quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Impeachment contra Dilma? Duvido, mas desde já lavo minhas mãos e preparo a pipoca

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Eu não poderia me importar menos com um possível impeachment de Dilma, o que me preocupa, no entanto, é a incapacidade política do brasileiro de ser político e de fazer política.

Dilma foi incontestavelmente eleita pela maioria dos brasileiros, uma quantidade significativa iludida por suas promessas falsas de campanha. Se por um lado suas mentiras (ainda que óbvias) são uma parte da razão para eu não me importar caso ela venha a cair, por outro estas mesmas mentiras são um expediente absolutamente comum na política (e não apenas brasileira).

O estelionato eleitoral é a forma mais comum de se fazer política. Não há nada de novo aí. Claro, Dilma tem chegado em um nível extremo de estelionato, dado que foi eleita pela esquerda, mas governa igual ou até de maneira pior que Aécio, seu adversário. E digo pior pois ela conta com a conivência de sindicatos e movimentos cooptados e trabalhados/silenciados/amaciados pelo PT nestes 12 anos de poder.

Se Dilma cair, nada mudará. O PT seguirá seu caminho natural para o lixo da história, o PMDB continuará efetivamente no poder, onde sempre esteve desde o fim da Ditadura, e o PSDB continuará também seu caminho logo atrás do PT para o mesmo lugar.

Notem que ir para o lixo da história não significa desaparecer, mas sim deixar de representar efetivamente anseios e grupos organizados, mas se tornar definitivamente apenas mais um em meio à total indigência político-partidária brasileira.

Só existe um cenário inaceitável em que efetivamente as coisas piorariam: A volta dos militares; E como isso não passa de agenda de um punhado de dementes fascistas e de algumas viúvas da Ditadura, não há possibilidade de termos algo (muito) pior que Dilma, Levy e cia.

A polarização PTxPSDB serve, hoje, apenas para mantê-los relevantes enquanto o PMDB efetivamente dá as cartas. Uma vez quebrada a polarização ambos serão relegados ao lugar que merecem. A queda de Dilma, pois, apenas acertaria as contas ou entregaria o país definitivamente a quem manda, ao PMDB de Michel Temer.

E não importa o #mimimi petista de que Temer seria horroroso (sim, seria e é), foram eles que o escolheram como vice, que deram ainda mais força e poder ao PMDB, não há do que reclamar. Jogar a carta do "Temer feio e malvado" talvez colasse se ele não fosse o vice escolhido pelo PT para Dilma.

Esta cartada é sempre usada para denunciar inimigos e aliados sempre que convém e, até agora, infelizmente, tem convencido a muitos, mas cada vez menos.

Eduardo Cunha é um horror! Verdade, mas, novamente, é aliado do PT. Renan Calheiros é um horror! Incontestável, mas, novamente, aliado do PT, eleito com seus votos até no Senado. Collor é terrível! Sem dúvida, mas quem fez campanha para sua reeleição em Alagoas? Sim, o PT. E o mesmo vale para TODOS os aliados, de Kassab a Katia Abreu que tem apoio, confiança e se brincar até amor do PT, mas que são usados vez ou outra pelos membros da Seita (não podemos chamar aquilo de "militância") ou pela direção partidária para justificar recuos e canalhices.

Dilma nomeou um neoliberal para a fazenda, tem destruído direitos sociais e previdenciários, cortou bilhões de vários ministérios, inclusive o da educação, cada vez mais sucateada. Prepara-se para cortar ainda mais direitos, mesmo tendo prometido exatamente o contrário. Se cair, não derramarei uma lágrima, assim como não tenho ou terei qualquer esperança de que com o PMDB ou qualquer outro membro da máfia parlamentar algo mude ou seja diferente.

O assustador, no entanto, é a capacidade do brasileiro de ser massa de manobra, de ser incapaz de entender como funciona a política. Bradam com ódio por um impeachment que não muda nada. Collor foi deposto, o que mudou? Onde ele está hoje?

Mudar a figura no poder ou mesmo o partido não faz a menor diferença, pois quem governam são os banqueiros, os empreiteiros, são os financiadores de campanha e a elite. Os políticos em geral são apenas seus representantes que, apenas para deixar a ironia ainda maior, brincam de eleição, onde o povo acha que escolhe alguém para o representar, mas em geral o número efetivo de interessados em representar o povo e não as elites é ínfimo.

