quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Blog do Tsavkko apoia Jean Wyllys para Deputado Federal

------
Propaganda
-------
Dizer que o Jean é um ativista pelos direitos LGBT é não apenas reduzir sua luta, como dividir os Direitos Humanos em pequenos núcleos que não se comunicam. Não, Jean defende os Direitos Humanos, com letra maiúscula, e nisso defende LGBTs, mulheres, indígenas, sem terra, sem teto, prostitutas... defende nossos direitos, os direitos de todos e todas.

Em 4 anos Jean lutou pela visibilidade de grupos normalmente (re)tratados com desprezo, escondidos sob o tapete ou mesmo criminalizados, mas 4 anos é muito pouco para tamanha luta. Precisamos garantir mais um mandato não apenas para ele, mas para aqueles que defendam com unhas e dentes - mas sempre com alegria - os Direitos Humanos, os NOSSOS direitos.

Jean é necessário. Mas é bom ter em mente que só ele não pode levar a bandeira dos Direitos Humanos sozinho.

Votem em candidatos e candidatas que não tenham medo de dar a cara a tapa na defesa intransigente das minorias e votem em Jean Wyllys para continuar a encabeçar esta luta.

------
Bons candidatos para se votar no Rio:

Pra Federal - Jean Wyllys, Renato Cinco e Chico Alencar
Pra Estadual - Ivone Pita, Bruno Mattos, Flavio Serafini e Marcelo Freixo

E pra governador sem dúvida recomendo o Tarcísio Motta

Em São Paulo:

Pra Federal meu voto é do Givanildo-Giva Manoel
Pra Estadual meu voto é do Todd Tomorrow
------

domingo, 7 de setembro de 2014

Do erro ao oportunismo: O Plebiscito Constituinte para a Reforma Política

------
Propaganda
-------
O Brasil precisa de uma Reforma Política. E também de um debate sobre modelos e critérios. Mas, de forma alguma, este debate pode ser apropriado por partidos e lideranças e usado ao bel prazer eleitoral ou como forma de calar a boca de setores da sociedade.

Tendo isto em mente salta aos olhos o oportunismo desse plebiscito pela reforma política que pede uma "constituinte exclusiva" para que tal reforma ocorra.

Não vou entrar no mérito da ilegalidade de uma "constituinte exclusiva" -  não existe meia constituinte, é ilegal -, e sim me ater ao uso dessa importante bandeira política pelo PT e movimentos alinhados - e que infelizmente conseguiu apoio de setores de esquerda críticos.

O PT, grande propulsor da ideia neste momento, teve 12 anos para impulsionar um debate verdadeiro sobre o tema, mas não interessava fazê-lo enquanto liderasse com folga as pesquisas e governasse tranquilamente. Junho foi um divisor de águas e como uma das pífias propostas de Dilma para acatar as reivindicações das ruas (sem acatar nenhuma efetivamente) veio (ou voltou) o tema da "constituinte exclusiva".

É interessante notar que das centenas de organizações que apoiam o tal plebiscito - cuja cartilha a favor cita expressamente Junho como base para sua convocação - podemos encontrar diversas que não apenas não participaram dos protestos de Junho (ou posteriores), como agiram para criminalizá-lo e mesmo apareceram vez ou outra na tentativa de cooptar a base das ruas (cito nominalmente PT, PCdoB, MST, Ubes, UNE....).

O debate - da reforma política - é antigo, a necessidade idem, o problema está no timing e no método.

Timing

Muitas das reivindicações de junho eram claras (ainda que os protestos tenham tido caráter difuso), dentre elas estava o clamor por serviços públicos de qualidade. Por educação, saúde, respeito aos direitos humanos, transporte gratuito... Enfim, muitas pautas caras à esquerda e históricas (que inclusive eram defendidas pelo PT antes deste chegar ao poder e jogar no lixo todas as suas bandeiras em prol da "governabilidade" e do flerte com a direita e a extrema-direita ruralista e escravista).

Ao invés de uma resposta a estas reivindicações, veio o tema da reforma política em um momento de crise de representação e de crise do PT. Ao invés de atacar os problemas imediatos, melhor atacar todo o sistema político a fim de retirar do PT qualquer culpa pelas suas ações - e pelas reações.

"Oras, é o sistema, estúpido! O PT nada pode fazer!"

Pois é, pode. Mas preferiu escolher o caminho mais fácil de culpar os outros - ou o sistema como um todo. É bom lembrar que parte considerável da "militância" petista ainda hoje demoniza os protestos de junho e os culpa pela péssima avaliação da presidente e o parto que passam nas eleições atuais.

Como justificar continuamente a manutenção de políticas contrárias às bandeiras históricas do partido? Como justificar privatizações, consumismo, ruralismo, espionagem contra movimentos sociais, cooptações, repressão quando as desculpas de sempre começam a não mais colar?

