quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Flash Mob e Criminalização do Mov. Social

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Que a criminalização dos movimentos sociais e dos atos de protesto, greves e reivindicações vem de longa data, todos sabemos, mas atualmente vemos uma evolução na forma de protestar que vem causando pânico nos patrões.

Se não é possível proibir ou criminalizar todo e qualquer protesto reivindicativo da classe trabalhadora, os patrões agora partem para tentar proibir o meio, o veículo de difusão e convocação dos protestos.


Li um interessante artigo sobre a tentativa das patronais de proibir protestos convocados, na Alemanha, via Flash Mob.

O crime não é mais o protesto em si e por si só, mas a forma como ele é convocado e seu resultado.

O sindicato alemão Verdi resolveu radicalizar, se as greves não surtem o efeito desejado, se os donos de grandes empresas não se sensibilizam ou são demovidos de sua eterna vontade de ferrar o máximo possível com o trabalhador, então a ação, a luta sindical deve partir para outro patamar, deve se valer do que há de mais eficaz e moderno para convencer, por bem ou por mal, aos patrões em ceder às reivindicações - sempre justas - dos trabalhadores.

A ideia para a flash mob de 2007 veio depois que as negociações salariais terminaram num impasse, disse Erika Ritter, responsável pelo setor de vendas em Berlim-Brandemburgo do sindicato Verdi, ao jornal Berliner Morgenpost. As greves não haviam ajudado - e foi por isso que eles tiveram a ideia de fazer uma ação no estilo das flash mob. Ela teve um efeito imediato em nossas negociações, disse Ritter, e o Verdi considerará fazer ações similares no futuro. "Mas só quando as conversações não tiverem nenhum efeito", observou ela.
É um fenômeno interessante o do uso do Flash Mob como arma na luta por melhores salários e condições de trabalho. Tal instrumento exige apenas alguns minutos, pouco esforço na organização e, com as tecnologias móveis de hoje (Computadores Coletivos Móveis [CCm], no falar de André Lamos) a organização/convocação dos trabalhadores para ações de enfrentamento e desafio do patronato se torna mais fácil e ainda mais eficaz, certeira.

Não é mais necessária uma paralisação completa do trabalho, apenas ações pontuais e localizadas de "terrorismo sindical" com o uso de ferramentas modernas para aterrorizar o patronato incapaz de compreender desde as razões que levam os trabalhadores a protestar, até o que há de mais moderno em termos de tecnologia. Na verdade, a elite tem pavor da tecnologia nas mãos de seus subalternos, tudo pode e será usado como arma contra a dominação e a exploração.

Isto, aliás, resgata o post anterior sobre a neutralidade da e na internet, se esta seria progressista ou reacionária (post que, por sua vez, retoma idéia do Sakamoto). O que se pode afirmar com certeza é que a internet PODE e DEVE ser usada como ferramenta ao progresso, atacando as bases da elite em seu próprio jogo.

Se não podem interromper - ainda que tentem - as greves e as justas reivindicações dos trabalhadores, acabou sobrando apenas a tentativa de proibir os "flash mobs", como se existisse alguma forma de fazê-lo, sem que isto signifique a censura aberta à internet - e à toda ferramenta de comunicação móvel - e ao direito à livre manifestação - na verdade, à sua mera convocação!

"Não é surpresa que a Associação de Comércio de Berlim-Brandemburgo não esteja impressionada. "Essa forma de ação industrial é intolerável", disse o chefe da organização, Nils Busch-Petersen ao Berliner Morgenpost. Foi a Associação de Comércio de Berlim-Brandemburgo que levou o caso da flash mob de 2007 para os tribunais.

A Associação de Varejistas Alemães (HED) concorda. A decisão do tribunal trabalhista levaria a "desigualdades perigosas durante as negociações, que favoreceriam os sindicatos", disse Heribert Jöris, especialista em salários da HDE ao jornal Badische Zeitung."
O mais divertido das desculpas esdrúxulas dos patrões e das associações comerciais é a de que há desigualdade nas negociações quando os funcionários encontram meios além do controle dos patrões para se manifestar e exigir direitos! Como se o mero poder econômico não fosse desigualdade suficiente numa negociação! Como se o mero fato de serem patrões já não lhes dessem vantagem suficiente!

Vale tudo na luta por direitos e garantias, por salário e trabalho. O recado é claro, os patrões devem se sujeitar às reivindicações vindas de seus funcionários sob penas tremendas, sob a pena de terem subvertidas suas estruturas de poder.
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MST e a Plantação de Laranjas [Update 2]

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O MST lança em boa hora um esclarecimento sobre suas ações na plantação de laranjas que revoltou a classe média e foi manchete no PIG nacional.

O que a mídia "esqueceu" de avisar, ao mostrar o vídeo dos tratores destruindo o latifúndio de laranjas foi que a fazenda era resultado de grilagem e era terra da Cutrale, um monopólio gigantesco e nocivo à causa agrária.

A Classe Mé[r]dia ficou em polvorosa, gritando por punição aos criminosos (sic), a criminosa - esta sim - Kátia Abreu exige CPI, Polícia, Exército e o diabo para acabar com o movimento e os DemoTucanos se agitam, esperando a chance de acabar com o MST.

Não passarão!

A desinformação patrocinada pela mídia é tanta que até pessoas que costumam ser simpáticas ao movimento o criticaram. Mas o MST novamente expõe a verdade dos fatos. Podemos até considerar que era desnecessária a destruição dos pés de laranja, faz sentido, mas também devemos considerar que a destruição das plantas é uma forma de protesto, de manifestação, denuncia a monocultura, a grilagem e o crime ambiental.

Todo apóio à luta dos Sem Terra!

Todo apoio ao MST!
Cutrale usa terras griladas em São Paulo

6 de outubro de 2009

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja - o que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou recentemente o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS), entre outras.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São Paulo, 1,6 mil famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias vivendo embaixo de lonas pretas.

Direção Estadual do MST-SP

http://www.mst.org.br/node/8283
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Update:

Recebido por e-mail.

