quinta-feira, 31 de maio de 2012

Brasil: O país da classe média de 300 reais!

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Como muitos dos meus leitores sabem, sou bolsista de mestrado - por mais um ou dois meses, acredito - e ganho algo em torno de 1500 reais. Se eu não pagasse praticamente o mesmo (um pouco mais, na verdade) para a Cásper Líbero eu teria de viver com este exato valor. Por sorte recebo ajuda da família e vivo com minha namorada, que banca algumas despesas e ganha bem mais que isso.

Mas vejamos, com 1500 reais eu deveria poder pagar meu transporte (com passagens a 3 reais), comprar livros (comprei pelo menos 60 livros durante o mestrado, pois é praticamente impossível encontrar livros sobre o que eu estudo no Brasil, em bibliotecas acessíveis), me vestir, comer todos os dias (de preferência), fazer compras, pagar aluguel/prestação, condomínio, luz, telefone, internet, água, gás...

Lazer? Bem, esqueça, mestrando em geral não tem dinheiro para lazer.

Enfim, teria de manter uma casa com o valor irrisório de 1500 reais.

Mas, segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, eu que ganho 1500 dilmas por mês sou... RICO! Tudo bem, eu seria da "baixa classe alta", mas ainda assim, rico!

Vejam o absurdo:
As pessoas com renda familiar per capita entre cerca de R$ 291 e R$ 1.019 são as que formam a classe média brasileira, segundo uma nova definição aprovada ontem por uma comissão da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República).
De acordo com a secretaria, essa classe representa 54% da população brasileira e é a maior do país.
Dentro da classe média, foram definidos três grupos: a baixa classe média, com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441, a média, com renda familiar per capita de R$ R$ 441 a R$ 641 e a alta classe média, cuja renda familiar per capita fica entre R$ 641 e R$ 1.019.
A classe alta estaria acima de R$ 1.019 e também foi dividida em dos grupos. A baixa classe alta ficaria entre R$ 1.019 e R$ 2.480 e a alta, que fica acima deste valor.
Os extremamente pobres têm renda per capita familiar até R$ 81 e os pobres, de R$ 81 a R$ 162. 
Em outras palavra... Pois é, não tenho nem palavras!

Uma pessoa que ganha a miserabilidade de 291 reais por mês, MUITO menos que o salário mínimo, é considerado "classe média" pelo governo. Assim é muito fácil dizer que somos um "país de classe média" quando colocamos alguém que ganha o "suficiente" pra não morrer de fome (e ainda tenho minhas dúvidas) como classe média que, em tese, seria uma classe mais privilegiada, com algum acesso à educação, bens de consumo e etc...

Estamos falando de pessoas em situação de penúria colocados artificialmente na classe média, enquanto quem ganha um salário igualmente ruim de 2 mil reais virou rico!

Deve ser aforma de Dilma criminalizar greves, mostrando como ganham bem os funcionários públicos nesta faixa, ou os professores de federal, que ganham 3-4 mil iniciais até seus 7 mil. São marajás!

Mas nada se fala dos salários iniciais do judiciário, ou mesmo os cargos de aspones do governo federal, estadual e municipal, que ganham o triplo que um professor com uma década de estudos a mais.

Não é possível chegar a outra conclusão que não a de que o governo ao invés de melhorar efetivamente o padrão de vida da população, preferiu fabricar índices para mascarar sua incapacidade. Não, amigos, quem ganha 300 reais não é classe média, quem ganha 300 reais vive em uma situação de desespero. Quem ganha 1500 reais também não tem esse padrão de vida todo, não com os preços das coisas e exigências outras.

Estamos muito, mas MUITO, longe de um padrão aceitável de vida, tanto para quem Dilma considera de classe média, quanto pra quem ela considera rico. Experimente ganhar 3 mil reais (riquíssimo para os padrões do governo Lula/Dilma) e ter que colocar um filho em escola particular de qualidade, de idiomas, viver numa casa confortável, ter um carro, ter momentos de lazer... Não, simplesmente não dá.