Especificamente falando no timing, é eleitoreiro. O PT preferiu queimar a carta importante da reforma política para sair da reta. Para tentar conquistar apoio dos simpáticos à reforma política nas eleições, a fim de ser o partido a liderar o processo. Isto tendo em mente que o PT pode perfeitamente jogar o resultado (se favorável) do plebiscito no lixo caso Dilma seja reeleita e consiga formar novamente uma base parlamentar ampla para continuar a privatizar e perseguir minorias.

Caminhamos a passos largos para o conservadorismo. Os evangélicos fundamentalistas ameaçam crescer e tem dado a última palavra em cada ação do governo Dilma, sem falar nos interesses de diversos grupos empresariais carnalmente ligados ao PT (e aos demais partidos do sistema). É este o quadro que espera uma reforma política com liberdade total para se mexer na constituição. Alguém realmente espera que o resultado prejudique os interesses de algum desses grupos? O PT irá se opor aos interesses de seus aliados e patrocinadores?

Método

De fato o tema da "constituinte exclusiva" não é novo (eu erroneamente pensava o contrário tendo esquecido que até FHC havia tocado no tema no passado, assim como Lula), mas continua sendo um modelo péssimo e perigoso.

Copio aqui resolução da Conlutas, com a qual concordo:
Portanto, não podemos dar aos parlamentares, que serão eleitos com as regras antidemocráticas atuais, nenhuma carta branca para reformar o sistema político, nesse momento. O mais provável numa Constituinte, na correlação de forças atual no Congresso Nacional, é que se imponha um retrocesso ainda maior às poucas conquistas democráticas que ainda temos.

O plebiscito não cumpre, portanto, um papel progressivo. Mais confunde do que esclarece. Não tem nenhuma relação com apontar uma saída que questione o modelo econômico atual, que promova as mudanças que as manifestações de rua trouxeram à tona.

Aliás, nem mesmo diz quais seriam as mudanças que a reforma política deveria fazer, o que mistura as proposta dos setores de esquerda e democráticos com as propostas da direita, que também quer uma reforma para diminuir a participação popular e o direito de representação ou mesmo existência de partidos de esquerda que tem conteúdo ideológico e programático.
O primeiro parágrafo é impecável: Iremos reformar a política elegendo os mesmos de sempre, com o modelo falido de sempre? O que sairá daí?

O nosso atual modelo propicia o voto de cabresto, o voto em "celebridades", em puxadores de voto, o voto fisiológico... Conhecemos bem como funciona. E é usando este modelo que iremos eleger quem irá "melhorar" o sistema político?

Duvido muito.

Mas vou além. Em 1988 havia uma esquerda forte, atuante e ideológica para propor e também para barrar grandes absurdos propostos pela direita. Quem, hoje, seria essa esquerda? Não o PT.

O PT está sempre pronto e disposto a aceitar todas as exigências de seus aliados ruralistas, evangélicos fundamentalistas, banqueiros, empreiteiras... Iremos confiar neste partido para capitanear uma reforma política? Quem irá segurar a direita não será, sem dúvida, o PT, que hoje nada a amplas braçadas para (e com) a direita.

Os eleitos para uma "constituinte exclusiva", tendo em mente a configuração política atual, as pressões, o crescimento do eleitorado fundamentalista e as alianças da ex-esquerda com a pior direita, seriam francamente conservadores. Isto basta para acabar com qualquer ânimo de quem é efetivamente de esquerda. De que importa que políticos com mandato não possam concorrer? Alguém acha que o PSC tem apenas o Feliciano na manga? Ou que o Malafaia, o Edir Macedo, os Ruralistas e outros não tem candidatos guardados para quando precisarem?

Pressão

É preciso pressão das ruas para uma reforma política, mas não uma carta branca, uma "constituinte exclusiva". Não é aceitável que entreguemos o poder popular e a vontade popular para que funcionários de mega-empresas e de templos religiosos mudem a constituição ao seu bel prazer.

Temos duas saídas: A pressão popular para que o congresso debata e vote uma reforma política que seja também amplamente debatida com a sociedade dentro dos marcos atuais e da legislatura atual (imagino que junto à próxima legislatura, dado que as eleições estão aí) ou a discussão junto à sociedade e organizações/movimentos sociais de um modelo de reforma política popular que possa ser apresentado ao congresso e então haja pressão por sua aprovação (qualquer semelhança com o Ficha Limpa não é coincidência).

O que muda é de onde nasce o projeto, se diretamente do congresso ou se da sociedade para o congresso, mas não muda a necessidade de pressão popular. Porém, estes dois modelos, por assim dizer, tem em comum o fato de não darem uma carta branca via constituinte ao parlamento, mas de manter garantias mínimas e respeito a atual constituição, alterando nela aquilo que for necessário, mas impedindo qualquer mudança prejudicial por uma maioria simples.