Data: Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009, 11:29
Na região de Capivari, interior de São Paulo, quando alguém exagera, tem uma expressão que diz: "Pare de Show"!
É patético ver Senadores(as), Deputados(as) e outros tantos "ilustres" se revezarem nos microfones em defesa das laranjas da Cutrale. Muitos destes, possivelmente, já foram beneficiados com os "sucos" da empresa para suas campanhas, ou estão de olho para obter as "vitaminas" no próximo pleito. Mas nenhum deles levantou uma folha para denunciar o grande grilo do complexo Monsões.  AS LARANJAS, e não poderia ter planta melhor, SÃO A TENTATIVA DE JUSTIFICAR O GRILO  da Cutrale e outras empresas na região. PASSAR POR CIMA DAS LARANJAS, É PASSAR POR CIMA DO GRILO E DA CORRUPÇÃO QUE MANTÉM ESTA SITUAÇÃO A TANTO TEMPO.
Não é a primeira vez que ocupamos este latifundio. Eu mesmo ajudei a fazer a primeira ocupação na região em 1995 para denunciar o grilo e pedir ao Estado providências na arrecadação das terras para a Reforma Agrária.  Passados quase 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos, mas a maioria das terras continua sob o domínio de grandes grupos econômicos. E mais. a Cutrale instalou-se lá a 4 ou 5 anos, sabendo que as terras eram griladas e, portanto, com claro interesse na regularização das terras a seu favor. Para tal, plantou "laranjas"! Aliás, paresse ter "plantado um laranjal no Congresso Nacional e nos meios de comunicação". O que não é nenhuma novidade!
Durante a nossa marcha Campinas-São Paulo em agosto, um acidente provocou a morte da companheira Maria Cícera, uma senhora que estava acampada a 09 anos lutando para ter o seu pedaço de terra e morreu sem tê-la. Esta senhora estava acampada na região do grilo, mas nenhum dos "ilustres" defensores das laranjas pediu a palavra para denunciar a situação. Nenhum dos ilustres, fez críticas para denunciar a inoperância do Estado, seja executivo, judiciário..., em arrecadar as terras que são da União para resolver o problema da Dona Cícera e das centenas de famílias que lutam por um pedaço de terra naquela região, e das milhares  no País. Poucos no Congresso Nacional levatam a voz, pra não dizer outra coisa, para garantir que sejam aplicadas as leis da Constituição que fala da FUNÇÃO SOCIAL DA TERRA: a) Produzir na terra; b) Respeitar a legislação ambiental e c) Respeitar a legislação trabalhista. Não preciso delongas para dizer que a Constituição de 88 não foi cumprida. E falam de Estado Democrático de Direito! Pra quem? Com certeza eles só vêem o artigo que defende a propriedade a qualquer custo. Este Estado Democrático de Direito para alguns poucos, é o Estado garantidor da propriedade, da concentração de terras e riquezas, de repressão e criminalização para para os Movimentos sociais e a maioria do povo.
Para aqueles que se sustentam na/da "pequena política", com microfones disponíveis em rede nacional, e acreditam que a história terminou, de fato, encontram nestes episódios a matéria prima para o gozo pessoal e, com isso, só explicitam a sua pobreza subjetiva. E para eles, é certo, a história terminou. Mas para a grande maioria, que acredita que a história continua, que o melhor da história se quer começou, fazem da sua luta cotidiana espaço de debate e construção de uma sociedade mais justa. Acreditam ser possível dar função social a terra e a todos os recursos produzidos pala sociedade. Lutam para termos uma agricultura que proiduza alimentos saudáveis em benefício dos seres humanos sem devastação ambiental. Querem e, com certeza terão, um mundo que planeje, sob outros paradigmas que não o do lucro e da mercadoria, a utilização das terras e dos recursos naturais para que as futuras gerações possam, melhor que hoje, viver em armonia com o meio ambiente  e sem os graves problemas socias.  
A grande política exige grandes homens/mulheres, não os diminutos políticos (Não no sentido do porte físico) da atualidade; a grande política exige grandes projetos e uma subjetividade rica (não no sentido material) que permita planejar o futuro plantando as sementes aqui e agora. Por mais otimista que somos, é pouco provável visualizar que "laranjas" possam fazer isso. Aliás, é nas crises, é nos conflitos que se diferenciam homens de ratos, ou, laranjas de homens.

Gilmar Mauro
(membro da Coordenação Nacional do MST)
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Update 2:

Nota da CPT sobre o MST:

Mais uma vez mídia e ruralistas investem contra o MST


A Coordenação Nacional da CPT vem a público para manifestar sua estranheza diante do “requentamento” por toda a grande mídia de um fato ocorrido na segunda feira da semana passada, 28 de setembro, e que foi noticiado naquela ocasião, mas que voltou com maior destaque, uma semana depois, a partir do dia 5 de outubro até hoje.
Trata-se do seguinte: no dia 28 de setembro, integrantes do MST ocuparam a Fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do estado de São Paulo. A área faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e que pertencem à União. A fazenda Capim, com mais de 2,7 mil hectares, foi grilada pela Sucocítrico Cutrale, uma das maiores empresas produtora de suco de laranja do mundo, para a monocultura de laranja. O MST destruiu dois hectares de laranjeiras para neles plantar alimentos básicos. A ação tinha por objetivo chamar a atenção para o fato de uma terra pública ter sido grilada por uma grande empresa e pressionar o judiciário, já que, há anos, o Incra entrou com ação para ser imitido na posse destas terras que são da União.
As primeiras ocupações na região aconteceram em 1995. Passados mais de 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos. A maioria das terras, porém, ainda está nas mãos de grandes grupos econômicos. A Cutrale instalou-se há poucos anos, 4 ou 5 mais ou menos. Sabia que as terras eram griladas, mas esperava, porém, que houvesse regularização fundiária a seu favor.
As imagens da televisão, feitas de helicóptero, mostram um trator destruindo as plantas. As reações, depois da notícia ser novamente colocada em pauta, vieram inclusive de pessoas do governo, mas, sobretudo, de membros da bancada ruralista que acusam o movimento de criminoso e terrorista.
A quem interessa a repetição da notícia, uma semana depois?
No mesmo dia da ação dos sem-terra foi entregue aos presidentes do Senado e da Câmara, um Manifesto, assinado por mais de 4.000 pessoas, entre as quais muitas personalidades nacionais e internacionais, declarando seu apoio ao MST, diante da tentativa de instalação de uma CPMI para investigar os repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao Movimento. Logo no dia 30, foi lido em plenário o requerimento para sua instalação, que acabou frustrada porque mais de 40 deputados retiraram seu nome e com isso não atingiu o número regimental necessário. A bancada ruralista se enfureceu.
A ação do MST do dia 28, que ao ser divulgada pela primeira vez não provocara muita reação, poderia dar a munição necessária para novamente se propor uma CPI contra o MST. E numa ação articulada entre os interesses da grande mídia, da bancada ruralista do Congresso e dos defensores do agronegócio, se lançaram novamente as imagens da ocupação da fazenda da Cutrale.
A ação do MST, por mais radical que possa parecer, escancara aos olhos da nação a realidade brasileira. Enquanto milhares de famílias sem terra continuam acampadas Brasil afora, grandes empresas praticam a grilagem e ainda conseguem a cobertura do poder público.
Algumas perguntam martelam nossa consciência:
Por que a imprensa não dá destaque à grilagem da Cutrale?
Por que a bancada ruralista se empenha tanto em querer destruir os movimentos dos trabalhadores rurais? Por que não se propõe uma grande investigação parlamentar sobre os recursos repassados às entidades do agronegócio, ao perdão rotineiro das dívidas dos grandes produtores que não honram seus compromissos com as instituições financeiras?
Por que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), declarou, nas eleições ao Senado em 2006, o valor de menos de oito reais o hectare de uma área de sua propriedade em Campos Lindos, Tocantins? Por que por um lado, o agronegócio alardeia os ganhos de produtividade no campo, o que é uma realidade, e se opõe com unhas e dentes á atualização dos índices de produtividade? Por que a PEC 438, que propõe o confisco de terras onde for flagrado o trabalho escravo nunca é votada? E por fim, por que o presidente Lula que em agosto prometeu em 15 dias assinar a portaria com os novos índices de produtividade, até agora, mais de um mês e meio depois, não o fez?
São perguntas que a Coordenação Nacional da CPT gostaria de ver respondidas.
Goiânia, 7 de outubro de 2009
Coordenação Nacional da CPT
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Gudari Eguna - "Txiki"