Mas a falta de qualidade e o jeitinho são características de um governo que acredita que dar bolsas para estudar na Uniban é garantir educação para a população, que passar por cima da biodiversidade e dos direitos humanos é "progresso".

Agora eu posso ver os "avanços" do governo Dilma, este imenso país de classe média. Ao invés dos salários crescerem, das pessoas terem mais direitos, garantias e condições de vida, mais fácil rebaixar os índices e fingir que quem era pobre ontem, agora virou rico, não porque ganha mais, mas porque os índices "se adequaram à realidade".

E tome ufanismo e fanatismo dos que são pagos pra apoiar! É realmente muito fácil encher a boca e "comemorar" que somos todos de classe média. O pior de tudo? Não é piada, mas apenas mais um insulto a nossa inteligência.

Dentro em pouco seremos um país de classe média faminta e totalmente privatizado, mas de um jeito inovador. ao invés de apenas vender empresas públicas, Dilma resolveu inovar.

A moda agora é privatizar a aposentadoria, tornar os salários de certas categorias onde há imensa presença do setor privado em algo irrisório e tornar poibitivo para qualquer pessoa ser funcionária pública, pois o etor privado, por pior que seja, se tornará mais atrativo (ou o público será tão tosco que nem valerá a pena). E não achem que estou delirando, basta ver como Dilma trata dos professores e, agora, os médicos do SUS, que tiveram seus salários reduzidos pela metade com uma canetada.

Tudo para a alegria dos tubarões do ensino da uniban e semelhantes e para as ma´fias dos planos de saúde e hospitais particulares.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lula, Gilmar e cia - Quem grita mais alto?

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Eu não tinha a intenção de me meter na briga entre petistas e a Veja, pois estes vivem uma relação de amor e ódio e sabemos que não devemos nos meter em brigas de casal, mas cabe uma pequena nota.

Acredito que todos estejam sabendo (ainda que não necessariamente entendendo) da confusão entre Gilmar Mendes, Jobim, Lula e a Veja. Um dizendo que o outro falou A ou B, todos desmentindo... De concreto apenas que Lula e Gilmar Mendes/Jobim se encontraram. Mas não se sabe o que falaram, aí entra a Veja jogando m* no ventilador.

Não preciso deixar mais claro que não tenho qualquer confiança em nada que escreve a Veja, quem costuma aplaudir a revista são os petistas quando esta coloca Dilma na capa, mas da mesma forma, não confio no Lula. Não digo que são iguais, mas suas opiniões são, para mim, igualmente irrelevantes.

Não boto minha mão no fogo por um ou por outro.

Seria bom o Lula esclarecer o que foi falar com Jobim e Mendes - e com outros ministros do STF em outras reuniões. As razões para a conversa são críveis, mesmo que a fonte seja a risível Veja. O jogo é quem grita mais alto, se a Veja/Mendes/Jobim ou o Lula/Petistas e nesta gritaria a verdade não vai surgir nunca.

Na verdade a política brasileira há muito tem virado isso, um jogo de gritos. Uma militância fanática (paga?) que tenta gritar mais alto para abafar qualquer coisa, uma direita raivosa e sem projeto e um PT aliado da pior corja possível e de extremíssima direita. Neste bolo, não é o povo que ganha - ao menos nada além de paliativos.

Mas falemos de hipóteses.

O Lula tem interesse em melar o julgamento do Mensalão? Claro que tem. Se ele pressiona o Joaquim Barbosa - relator - não consegue nada pois ele é (em tese) incorruptível, mas se tenta se aproximar dos que são mais "fáceis" e, como o Mendes, mais próximo do PSDB, consegue um acordo para ou adiar o processo ou para um toma-lá-dá-cá livrando a cara do PSDB da atual CPMI.

E Lula procurar o Mendes faz sentido, já que o (suposto) acordo com o Lula livraria não apenas o PT, mas também o PSDB dadegola.
 
Sim, é absolutamente crível, pro mais que os fanáticos petistas tentem dizer que não.Se é VERDADE aí são outros 500 e não vai ser no grito que chegaremos até ela. Aliás, nem numa CP(M)I chegaríamso a lugar nenhum, pois sabemos que tudo sempre acaba em pizza.