A constituição de 88, pese inúmeros problemas, garante uma gama de direitos que, se fosse hoje, dificilmente seriam mantidos/adotados, tanto pela vontade do PT quanto de seus aliados. Logo, não podemos permitir que seja alterada impunemente, sem qualquer restrição e controle sob a desculpa (falsa) de que o que os partidos dominantes querem uma reforma política. Se querem, porque não a fazem?
------

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Marina Silva: A alternativa que não é... uma alternativa

------
Propaganda
-------
Marina pró-LGBT? É ver pra crer...
Retomo novamente ao tema Marina Silva, tentando ampliar discussões iniciadas no Facebook e complementar meu post anterior sobre ela a luz dos recentes acontecimentos.

Espelho

Marina joga no vácuo criado pela disputa PTxPSDB, mas não difere substancialmente deles. Seu discurso, no entanto, é modulado para parecer que é novo, que é outro. Marina não tem nada de novo,  é mais do mesmo. Mas ela soube se colocar.

Pode-se dizer que economicamente Marina seja um pouco mais (neo)liberal que o PT, mas o tom das críticas e a hipocrisia com que são feitas apenas dá forças ao projeto marinista. Como levar a sério quem critica Marina por se aliar ao Itaú quando foi este banco o quarto maior doador de Dilma? Ou as críticas de que ela seria aliada do empresariado e da elite, quando Dilma garantiu a estes setores lucros históricos? Se Marina e privatista, Dilma não fica atrás.

Marina se coloca acima de partidos e de candidatos/adversários. Elogia uns, critica outros, não se mete em briga e não se deixa rotular. Isso agrada ao eleitor médio.

E é sempre bom lembrar que qualquer crítica feita pelo PT à Marina serve como um espelho. E o PSDB não está muito melhor na situação. Seu candidato, Aécio Neves, é ridiculamente fraco, artificial e não empolga nem sua própria "militância".
"Como para Dilma a política é irrelevante, já que no final com as transformações econômicas promovidas todos lhe dariam razão, tudo que envolve um conflito é deixado de lado em torno da viabilidade desse projeto desenvolvimentista. Pior: Dilma fez preponderar no PT, que era um partido razoavelmente afinado com a causa ecológica, a mentalidade de que a preocupação ambiental está em conflito com o desenvolvimento social."
Os limites da disputa PTxPSDB

Importante notar que tudo que o PT faça o PSDB critica. E tudo que o PSDB faça, o PT critica. Ainda que, no fim, as práticas de ambos seja semelhante. Marina, ao sair dessa lógica de "tudo que o outro faz é ruim e só eu sou o bom" cria um escudo fantástico contra os ataques vindos contra ela.

A Marina de 2010 está morta e enterrada, pro bem ou pro mal, mas é em parte a imagem dessa Marina que mantém um eleitorado fiel enquanto ela tenta realizar algumas mudanças no discurso para agregar novos eleitores. E isto vem funcionando não apenas por ela ou por sua capacidade de mediar conflitos e de enrolar discursos, mas porque a política tradicional, PT e PSDB estão no limite.

A posição de Marina a torna imune a ataques, pois a população cansou. Cansou de apenas ataques, de picuinhas, de "tretas" eternas que, no fim, pouco diferenciam situação e oposição. Os ataques acabam fortalecendo a posição murista da Marina. É possível que num segundo turno o clima esquente e com apenas um adversário ela seja forçada a descer do muro e se posicionar mais claramente sobre diversas questões, mas por enquanto a tática tem funcionado às mil maravilhas.

Marina posa com sua imagem de alternativa em 2010 como a saída deste marasmo. Aos não pré-convertidos ela modula seu discurso. Quer "unidade", "união", que "todos trabalhando" e repudia rótulos.

Oras, em geral o repúdio a rótulos e a chamada eterna por unidade está atrelada à direita que tem medo de se mostrar. E sim, Marina é uma candidata que economicamente se coloca à direita e que em 2010 também estava neste campo no social. Hoje seu discurso social mudou, ela parece ter uma maior compreensão dos direitos humanos, desistiu da ideia absurda de plebiscito para direitos humanos (ao menos para alguns itens, retomarei o tema no fim do artigo), mas é bom lembrar que tudo isto é apenas em tese. Aliás, Marina continua defendendo absurdos como, por exemplo, plebiscito para o DIREITO ao aborto e legalização das drogas.

E PTxPSB/Marina

Questão é que a Marina no campo das ideias é teoricamente melhor que a Dilma/PT na prática, e isso explica o porque de muitos ativistas terem se bandeado para seu lado. Dilma é a certeza de um governo péssimo na área dos direitos humanos, a Marina é uma incógnita, uma pedra bruta a ser lapidada, uma pessoa supostamente mais aberta ao diálogo e ao contraditório (oras, sua mudança de 2010 pra cá seria uma mostra disso). E digo tudo isso sobre a Marina não por confiar nela - não confio, mas simplesmente porque Marina nunca governou, então não sabemos efetivamente como seria seu governo. Podemos apenas imaginar.

