segunda-feira, 18 de abril de 2016

Dilma perdeu na câmara para seus aliados e por suas próprias políticas

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O PT se aliou e deu força aos conservadores e de quebra quando a esquerda tomou as ruas em 2013 os petistas gritaram VAI PM e nos chamaram de vândalos.

O saldo de 13 anos do PT no poder será um período terrível pra esquerda e pros direitos humanos. O que vem pela frente será terrível. O que vivemos hoje já é terrível, é bom lembrar.

Foram 13 anos de cooptação e neutralização de movimentos sociais, o preço vai ser caro e virá mais rápido que dívida do cartão. Teremos uma lei antiterrorista pra quem governar usar como quiser, mais uma obra do PT, partido inconsequente que achou que ia se entronizar.

Foram 13 anos dando moral, verba e força pro lixo conservador, fascista, religioso e ruralista que hoje derruba(m) o governo.

De que adiantou Dilma afirmar que "Feliz é a nação cujo deus é o senhor"? De que adiantou Dilma dizer que não faria "propaganda de opção sexual"? Deu força à corja mais reacionária, fanática, corrupta e perigosa.

É um horror ouvir a turma falar "em nome de deus"? Falar em nome da família? Carregar livros do Olavão? Sim, como é horror ver deputado petista falando que defende indígenas, quilombolas ou trabalhadores. Maluf votou contra o PT. Marco Feliciano, pra quem o PT entregou a CHD, votou contra o PT... Valeu à pena?

Não estaremos entregues à turma contra "ensino de sexo nas escolas" ou pela "paz de Jerusalém", porque estes em peso já governavam com o PT e ganhavam benesses do Estado, mas estaremos mais fracos do que nunca.

O PT voltará pra oposição e, infelizmente, será recebido de braços abertos pela esquerda para, uma vez mais fortalecido, voltar a governar com os mesmos fascistas de sempre. O PT irá mais ainda se apoiar na esquerda, em quem o PT batia nas ruas e aplaudia quem batia, que xingava de "esquerda que a direita gosta". E notem, o PT não irá fazer NENHUMA autocrítica. A narrativa do Golpe é, como de costume ao PT, forma de culpar os outros pelos seus erros. O PT irá impor a narrativa do golpe e exigirá em 2018 apoio cego da esquerda ao Lula para repetir os MESMOS erros (que não são erros, é apenas estratégia).

O PT tem (ou teria) que ser derrotado nas urnas e nas ruas pela esquerda. Não por impeachment comandado por (ex-aliados) bandidos 

O país ainda vai sofrer muito por essa decisão. Por mais que eu deteste Dilma, abriram uma brecha tremenda. Não que Dilma não tenha cometido crime, beleza, mas a questão é outra, os caras acham q é parlamentarismo, não é. Tanto que praticamente nenhum, ao votar, votou pelas razões na mesa. Simplesmente cansaram de ter outro administrando os roubos, quiseram tomar o controle de volta. Qualquer presidente agora terá de ceder muito mais, o parlamento ganhou um poder imenso...
 
A merda vai continuar, a crise via continuar, mas o maior poço de bandidos do país terá ganho um poder imenso. Qualquer um que não tiver maioria estará lascado. E por maioria digo o próprio partido mais um ou dois extremamente fiéis. E com 32 partidos no país a gente sabe a real.
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domingo, 17 de abril de 2016

Posicionamento diante da possibilidade de impeachment de Dilma

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Antes de mais nada, eu sou CONTRA o impeachment, mas admito que parte de mim sentirá prazer ao ver o PT afundar. Merecem.

Se MST e demais movimentos tivessem colocado as milhares de pessoas nas ruas que dizem que vão colocar hoje, bloqueando estradas, incendiando pneus (vandalismo?) para lutar por reforma agrária ou por um governo efetivamente de esquerda, imaginem só onde estaríamos!

Quantos que hoje gritam #NãoVaiTerGolpe não gritavam VAI PM em 2013? Quantos não faziam coro de "vandalismo" por vidraças quebradas de bancos, mas acham lindo e revolucionário estourar bonecos de plástico?

Com essa gente, honestamente, eu não me junto, não quero nem respirar perto, que o diga sair de braços dados. Num dia lado a lado, no outro correndo de balas de borracha e sendo enquadrados na lei antiterrorismo diante de quem aponta e ri.