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27 de septiembre 1975
by jabiero


Os últimos momentos de "Txiki", militante da ETA assassinado pelo regime franquista em 1975 e a carta-testamento do herói Basco.


TXIKI ¿EL ÚLTIMO CRIMEN DE FRANCO?


Juan Paredes Manot, Txiki, al amanecer del 27 de septiembre de 1975, ejecutando la sentencia de un juicio sumarísimo, el régimen franquista llevó a cabo el fusilamiento de cinco personas.

Txiki, con sólo veintiún años, fue fusilado por un pelotón de guardias civiles voluntarios en un claro del bosque de Cerdanyola, una población cercana a Barcelona. De nada sirvieron las movilizaciones en toda Europa ni las numerosas peticiones de clemencia que Franco recibió en las horas precedentes, entre ellas la del Papa Pablo VI. "Franco está durmiendo y ha ordenado que no se le moleste", fue la respuesta que recibió el Vaticano.

A las ocho y media de la mañana, seis miembros del Servicio de Información de la Guardia Civil se vistieron de verde con un tricornio en la cabeza para disfrazar de autoridad su crimen y, con dos balas cada uno, fueron disparando poco a poco para saborear el placer que les producía la ejecución y poder prolongar la agonía de la víctima.

Txiki, que unas horas antes había escrito "no me busquéis bajo tierra, soy viento de libertad", un poema del Che Guevara, murió cantando el Eusko Gudariak. Fueron testigos su hermano Mikel y los abogados defensores Marc Palmés y Magda Oranich.

Sin embargo, no era frente a un pelotón de fusilamiento como el gobierno español tenía previsto matar a Txiki, sino por medio del garrote vil. Para impedirlo, Palmés y Oranich solicitaron que, en caso de irreversibilidad de la sentencia, por lo menos se concediese a Txiki la posibilidad de morir como él deseaba: como un soldado vasco. Es decir, fusilado.

Testamento de Jon Paredes Manot “Txiki”

Al Pueblo Vasco:

Una vez más el fascismo de Franco va a derramar la sangre del pueblo vasco. Problablemente cuando llegue este comunicado al pueblo, yo ya habré caido baJo el pelotón de ejecución. Mi intención al escribir este comunicado es poner una vez más de relieve la represión que sufre el pueblo vasco y todos los pueblos de España. No debemos olvidar nuestro objetivo: la creación de un Estado Socialista Vasco, objetivo por el cual han caido y han dado la vida muchos militantes revolucionarios, entre ellos los útimos caidos en el Estado español, Kepa, Nicia, Montxo, Andoni, y no serán los últimos.

Sois vosotros, la clase trabajadora y el pueblo en general, quienes lleven a cabo la lucha hasta derrocar al regimen franquista; entonces se habrá cumplido nuestro objetivo y podreis construir una sociedad nueva, sin clases, donde no exista la explotación del hombre por el hombre. Hoy me van a asesinar a mí por el simple hecho de luchar por mi pueblo, eso para el regimen de Franco es un crimen, no es un crimen asesinar a los militantes de ETA antes de cogerlos, tampoco es un crimen matar a la gente en manifestaciones, controles, etc.

Hoy somos nosotros los que estamos en el banquillo, pero mañana estarán ellos, o sea, Franco y toda su camarilla y sereis vosotros quienes nos hagais justicia: no lo olvideis, puesto que mis compañeros y yo ya no podremos. Confiamos en vosotros.

Por último, quiero hacer saber a mis compañeros de organización y a nuestro pueblo que mientras he estado libre he cumplido como mlitante y como hijo del pueblo y puesto que no he caido asesinado "legalmente" como mis compañeros, he pedido como última y única petición que sea fusilado ante un pelotón de fusilamiento como un Gudari más, recordando a todos los que han muerto por Euskadi, llevando en la mente nuestra Ikurriña, puesto que voy a morir lejos de ella...Os toca a vosotros hacer justicia.

¡VIVA LA SOLIDARIDAD DE LOS PUEBLOS!
GORA EUZKADI ASKATUTA!
ABERRIA ALA HIL EUZKADI ZUTIK!
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Internet: Reacionária ou Progressista?

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Interessante discussão proposta pelo Leonardo Sakamoto eu seu excelente e recomendado blog sobre a neutralidade da internet, na verdade, questionando se esta seria reacionária ou progressista.

Eis meu comentário no post:

A internet em um potencial revolucionário, em si, progressista. Mas nada impede que ela seja – e é por muitas vezes, vide o Mídia sem Máscara e a Veja online – retrógrada, fascista até, reacionária.