Confesso que entre a certeza e a dúvida, não prefiro nenhuma delas, mas compreendo quem aposte pela dúvida.

Penso que só um milagre ao melhor estilo Russomano tira da Marina a presidência, mas alerto, não esperem grande coisa de um governo de transição e sem propostas para além de ser “diferente”. Marina não é de esquerda, seu ambientalismo hoje não é mais que fachada. Mas isso parece pouco importar.

Como comentou o Mauricio Caleiro :
Em primeiro lugar, há de se ter claro que a candidatura de Marina Siva não anula uma das características mais preocupantes das eleições 2014: a constatação de que, a rigor, elas não oferecem ao eleitor uma candidatura competitiva de esquerda. Isso se deve, sobretudo, à primazia que as três candidaturas com chance de vitória concedem, com insignificantes nuances entre si, a um modelo econômico de origem neoliberal e que privilegia os interesses do mercado financeiro em detrimento aos da população.

Tal modelo baseia-se no propalado "tripé econômico", constituído de metas pré-definidas de inflação, dólar flutuante (ou seja, sem intervenção estatal no sentido de manipular a taxa de câmbio) e rigor fiscal, traduzido em metas para superávit primário (a relação entre receita e despesas, excetuadas aquelas dispensadas ao pagamento de juros da dívida pública).
[...]
Enquanto Aécio levaria esse modelito neoliberal ao limite e Dilma o tem transigido eventualmente, manipulando índices aqui e ali, mas, com a covardia característica, sem jamais assumir uma postura critica em relação a ele – pelo contrário, ela não cansa de jurar estar sendo fel ao tripé -, Marina já deixou claro que o manterá ao pé da letra.
Marina é uma alternativa que não é. Acaba (momentaneamente?) com a disputa PT/PSDB, mas não traz nada de novo. Não traz nenhuma nova forma de fazer política, não traz projetos relevantes ou novas ideias. Pelo contrário, traz e aplica o mesmo receituário antigo, mas vence por ter uma imagem que a descola do "velho".

Marina, como Dilma, tem um discurso para cada grupo a quem se dirige, muitas vezes discursos contraditórios, mas enquanto Dilma e sua candidatura perdem força, Marina cresce.

E, pasme, o discurso que muitos apoiadores de última hora de Marina adotam é o mesmo que elegeu Dilma em 2010: O mal menor. Só que para um público mais amplo Marina vem travestida de esperança, ainda que menos que em 2010. É preciso nunca esquecer, porém, que o "mal menor" continua sendo o/um "mal".

Marina não representa Junho, mas apenas um Lulismo Radical

E é bom lembrar, Marina adotou um discurso de "novo" que, no fim, nada mais é que um lulismo radical ou radicalizado. 

Certo ou errado, Marina canalizou o descontentamento com a política e a classe política muito baseado em quem era em 2010. Ela soube se atualizar. Se apropriou de Junho, fingindo-se de oráculo da juventude revoltada, mas sabendo se descolar daquilo que Junho trouxe de incômodo. Sob Dilma caiu o peso da repressão de Junho, sob Marina o sentimento de mudança.

E, lembrem-se, Marina NÃO representa junho. Não representa as ruas, não encampa suas bandeiras. Mas soube se apropriar daquilo que lhe interessa do discurso e, acima de tudo, da revolta.

O que quero dizer com tudo isso? Simples: Não importa quem ganhe, teremos de continuar mobilizados para combater. Para alguns há espaço para diálogo com Marina no poder, não sei, mas concordo que com Dilma este espaço não existe. Estaremos trocando o certo (e ruim) pelo desconhecido, mas fiquemos atentos, pois este desconhecido pode ser tão ruim quanto o que temos hoje.

Mas há (ou haverá), enfim, a possibilidade de um espaço para a esquerda respirar e se reorganizar. A esquerda precisa renascer, se reinventar.

Como, novamente, disse o Caleiro (e recomendo fortemente que leiam o texto dele):
[...] impedir a continuidade do governo Dilma seria a resposta cívica a uma governanta que não hesitou incorrer em estelionato eleitoral ao se comprometer, em comercial de campanha, a não privatizar o Pré-Sal e, uma vez no poder, fazê-lo, e a troco de banana. A uma mandatária que foi fiadora e parceira dos governos estaduais na brutal repressão aos protestos populares, o pior legado da Copa a ameaçar de maneira permanente o direito constitucional à manifestação. A uma presidente autoritária e arrogante, que reprimiu grevistas, destratou professores das universidades públicas e só se dispôs ao diálogo com a sociedade - de forma torta e breve - após o povo sair, de forma massiva, às ruas, num movimento que deixou claro a farra do mundo maravilhoso do petismo, mas que estes até hoje não compreenderam.
Conclusões