Longe de desacreditar na política representativa, acredito na necessidade geral de uma limpeza do sistema, um reboot, a criação de uma ou umas alternativa(s) que possam impor reformas profundas no sistema político. Mas esta(s) alternativa(s) não são nem PT, nem PSDB e nem PMDB, que apenas dividem os lucros de estar no poder.

A queda de Dilma será um duro golpe no PT e sem dúvida na $eita, mas o poder só mudará nominalmente de mãos. As minhas estão limpas, lavadas e só falta estourar a pipoca para ver a máfia se degladiar.

Mas ficam dois pensamentos finais: Primeiro, impeachment NÃO é golpe, lembrem-se do Fora FHC capitaneado pelo PT há anos, não era golpe, porque hoje seria? Tampouco Collor foi vítima de golpe, não importa quanto seus neoaliados petistas queiram reescrever a história.

Aliás, os pedidos de impeachment dos petistas contra o Joaquim Barbosa eram golpe?

E, segundo, duvido que saia um impeachment, o PMDB governa muito confortável sem dar a cara a tapa, não imagino Temer ou a cúpula querendo pegar o país na crise atual podendo perfeitamente surfar e lucrar no desgaste do PT e mandar sem o ônus da popularidade arrasada. Mas, se sair, como já disse, a pipoca está pronta para ser estourada.
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Atualização 14/02:

Faço meus os comentários do Fabio ZC no Facebook:
1-) Não é golpe. Golpe é destituir um presidente sem o devido processo legal. O impeachment está previsto na constituição e é um dispositivo legítimo.
2-) Ser legítimo não o torna menos suscetível a ser usado como manobra política, pois é isso que ele é: um ato político. A palavra de um jurista não tem muito valor aqui pois se o congresso quiser, ele cassa um presidente sem provas ou mantém alguém com provas de crime. Basicamente todos os presidentes desde Vargas possuem motivos para serem impedidos, só não o foram por razões políticas.
3-) Pode-se discordar do dispositivo impeachment. Eu particularmente, assim como tenho lido várias pessoas, não acho tão bom o congresso ter o poder de reverter o voto popular. Prefiro o chamado "recall".
4-) Não acho que a Dilma sofrerá o impeachment. É o PMDB gritando para conseguir arrancar mais e mais do governo. Lembrando que a rusga começou quando a Dilma, por imposição própria, colocou Kátia Abreu, sua nova amiga de infância, no Min. da Agricultura mesmo o PMDB sendo contra, e também da forma como o governo agiu durante a eleição para a presidência da câmara.
5-) Porém, se acontecer, não derramarei uma lágrima e não moverei um dedo para defender essa presidência. Tampouco adiantará o que restou do PT e seus militantes chamarem as "ruas" pois quem abandonou as ruas há décadas, não conseguirá mobilizar agora. E nem todo mundo que não se importa com o governo ou com o PT é coxinha.
6-) Ao abandonar as ruas e optar pela luta institucional, o governo escolheu um caminho. E quando esse caminho falha, não adianta choramingar. Quem dorme com cobra na cama eventualmente será mordido.
7-) Vivemos uma nova época, uma nova safra de militantes fora do alcance da institucionalidade, com novas formas de pensar. E isso incomoda. Os movimentos sociais não vão se importar por um governo que nunca se importou com eles.
Recall seria muito mais saudável e muito mais democrático, não apenas por ser o povo quem coloca e tira do poder, como também porque o problema não é o presidente, mas o conjunto da obra, quem está no poder. Qual a diferença mudar a cabeça e trocar por outra que era a/o vice? Claro, o problema é ainda maior, de crise de representação ou mesmo de crise completa do modelo político brasileiro, mas seria um começo.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Com o "voto crítico" o Syriza jamais teria chegado ao poder

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O partido grego de esquerda Syriza bateu na trave da maioria absoluta pese sua imensa e elástica vitória nas eleições do último domingo. Terá de negociar para conseguir ao menos os 2 votos, já que conseguiu 149 cadeiras ao invés das 151 necessárias para a maioria absoluta no parlamento. De fato, caso o partido consiga estes dois votos necessários e forme um novo governo forte, a Europa poderá ver mudanças significativas nos próximos anos, especialmente com o Podemos na Espanha crescendo e podendo até mesmo governar o país.

Mas o que me interessa aqui não é analisar o Syriza e sua vitória, e sim chamar à atenção para a derrocada do PASOK, o Partido "socialista" ao estilo do PS francês, PSOE espanhol e... do PT.