Depende do uso que cada um faz dela. E a internet vai refletir aquilo que pensa a população, sua maioria.

Claro, temos polos fortes de resistência, os blogs, os de esquerda tem grandes acessos. Chegamos até a discutir, quando ainda vivia o grande Biscoito Fino do Idelber Avelar, que somente este blog praticamente empatava em acessos com o número de edições da Folha vendidas diariamente.

Alcance tremendo!

Mas por outro lado, Veja, MSM e outros sites e blogs de direita também tem grande número de visitas. Cabe ao leitor escolher o que melhor lhe convém, mas no geral o espaço é o mesmo para todos e o dinheiro nem sempre vale muito na hora de se alcançar um bom número de acessos e de leitoras/leitores.
Enfim, não creio ser possível definir se a internet é progressista ou reacionária, ela é em si revolucionária, livre, mas depende do uso que cada um faz dela.
Em linhas gerais, a internet é neutra, ou deveria ser.

Por um lado ela é extremamente progressista - a mera existência e alcance de um blog como o do Sakamoto comprovam a tese - é uma forma única de interação e propagação de idéias. Por outro lado ela é reacionária enquanto permite que, ao mesmo tempo, convivam com o progresso resquícios de um período negro e saudosistas da ditadura, como os que escrevem a Veja, o Mídia Sem Máscara e outros exemplos do mais fino fascismo tupiniquim.

Tem para todos os gostos e cabem todos os gostos. Desde movimentos comunistas revolucionários até Skinheads neonazistas convivem na rede e tem ambos o mesmo espaço, basta saber aproveitá-lo.

Obviamente o poder econômico ainda interfere, um grande portal tem muito mais alcance para suas idéias - normalmente atreladas à elite retrógrada - que um blog de esquerda e progressista, mas também é verdade que é muito mais fácil o leitor de um blog progressista ter a capacidade de influenciar e propagar idéias que o mero leitor desavisado de um grande portal que caiu de para-quedas em alguma notícia, artigo ou piada de mal gosto ao estilo Reinaldo Azevedo.

De qualquer maneira, a luta pela neutralidade da rede não é à toa, não que isto vá garantir que o progresso vença, por assim dizer, sendo simplista ao extremo, mas ao menos garante espaço igual para todas as teses e idéias.

Enfim, pessoalmente não acredito que a rede em si, a internet, tenha um lado, que ela seja reacionária ou progressista, mas ela se move de acordo com o que o usuário decide ou quer ver ou, em alguns casos, é influenciado a ver.

Seu lado depende do posicionamento do indivíduo que escreve, que lê, que colabora, que interfere e, vale salientar, depende muito da posição que esta pessoa tem fora da rede, da pré-disposição do indivíduo ao adentrar ao ambiente livre da internet.

A internet é um meio, reacionários ou progressistas são os que dele se utilizam.
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Ainda Rio 2016 e a derrota de Madrid!

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Novo fracasso do Estado Totalitário Espanhol, sua capital, Madrid, não será em 2016 sede olímpica.

Madrid não cumpre os valores e princípios fundamentais propugnados pela Carta Olímpica.

Na cidade de Madrid sobrevivem mais de 100 ruas dedicadas à militares golpistas, fascistas e traidores, líderes/geradores de uma ditadura totalitária, emblemas do nacional-catolicismo e notórios criminosos genocidas de guerra.

Em Madrid existem dezenas de símbolos de caráter fascista independentemente das diferentes administrações do Estado.

Por este e outros motivos, Madrid não será sede olímpica em 2016.

Hoje (dia 02/10) em Copenhaguem, e ante o Comitê Olímpico Internacional, os membros da delegação espanhola composta pelos herdeiros políticos do genocídio fascista, conhecidos Falangistas e Ultradireitistas defenderam a candidatura de Madrid.

E, como nos "bons tempos", tinham já preparada a "Plaza de Oriente" para celebrar seu triunfo.

A derrota (descarta) da capital levou à "Plaza de Oriente" a um silêncio total, 15 minutos depois toda a praça ficou vazia, não havia nada a celebrar.

Madrid sofreu hoje sua segunda derrota consecutiva em seu afã por ser sede dos Jogos Olímpicos, em uma
carreira que a capital do decadente império totalitário começou há 44 anos, como aspirante às Olimpíadas de 1972 e seguiu com a candidatura de 2012.

Via SareAntifaxista

Fiz questão de traduzir o texto acima (assumo qualquer incorreção) para demonstrar que, incontestavelmente, a derrota de Madrid foi e é a vitória da decência, da democracia e, acima de tudo, dos povos minoritários da Espanha e da democracia.

Um Estado ainda fascista não pode, em hipótese alguma, ser sede dos jogos que simbolizam exatamente o contrário, a concordância, a liberdade.

Madrid, assim como boa parte da Espanha, possui ruas, estátuas, símbolos diversos em homenagem a genocidas como Franco (todo ano existe uma vergonhosa peregrinação ao seu túmulo onde os fascistas lhe rendem homenagem) e, na política, estão ainda ativos generais e ministros de sua ditadura, como Manuel Fraga, que tem as mãos invariavelmente manchadas de sangue inocente.

Um Estado que jamais condenou os assassinos de seu passado, tanto franquistas como os da guerra suja dos GAL, Cristo Rey, BVE e Falangistas em geral e ainda persiste em seus crimes, torturando, matando e exilando a população Basca que luta por sua independência, não tem condições morais de sediar os jogos olímpicos.

A derrota de Madrid, da Espanha, é uma vitória para a humanidade.
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domingo, 4 de outubro de 2009

Bil'in Weekly Protest - This is Zionism

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Two injured and Dozens Suffered Teargas Inhalation during the Bil'in Weekly Protest


Friday, 2 \ 10 \ 2009

Two were injured and dozens suffered teargas inhalation fired at them by the Israeli occupation soldiers during the suppression of the weekly demonstration in Bil'in, where the Israeli soldiers heavily used tear gas and sound bombs, The two wounded were British solidarity; Judy who suffers from physical disability and in a wheelchair, while the second is the Israeli Elinor.

The demonstration has started after a call from the Popular Committee against the Wall, after the Friday's prayers, with a participation of international and Israeli peace movements, as they have raised Palestinian flag, and banners condemning the policy of occupation, building the wall and settlements, the closure of roads, checkpoints and daily arrests, raids and incursions. Some banners were glorifying the ninth anniversary of the second Intifada. Though a delegation from the French-Palestinian Solidarity Association has participated in the demonstration, where they have listened to a full explanation of the Popular Committee Against the Wall on the of Bil'in, because of building the wall and the daily arrests against its citizens.