O que mais me irrita nisso tudo é a hipocrisia e a desmemória. Gritam contra a Globo como se o governo não tivesse passado TODOS os anos no poder enchendo a Globo de grana (mais de 6 bilhões de reais). O PT nunca ousou levantar o dedo contra a mídia ou contra os interesses de poderoso algum. Como disse o Gustavo Gindre
"O grande responsável por esse massacre mediático é a omissão e mesmo a cumplicidade dos 13 anos de governos petistas em relação aos grandes grupos de mídia." 
Na verdade o PT se dedicou a criar também uma mídia própria, tão suja e mentirosa quanto a que diz se opor.

O PT ESCOLHEU esse caminho.

Escolheu seu caminho e escolheu a altura do precipício do qual se jogou. Escolheu os aliados, escolheu Temer. E escolheu as empreiteiras ao invés dos movimentos sociais.

Não importa quem vença, se o PT ou a oposição (oposição esta que era, em sua ampla maioria, aliada do PT até ontem), nós perderemos. Já perdemos, aliás. Os acordos feitos para manter ou derrubar o governo irão dilapidar ainda mais o Estado. Iremos provavelmente passar por reformas profundas que irão prejudicar milhões de brasileiros.
O PT não pode ser julgado por bandidos... Mas se aliar, ser apoiado e governar com bandidos pode? É uma lógica que eu não entendo... Mas nunca nos esqueçamos da máxima "Lulou, tá novo".
Não duvidem se logo na semana posterior ao impeachment (sim, ainda faltaria o Senado caso o processo fosse aprovado hoje, mas por lá a queda da Dilma seria certa) vierem reformas da previdência (mais agressiva que a que o PT já vem impondo), mais criminalização de movimentos sociais (o que o PT também vem fazendo), corte de direitos (novamente, o PT faz)...

Eu não consigo compreender como alguém consegue ir às ruas e gritar por qualquer um dos lados. Não é pela democracia, é pelo PT que protestam. Não é contra a corrupção, é contra o PT que votam impeachment.
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Rafuko é atacado e chamado de racista por Social Justice Warriors ensandecidos

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"Ativistas" negros chamando o Rafucko de Racista e dizendo que não aceitam que "outra ESPÉCIE" (ou seja, brancos) falem por eles. Eu desisto.

Eu já cansei de repetir que esse povo Social Justice Warrior passou dos limites. Precisam de terapia, de psiquiatra e não de militância social, pois são incapazes disso, são incapazes de construir, só conseguem destruir.

Eles não tem causa além deles próprios. Querem holofote e não que qualquer situação efetiva de exclusão acabe ou se resolva. Se a situação se resolver cadê o palanque deles? São sanguessugas que querem manter tudo como está.

E reparem, em geral são governistas. Vão pra protesto "em defesa da democracia" com bandeirinha do PT e estrelinha no peito, tiram foto com Lula...
No vídeo acima: "Chega da OUTRA ESPÉCIE falar pela nossa cor".

Não bastaram atacar a arte do Rafucko, agora foram até o espaço em que ele propunha um DIÁLOGO para chamá-lo de racista por querer dar visibilidade à causa dos negros e excluídos. Detalhe que ao menos 6 artistas expondo junto ao Rafucko eram negros periféricos. Mas nenhuma surpresa que SJW tenham invisibilizado os artistas periféricos pra atacar um branco. Esses "ativistas" querem holofote, não iriam dar pra ninguém mais, não importa se negro ou periférico. Só querem foder o trabalho dos outros e nunca construir.

Mas no fim é aquilo que muita gente aponta, SJWs nunca estarão satisfeitos e SEMPRE encontrarão defeito, porque senão eles se tornam obsoletos. Precisam gritar contra algo e se tornam simplesmente chatos. São aquelas pessoas que querem ser do contra e ponto, é o prazer delas. Não adianta o que você faça, já decidiram que você está errado por ter nascido.

Mas tá tranquilo, os SJW tão só na internet, são inofensivos, são coisa passageira. Os linchamentos que promovem não são nada demais. Pois é...