O partido derreteu, não chegou aos 5% dos votos, e se tornou basicamente irrelevante. O objetivo das esquerdas no Brasil deveria ser não apenas o de formar algo como Syriza/Podemos, mas relegar o PT, como o PASOK ,à irrelevância, mas esbarra em um problema (dentre muitos): O "voto crítico".

Como já escrevi antes, o "voto crítico" no PT é um câncer, a tese do "mal maior" apenas perpetua este câncer e impede seu tratamento. Ou melhor, ajuda a espalhar o câncer ao invés de tratá-lo. Não puxa o PT para a esquerda, Levy e os cortes em direitos deixam claro, mas simplesmente acomoda o partido que pensa ter votos garantidos sempre que no aperto. Pensa e realmente os tem.

Sabem como o PASOK (o PT grego) afundou? Galera de esquerda parou de votar neles, de dar "voto crítico" e buscou alternativa. É uma receita simples. Claro, foi preciso nascer uma alternativa, mas ao invés de simplesmente repetir "não há alternativa" os gregos (e espanhóis) foram às ruas e criaram uma. E a dica vale também para os sectários de esquerda, o Syriza originalmente era uma coalizão, mas (os partidos) conseguiram superar as principais divergências e concorrer como um só.

Imaginem se a esquerda grega ficasse repetindo o mantra do "voto crítico para combater o mal maior" e continuasse a votar no PASOK? O Syriza continuaria como um partido pequeno, pese incômodo. O PASOK no fim se aliou ao ND, apoiando políticas criminosas de austeridade, veremos o PT e o PSDB aliados em algum momento? Possivelmente, e há petistas que já pedem por isso.

O Syriza prova que é sim possível lutar contra a direita e contra os amigos da direita travestidos de esquerda, basta querer e se mobilizar. O Brasil precisa prestar muita atenção e buscar seguir o exemplo, ao contrário do Syriza que já foi questionado pelo FT se iria ser mais Lula ou mais Chávez.

Eu diria que nenhum deles, a Grécia não é a Venezuela ou o Brasil, mas sem dúvida, não devem nem sonhar em copiar o Lula, ou em pouquíssimo tempo terão se transformado no PASOK ou no PT e estarão basicamente pactando com a pior direita e realizando os "ajustes" exigidos pela troika e fazendo o povo grego sofrer novamente.

O desafio do Syriza é exatamente não copiar Chavez e muito menos Lula, mas inovar, buscar uma via grega para a saída da crise e inspirar.

A nós, brasileiros, cabe buscar inspiração, mas também buscar um caminho ou uma via própria e parar de uma vez por todas de manter no poder aqueles que se submetem aos mandos e desmandos das elites.

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Atualização 26/01/15:

Tem gente (corretamente) criticando a aliança do Syriza com o Gregos Independentes, de direita. Mas é preciso ter algumas coisas em mente.

O apoio do KKE (Comunistas) teria evitado isso, mas como os stalinistas se acham puros demais pra apoiar o Syriza...

Mas tem uma questão, o Gregos Independentes é sim de direita, mas fechou um acordo baseado num programa que é capitaneado pelo Syriza, que é o combate à austeridade. Ou seja, o Syriza não rebaixou (até o momento) seu programa, mas incluiu um partido que concorda com esse programa, seria como se a Katia Abreu defendesse reforma agrária ao invés do PT ir defender o agronegócio. Vamos ver no que dá. Aliás, era o que o PT deveria ter feito ha 12 anos, ter aproveitado o apoio crítico de setores da esquerda (mesmo internos) e imposto um programa aos aliados, não o contrário. É uma diferença fundamental.

O problema principal do Syriza (ou do PT) não foi em si ter se aliado com "a direita", mas sim ter rebaixado ou mesmo abandonado seu programa pelo da direita. E no caso do PT com um agravante, com claro e descarado estelionato eleitoral. Esta última eleição de Dilma, aliás, chega a ser um acinte.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Graças à Dilma, bolsistas CAPES tem de viver até de caridade

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Vejo notícia publicada no Terra: "Pesquisadores da Capes dizem não receber bolsa há dois meses".

Um acinte.

Sou também bolsista CAPES, felizmente - ainda que com atraso - tenho minha bolsa paga até janeiro, mas não sei se receberei fevereiro. E não adianta tentar entrar em contato com a CAPES, não respondem. Em outubro enviei e-mail sobre o atraso no meu pagamento (que é acumulativo, pago de três em três meses), não recebi resposta. O pagamento pelo menos entrou.