Por fim, publiquei durante o fim de semana no Facebook esta "tabela" comparando alguns pontos do programa de Marina com as práticas de Dilma/PT:
Tentando fazer uma comparação rápida e grosseira entre as propostas de Marina e a realidade de Dilma em diversas áreas que eu consegui dar uma olhada e ler análises:
- Economia: Semelhante, mas Marina propõe uma maior liberalização com autonomia do BC. Marina perde essa por pouco.
- Política Externa: Marina propõe uma política externa mais tímida e mesmo que a Pol. Ext de Dilma seja fraca em comparação com Lula, ainda parece mais consistente que a de Marina. Marina perde.
- Benefícios Sociais: Marina quer manter o que Lula fez, assim como Dilma. Empate.
- Meio Ambiente: Marina tem imensa preocupação na Área, Dilma é um monstro. Marina vence de lavada.
- Energia: Marina aposta em fontes renováveis diversas, em diversificação da matriz energética, Dilma aposta em grandes obras com impactos nefastos. Marina vence de lavada.
- Direitos das mulheres: Marina não vai além no direito ao aborto já conquistado (em casos específicos e bem limitado), mas Dilma REVOGOU portaria que garantia ao menos esses direitos. Marina vence.
- Direitos LGBTs: Marina propôs uma agenda LGBT progressista, Dilma é notória homofóbica e CANCELOU projetos. Marina vence de lavada
- Questão Indígena: Dilma foi um dos maiores retrocessos da história em questão indígena, Marina propõe respeitar o direito à consulta prévia (ignorado por Dilma) e demarcar as terras pendentes. Marina vence.
- Saúde: Nenhuma grande novidade em relação à Dilma. Empate.
- Segurança: Marina não propõe, como Dilma, desmilitarização. Nem traz qualquer programa inovador. Empate.
- Direitos Humanos como um todo: Dilma foi um verdadeiro câncer, Marina traz novas propostas e agendas e mesmo naquilo que não avança do que já existe, se mostra mais progressista que Dilma. Vence de lavada. Aliás, se Marina não atrapalhar já terá feito mais pelos DH que Dilma.
Mantenho as conclusões de artigo anterior sobre o tema, mesmo depois do recente recuo na questão LGBT - seu projeto continua mais progressista que o projeto e as práticas petistas, pese a mudança criar uma desconfiança notável.

Obviamente, ao longo da semana foi possível ver que APESAR do programa LGBT, no papel, ser melhor que o da Dilma - mesmo com os recuos - algumas declarações de Marina mostram que ela não parece ter evoluído tanto quanto muitos imaginavam (ou imaginávamos).

Não se trata de torcer/apoiar a Marina, que continua sendo uma representante do atraso, e sim torcer por uma derrota do PT. Deixando claro: Marina é ruim, péssima. O recuo feito por ela na temática LGBT menos de 24 horas após lançado o programa, à mando de Malafaia, é assustador e denuncia que ela dificilmente será progressista em seu governo:
Todos os cenários são ruins para a população e todos exigem mobilização constante, movimentos sociais fortes e atuantes que, sem o PT no poder e sem a verba ilimitada para o partido cooptar, poderiam efetivamente se reerguer. Não tenho qualquer esperança de que o PT derrotado voltaria a seu papel de oposição de esquerda. O partido se degenerou de tal forma que não resta mais ilusão. Precisa do poder e das verbas que vem com ele. Uma oposição de esquerda invariavelmente teria de nascer das ruas e dos movimentos sociais e coletivos diversos.

Uma vitória da Marina seria ruim, sem dúvida, mas seria algo como o famigerado "menos pior". É, hoje, o possível. Posso estar enganado? Sem duvida, assim como me enganei com Dilma pensando que seria ela a menos pior e, no fim, ela foi a pior presidente que o país teve desde a redemocratização.
Não nutro qualquer esperança em um governo Marina Silva, mesmo que o programa dela fosse o originalmente divulgado, progressista em direitos humanos. Tudo seria apenas "em tese". A questão que permanece, no entanto, é que Dilma é a realidade que conhecemos, de recuos frente ao mesmo Malafaia, a Edir Macedo e a toda a bancada evangélica e de uma agenda medíocre e retrógrada em direitos humanos - o programa de Dilma originalmente insistia até no velho "opção sexual", deixando claro seu atraso e descaso.

No fim, a derrota do PT é importante para a esquerda. Não se trata de apoiar ou gostar da Marina, mas ter em mente que a hora do PT já passou. Questão é que temos de tomar escolhas difíceis. Sim, derrotar o PT é necessário, mas como fazê-lo?