Se alguém tem sugestões de como seria possível dialogar com pessoas que se dedicam exclusivamente a espalhar ódio e a atacar quem tenta defender causas sociais, sou todo ouvidos, porque eu realmente não consigo ver no horizonte nada de positivo, nada de construtivo e o diálogo é mais necessário do que nunca.

Por experiência, de acompanhar diversas discussões, noto que o que melhor funciona contra SJW é simplesmente adotar o mesmo tom, não baixar a cabeça, mas no fim isso acaba inviabilizando mais ainda qualquer forma de diálogo.

Para entender toda a história:Sobre as críticas e ataques ao Rafucko e seu MonstruáRio
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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Sobre as críticas e ataques ao Rafucko e seu MonstruáRio

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Hesitei um pouco em entrar nessa confusão entre (alguns) ativistas negros e o Rafucko por uma série de razões, dentre elas a de estar francamente de saco cheio de boa parte desses movimentos que se anto-intitulam donos na verdade absoluta e cuja palavra não é só a verdade, mas uma ordem. Mas vamos lá...

O caso é relativamente simples.

O excelente ativista e artista (ou artivista) Rafucko fez uma instalação na qual busca criticar a violência da PM contra a população das favelas (majoritariamente negra) pegando as Olimpíadas como gancho e de quebra criticando a mercantilização (de tudo). Em resumo, ele produziu "suvenires" extremamente controversos (sandálias com fotos de negros sendo revistados, caveirão de pelúcia, carro de brinquedo com furos de bala da PM, etc), colocou o logo oficial das olimpíadas em cada um deles e resolveu vendê-los.

Pra mim, uma jogada de mestre, em que ele produz uma arte extremamente impactante e ainda faz uma crítica poderosa ao mercado e às olimpíadas.

Mas muitos não viram dessa forma. 

O @marcuspessoa fez uma série de tuítes que reproduzo a seguir e que resumem a situação:
Tem uma crítica muito idiota que foi feita ao Rafucko: "você está vendendo sandálias, as pessoas vão literalmente pisar nos negros". O grande problema foi esse, enxergarem como se fosse uma loja convencional, quando é na verdade uma instalação artística. Fui ler melhor e vi que o Rafucko retirou os itens criados por ele para a exposição, substituindo por souvenirs oficiais. Uma capitulação. Parece que hoje a arte tem que se dobrar à gritaria da internet. Uma pena.
O Marcus faz referência à Carta Aberta publicada pelo Rafucko em que ele se desculpa e informa que retirará suas obras - o que acho lamentável, pese respeitar a decisão.

O @joaoninguem também fez um comentário muito interessante:
sobre treta monstruário: fico na dúvida se + triste é a raiva direcionada contra artista q tenta exatamente satirizar violência do Estado [ou] se é o fato dele ter q vir a público explicar própria obra, ou ainda o fato da exposição ser alterada e perder toda sua potência irônica.

Sobre os anti-souvenirs do Rafucko, o @laioncastro arrematou:
Os anti-souvenirs são "lembrancinhas" de um Rio de Janeiro que não querem que o turista, consumidor e entusiasta dos grandes eventos, veja. A função simbólica do objeto "souvenir" é, assim, invertida: lembremos daquilo que não se quer lembrar. Esse movimento curiosamente reaproxima o próprio "souvenir" de seus étimos, que denotam "fazer vir à tona o que estava submerso". Os anti-souvenirs do são, portanto, uma expressão crua do horror, da face oculta da Cidade Maravilhosa; são documentos da barbárie. Daí os caras falam em "mau gosto". Eu chamo de incômodo. E é claro o propósito de incomodar na arte do . Daí os caras falam em superficialidade. Vocês já foram abordados por vendedores de souvenirs? Isso faz parte do código, ora essa!
Temos ainda o poderoso texto do Rodrigo Monedesi, que reproduzo parte e recomendo que leiam inteiro:
Rafucko denuncia a banalização com que as imagens intoleráveis de assassinato e opressão contra os negros circulam e são vendidas na nossa sociedade.
Ele recria a linha de produção inteira: da escolha das imagens, passando pela produção dos objetos e chegando até o ponto de vendas.
Depois desta obra nenhum objeto oficial de souvenir das Olimpíadas 2016 poderá ser vendido da mesma forma.
Rafucko destrói a possibilidade de inocência e neutralidade dos ícones Olímpicos 2016.
Ele expõe, com o seu trabalho, todo o cinismo e a violência que se esconde por trás deste megaevento.
O obra de Rafucko corrói o verniz de paz e harmonia nas Olimpíadas 2016 e nos mostra, com frieza e objetividade, a verdade que se esconde nos outdoors, tapumes e propagandas oficiais.
Acho até que ele foi corajoso ao utilizar o ícone oficial dos Jogos Olímpicos e uma capa do referido jornal. Podendo ser processado por isso.
Acredito que seria mais útil se nós gastássemos nossa energia e nosso tempo combatendo aqueles que realmente lucram e se aproveitam da opressão contra os negros.
Nós sabemos muito bem quem eles realmente são.
Sobre críticas