Em novembro outros dois e-mails, questões técnicas relacionadas à mobilidade e pesquisa de campo.

Nenhuma resposta.

Semana passada, mais um e-mail, descubro que a CAPES NÃO pagou minha matrícula da Deusto, minha universidade na Europa. Até agora, nenhuma resposta. A Deusto deveria ter sido paga em setembro/outubro, lá se vão 4 meses de atraso e ligações da secretaria me cobrando.
 
Simplesmente a CAPES e o MEC ignoram que temos de viver com essas merdas de bolsas, mas ai de nós se atrasamos um relatório sequer ou se faltar uma nota fiscal.

Vale lembrar que a Dilma acabou de cortar 7 bilhões do MEC. O próximo passo, para Dilma ser coerente, é abolir as bolsas do MEC ou mandar os pesquisadores irem pro Pronatec buscar "profissão de verdade".

E já há denúncias de que há bolsistas no exterior com pagamento atrasado. Sério, é desumano. Imaginem estar num país estrangeiro sem grana, sem ter como pedir ajuda - já que, por exemplo, o Euro vale 3x o Real e só milagre pra família conseguir ajudar nesses termos...  E estamos falando do Ciência Sem Fronteiras, o programa eleitoreiro e ant-científico que Dilma inventou pra sugar recursos de pesquisa e ficar bem na fita da classe média.

Graças ao PT estudantes tem que viver de caridade!
"Na semana passada, a University of East London (UEL) encaminhou e-mail aos 35 bolsistas brasileiros inscritos na universidade oferecendo uma ajuda de até 500 libras (R$ 1.631), a ser devolvida até 31 de março, sem juros.

Criado no fim de 2011, o programa tem como meta enviar, até 2015, 101 mil universitários e pesquisadores para intercâmbios em universidades estrangeiras.

Desde setembro, no entanto, quando esses alunos iniciaram os estudos em Londres, o depósito de uma parcela da bolsa correspondente a uma ajuda de custos de transporte e alimentação não é feito. Hoje, a dívida da Capes com cada aluno chega a 2.000 libras (R$ 6.557).

A Folha apurou que atrasos no pagamento de bolsas também já foram detectados na Itália, Suécia e Alemanha."
Pesquisadores dependem dessa bolsa para sobreviver. Não é brincadeira e tampouco pedimos favor, mas conquistamos o direito às bolsas pelo nosso currículo acadêmico e por nossos esforços. E mesmo assim somos tratados como lixo, como se tivéssemos de agradecer ou de calar a boca porque o governo já faz demais.

Ser bolsista é todo mês (ou no caso dos bolsistas CAPES no exterior, de três em três meses) ficar em desespero sem saber se vai receber, se vai pagar as contas. E se não recebemos e pagamos nossas contas o governo não se importa. Pagaremos juros, multas e até passaremos fome, mas não é problema da Dilma, é nosso.  Nos grupos de bolsistas todo mês é a mesma coisa, centenas de pesquisadores perguntando uns aos outros se já receberam ou se vão receber o dinheiro que lhes é devido.

Nós não estamos pedindo nenhum favor ao governo, nós queremos apenas respeito, a nós e aos prazos, e acima de tudo aos compromissos assumidos pelo governo. Queremos receber em dia, queremos ter nossos questionamentos respondidos e queremos, enfim, respeito.

Mas não temos nada disso. Nos exigem mundos e fundos, e em troca recebemos apenas escárnio.

Dependemos exclusivamente dessa verba mensal que recebemos, nos dedicamos integral e exclusivamente a nossos projetos e ainda entregamos nosso produto intelectual ao governo. Como podemos trabalhar sem ter como pagar moradia, alimentação, transporte ou mesmo eletricidade?

Mas deputados ganham acima de 30 mil reais, certo? E o salário deles nunca atrasa.

E esses atrasos não são novos. Aconteciam com FHC, acontecem com Dilma, mas estão piorando. E a ANPG, organização inútil atrelada ao PseudoB e que apoiou Dilma, se limita a lançar cartas indignadas sem qualquer efeito. A ANPG, aliás, que deveria se chamar Associação Nacional de Pelegos Governistas, disse ter entrevistado o secretário executivo do MEC que, pasme, culpou um decreto de JANEIRO por um atraso que acontece desde NOVEMBRO. Cara de pau ilimitada e engolida pela pelegada estudantil.