The Palestinian, Israeli, and international activists transmitted their message of resistance to the Israeli occupation forces awaiting them on the other side of the Apartheid Wall. A French delegation, including the Mayor of the city of Kaysersberg, France, came to Bil'in today to participate in this weekly resistance activity, and to learn more about the resistance struggle in this area.

Although a delegation from the Union of Palestinian farmers joined them in the visit, , as well as comrades Khaled Mansour, a member of the Political Bureau of the People's Party and coordinator of the People's Campaign in Nablus area and a delegation of members of the Central Committee of the Palestinian People's Party,Reziq Abu Naser Sabri Arrar and Bakr Hammad, where they have listened to what Bilin is facing such as night raids, incursions and arrests against activists to dissuade them from continuing their struggle against the construction of the wall and settlements, the delegation has promised to facilitate support groups for people of Bil'in on a weekly basis to maintain this form of struggle




The demonstrators walked through the village, chanting the national slogans against the occupation policy. Once the demonstrators have approached the gate at the barrier; which was shut down by the Israeli soldiers, the Israeli soldiers started firing the demonstrators, while they were hiding behind concrete blocks, with gas bombs, causing tens of cases of suffocation.

On the other hand, the Israeli forces, arrested yesterday a member of the popular committee, Mr. Basel Mansour 32 years

on the other hand the Center for Middle East democracy and nonviolence and in cooperation with the Al Hadaf cultural center in Bil’in has conducted an afternoon seminar entitled "Human Security and Non-Violence," where Mr. Saber Rabi on conflict resolution and democracy, Mr. Abdullah Abu Rahma has talked about the experience of the struggle in Bil'in village and what they are facing such as incursions and arrests against the activists, and Ms. Khitam Safeen has talked about the Palestinian women role within the Palestinian community.

For more information, please contact:


Abdullah Abu Rahama- the popular committee against the wall coordinator\ Bil'in


0547258210 أو 0599107069


e-mail – lumalayan@yahoo.com


www.bilin-village.org
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sábado, 3 de outubro de 2009

A derrota de Madrid - Rio 2016

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A derrota da cidade de Madrid para sediar as Olimpíadas de 2016 não é só bem-vinda (não apenas pela vencedora ter sido o Rio de Janeiro, minha terra maravilhosa) como era necessária.


Um Estado - como a Espanha - que não respeita o direito básico de autodeterminação de suas minorias, não permite - como o Reino Unido de Grã Bretanha e Irlanda do Norte - que suas nações possuam seleções nacionais e disputem internacionalmente competições de nível e, pior ainda, sequer respeita o direito de votar e ser votado, de viver livremente, de decidir seu futuro, não merece sediar um evento de tamanha importância e significado.

A Espanha não respeita minimamente a carta olímpica, pior, não existe no país um verdadeiro espírito olímpico, apenas o resto do fascismo Franquista arraigado nos partidos dominantes e em parte da sociedade.

A Espanha não permite que seu povo - que o diga suas minorias - falem livremente. Bradar pela República é crime, criticar o Rei, um fascista assassino que, suspeita-se, matou o próprio irmão, é motivo para prisão, enfim, falar a verdade neste país é criminalizado. Como pode um país sem liberdade de expressão plena, sem a garantia das liberdades de cada um dos cidadãos, ser sede de uma olimpíada, um marco na história de qualquer país?

Como pode um país que mata, tortura, "desaparece" e aprisiona suas minorias ser sede ou ter sua capital como sede de um evento marcado pela tolerância, respeito e diversidade? Não pode. Madrid perdeu.

Barcelona, Catalunha, foi um marco para o povo Catalão. Não simbolizava a Espanha senão a força de um povo nacionalista e orgulhoso que urge pela sua independência, por sua seleção nacional e sua identidade como nação em um Estado próprio.

O mesmo almeja o povo Basco: Uma seleção, um Estado.

‘Euskal Herria, nazio bat, selekzio bat, federazio bat’

«País Basco, uma nação, uma selecção, uma federação» 




A derrota de Madrid é uma vitória para Catalães, Bascos, Andaluzes, Galegos e todas as minorias oprimidas da Espanha.

No Facebook, os catalães correram para criar uma campanha/comunidade pedindo para que Barcelona sedie as Olimpíadas de 2020 como capital da Catalunha, Estado na Europa livre da dominação colonial espanhola.

Barcelona 2020, Jocs Olímpics amb les seleccions catalanes

Mentre Espanya impedeixi el reconeixement de l'esport català, Madrid no pot ser seu d'uns Jocs Olímpics. Un país com Espanya, que no respecta la carta olímpica, no es mereix obtenir aquesta fita. Volem tenir el dret democràtic a perdre, fins i tot a ser apallissats, però volem fer-ho representant al nostres País, Catalunya.
El Comitè Olímpic Internacional ha concedit l’organització del Jocs Olímpics de 2016 a Rio de Janeiro, Madrid ha perdut en la votació final, com dèiem en aquest grup de suport a Chicago 2016, la capital d’Espanya no podia organitzar uns jocs, mentre Espanya no reconegui les seleccions catalanes, s’ha guanyat una primera causa, ara cal aconseguir l’objectiu principal, que les seleccions catalanes puguin competir com ho fan les seleccions dels altres països, hi tenim dret, i ningú ens el pot negar.
Per aquests motius, decidim canviar el nom del grup, per demanar al Govern de Catalunya i a l’Ajuntament de Barcelona que des d’avui mateix iniciem el treball per presentar la candidatura de Barcelona als jocs olímpics de 2020, com a capitat d’un país independent, Catalunya.
Pot ser una utopia, però és una motivació per aconseguir el reconeixement de les nostres seleccions, volem tenir aquest dret, volem tenir el dret fins i tot a perdre, i Espanya no seguir practicant el joc brut.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Bil'in Night Invasion - This is Zionism

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Bil'in night invasion 30.09.09


The soldiers attacked one of the member of popular committee’s house


Shortly before 2am, the occupation forces invaded Bil'in once again. They raided the house of Basil Mansour Ali Mansour (age 32), a member of the Bil'in Popular Committee, in an attempt to arrest him, but he was not at home at the time.