Eu entendo (algumas) as críticas, quando vi o projeto pela primeira vez levei algum tempo para digerir, porque é impactante (e a intenção era exatamente essa), mas uma coisa são críticas, outras são gritos incongruentes da turma que determina o que é a verdade.

Uma crítica válida foi a de que ele poderia ter conversado com parentes das vítimas dos crimes que ele iria retratar, como o carro com marcas de bala - e esta crítica não veio da "militância", mas de quem deplorou os ataques contra ele -, porém ele não tinha que dar NENHUMA satisfação a iluminada/os de Facebook que se acham dona/os de lutas sociais (retomarei este ponto).

Raras foram as críticas em relação ao CONTEÚDO da instalação do Rafucko. Ele foi atacado por ser branco, por não ser da favela, por não ser pobre... Ele foi atacado, não sua arte. A base para desautorizar sua arte era quem o artista era (e é).

Alguns textos até tentaram ponderar, mas no fim caíram na mesma questão: O Rafucko é branco, logo, está errado. Essa turma fala tanto em "construção", mas o branco (e o homem) não constroem ou desconstroem nada, estão apenas errados por princípio.

Vejam só:
1 – Quantos favelados participam desse projeto?
2 – Ele pode vender um produto que fala de uma realidade que ele não vive?
3 – Por que o mesmo público que compra os produtos feitos pelo Rafucko, não comprariam tais produtos se feitos por uma mulher, ou homem negro e/ou periférico?
4 – Se Rafucko está errado, parcial, ou completamente por essa exposição, quem tem propriedade para critica-lo ou defende-lo, você, mulher ou homem branco vizinhos de Rafucko, ambos moradores da Zona Sul?
Respostas:

1. E daí? Porque algum "favelado" teria de participar de uma obra artística do Rafucko para esta ter legitimidade? A voz do artista não pode ser expressada? Mas é bom lembrar, participam do MonstruáRio 12 artistas, 6 deles da periferia, ou melhor, 6 deles socialmente aceitos pelos "críticos".
2. Sim. Picasso não poderia ter pintado o Guernica por não ter estado na cidade durante o bombardeio? Ou, voltando à questão anterior, só poderia pintar o Guernica se algum sobrevivente o ajudasse?
3.  Quem disse? Onde está a bola de cristal? Algum artista negro/periférico fez o que o Rafucko fez para termos alguma comparação?
4. Qualquer um que tenha cérebro tem propriedade para criticá-lo e para defendê-lo, independentemente de cor e classe. Ou agora é preciso ter selo de aprovação de "movimento" pra poder falar?

O texto segue com algumas pérolas e contradições, destaco duas:
"'Todos temos o direito de defendermos os negros', é o princípio que muitos usam para garantir que os negros sigam sem comandar sua própria defesa." e "Você é defensor dos direitos Humanos, beleza. Mas no que você contribui para que os favelados possam se auto defenderem?"

Então não pode defender o negro - porque isso é impedir que eles se auto defendam -, mas tem que defender/contribuir pra que eles possam se auto defender? Não faz nenhum sentido.

E o contrário das críticas: A estupidez.

Li alguns textos e comentários que me fazem desacreditar completamente da possibilidade da esquerda sair da lama na qual se encontra, textos de doer mesmo. Isso sem falar nas ameaças.