Não tivemos CPI da privataria por uma razão simples: O Pt hoje privbatiza igual FHC, logo, seria dar munição apra a oposição investigar no futuro. A atual CPI do Cachoeira dificilmente dará em algo, já que não faltam petistas e aliados envolvidos em falcatruas. Vaccarezza já deixou claro que prefere melar tudo a colocar o Cabral (ou o Agnello) na fogueira.

Tem horas em que a lealdade é apenas pano de fundo para a canalhice.

O questionamento do Bob Fernandes é correto:
Estranhíssimo que um ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente do mesmo STF vaze conversa reservada com um ex-presidente da República. Muito mais estranho: se a conversa teve tal gravidade, por que Gilmar Mendes não reuniu o tribunal no dia seguinte e não denunciou o fato? Por que não fez uma representação contra Lula? Era o seu dever. Por que esperou um mês para se dizer indignado?
E a pergunta é de mão-dupla: Porque Lula, acusado, não processa Gilmar? Porque não processa a Veja? Porue passou 8 anos trocando afagos e farpas com a mídia sem dar um passo sequer no caminho da democratização da mídia e da imposição de regras éticas para a mesma?

Espero que a verdade apareça, por mais que eu duvide que isso aconteça.

E vale ainda lembrar que todo esse #mimimi do Lula e aliados poderia ser facilmente evitável caso Dilma tivesse a honestidade e a coragem de propor e pressionar sua querida Base Aliada a aprovar uma regulação das comunicações, um amplo processo de demcoratização. Sabemos que isto JAMAIS vai acontecer, especialmente em um governo que, ao contrário, privilegia as Teles, vide PNBL.

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Uma nota: Acho burro da parte do PSOL se meter tão prontamente nesta briga de comadres. Por mais que seja necessário investigar tudo e todos, é precipitado tentar sair na frente desta forma com o assunto ainda tão mal explicado e cuja principal denunciante é apenas a Veja.
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NOTA DE LULA DA SILVA:
Sobre a reportagem da revista "Veja" publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF Gilmar Mendes sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:
1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. "Meu sentimento é de indignação", disse o ex-presidente, sobre a reportagem.
2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria-Geral da República em relação a ação penal do chamado mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.
3. "O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja", afirmou Lula.
4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.
Assessoria de imprensa do Instituto Lula
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Marcha das Vadias de São Paulo - Somos TODXS livres

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Mais de mil pessoas - bem mais que os "cerca de 100" da Globo e Estadão - se reuniram na Av. Paulista e desceram a Rua Augusta até a Praça da República  na Marcha das Vadias de São Paulo. Feministas (obviamente), lésbicas, gays, héteros, transgêneros, travestis, bikers, anarquistas, punks, skinheads, adultos e crianças marcharam juntos por mais de 3 kilômetros cantando, dançando e gritando palavras de ordem contra o machismo, contra a homofobia e pelo direito das mulheres serem livres.

Muitas garotas se pintaram, vestiram as roupas que bem queriam ou mesmo deixaram os seios à mostra, enquanto alguns homens colocaram vestidos curtos, sutians e até calcinhas e desfilaram com a mesma alegria e comprometimento.

Crianças pequenas desfilavam com a maior naturalidade ao lado de seus pais e demais manfiestantes, sem se improtar, estranhar ou "desmoralizar" frente às garotas seminuas. Não havia espaço para hipocrisia e falso-moralismo, nem para nenhuma pregação de pastores fanáticos de que ali encontrava-se qualquer tipo de "degradação". Era uma demonstração de comprometimento social somado à alegria de ser(mos) livres.

Segue algumas fotos tiradas por mim na Marcha de sábado (mais fotos no link) e um pequeno vídeo compilando diversos momentos da Marcha.