Nós, bolsistas, queremos respeito!

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Update 09/01, 21:00: Minha matrícula continua sem pagamento, mas hoje verifiquei que saiu a ordem de pagamento para as bolsas dos próximos 3 meses.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ataque ao #CharliHebdo e o jogo do medo

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O ataque ao #CharlieHebdo é terrível e lamentável e pode ter consequências assustadoras. Independentemente de ter a ISIS como autora, se descobrirem que dentre os terroristas há emigrados, gente com cidadania francesa/europeia ou que tenham nascido na França/Europa, a pressão sobre os imigrantes de origem muçulmana será imensa (e já é).

É de se pensar que haverá reação violenta, com muito ódio, por parte da extrema-direita e, cada vez mais, de quem antes era moderado, mas foi se radicalizando sob o sentimento de "invasão", de que estão sendo invadidos por imigrantes, em especial muçulmanos, que muitas vezes não se integram e não adotam um estilo de vida "europeu".

Por outro lado, não podemos negar a existência de fanáticos perigosos dentro das comunidades de imigrantes muçulmanos. Sharia4Belgium é apenas um exemplo. O uso de burkas é outro. Se é verdade que muitas vezes a dificuldade de se integrar parte da negativa dos hospedeiros de aceitar algumas diferenças culturais e ter paciência e vontade, também é verdade que muitos chegam sem a menor intenção de se integrar, mas vivem em guetos autoimpostos professando versão radicais de sua religião.

No fim a intransigência de ambos os lados leva a que os moderados, os laicos, os humanistas, os integrados e integradores sejam alvos.

Veremos possivelmente políticas ainda mais restritivas aos muçulmanos na França e em toda a Europa, assim como mais ódio popular e, claro, mais ódio reativo da comunidade muçulmana, acuada. Cada vez mais os moderados perdem a batalha para os fanáticos.

E não vamos nos esquecer dos grandes responsáveis por criar e financiar grupos que posteriormente se tornam seus maiores algozes: EUA e aliados europeus - França inclusive.

Al Qaeda e agora ISIS são nada mais que crias desse grupo de países, financiados para derrotar inimigos pontuais (URSS antes e Assad hoje) que, dizem, saíram do controle. Outros, porém, duvidam que o controle tenha se perdido e que tudo não passa de cortina de fumaça para sustentar a indústria da guerra e do vigilantismo, impondo controles e dificuldades maiores à população mundial baseado no medo do terrorismo.

Ataques anteriores, como ao metrô de Londres ou de Madri levaram apenas à escalada de violência no Oriente Médio, África e à maior repressão na Europa. Quanto mais violência um lado pratica, com mais força o outro lado responde em um ciclo interminável.

Ciclo este que nubla reais problemas ideológicos, religiosos e de integração, criando um monstro impossível de lidar e anulando posições não-alinhadas ao fanatismo vigente.

Trata-se de um jogo baseado no medo para impor o controle. Os governos europeus irão dar declarações beligerantes, a população irá se voltar contra seus vizinhos, as comunidades atacaras irão se fechar ainda mais e veremos possíveis "respostas" contra o terrorismo que nada mais são que atos de terrorismo estatal, e estará criada a situação para a perpetuação do fanatismo e da violência.

É preciso deixar claro que não se trata de demonizar o islamismo ou os muçulmanos, e sim entender o jogo e o uso que as potências fazem. O dito islamismo radical não nasce do nada, mas de agressões claras do "ocidente", como a imposição do Xá no Irã, levando à Revolução Islâmica, a imposição de ditadores sanguinários laicos aliados aos EUA e Europa, como Mubarak, Saddam e tantos outros, o uso indiscriminado de Drones, como no Iêmen, ou mesmo a deposição violenta ou tentativa de ditadores como Kaddafi ou Assad.

Nasce ainda da negação da integração aos emigrados, pese ser uma via de mão dupla. Ódio cria ódio, é uma regra básica.

Enfim, devemos ter cuidado para analisar o cenário mais amplo, sem demonizações e sem nos deixar levar pelo fanatismo de qualquer dos lados.

