúdos encaminhados com velocidades diferentes ou com maior prioridade do que outros, contrariamente à opinião do deputado Alessandro Molon e alguns outros, para os quais, o e-mail, o vídeo, as transmissões da bolsa de valores ou uma tomografia de telemedicina devem trafegar na mesma velocidade."
A neutralidade da rede não fala em "velocidade" no sentido como colocado pelo camarada. Fala que conexões não podem ser discriminadas e nem pode ser cobrado valor diferente por diferentes conteúdos, ou seja, "velocidade" é apenas um dos itens dentro da neutralidade, e não seu mais importante e nem o preponderante na forma como foi colocado. 

O que importa é a forma não-discriminatória de tratar pacotes de dados.

Uma rede de hospitais sem dúvida tem ou tem que ter uma conexão com velocidade suficiente para que aquilo que quer transmitir o seja rapidamente, logo, ela contratará ou contrata um serviço de fibra ótica rápido. Este serviço provavelmente será caro e eu, usuário doméstico, não terei nem grana e nem NECESSIDADE de algo semelhante. Ou seja, o papo de "velocidade" não faz o menor sentido. 


Quem PRECISA de velocidade simplesmente paga pela velocidade que melhor se adequa às suas necessidades, como fazemos hoje (e aqui não entro no debate sobre a qualidade dessa conexão/velocidade, sobre velocidade real e nem sobre os preços abusivos praticados), e nada disso vai mudar.

Não é aqui que entra a neutralidade.  A Vivo continuará a cobrar valores diferentes por velocidades diferentes.

O que a neutralidade prega e que o Marco Civil visa impedir é que, por exemplo, o Uol, que hospeda blogs tanto de gente contratada quanto poderia hospedar o meu ou o seu, garanta acesso mais rápido aos seus contratados que ao meu blog. Ou seja, impede que haja discriminação e privilégios a um grupo específico de usuários ou, no caso, de blogueiros da empresa. Em outras palavras, o Uol não pode tornar mais lento o acesso a blogs que não são dele e nem nos cobrar para que nossos blogs sejam acessados tão rápido quanto os que o Uol contratou.


Outro exemplo: Se, digamos, eu e um amigo temos a MESMA velocidade de conexão (digamos 1MB), o Uol não pode cobrar para que esse meu amigo acesse sites mais rápido - com a mesma conexão - "desacelerando" a minha. 

 Neutralidade garante que nós dois, com mesma velocidade, teremos acesso igual às mesmas coisas. 

Claro, se minha conexão for de 4MB e a do amigo de 1MB eu acessarei mais rápido e isto não tem nada a ver com neutralidade.

Neutralidade evita que eu tenha que pagar A MAIS para acessar o youtube, proíbe que sites beneficiem usuários específicos com acesso mais rápido em detrimento de outros com mesma conexão. Se eu contrato 1MB de velocidade eu tenho de ter o DIREITO de acessar e-mails, navegar, baixar vídeos e música, acessar streaming, sem ter que pagar pacotes diferentes para cada um deles.


Ou seja, eu contrato 1 MB de velocidade no pacote e-mail, então, SEM neutralidade, eu não poderia acessar o Youtube ou baixar nada, mas apenas contratando outros pacotes. Como se vê, não tem nada a ver com velocidade.


Sem brincadeira , mais que Eduardos Cunhas (PMDB) da vida, que são apenas lobistas, esse povo que NÃO ENTENDE do que fala é ainda mais nocivo. Com um Eduardo Cunha ficamos com o pé atrás, já esperando alguma presepada, buscando alternativas pra se informar, mas textos de gente que supostamente sabe do assunto... Acreditamos. 

É um desserviço! Esse camarada tenta, de forma didática, explicar o que ele não sabe, confundir Neutralidade com Velocidade é ridículo, quando neutralidade é não-discriminação. 

Um último exemplo: Se eu tenho um fusca e meu vizinho um jaguar, ele andará mais rápido, problema algum, a questão é que, sem neutralidade, o meu vizinho teria as ruas livres por pagar mais e eu ficaria preso no engarrafamento, no pedágio...

Para ler mais sobre o Marco Civil, recomendo o artigo que o Congresso em Foco publicou recentemente em que eu tento ser didático e explicar o tripé no qual se baseia o projeto: Liberdade, neutralidade e privacidade.
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segunda-feira, 10 de março de 2014

A vitória dos Garis e a analogia do futebol

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Reparem num detalhe fundamental: O grito de "É Campeão" dos garis.

O pobre foi ensinado a gritar gol. A comemorar gol e depois voltar pra casa quieto, num trânsito de merda, num transporte público de merda... Para voltar pra favela, pra periferia, pros extremos. Alegria é (era) o futebol, o título, o gol.