About a dozen soldiers had entered the house when Palestinian and international activists arrived at the site. Another 15 soldiers surrounded the house preventing anyone from approaching during their search operation. They aggressively pushed the activists away from the house, declaring it a closed military area, and prohibiting any filming. They grabbed the camera of the local cameraman, Haitham Al-Khatib, damaging it.






At 3am, the occupation forces left the house without any victim and exited the village in five jeeps.


For more information, please contact:


Abdullah Abu Rahama- the popular committee against the wall coordinator\ Bil’in


0547258210 أو 0599107069


e-mail – lumalayan@yahoo. com


www.bilin-village. org
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África, aquela inútil!

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O título é provocativo, e não concordo com ele. Mas infelizmente o PIG e a maior parte da dita opinião pública, apóiam veementemente as premissas de tal declaração, a África é inútil... Ou ao menos não merece nossa atenção.

O título vem da leitura dos acontecimentos recentes na Guiné, onde centenas de manifestantes foram assassinados a sangue-frio pelo exército local em um estádio. O número chega aos 157 mortos e 1,2 mil feridos de um total de 50 mil que estavam presentes ao protesto no estádio da capital, Konakry.

O país é governado por uma junta militar, passou anos sob ditadura e, como a maior parte da África, é quase invisível, um país de contrastes, pobreza e conflitos.

Após o massacre a ONU pediu moderação - típico- e nada mais foi ou será feito.


Tudo bem que crises humanitárias no Sri Lanka, com a derrocada dos Tigres Tâmil, não são manchetes no Brasil, nem as crises costumeiras na Ásia, mas a África é emblemática. Quem se importa com ela?

O Tsunami recente no pacífico virou manchete, afinal, os povos da região são "Civilizados", estáveis e, no fim das contas,a tingiu a Samoa Americana, dos nossos amigos estadunidenses. É relevante.

Já o continente negro, onde a maior parte dos regimes são ditatoriais ou tem um verniz de democracia mais fino que o de uma parede de papel, os jornais viram a cara, não existem correspondentes, não existe cobertura séria, pouco se sabe ou se fala.

Aparentemente os jornais - e a maior parte da "opinião pública" enxergam a África como uma coisa só, um continente-país que, salvo a África do Sul e os Estados Árabes, pouco se diferenciam. Se é que existem diferenças visíveis! São ditaduras e proto-ditaduras, áreas de genocídio e irrelevantes.

Não que, convenhamos, a análise de que a região seja povoada por ditaduras e regimes assassinos seja falso, a questão principal reside no considerar tudo igual e virar os olhos e o sensato, buscar conhecer, analisar e, se possível, intervir positivamente.

Mesmo na região de maioria Árabe e Bérbere (o norte) são raros os que conhecem o conflito dos Bérberes no Níger, Mauritânia e países vizinhos (citar "Cabília" então, na Argélia, nem pensar!), ou a situação absurda de opressão do povo Saraúi no Saara Ocidental (Marrocos nada mais que genocida).

Darfur é uma exceção, um genocídio em larga escala onde a China tem ampla participação, ma ao mesmo tempo, poucos sabem do conflito do Sudão com o Chade.

Na África Negra propriamente dita, fora Ruanda e seu notório genocídio ou algum informe sobre o Congo ou sobre a situação do Zimbábwe (notem que apenas catástrofes saem da África em formato de notícia), raros são os que sabem diferenciar o Kenya da Suazilândia. Na verdade dificilmente sabem que o segundo existe sem olhar na wikipedia.

Enfim, a cobertura fraca - ou total falta até - sobre o que acontece na periferia da periferia não surpreende, apenas revolta. A África é o continente abandonado, sai nos noticiários apenas pela fome, miséria e conflitos, mas mesmo assim, se de grandes proporções, se envolvendo potências de alguma forma ou em genocídios.

De outra forma passa icógnita, esquecida.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Novo comunicado da ETA e Gudari Eguna

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A ETA completa 50 anos e durante o Gudari Eguna (Dia do Combatente), lança mais um comunicado reafirmando sua disposição em negociar e em lutar, caso os partidos espanholistas não cedam.

O Gudari Eguna é comemorado todos os anos no País Basco como uma homenagem aos antifranquistas assassinados em 1975, nos derradeiros meses do regime assassino de Franco.

Neste dia se relembra a memória dos militantes da FRAP Humberto Baena, José Luis Sánchez Bravo e Ramón García Sanz e os militantes da ETA Juan Paredes Manot "Txiki" e Angel Otaegi, executados em 27 de Setembro de 1975.

Os Nacionalistas reunidos para celebrar a data foram recebidos com violência e proibição e ao menos 6 pessoas foram presas em Hego Euskal Herria. Já para os Fascistas, nenhuma proibição às suas marchas vindouras. Não surpreenderão bandeiras do PSOE em meio aos Falangistas, afinal, graças aos SocioFascistas de tal partido que grupos de extrema-direita mantém sua vitalidade.

Aliás, relembrando o surto de ataques fascistas no País Basco nas últimas semanas, o grupo "Falange e Tradição" assumiu a autoria de pelo menos 25 deles, inclusive a ameaça contra a Txupinera do Aste Nagusia de Bilbao.

O grupo Falange y Tradición assumiu em comunicado a autoria de mais de 25 acções em Araba, Bizkaia, Gipuzkoa e Nafarroa, nas quais ameaçou pessoas que associa ao independentismo e ao comunismo, e atacou monumentos em memória das vítimas do franquismo, como o do monte San Cristóbal.

Novamente, não é surpresa que o obscuro grupo - talvez um reagrupamento de militantes dos antigos grupos financiados pelo PSOE como GAL, Cristo Rey e BVE e que jamais serão presos ou processados? - tenha dado, no comunicado, as boas vindas ao Lehendakari espanholista, Patxi López.

SocioFascistas do PSOE e assassinos de extrema-direita se entendem perfeitamente.
 
Ao mesmo tempo, incomoda mas não surpreende o silêncio completo de PSOE e PP frente às declarações do grupo "Falange e Tradição".