No Global Voices, publiquei hoje um post-resumo com fotos e vídeos das Marchas pelo Brasil, recomendo.
Reivindicando a liberdade feminina e o direito das mulheres se vestirem da forma como quiserem sem ser vítimas de violência ou moralismo, milhares de mulheres, mas também homens héteros, gays, travestis e mesmo membros de grupos como bikers, skatistas, skinheads, punks e anarquistas tomaram as ruas de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Fortaleza e Belém  - além de outras cidades - para protestar contra a homofobia e em defesa do feminismo, ou seja, em defesa da igualdade.
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quinta-feira, 24 de maio de 2012

O rapaz pobre, "estuprador", e o jornalismo de esgoto, branco e rico.

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Escrevi recentemente um artigo para o Global Voices sobre o rapaz Paulo Sérgio, negro e pobre, humilhado em um programa da Bandeirantes da Bahia por uma jornalista branca e obviamente privilegiada, mas acredito que eu precise expressar minha opinião de forma ainda mais clara. E o faço a seguir.

No vídeo, Paulo Sérgio chora, se desespera, enquanto é chamado de estuprador - o que ele nega - mas, no fim, pouco importa. O desrespeito da repórter - e do programa, da Bandeirantes e da falta de regulação da mídia que o governo nega à sociedade - não é só ao rapaz, mas também à suposta vítima de estupro, pois se tivesse efetivamente sido estuprada estaria vendo o crime ser tratado como galhofa na TV.

Mesmo que um ladrão - e confesso, mesmo que sem julgamento - Paulo Sérgio não merecia ser tratado da forma que foi. aos criminosos a lei, a prisão, e não a humilhação pública sob a tese de que estaria "pagando" pelo que fez. Ser humilahdo e ter a vida destruída em público não é "pagamento", é tortura.

A jornalista, branca, bonita, com educação (em tese), não faz ideia, por exemplo, de onde vem Paulo Sérgio, do que passou. Não que isto, em si, desculpe atos criminosos, mas ao menos nos permite compreender parte do problema. E a própria jornalista não é a única culpada, mas sim um produto do jornalismo brasileiro atual, com felizes ecxeções, que busca apenas o entretenimento e que é capaz de transformar até o estupro (suposto) em uma forma de fazer rir.

Processo

O ministério Público da Bahia irá processar a jornalista... Mas só ela? Ela é culpada, claro, mas não é a única. Não saiu só de sua cabeça a ideia de humilahr o rapaz, mas este é o mote do programa da qual faz parte, assim como de vários outros, e de sua rede de TV. Não partiu dela unicamente a iniciativa  de humilahr o rapaz, ou qualquer pessoa em situação semelhante, mas é a regra deste tipo de programa, incentivado por seus diretores e donos de TV.

Não faltam jornais que pingam sangue, com closes grotescos de vítimas - inocentes ou não - que tratam o ser humano como lixo sem respeito por sua dignidade e pelos direitos humanos. Na TV a mesma coisa.

Não adianta punir (apenas) a jornalista, reclamar do programa e dar um tapinha na cabeça da Band a título de "não façam mais isso, ok?". É preciso ir atrás da concessão da rede, realmente causar algum dano, ameaçar de forma que haja uma mudança. Da forma como tudo acontece hoje, a rede finge que reconehceu o erro e o repete na semana seguinte. E é isto mesmo que acontecerá, já que a Band ameaça demitir a jornalista, mas não comenta sobre o nojo que é seu programa e dificilente mudará alguma coisa.

E não podemos nos esquecer da conivência de agentes do Estado - policiais - e do governo da Bahia por permitir que um canal de TV entre da forma como fazem em delegacias para humilhar presos, que estão sob a tutela e responsabilidade do Estado.

Comédia versus jornalismo

Será que teremos no futuro repórteres fazendo paidas de desastreas aéreos? Já temos o CQC, cujos comediantes se auto-declaram "jornalistas", mas são repudiados por muitos dos verdadeiros trabalhadores de jornais, rádios e TV's, pois não exercem a profissão com ética e dignidade, mas transformando tudo nuam grande piada. E, infelizmente, os policialescos que pipocam pela TV fazem um serviço semelhante, mas adicionando a degradação social no hall da comédia.