Tem de tudo, daquele velho "vocês brancos" ao "eu não apoio esquerda branca", uma promoção básica de apartheid às avessas que setores movimento negro de Facebook tem se especializado em espalhar. Tudo de errado no mundo é culpa do branco, sendo todos eles opressores independentemente do que façam, apenas porque existem e respiram. E ai do branco (aqui tomado como uma frase ofensiva) que sequer tentar ser solidário com outros, porque está errado.

Na página do evento/exposição o "argumento" geral é que o Rafucko é branco. É de "esquerda branca", logo, é apoiador da Ku Klux Klan. Ponto. Exemplo:
Travestido de democracia racial, travestido de liberdade de expressão sempre teremos o discursos carregado de valores/conceitos da supremacia brankkka (uso 3 k em referencia a Ku Klux Klan), pois, o pensamento ocidental universal traça o perfil do afrikano em diáspora/continental com o inferiorizado e reforçado esteriótipos.
A incapacidade de certa/os "ativistas" de enxergar o inimigo é tanta que para uma Rafucko é racista.

Sim, por retratar o racismo da sociedade e os crimes contra os negros - mas não como ela gostaria -, ele virou... racista. Às vezes eu penso que esta turma de Social Justice Warriors quer manter tudo como está. Não tem real interesse em mudar nada, se sentem confortáveis em seu "protagonismo". Preferem deixar tudo como está, mas se mantendo na posição de lideranças, falando como gurus, sendo louvados. Oras, se tudo mudar o que acontece com a posição de destaque deles? É nisso que se resume. Não querem sombra à sua luz.

O impressionante é como conseguem se manter no pedestal com argumentação tão rasa e sendo tão fácil desmontar seus absurdos. Vejam a imagem linkada, vale à pena.

Conclusão

Sejamos claros, uma coisa é tecer críticas à arte, à exposição, outra é atacar o artista da forma como foi feito e, pior, acreditar que gritar "branco" é, em si, uma crítica e não apenas falta de noção de uma turma que parece transtornada. Esses movimentos substituíram argumentos, debate e mesmo luta por chavões vazios e palavras de ordem em "coletivos" de 3 pessoas no Facebook. Ninguém é DONO de nenhuma luta. É dever de todos combater opressões e lutar pelos direitos humanos, nenhum ser ou grupelho iluminado pode declarar posse de uma luta ou gritar que detém exclusividade sobre ela.

Se partirmos do princípio de que só vítimas podem falar ou agir então vamos simplesmente acabar com toda ajuda humanitária do mundo. Ninguém mais vai ajudar em anda. Não vai ter doações, campanhas, Médicos Sem Fronteira, nada. Só as vítimas, abandonadas, vão agir por si. Se puderem, claro, senão... 

Sim, no fundo o raciocínio (sic) é esse.

"Lugar de fala" e outros termos que já tiveram algum sentido foram esvaziados por Social Justice Warriors que usam tais termos como chavões quando não tem mais como argumentar. Oras, como você vai atacar uma pessoa que te defende? Não com argumentos ou racionalidade.

Eu não preciso ser negro pra lutar contra racismo, não preciso ser mulher pra lutar contra machismo e nem ser LGBT pra lutar contra homofobia.


Claro, estou usando um recurso de generalização apenas para que o texto flua, não estou afirmando que sejam TODOS nos movimentos ou todo o movimento, mas sem dúvida parcela significativa foi tomada pelo vírus Social Justice Warrior, aquele que te faz atacar antes de pensar (aliás, sequer há espaço para pensar, só repetir e agredir), que te faz ver inimigos em todos os lados e que te força a buscar "safe spaces" - lugares onde você pode espalhar o ódio contra outros sendo apoiado(a) por seus pares - ou usando o Facebook para amplificar sua estupidez.
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segunda-feira, 28 de março de 2016

Democracia? É pela Dilmocracia

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Resuminho do que o PT/Governo tem feito pela Dilmocracia enquanto não faltam trouxas, inocentes úteis, cooptados - e mesmo canalhas tentando garantir seus cargos nas ruas - gritando por "democracia" apenas da semana passada pra cá. Repito, da SEMANA PASSADA pra cá. Imagina o que o PT não vai fazer mais pra tentar segurar o impeachment e agradar o máximo que puder a direita? Mas tem gente nas ruas apoiando porque senão ~a direita~ assume!