 Musica de Luis Eduardo Aute "El Alba" em homenagem aos "Cinco Caídos"





«Escolheram um mau dia para protestar»
A Ahaztuak 1936-1977 quis recordar ontem em frente à Câmara Municipal de Iruñea todos os fuzilados durante a ditadura franquista muito especialmente os militantes do FRAP Humberto Baena, José Luis Sánchez Bravo e Ramón García Sanz e os militantes da ETA Juan Paredes Manot Txiki e Angel Otaegi, executados a 27 de Setembro de 1975. Contudo, a faixa em que se lia «En memoria de los demócratas y antifranquistas asesinados» teve de ser recolhida mal foi aberta.
Os polícias à paisana que se encontravam nas imediações não esperaram senão alguns segundos para avisar os participantes no protesto de que este tinha sido proibido e que deviam acabar com aquilo.

Os convocantes mostravam-se perplexos e perguntaram ao comandante da Polícia por que motivo não podiam exibir a faixa se esta mostrava as mesmas palavras que no ano passado. O polícia limitou-se a responder «hoje não sei por quê, mas...» A resposta, claro está, não deixou as pessoas presentes satisfeitas, tendo continuado a pedir explicações. O comandante da Polícia clarificou: «Escolheram um mau dia».
«Mas podemos ao menos ler o comunicado...», disseram-lhe. «Leia o comunicado e faça o que quiser, mas não exiba a faixa», respondeu o polícia, afastando-se depois alguns metros, para junto de outros agentes.

No auto que posteriormente foi facultado aos representantes da associação efectivamente constava que o tribunal de excepção tinha proibido o acto. Os membros da Ahaztuak criticaram a forma de proceder da Audiência Nacional e recordaram que as autorizações para este acto tinham sido pedidas pela Ahaztuak, «uma associação legal e inscrita». Por esta razão, mostraram-se dispostos a apresentar recurso da decisão do tribunal.

Apesar dos entraves, os congregados leram o comunicado, no qual, além de recordarem os cinco militantes fuzilados no dia 27 de Setembro, criticaram duramente a atitude que os representantes institucionais de Nafarroa tomaram perante os ataques fascistas ocorridos nos últimos tempos, desafiando a delegada do Governo espanhol em Nafarroa, Elma Sáiz, a proibir a marcha que os falangistas pretendem realizar no próximo dia 11 de Outubro em Iruñea.
O comunicado da ETA é claro: Negociação com todas as opções ou mais violência, não importa quanta repressão esteja pronto o Estado Espanhol a patrocinar. Violência será respondida à altura.

A ETA coloca novamente nas mãos do Estado o poder de solucionar o conflito. Fato novo é a pergunta direta ao PNV, que assuma uma posição - historicamente o PNV é dividido entre duas correntes principais que remontam Sabino Arana, os Euskalherriacos e os Mendigoixales, os que defendem a independência final e os que preferem uma autonomia e ainda a pertença à Espanha - e não mais fique em cima do muro defendendo a independência de um lado mas contente com a atual situação.

O que virá desta pergunta pode ser uma reviravolta política, pois a ETA jamais atacou membros do PNV - por eles serem do partido, já matou membros deste mas sem relação com o PNV - e podem, a partir desta nova reflexão, passar a considerar frontalmente os "Peneuvistas" como alvos legítimos e traidores da causa nacionalista.

Pessoalmente acredito ser uma virada  temerária da ETA pois durante o governo de Ibarretxe e sob o PNV a repressão era relativamente controlada e não é uma idéia saudável atacar um partido que conta com o apóio de milhares de nacionalistas autênticos, por mais que sua direção oscile.



A ETA afirma, num comunicado enviado ao Gara por ocasião do Gudari Eguna, que o seu processo de reflexão terminou. Afirma que continuará «de armas na mão enquanto os inimigos de Euskal Herria apostarem na repressão e na negação», mas acrescenta também uma «proposta» para um processo democrático e salienta que o «defenderá e impulsionará».

O processo de reflexão interna que a ETA anunciou na última Primavera terminou. Esta é a primeira afirmação do comunicado enviado pela organização armada e datado no Gudari Eguna que hoje se celebra. No texto, destaca-se a epígrafe intitulada «O compromisso, a vontade e a proposta da ETA». Nela, a organização armada basca afirma: «reiteramos o compromisso de continuar de armas na mão enquanto os inimigos de Euskal Herria apostarem na repressão e na negação. Mas dizemos ao mesmo tempo que a vontade da ETA foi sempre a de procurar uma saída política para o conflito político». Em consequência, realça a sua «vontade e total disposição de empreender esse caminho».

«Em Euskal Herria deve desenvolver-se um processo democrático» que «conduza ao cenário da autodeterminação», especifica. Acrescenta que para tal é «imprescindível» que os abertzales se unam a nível nacional. «Essa é a proposta da ETA, e esse é o caminho que a ETA defenderá e impulsionará», diz.
Na sequência disso, a organização armada insiste numa constatação: «Os mandatários espanhóis repetem muitas vezes que não vão falar com a ETA enquanto não acabar a luta armada. Como se esse fosse o nó fulcral do conflito! - responde. Os mandatários espanhóis sabem que o problema não é a ETA. Sabem, e sabem-no muito bem, que o problema que têm é com este povo, com a sua vontade política». E conclui afirmando que a solução passa por «abrir as portas» a essa exigência.

Questões
A partir deste anúncio, a organização armada lança uma série de questões, dirigidas em primeiro lugar ao primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e aos restantes governantes estatais. «Sem a actividade armada da ETA, estariam dispostos a respeitar um processo em que os territórios bascos decidissem sobre o seu futuro político? Se as armas da ETA se calassem, estariam dispostos a respeitar a decisão da maioria dos cidadãos bascos no caso de estes optarem pela independência, e a dar os passos necessários? Se a luta armada da ETA acabasse, estariam dispostos a abandonar a repressão e a respeitar um processo democrático que possibilitasse a resolução do conflito?»

Um segundo grupo de questões destina-se ao lehendakari, Patxi López, e ao presidente do Governo navarro, Miguel Sanz: «Estão dispostos a aceitar Euskal Herria e a reconhecer os seus direitos nacionais? Estão dispostos a perguntar aos habitantes dos territórios que se encontram sob o vosso domínio, sem limites e de forma aberta, sobre seu futuro político?»

A ETA considera estas questões como um «desafio», mas teme que «os silêncios e os nãos demonstrem, infelizmente, que o problema não é a ETA, mas a falta de vontade política e democrática». Ao invés, refere que «as respostas positivas» a estas questões «abririam o caminho à solução do conflito. Os sins, e o levantamento dessas «barreiras», «levariam ao fim da acção armada da ETA».