Trata-se de um jornalismo feito pela elite e para as elites, para que estas possam rir da desgraça alheia, de onde não querem se aproximar. Estereotipam a periferia, aplaudem a violência contra o pobre, contra o negro, criminalizam as lutas e tem medo, pavor, de que haja uma reação capaz de subverter essa realidade. É o serviço oficial da elite para manter seus privilégios e manipular mesmo - ou especialmente - aqueles "do andar de baixo" para que aceitem sua posição. 

Oras, riam de sua desgraça e da de seus semelhantes. Mas façam isso em casa.

A Confecom aconteceu ha anos, o Ministério das Comunicações não se moveu desde então e a farra continua.

Manipulação é a regra

Um jornalismo emancipatório, crítico, faria com que houvesse ação, revolta, talvez até mudanças. Uma regulação da mídia, impondo a ética e punindo coisas grotescas como programas policalescos onde as vítimas são ridicularizadas tanto quanto os que as vitimam em um show de horrores em busca de ibope, apavora os donos do poder, que perderiam seu principal instrumento de doutrinamento e controle.

É interessante que na mesma semana em que surge este caso - apesar do vídeo não ser exatamente novo - tenhamos (com seus respectivos limites de comparação e tamanho, claro)por exemplo um jornalsita da Globo chamando de 'babaca" um jogador que se recusou a participar de um quadro do principal dominical da rede. Ao fazer 3 gols, Herrera, do botafogo, teria "direito" a pedir uma música no programa. E se recusou, dando a entender que achava uma tolice.

E é de fato uma tolice. Em seu direito de se recusar a participar involuntariamente de um programa de TV, Herrera despertou a ira daqueles que tomam o jornalismo (seja o policial, o esportivo ou qualquer outro) como simples entretenimento, até mesmo humor. Me recordo de quando um jogador de futebol americano ao fazer 3 touchdowns pediu uma musica de uma banda de metal extremo em outro programa da mesma Globo, mas editaram o vídeo fazendo aprecer que ele pedira o de uma cantora qualquer, porque o metal, talvez, fosse demais para os ouvidos do pobre telespectador e, afinal, a cantora era parte do cast era da gravadora da... Globo!

A manipulação é clara, a falta de ética mais clara ainda.

É um exemplo que parece não ter relação, mas mostra como é fácil e comum a manipulação da mídia, a falta de ética e como tudo fica impune, apesar do governo ter noção do que acontece. Mas nada faz.

Em São Paulo, estamos no meio de uma greve do Metrô e trens e em todos os jornais não ouvimos a voz ou não lemos a opinião de nenhum metroviário, apenas do governador e de seus imediatos. Não há espaço para as reividnicações dos trabalhadores, apenas para a criminalização da greve através de frases como "São paulo está um caos" e afins. Esta é a regra. A voz dos patrões frente o resto.

A mídia faz o que quer, como quer e nada a impede.

Não se trata, porém, apenas de regular a mídia, de impor limties éticos, mas de se investir em educação, em cultura. Há quem consuma este lixo, há uma retroalimentação. Esta que só pode mudar com cosncientização, com longo trabalho de ensinar direitos humanos, com educação de qualidade e emancipatória e a intenção de mudar a sociedade.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Katia Abreu e Folha: A REAL manipulação de um conflito

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No dia 16 de maio, a Folha, como de costume, publicou mais um artigo de mais um(a) desocupado(a) que não entende nada do assunto que se propôs a falar - bem, talvez seja melhor que publicar textos de neofascistas, mas tudo bem.

Falo de um artigo asqueroso da Katia "Dilmão" Abreu sobre uma suposta "manipulação" do conflito agrário, mais especificamente sobre como se dá (terras) demais para os índios, que eles já tem terra suficiente (até mais do que devia), que a Funai é malvada e mais um punhado de blablabla com o intuito de ganhar apoio para coalhar de soja e gado a terra dos índios e todo e qualquer espaço verde restante no país, como se eles fossem inquilinos incômodos e não os legítimos DONOS da terra.

Trata-se - e isso tem 500 anos - os índios como se fossem indigentes que apareceram para atrapalahr o "progresso", como se não habitassem a terra há milhares de anos, milhares, aliás, ANTES de qualquer branco ou latifundiário ter "posse" sobre algum pedaço desse país. Mas, aliada de Dilma e do PT, Katia Abreu tem todo espaço do mundo para pregar e impro seu discurso.