Governo Dilma congela reforma agrária (Mas o MST tá lá, firme e forte na Dilmocracia)
 

Planalto usa projeto que beneficia igrejas para agradar bancada evangélica (Estado Laico? Nem pensar! Se bem que dilma nunca respeitou o Estado Laico, deu declaração homofóbica, cancelou programas pró-LGBT, se recusa a debater aborto...)

Estamos 'bastante interessados' em manter o PMDB no governo, diz Dilma (com Temer, Cunha, Renan e quem mais vier pro trenzinho da alegria)


Diário Oficial traz mais uma exoneração para acomodar aliado contra impeachment (Trenzinho da alegria também no segundo escalão! É uma verdadeira orgia em que só o povo toma no cu!)

Acho mais fácil a turma que acha que está protestando "pela democracia" parar um pouquinho, pensar, e notar que estão protestando pela DILMOCRACIA. Tudo que a ~direita~ poderia fazer de ruim a Dilma e o PT estão já fazendo.
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terça-feira, 22 de março de 2016

Alguns pensamentos enquanto o Islamofascismo ameaça Bruxelas

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Ele é um refugiado. Não tem nada a ver com o que aconteceu e é também uma vítima dos terroristas.  Mas é solidário.
Eu adoro Bruxelas. Na verdade eu sou apaixonado pela cidade e já a visitei diversas vezes. Já me embebedei diversas vezes por lá, me encantei, conheci pessoas, participei de congressos, comi chocolate até não poder mais....

O sentimento é de raiva, tristeza e impotência. Exatamente aquilo que os terroristas esperam e, infelizmente, eles conseguiram. A tragédia já era anunciada há tempos. Era questão de quando.

Eu estava dormindo e acordei com um incômodo. Tentando voltar a dormir pensei "deixa eu ver o Twitter, tem algo errado". E tinha. Cenas chocantes, pessoas correndo, bombas explodindo e a notícia de mais e mais mortos no coração da Europa.

Além disso também surgiram os liberais de esquerda pra colocar panos quentes. E estes (os liberais de esquerda e os panos quentes) são os que ajudam a tornar impossível o combate ao fanatismo religioso e ao terrorismo islâmico.

Li, pasmado, um tuiteiro catalão tentar comparar os terroristas islâmicos aos judeus sob Hitler. Oras, os islâmicos são vítimas como os judeus foram, me disse um:
"TODO el terrorismo bolchevique-comunista se calificaba de judío por los nazis. Estudie la historia..."
Interessante. A diferença, digamos, básica é que os judeus eram ACUSADOS por Hitler, acusados falsamente, usados como bodes expiatórios, ao passo que os islamofascistas são, enfim, islâmicos.

Claro que precisamos diferenciar o islâmico do islamofascista, mas o segundo está contido no primeiro, pese a relação inversa não fazer sentido.

Sempre me incomoda quando, após atentados envolvendo muçulmanos, começam os gritos por "vocês muçulmanos tem que se manifestar, tem que se desculpar, se responsabilizar"... Discordo. A ação de fanáticos não é obra da maioria. De fato acho coerente que muitos se manifestem em pesar e repúdio - e muitos o fazem - mas não tenho direito a exigir nada e quem se cala diante do terrorismo praticado pelo ocidente contra o Oriente Médio tem menos direito ainda.

Porém, existe uma escala de responsabilidade que é preciso ter em mente: Aqueles que convivem nos mesmos bairros, nos mesmos espaços, nas mesmas mesquitas que radicais e fanatizados tem, penso eu, maior responsabilidade que os que não convivem com os radicais. Maior responsabilidade em denunciá-los ou mesmo em educá-los.

E todos nós temos responsabilidade também em pressionar nossos governos a parar com bombardeios criminosos, a parar com a política de fazer e desfazer ditaduras e ditadores. A parar com qualquer tipo de comércio, contato ou acordos com criminosos Sauditas, com militares assassinos e genocidas por todo o mundo (e, no caso aqui tratado, por todo o Oriente Médio).

Existem escalas de responsabilidade para todos nós.