Entrando a fundo em tudo isto e respondendo aos acontecimentos dos últimos meses, a organização armada assegura que «se engana quem pensa que vai acabar com a ETA e com o conflito político prendendo os membros da ETA, roubando alguns esconderijos nas montanhas ou levando a Polícia autonómica de Espanha para Hendaia. Mesmo que os inimigos roubem todas as armas à ETA, não lhes será possível roubar a este povo o vigor e a vontade de luta».

O comunicado inclui uma última questão, dirigida neste caso ao PNV e que reproduz a que foi lançada por Xabier Arzalluz aos seus companheiros numa entrevista recente: «São independentistas?». A ETA pede ao PNV que explique o seu objectivo real, «se o Estado Basco ou aprofundar o regime de autogovernação vascongado».


50 anos
Esta reflexão liga-se à última constatação da análise com que se inicia o comunicado: «Felizmente para Euskal Herria, o povo abertzale não está disposto a aguentar outro giro autonómico».
A ETA entende isso como um dos «êxitos políticos» destes 50 anos. Aborda a operação de há três décadas «para vender Euskal Herria e a dividir», e realça que hoje «esse cenário está esgotado». No que respeita ao momento actual, sublinha a «ofensiva do fascismo espanhol» para procurar retirar a esquerda abertzale das instituições e das ruas. E homenageia «os gudaris» falecidos nestes 50 anos ou que continuam presos.
Ontem, inúmeros políticos teceram considerações sobre um texto que surgiu no Berria como comunicado da ETA. O diário precisou mais tarde que se tratou de um erro; o texto não pertence à organização.
Fonte: ASEH
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O futuro da América Latina descansa sob Honduras [Update]

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Pode parecer um certo messianismo, inconsequência até, mas afirmo que não: Honduras irá selar o destino da América Latina.

Não falo necessariamente que veremos uma onda de golpes semelhantes - se bem que tentaram com Chávez, tentaram separar a Bolívia e por aí vai - mas moralmente o destino da América Latina enquanto uma unidade e em termos de solidariedade e até de futuros projetos de integração, está todo nas mãos dos líderes regionais e se centra no destino de Honduras, de sua democracia e integridade.

Depois da ALBA, do Mercosul e, finalmente, da Unasul, é esta a hora de demonstrar finalmente que falamos de uma única América Latina, unida, forte e pronta para resolver seus problemas. Seja com intervenção da OEA ou da ONU - com o consentimento explícito dos países da região -, é imprescindível que haja uma solução rápida e definitiva para o conflito sob pena de que este se alastre ou respingue ou, ainda, afete as tentativas promissoras de integração que, mesmo sob duras penas, sob Uribe e os olhos dos EUA, vem se firmando.

Este é o teste de fogo, a demonstração inicial e potencialmente final, de que a América Latina amadureceu, chegou até o ponto em que podemos realmente falar de UMA América Latina, não mais apenas o quintal dos EUA, a região das repúblicas bananeiras, não mais a terra de ninguém que sangra nas mãos dos golpistas e da direita entreguista.

A Mídia hondurenha esperneia, a mídia brasileira faz coro, todos querem ver o circo ser calcinado (fogo já pegou faz tempo!) e a integração em andamento retroceder, acabar. O golpismo descarado da imprensa internacional assusta, se acabaram aceitando que não chamar de "golpista" um governo que atende por este nome era abusar demais da boa vontade e do intelecto até dos mais incapazes, por outro lado dão demonstrações claras de que a palavra "golpista" não assusta às elites, não tem a conotação negativa que entende o povo como um todo e os democratas - enfim, pessoas decentes.

Usa-se a palavra, não se sente a palavra.

Este é o momento de mostrar unidade e força, de calar a mídia golpista e fazer valer a democracia, sob toda e qualquer pena, sob o poder das armas ou das negociações (já) falidas.

Os EUA começam a fraquejar e não duvido que em questão de dias apareçam com algum paliativo sem a volta de Zelaya e um reconhecimento do golpe. Árias continua no murismo, pendendo para o lado yankee e resta o Brasil, mas até quando? A pressão da imprensa se faz sentir, gente canalha como Reinaldos Azevedos  da vida pedem o impeachment de Amorim e até do Lula, são inconsequêntes, calhordas e... perigosos!

Até quando o Brasil resistirá no apóio incondicional ao Zelaya? Até quando a OEA irá pressionar, fazendo algo inédito em sua história de comum atrelamento aos EUA? A ONU... bem, a ONU é a mesma ineficaz de sempre.

A solução deve ser rápida, final, o bate-boca atual não leva à nada, só à consolidação do golpe. Sem a solução armada ou a colocação de forma intransigente das opções na mesa - volta de Zelaya incondicionalmente ao poder e punição exemplar para os golpistas - a situação tende a piorar, ou melhor, a se consolidar. O que é de fato se tornará a única verdade.

O futuro da América Latina, repito, descansa sob Honduras.

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Update:

Micheletti, presidente golpista de Honduras, pelo menos, admitiu as razões para o golpe: Esquerdismo de Zelaya.

Por detrás disto, a intenção de Zelaya de integrar Honduras na ALBA e ligá-la definitivamente aos demais países da América Latina em uma aliança solidária incomodaram e incomodam a elite local e latina.
"“Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi um presidente liberal, como eu, mas se tornou amigo de Daniel Ortega, (Hugo) Chávez, (Rafael) Correa e Evo Morales”, declarou Micheletti, referindo-se aos presidentes da Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia. ”Se um presidente viola a lei e é corrupto, dá ao povo o direito de reclamar. Nós apenas lideramos este clamor popular”."
Fica mais clara ainda a necessidade indiscutível de se fortalecer os laços de integração na América Latina e o combate constante às forças reacionárias, fascistas, direitistas referendadas pela mídia golpista.

O jornalista italiano Georgio Trucchi, que está em Honduras há mais de 50 dias, vai ainda mais longe e diz que a destituição de Zelaya também foi uma tentativa de interromper o processo de integração latino-americana, particularmente os avanços da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).
O que é mais do que claro. Clara tentativa de pôr uma pá de cal numa das alianças mais promissoras dos últimos anos na região.

Qualquer tipo de integração cuja base não seja o livre-mercado e a acumulação ainda maior e mais fácil para as elites, é vista como problemática, perigosa. Em Honduras estas agiram depondo o presidente, não é difícil pensar que haverá uma nova Honduras enquanto os ricos se sentirem incomodados com as reformas populares e a integração irreversível dos povos.
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