Não mais.

Os garis representam uma das classes mais exploradas e humilhadas. São considerados sujos, quando não lixo. São invisíveis, ou motivo para cruzar a rua.

Não mais.

Deram uma lição a todos os movimentos, sindicatos, partidos... Uma lição de que a luta muda, de que quem luta vence.

Precisamos aprender com os garis, que nos ensinaram uma grande lição. A luta foi deles. Sem sindicatos, sozinhos. Começaram na raça e foram angariando apoio, mas foram ELES que lutaram e conquistaram o que lhes é de direito.

Dignidade.

Não ganharam só salário e benefícios, mas ganharam dignidade, visibilidade, respeito.

Obrigado garis! E parabéns!

"Garis Unidos JAMAIS SERÃO VENCIDOS" ! Lindo demais.

Vocês tem noção que uma das classes mais exploradas,tratadas como lixo, das mais mal pagas e "baixas" DERROTOU O PTMDB?

Que lição pro país! Lição pra movimentos, sindicatos, partidos, pra todos e todas! Só a luta muda a vida!

OOOOOOHHHHH O GARI ACORDOU!

E acordou o Brasil todo! Pras ruas!
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sábado, 8 de março de 2014

Guest-Post: A vitória dos garis significou muito, que seja apenas o começo!

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Fico pensando muito nos falsos dilemas e problemas que as pessoas mergulham em relação às diferentes profissões. Uma das áreas das ciências sociais que mais odeio é a da sociologia do trabalho (pelo menos o lado que eu conheci, com uma famosa professora da PUCSP, que, pra ser bem ilustrativa, era o Caco Antibes de saia, só que bem mais sem graça, mas claro, não me xinguem, posso desconhecer a parte boa desta área, estou quase certa disso). Mas muitos desses sociólogos ficam anos estudando pra só dizer asneira de uma coisa que eles nunca conheceram: o trabalho. No Brasil, muitas vezes o trabalho é motivo de vergonha, resultado das nossas raízes escravistas. O que faz um trabalho ser digno, valorizado, o que o faz ser satisfatório para o trabalhador?

Os garis aqui de Bilbao mostram que tem bastante dignidade e moral nessa sociedade. Contam com instrumentos e tecnologia para o trabalho ser o mais salubre e humano possível. Eles cuidam da cidade, cuidam, por exemplo, dos jardins da cidade. Bilbao é linda, as pessoas se impressionam com Bilbao, é extremamente limpa, florida. As flores colorem os jardins até no inverno. Porque é tão linda?

Por aqui, eles ganham mais do que muito trabalhador "de escritório", ou de loja, ou qualquer profissão, que no Brasil seria considerada "muito mais digna". Aqui temos um vizinho que é gari, vimos hoje a roupa pendurada no varal (alguém aí no Brasil tem um gari como vizinho?)

Esses falsos dilemas fazem pessoas se tornarem fascistas sabia? Tive (o desprazer) que conversar com uma senhora habitante dos Jardins que era membro do PCB (é, o PCbão), e ela me disse, assim bem sinceramente, que saiu desse partido, 'afinal alguém tem que limpar minha privada'. Muita gente, inclusive e marcadamente muita gente de esquerda, fica matutando isso (ah, como fica).

Pois acredito verdadeiramente que o trabalho de gari pode ser muito mais digno, gratificante e contar com muito mais status social que qualquer trabalhador de "escritório" (que muitas vezes faz trabalho muito, mas muito mais "braçal" que os garis, nos exceis da vida).

Pensar hoje no trabalho como um meio de realização das pessoas parece uma piada. O trabalho para a grande maioria das pessoas virou um mecanismo pelo qual se veem esmagadas, oprimidas. É um instrumento de total alienação de si mesmas, de suas aspirações enquanto ser humano, como dizia Paulo Freire, para essa realização maior, este Ser Mais. Neste sentido, os garis trouxeram uma grande vitória para todos nós. Conseguiram, através de muita luta, coragem (algo bastante raro nos dias atuais) uma vitória incrível, para quem vivia invisibilizado, esmagado, como eles viviam, essa vitória significa muito! Que inspire a toda a sociedade, para buscarmos este Ser Mais, juntos, solidários, como dizia Paulo Freire, em comunhão.

Eu acredito que as coisas podem mudar no Brasil. Temos desafios e dificuldades muito grandes. Talvez a maior delas seja a herança escravista. O marcador da cor da pele garantiu à essa elite podre, pobre de espírito e burra que sempre haveria alguém "pra limpar sua privada", alguém diferente e distante dela própria. Acredito que isso já está em processo de mudança, e que agora, ninguém segura!! Nada é impossível de mudar!

Texto de Mariana Parra (@mariana_parra)
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