Sobre a questão dos muçulmanos na Europa, recomendo: "A 'invasão muçulmana' da Europa"
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Pátria, tremei: O discurso de Dilma prenuncia 4 anos de muita luta e resistência

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Discurso de posse da Dilma: Serão 4 anos longos e tenebrosos. NENHUMA menção a questão indígena. Nenhuma menção ao Estado Laico. Nenhuma menção a defesa do meio ambiente (não, defender Código Florestal não conta) e uma tímida menção a "sexualidade" e gênero. Direitos Humanos continuará a não ser pauta da Dilma, a não ser para vulnerá-lo, afinal temos Olimpíadas e ela lembrou do "sucesso" que foi a Copa, com muita repressão e violência policial e presos políticos.

Dilma passou a maior parte do discurso no #blablabla sobre economia, PAC 1, 2, 3, 5000. Louvou um país agroexportador e exportador de minérios (ou seja, tudo com baixíssimo valor agregado, com imensos danos ao meio ambiente, com trabalho em condições precárias ou mesmo em situação de escravidão, como gosta a querida Katia Abreu, e com uso abusivo de energia elétrica e água - Belo Monte, entenderam?), e a cereja do bolo, o lema do novo governo, nos fazendo lembrar dos melhores (sic) anos Geisel ou Figueiredo:

Brasil, pátria educadora.

Lembrando que filosofia e sociologia não são educação pra Dilma, que já ameaçou retirar essas matérias da grade curricular, e que "Educação" nos últimos 12 anos se limitou a ser encher o cu de UniEsquinas de dinheiro, precarizar a mão de obra de professores e entregar universidades e escolas técnicas inacabadas e sem estrutura.

Teremos, diz Dilma, foco na educação. Com Cid Gomes e Aldo Rebelo respectivamente no MEC e no Ministério de Ciência e Tecnologia. Um que diz que professores devem ensinar por amor e não por salário (lembrando que o ministro recebe, ao menos legalmente, mais de 30 mil reais por mês) e outro que tem orgulho de negar a ciência e propor projetos que se opõem à inovação.

Vamos lembrar, aliás, que neste momento a CAPES atrasa o pagamento de várias modalidades de bolsa no país porque não tem dinheiro, o que tinha foi usado para o programa de colônia de férias de graduandos, o Ciências (sic) Sem Fronteiras.

Se esta é a prioridade de Dilma, não quero imaginar o que não é prioridade. Mas nem preciso imaginar, basta observar os 4 anos dos Direitos Humanos sob Dilma: Feliciano na CDH, Ideli Salvatti ministra dos DH, Genocídio Indígena, homofobia com crescimento histórico, revogação de portaria regulando aborto, revogação de absolutamente todos os programas pró-LGBT e o famigerado "não faremos propaganda de opção sexual".

Serão 4 anos longos, tenebrosos, que exigirão muita luta. Dilma iniciou seu discurso garantindo mais uma vez que não mexerá nos direitos dos trabalhadores, praticamente no dia seguinte ao corte promovido por ela e anunciado pela piada ambulante do Mercadante, de que pescadores pobres e doentes, viúvas e desempregados terão direitos cortados, limitados e o seu acesso a estes direitos dificultado.

Será um governo do estelionato eleitoral, provavelmente com uma claque de fanáticos ainda mais ativa, ainda mais lamentável, com um partido ainda mais afundado no discurso da vítima, do pobre coitado cercado por inimigos (muitos dos quais eleitos com apoio, campanha e voto petista).

Não serão 4 anos para os fracos.

E para piorar temos um cenário de oposição arrasada. A extrema-direita golpista ensaiando sair às ruas, movimentos sociais implorando para serem cooptados na tal "Frente de Esquerda" do Lula buscando um lugar ao sol (ou um cargo em Brasília). Teremos (e temos) sindicatos ainda mais pelegos, chegando ao ponto de defender corte de salário de trabalhadores, com o perigo de privatização da Caixa, com a Petrobrás passando por uma crise sem precedentes após ser dilapidada por anos. E temos uma oposição de esquerda desmoralizada após chamar "voto crítico" mais uma vez, sem conseguir aprender a lição de que apenas contribuem para a manutenção do PT no poder permitindo que este vá cada vez mais para a direita.

Que a luta comece, que a resistência comece que a esquerda seja capaz de se organizar, superar de vez o PT, parar de ajudá-lo, parar de confiar e dialogar com o PT e efetivamente se tornar uma oposição capaz de, mais adiante, fazer frente à esta imensa força cooptadora, direitista e violadora dos direitos humanos e trabalhistas dos brasileiros.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Lula e a "Frente de Esquerda": A cooptação dos inocentes de novo e outra vez

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Tem sido ventialado pela mídia que Lula estaria "insatisfeito" com o ministério formado por Dilma, sua sucessora e cria. Por isto, estaria formando uma "Fente de Esquerda" junto a organizações cooptadas há muito pelo petismo e pelo sub-petismo (o PCdoB), como UNE, CUT e MST, e buscando o apoio do PSOL, do MTST e do PSTU (Conlutas).