Mas, claro, a Folha abre um pequeno espaço para o contraditório... realmente pequeno. Eis o que a Folha publicou da carta que enviei imediatamente após ler tantos absurdos:

Questão indígena
No texto "A manipulação de um conflito" (Tendências/Debates, ontem), a senadora Kátia Abreu demonstra seu absoluto desconhecimento sobre como vivem os índios no Brasil. A senadora defende que os índios sejam confinados em pequenos parques e que o resto da terra seja usado para o plantio de soja.
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)

E agora o que eu efetivamente escrevi:

A senadora Katia Abreu demonstra mais uma vez - como se fossem necessárias mais provas - seu total e absoluto desconhecimento sobre como vivem os índiso no Brasil, sobre sua cultura e modo de vida.

Querer dizer que os índios representam apenas pequena parte da população brasileira - e isso usando dados desatualizados sobre o real número de indígenas, talvez de propósito - e, então, não teriam direito à terra é, no mínimo má fé, além de alegado desconhecimento.

Em primeiro lugar, estamos falando do povo originário do país, os legítimos donos da terra, que tiveram seus direitos esmagados há e por mais de 500 anos, logo, tratá-los como se estivessem pedindo algo que não lhes é de direito, é não só ridículo, como criminoso. Em segundo lugar, muitas das tribos indígenas que ainda não foram totalmente devastadas pelo "homem branco" precisam de espaço para caçar, plantar, enfim, para exercer livremente seu modo de vida e, sejamos honestos, frente aos apartamentos cada vez menores e espaços cada vez mais restritos do "homem da cidade", não me parece pedir muito.

O que a senadora Katia Abreu defende é que os Índios sejam confinados em pequenos parques, tratados como bicho e que o resto da terra seja usado para soja a ser exportada e para engordar o bolso de seus comparsas.
Seria mais honesto que a Folha não fingisse honestidade editorial praticamente mudando o sentido daquilo que é enviado e mutilando totalmente a mensagem. Mas está dado o recado.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Os limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo

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Convido meus leitores recifenses/pernambucanos a prestigiar o debate sobre Marco Civil, Censura, Liberdade e Vigilantismo na Rede no Expoidea, dia 13 de maio, domingo, 16h:

Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como AI5-Digital) aqui no Brasil – que está em debate no nosso parlamento.
Buscando aprofundar as discussões sobre este contexto, a Expoidea vai promover um instigante debate chamado “Os Limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo”.
Estarão na mesa os ciberativistas João Carlos Caribé e Raphael Tsavkko Garcia. O mediador deste debate será o doutor em Sociologia da Comunicação pela UFPE, Luiz Carlos Pinto – que realizou a tese de doutorado intitulada “Ações Coletivas com Mídias Livres: uma interpretação gramisciana de seu programa político“.

DATA E HORA: 13 de maio – domingo, às 16h.
LOCAL: Espaço Ideário – Shopping Paço Alfândega.
ENTRADA GRATUITA.

PARTICIPANTES:

JOÃO CARLOS CARIBÉ


Publicitário, pós graduado em Mídias Digitais, Consultor e Criador do movimento MEGA NÂO. Criador do blog Entropia.
Twitter - @caribe

RAPHAEL TSAVKKO GARCIA


Bacharel em Relações Internacionais pela PUC-SP. Mestrando em Comunicação pela Cásper Líbero. Jornalista, Ciberativista, Blogueiro, Autor e Tradutor do Global Voices. Colunista do Diário Liberdade e Editor do blog The Angry Brazilian.
Twitter - @tsavkko

MEDIADOR: LUIZ CARLOS PINTO


É jornalista, com mestrado e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco. Sua tese de Doutorado é uma interpretação do programa político de ações coletivas com tecnologias livres. Tem colaborado pontualmente em projetos de apropriação crítica de tecnologias da informação e comunicação, mantém (a duras penas) uma linha de investigação das relações entre política, cultura e tecnologias e edita o blog locoporti.blog.br.
Twitter – @LulaPCosta
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