----
Aviso:
O país será governado nos próximos 4 anos por Dilma ou Marina. Essa é a realidade e o que faço (ou tento fazer) é analisar essa realidade. Não é o que eu quero. Adoraria que tivéssemos opções reais e viáveis, uma candidatura realmente de esquerda com chances de vencer, mas não temos, então me limito a analisar a realidade que se apresenta.

Não sou ingênuo, não voto na Marina e nem confio nela (e muito menos na Dilma ou no Aécio), mas analiso de acordo com o que é possível e com as cartas que estão na mesa. Eu acho a Marina uma péssima candidata, como a Dilma. Estarei na oposição contra AMBAS. Mas me proponho a ANALISAR cenários.

Pessoalmente penso que Marina, eleita, fará um governo possivelmente tão ruim quanto o atual do PT/Dilma, mas ela NÃO está governando, então é suposição. Logo, analiso o programa dela, o que é fato. E comparo isso, aí sim, com o governo Dilma, que foi e é medíocre e homofóbico.
------

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Marina Silva continua representando o atraso, mas Dilma é ainda pior

------
Propaganda
-------
Em 2010 me manifestei claramente sobre e então candidata Marina Silva: Ela representava o atraso.
Marina Silva não entende porque é vista, a priopri, como uma pessoa preconceituosa e fundamentalista por ser evangélica. Vamos iluminá-la? Em primeiro lugar, Silas Malafaia, Edir Macedo e RR Soares são nomes que logo vêm à mente e dizem alguma coisa. Em segundo lugar, ser contra o Aborto, Casamento/Adoção por casais homossexuais e pesquisa com células tronco dão mais uma mostra dos ideais progressistas da candidata. Realmente, porque será que ela sofre preconceito?
Sou o primeiro a admitir que não gostaria de um evangélico governando o país, mas preciso esclarecer; Me refiro não ao evangélico, ou melhor, o protestante laico, ao fiel de denominações tradicionais (em geral) e com os pés no chão, e sim ao popular "crente", ao fiel de "igrejas" neopentecostais, adeptas da tal "teologia da prosperidade", enfim, a qualquer um que orbite no entorno de Malafaia, Edir Macedo, Veldemiro, Assembleia de Deus e semelhantes.

Estes são os principais membros da chamada Bancada Evangélica (que conta também com membros de denominações protestantes tradicionais, no entanto) e são os propulsores do fundamentalismo e medievalismo no Brasil. Estes devem não apenas ficar longe da presidência, como devem ser defenestrados de qualquer cargo público, meios de comunicação e posição de poder. O Estado deve se distanciar ao máximo de religião, especialmente de fanáticos estelionatários.

Mas, enfim, Marina em 2010 era conhecida por sua claudicância em temas de direitos humanos, se opunha ao aborto, se opunha ao casamento igualitário, à adoção por casais do mesmo sexo, etc, e defendia algo absolutamente inaceitável, plebiscitos para questões de direitos humanos.

Era, apesar de todo o hype, uma candidata que representava um atraso monumental, aliado ao seu ecocapitalismo torpe e aliados que em nada se diferenciavam dos dos demais candidatos. Não havia nada de novo, senão a repetição talvez medievalizada e pseudo-moderna do que já tínhamos.

É preciso notar que hoje suas ideias não são mais a exceção. Mas a regra. A política brasileira cada vez mais se aproxima de um jogo não de soma zero, mas de resultados absolutamente negativos.

Chega 2014 e Marina tem novamente a chance de disputar a presidência. E algumas de suas posições mudaram. Acabou o papo de plebiscito pra direitos humanos, ela passou a defender (ao menos diz sua assessoria) direitos LGBTs e, no fim, seu discurso se mostra em tese mais progressista que as práticas dilmistas (esta sim um verdadeiro retrocesso em todos os sentidos).

Marina continua não diferindo em termos econômicos dos demais. Dilma, Marina e Aécio são patrocinados pelos mesmos grupos poderosos, defendem agenda econômica semelhante e cujas nuances não alteram o quadro geral - o de garantir lucros imensos aos patrocinadores e amigos e apenas garantir migalhas ao povo. Não há nenhuma diferença fundamental entre as três principais candidaturas que se apresentam este ano - e temos como o ponto mais baixo a candidatura do Pastor Everealdo, este sim que causa calafrios, mas é outro assunto.

Marina se coloca como defensora de um ecocapitalismo que, em tese, seria refratário aos anseios mais virulentos de Katia Abreu e sua turma - esta que é unha e carne com Dilma e o PT - e este é um ponto positivo, mas no fim é difícil vislumbrar, especialmente com o vice escolhido pelo PSB para ela - Beto Albuquerque, ruralista -  alguma mudança efetiva no campo, a suspensão de Belo Monte, reforma agrária e afins.

Aliás, faço um adendo, cito o Aécio neste texto, mas jamais votei ou votarei no PSDB, logo, não me demoro em sua candidatura.