Imediatamente após questionamento o PSTU/Conlutas anunciou que aceitou apenas conversar, mas que mantém seu rechaço à proposta central desta Frente, o tiro no pé político conhecido como Constituinte Exclusiva. O MTST logo depois lançou nota rebatendo as várias críticas de que estaria sendo cooptado (sentimento que se tornou mais forte depois das cenas de profunda amizade entre Lula e o coordenador do movimento, Guilherme Boulos), mas não desmentiu sua participação em uma frente claramente eleitoreira e que bisca viabilizar o nome de Lula para a corrida presidencial de 2018.

Explico.

Lula criou a Dilma-candidata e a Dilma-presidente. Foi por indicação dele, passando por cima de tudo e todos (inclusive da base do PT) que Dilma acabou se tornando a candidata do partido à presidente e, logo, presidente. Suas políticas seguem, em geral, a cartilha lulista, com algumas diferenças sutis devido à personalidade de Dilma. Excetuando a Cultura, o governo Dilma tem seguido fielmente o Lulismo dos 8 anos anteriores, sejam nas comunicações, na economia ou na política de tratorar e passar por cima de direitos e movimentos. Não que Lula fosse muito diferente, mas ele tinha a capacidade de dialogar ou de ao menos fingir diálogo, enquanto Dilma não respeita nada e impõe sua vontade doa a quem doer.

O problema neste momento é que Lula, sendo um político extremamente esperto, notou que há imensa resistência à Dilma e suas políticas (que também são do Lula) não apenas na sociedade, mas dentro do próprio partido - pese as críticas sempre serem sufocadas pelo fanatismo e pal tropa de choque. O que fazer então?

Muito simples: Formar uma "Frente" usando o peso dos movimentos há muito cooptados e incapazes de qualquer crítica mais contundente contra os desmandos de Dilma e do PT, fingindo independência ou mesmo insatisfação, buscando aglutinar e cooptar outros movimentos e organizações ainda independentes (alguns sedentos por cargos, outros apenas achando que irão tirar benefícios) para dar legitimidade à empreitada que possivelmente tecerá críticas pontuais buscando "pressionar" um governo que só cede à pressão da extrema-direita ruralista e evangélica, mas que, no geral, servirá como um "exército" pessoal de Lula para posar de mediador, apoiando, no entanto, o governo sempre que este precisar.

Trata-se de uma manobra torpe, gasta, já usada mundo afora por movimentos da cripto-esquerda para se legitimar dando um ar de independência a seus apoiadores, ou seja, tentanto criar uma "massa crítica" aos olhos de fora, mas firmemente controlado por dentro.

Trata-se não apenas de tentativa de cooptar movimentos, mas de formar um palanque para Lula fingir que é de esquerda, que o PT é de esquerda e de que ele representa ao menos os setores de esuqerda do partido, como se não tivesse pessoalmente imposto Dilma e não a estivesse apoiando a todo momento. Trata-se, enfim, de propaganda para o consumo dos crédulos dispostos a embarcar num eventual Lula 2018.

De quebra Lula, Dilma e o PT conseguem apoio para a péssima e suicida ideia da Constituinte Exclusiva.
O PT está sempre pronto e disposto a aceitar todas as exigências de seus aliados ruralistas, evangélicos fundamentalistas, banqueiros, empreiteiras... Iremos confiar neste partido para capitanear uma reforma política? Quem irá segurar a direita não será, sem dúvida, o PT, que hoje nada a amplas braçadas para (e com) a direita.
Os eleitos para uma "constituinte exclusiva", tendo em mente a configuração política atual, as pressões, o crescimento do eleitorado fundamentalista e as alianças da ex-esquerda com a pior direita, seriam francamente conservadores. Isto basta para acabar com qualquer ânimo de quem é efetivamente de esquerda. De que importa que políticos com mandato não possam concorrer? Alguém acha que o PSC tem apenas o Feliciano na manga? Ou que o Malafaia, o Edir Macedo, os Ruralistas e outros não tem candidatos guardados para quando precisarem?
Lula com isso ganha uma base para legitimar sua volta, se afasta de um governo que amplos setores da esquerda e parte do PT nutre críticas dos mais diferentes níveis, mas mantém um núcleo sempre pronto a apoiar as questões mais sensíveis e caras ao "petismo de coalizão".