Uma das responsabilidades pela situação também é do liberalismo europeu. Aquele que acha que censurar a internet é a solução ou mesmo parte dela para controlar os terroristas e o acabar com o terrorismo. Acham que lutando contra criptografia enquanto despejam bombas no Iêmen irão acabar com a reação terrorista.

Porque uma coisa é importante notar: O terrorismo é, por vezes (mas nem sempre) a reação do oprimido. Isso não quer dizer, no entanto, que a reação é justa ou tolerável. Não quer dizer que devemos cruzar os braços e aceitar. Não, pelo contrário, isso deveria nos dar mais força para combater as causas de parte dos problemas.

E digo parte porque nem todo terrorista vem do Iêmen bombardeado ou da Síria destruída. Muitos nascem e crescem em bairros europeus. Muitos até sofrem preconceito pela origem, outros não. Os backgrounds são extremamente diferentes. Muitos se radicalizam ao ver imagens do que o "ocidente" faz ao "seu povo", outros se radicalizam através do contato com outros já radicalizados. Outros são apenas malucos e há ainda de tudo, desde reprimidos sexuais e desajustados e criminosos que encontram no fanatismo religioso uma resposta às suas crises (não muito diferente do efeito de certas igrejas neopentecostais no Brasil, ressalvada a proporção). Em geral o neoterrorista islâmico na Europa é um indivíduo que busca uma identidade enquanto vive em uma constante tensão entre a tradição de sua família e a modernidade que o cerca.

Entender tudo isso não implica, no entanto, na concordância, aceitação ou mesmo legitimação de seus atos contra civis.

Se podemos entender parte do que se passa, não podemos concordar ou calar. E, mais importante, não podemos nos deixar encantar pelos discursos extremados de direitistas que buscam culpar os refugiados ou mesmo culpar o islamismo em si pelas ações de uma minoria fanatizada. As maiores vítimas do terrorismo islâmico são exatamente os islâmicos, não à toa estão fugindo para a Europa.

Voltando ao liberalismo europeu (e por liberalismo não me refiro ao econômico, imagino que tenha ficado claro, mas à interpretação liberal que mesmo a esquerda tem adotado dos direitos humanos e se mostrando cada vez menos capaz de lidar com as dicotomias entre direitos individuais e coletivos, algo que se expressa muito bem no fenômeno dos e das Social Justice Warriors), há os que simplesmente jogam a toalha dizendo que enquanto nós, ocidentais, não respeitarmos os direitos dos muçulmanos no Oriente Médio não mereceremos respeito em nossa terra. Há ainda quem ache mesmo legítimo sofrermos atentados pelo que "fazemos" com outros. Ou os que dizem ser impossível fazer alguma coisa contra os que pregam ódio porque... bem, apenas "porque".

Diante de posições como estas fica realmente difícil pensar em alternativas. E sim, ouso pensar que temos alternativas. Apenas retirar tropas do Oriente Médio, nesta altura, não resolveria nada. Como comentei, o terrorismo islâmico não é apenas reflexo disto, mas também de tensões identitárias que se apropriam a situação do Oriente Médio para legitimar ações. É preciso de políticas conjuntas, que vão desde políticas sociais amplas e concretas em bairros de maioria muçulmana buscando por um fim ou ao menos mitigar a guetização que muitos sofrem, à ações mais robustas de integração e melhoria da qualidade de vida.

Passa também, sem dúvida, pela não-tolerância à discursos religiosos de ódio. Passa por não aceitar excrescências como Sharia4Belgium e outros grupos proto-terroristas que são incubadores de soldados para o terrorismo religioso. Passa por uma interpretação menos liberal/individualista dos direitos humanos para uma interpretação mais coletiva, de responsabilidades sociais coletivas....

Passa por não permitir que aqueles que tenham ido à Síria possam retornar. Se foram capazes de tomar a decisão de ir (direito individual), não deveriam ter o direito de voltar e colocar em perigo o coletivo (direito coletivo).

Enfim, medidas e mudanças de mentalidade integradas, não isoladas, mas que dificilmente serão levadas a cabo. O futuro é sombrio. No momento resta chorar por Bruxelas, pelas vítimas e pelo que virá.

PS: Uso o termo "islamofascismo" por entender que há mais uma questão ideológica ou mesmo identitária envolvida que religião em si e concordando com Zizek.
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