Resta, então, os direitos humanos. Este era o ponto fraco de Marina, e continua, em geral, sendo, mas diante de Aécio e de Dilma, mesmo suas posições não muito progressistas gerais conseguem colocá-la à frente dos concorrentes.

Seu discurso hoje - e o de seu vice, abertamente pró-LGBT - é mais afinado com os direitos humanos e é sem dúvida mais progressista que Dilma, que foi uma franca INIMIGA dos direitos humanos: Promoveu com seus aliados genocídio indígena, homofobia, machismo, crescimento da AIDS....

Dilma se aliou, cedeu e governou com os evangélicos de tal forma que o mero fato de Marina ser evangélica ou se pautar em sua religião para governar (pese ter dado declarações em defesa do Estado Laico) se torna algo menor. Os recuos nos direitos humanos foram tão gigantescos com Dilma no poder que Marina não parece mais ser o imenso atraso que representava em 2010. Hoje o maior inimigo ou inimiga dos direitos humanos é Dilma e o PT. E isto não é teoria, não é análise de discurso, é a/na prática, ou esqueceram, por exemplo, da declaração criminosa de Dilma de que o "Estado brasileiro é Laico, mas"?

Não, Marina não se tornou simplesmente "palatável", o PT é que tomou seu lugar nas trevas.

Em outros tempos eu poderia, criticamente, chamar o voto em Marina num eventual segundo turno, mas depois do erro imenso que cometi na eleição passada ao apoiar o suposto mal menor, Dilma, não consigo repetir no erro e nem me comprometer a tal ponto.

Nesta eleição deixo claro, gostaria de ver o PT perder. O país precisa disso, a esquerda precisa disso e os movimentos sociais mais do que nunca precisam de espaço para se renovar sem a constante pressão, cooptação e violência vinda do  e patrocinada pelo PT, mas é preciso ter em mente que qualquer alternativa não é, em si, uma real alternativa, mas no máximo um período de transição que deve ser aproveitado.

Admito uma certa hipocrisia em afirmar a necessidade de derrotar o PT enquanto não me comprometo a apoiar ninguém que efetivamente possa derrotá-lo. Sim, espero que outros o façam, pois não tenho forças para dar meu voto a Marina. Nem coragem.Ela continua representando o atraso, pese Dilma ser pior.

Para o país, uma eventual vitória da Marina nos aliviaria de mais um governo ruralista, privatizador e genocida indígena representado pelo PT, mas traria novos desafios, pois seria igualmente aliado das oligarquias, representaria interesses semelhantes.


Todos os cenários são ruins para a população e todos exigem mobilização constante, movimentos sociais fortes e atuantes que, sem o PT no poder e sem a verba ilimitada para o partido cooptar, poderiam efetivamente se reerguer. Não tenho qualquer esperança de que o PT derrotado voltaria a seu papel de oposição de esquerda. O partido se degenerou de tal forma que não resta mais ilusão. Precisa do poder e das verbas que vem com ele. Uma oposição de esquerda invariavelmente teria de nascer das ruas e dos movimentos sociais e coletivos diversos.

Uma vitória da Marina seria ruim, sem dúvida, mas seria algo como o famigerado "menos pior". É, hoje, o possível. Posso estar enganado? Sem duvida, assim como me enganei com Dilma pensando que seria ela a menos pior e, no fim, ela foi a pior presidente que o país teve desde a redemocratização.

-----
Alguns podem perguntar "mas e a Luciana?", bem, eu não confio. Não digo ser uma candidatura em si ruim, mas a quantidade de tetos de vidro junto com as disputas internas no PSOL com sua tendência, o MES, das quais tenho conhecimento me afastam de sua campanha. É sem dúvida uma opção no primeiro turno, faço votos que consiga superar o traço, mas de fato não me anima ou enche os olhos. E, sejamos francos, não passará ao segundo turno e quis aqui me concentrar em cenários reais entre os três candidatos com chances de serem eleitos.
------

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O que os candidatos pensam sobre...?

------
Propaganda
-------
Uma pequena lista em constante atualização de perguntas formuladas pelo @cadulorena e por mim, direcionadas aos candidatos a presidência sobre questões econômicas, de direitos humanos e sociais do país e que gostaríamos de ver perguntadas em debates:

O que os candidatos pensam sobre desmilitarização das policias?

O que os candidatos pensam sobre #CasamentoIgualitario, #CriminalizaçãoDaLGBTsfobia, adoção de crianças por casais homoafetivos e educação inclusiva?

O que os candidatos pensam sobre 10% do PIB exclusivamente e já pra educação pública?

O que os candidatos pensam sobre revisão da Lei da Anistia?

O que os candidatos pensam sobre alternativa ao modelo "desenvolvimentista" predatório e explorador financiado pelo Estado?

O que os candidatos pensam sobre privatização /concessão de bens públicos sem qualquer consulta aos maiores interessados, o povo?

O que os candidatos pensam sobre legalização do aborto e atendimento pelo SUS?