A grende questão que, no fim, denuncia toda a sordidez de tal iniciativa é: Se Lula é do PT, e se Dilma é do PT e se ambos são representantes da maioria ampla do partido e se há críticas dentro dessa maioria, porque a necessidade de buscar saídas externas para mudar e pressionar diretrizes que vem de dentro do próprio PT?

Seria compreensível (e excelente) uma Frente de Esquerda composta por organizações e movimentos que não passaram os últimos 12 anos dizendo amém para absolutamente tudo que o PT fez, por movimentos que não aceitaram =se abraçar e serem preteridos ou mesmo abandonados por neoaliados que são apenas seus maiores inimigos. Movimentos que estção e estiveram nas ruas por 12 anos, mantendo suas bandeiras intactas e não agindo como tropa de choque e como legitimadores de toda e cada política entreguista, lesa pátria e violadora dos direitos humanos vindas do PT e de seu governo.

Aceitar a tese de que Lula e setores do PT querem fazer uma crítica ao governo é legitimar a desculpa esfarrapada de "O PT não é Governo" que o Campo Majoritário do PT tentou fazer colar por 12 anos como forma de legitimar cada decisão criminosa de Dilma e, antes, de Lula.

As Mães de Maio foram as primeiras a sentir o que realmente está por trás de tal "Frente  de Esquerda":
GOVERNISTAS x MOVIMENTOS AUTÔNOMOS
As Sucursais Governistas já definiram sua estratégia para 2015 em diante: enaltecer os movimentos sociais que dançarem estritamente sob a cartilha do Lulo-Dilmo-Petismo - sem sair um milímetro do script (ou seja: totalmente cooptados); e tentar isolar, desmoralizar e até criminalizar os movimentos sociais que manifestarem qualquer autonomia crítica em relação aos governos do PT.
O primeiro alvo já parece ser o Passe Livre São Paulo, que anuncia sua luta contra os aumentos de tarifa de ônibus na cidade de São Paulo a partir do dia 05/01/2015, vejam só que ousadia, contra o Prefeito Gato Gourmet Fernando Haddad. Por estarmos apoiando a mobilização do MPL e de todos movimentos que se organizam para resistir ao aumento, alguns trolls petistas começam a acusar nossa página de ser "coxinha"... Afinal, defender a Tarifa Zero para todxs trabalhadorxs é, realmente, uma pauta de direita e bastante elitista... Na esquerda, para estes trolls, devem estar as Empresas de Transporte e seus lucros bilionários - com o Prefeito Gato, este mártir anti-"coxinhas", defendendo seus interesses...
Algumas dessas Sucursais - historicamente alinhadas à Direção Nacional do PT - acusam o MPL-SP de estar se tornando "uma sucursal do PSTU", mesmo tendo profundo conhecimento do caráter autônomo e apartidário do movimento. E mesmo sabendo que Sucursais são @s própri@s...
Os próximos passos serão as tentativas de desmoralização e, quando vier a repressão da GCM, da PM ou do exército, fazerem vistas grossas ou até mesmo justificar a criminalização e a violência do Estado contra os legítimos manifestantes...
Tâmo Juntão até o fim com o Movimento Passe Livre e com tod@s aquel@s que lutam com autonomia pelxs Trabalhadorxs, para xs Trabalhadorxs!
É na hora do veneno que enxergamos quem é quem na luta de classes!
‪#‎Autonomia‬‪#‎NóisPorNóis‬‪#‎ContraAEXquerda‬‪#‎TrabalhadorxsUnidxs‬‪#‎PorUmaVidaSemCatracas‬
O alerta está dado e não poderia ser mais claro. A tal "Frente de Esquerda" não passa de um instrumento eleitoreiro, um "exército" pessoal do Lula para buscar legitimar sua candidatura pela esquerda e junto à esquerda, da mesma forma que o discurso fake de Dilma durante as eleições de "guinada à esquerda" que se mostrou um dos maiores engodos da história recente do país.

Lula é a figura de máxima importância dentro do PT, eminência parda do governo Dilma, legitimador dela e de suas políticas. É preciso ser muito trouxa ou querer ganhar cargos e verba para embarcar em uma frente criada sob medida para cooptar e dividir.

A época da inocência acabou há muito tempo.


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