O que os candidatos pensam sobre verbas públicas do Estado financiando saúde e educação privada?

O que os candidatos pensam sobre Estado atacando manifestações e criminalizando/espionando movimentos sociais e ativistas?

O que os candidatos pensam sobre gastos públicos com a Copa, com grandes eventos esportivos e religiosos, com Olimpíadas?

O que os candidatos pensam sobre remoções forçadas de pobres pra dar lugar a obras de eventos onde quem lucra são os ricos?

O que os candidatos pensam sobre democratização dos meios de comunicação? Sobre verbas públicas gastas em propaganda?

O que os candidatos pensam sobre financiamento milionário de empresários pras campanhas partidárias, a começar pela deles?

O que os candidatos pensam sobre grandes obras hidrelétricas na Amazônia, feitas por empreiteiras e com grana pública?

O que os candidatos pensam sobre legalização da maconha e outras drogas?

O que os candidatos pensam sobre direitos indígenas, demarcação de terras, respeito às culturas tradicionais, uso de terras indígenas para
mineração/extração de gás e petróleo?

O que os candidatos pensam sobre verbas públicas nas mãos de organizações religiosas que "tratam" de dependentes químicos?

O que os candidatos pensam sobre Belo Monte, Transposição do São Francisco e outras obras megalomaníacas incluídas ou não no PAC?

O que os candidatos pensam sobre o crescimento do fanatismo religioso, em especial neopentecostal, e sua tomada de assalto de instituições públicas como câmaras de deputados, vereadores, etc?

O que os candidatos pensam sobre o Estado Laico?

O que os candidatos pensam sobre o Passe Livre nos transportes públicos?

O que os candidatos pensam sobre a superação do modelo "carrocêntrico" e pela diversificação de modalidades de transporte público?
------

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ciclovias da Discórdia: Entre a necessidade e o autoritarismo

------
Propaganda
-------
Sobre a reclamação de comerciantes e moradores de SP em relação às ciclovias eu dou razão a eles em algumas questões. Parece mesmo que a prefeitura não avisou ninguém e nem deu alternativas, por exemplo, pra carga e descarga das lojas da região. A comunicação do Haddad é péssima.

E não só, há uma dose significativa de autoritarismo na questão, algo absolutamente típico do PT e mesmo de setores da esquerda. "Se é bom então vamos impor"! Não é bem assim.

Declarações de Haddad na base do "Eu acho que eles vão vender mais" são burras, além de baseadas em achismo e não em fatos ou estudos que seriam interessantes de se fazer e divulgar, além do erro de dizer que TODOS são "conservadores" e "ranzinzas".

Não, alguns tem bons argumentos, sendo o principal deles a absoluta falta de diálogo. O autoritarismo.
"A reclamação foi de que eles vem durante a madrugada e pintam a rua, sem mais nem menos. Para o munícipe, fica parecendo uma traição, uma grosseria por parte do prefeito. Não há nenhum diálogo"
Acho também importante pensar que comércios onde costuma-se estacionar na frente podem sim ser prejudicados pelas ciclovias. Sem lugar pra estacionar muitos podem preferir ir a outros lugares, como shoppings, e não às lojas de rua que já sofrem, aliás, com a concorrência destes outros estabelecimentos.

Mas para aqui minha concordância com os amantes de carros. Eu defendo a implantação de ciclovias, mas não apenas para ganhar o apoio de certos movimentos sociais e sim embasado em estudos e no respeito à todos na cidade que devem ser incluídos no debate (incluir não significa acatar, mas ouvir e dialogar).

Eu não dou a mínima se a Zona Azul será reduzida ou mesmo se o espaço para carros diminuirá, e acho que a prefeitura acerta em, de certa maneira, forçar o uso do transporte público fechando o cerco aos carros, mas mesmo isto deve ser feito com base em diálogo, mesmo que, como comentei, a prefeitura se limite a ouvir o que os críticos tem a dizer sem que isto pare o processo. No fim a prefeitura poderá afirmar que sim, escutou a todos, mas pensou no melhor para a maioria - e é verdade.

Mas pelo que vemos, não é isto que acontece.

Mas, se não me preocupo com a redução de vagas, a prefeitura precisa se preocupar se esta redução vier a prejudicar o comerciante pequeno de rua. Onde as vagas terão de ser reduzidas? Não onde prejudique efetivamente quem não tem nada a ver com a história.

Sim, São Paulo é "carrocêntrica", e mesmo concordando que é preciso um "empurrão" para se mudar a cultura, ela não mudará da noite pro dia e os transtornos devem ser minimizados, os prós e contras dialogados e alternativas devem ser dadas. Carga e descarga, transporte de idosos, estacionamento de pequenos comércios, são assuntos na pauta de muitos dos críticos que a prefeitura ainda não foi capaz de responder. E precisa.
------