segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Assassinato na Roosevelt: Apenas um número, uma estatística [Update]

Pin It


Hoje um homem morreu na frente da minha casa... e eu vi tudo. A praça Roosevelt não é mais a mesma.

Não, não estou traumatizado e tampouco o coitado morreu na minha frente (não exatamente), mas alguns fatos me deixaram surpreso - e também me ajudaram a constatar simples fatos e provar teorias.

Antes de mais nada, um agradecimento especial ao nosso querido governador Zé Alagão pelo trabalho exímio da Polícia Militar do Estado de São Paulo que tanto neste caso quanto no do quase assassinato do dramaturgo Mário Bortolotto dentro do teatro Parlapatões (curiosamente eu havia chegado em casa pouco antes dos tiros serem disparados e cheguei a ouvir a comoção logo depois, mas só soube que eram tiros e confusão no dia seguinte) quanto no caso de hoje, de um mendigo assassinado com uma facada na barriga por outro, fatidicamente na frente do mesmo Parlapatões, na disputa por um prato de comida.


Não poderia também deixar de agradecer à outra importante figura, notório mentiroso, o prefeito Aquassab pelas constantes promessas de reformar a Praça Roosevelt, de derrubar o maldito pentágono em cima da mesma e de revitalizar a área mas que, na verdade, acabou fechando os albergues do centro transferindo a população de rua para a praça e também pela fantástica idéia de retirar a Cracolândia de seu lugar histórico e espalhá-la por todo o centro - mas deixando sua amada Nova Luz "livre". Agora eu vejo pessoas fumando crack da minha janela.

Mas vamos aos fatos.



Por volta das 15h do dia 4 de janeiro, com uma dor de cabeça absurda, ouvi os gritos de alguns indivíduos sentados na escadaria da praça exatamente em frente ao meu prédio: "Socorro, Polícia" e coisas do tipo.

Com a eficácia e competência de sempre, a polícia militar - que mantém uma inútil delegacia na esquina da praça e, depois do episódio nos Parlapatões, dois policiais de forma esporádica na praça em si - não fez nada.


Ao ouvir os gritos corri para a sacada do meu apartamento e vi um corpo no chão, sangrando profusamente enquanto, ao longe, vi dois policiais andando, caminhando despreocupados em direção ao corpo. Com a lerdeza calma costumeira, um deles pegou o rádio para chamar "reforços" e o outro passou minutos colocando uma luva de borracha sem que, no entanto, nenhum dos dois tivesse se abaixado para socorrer o mendigo ou sequer para checar o pulso e saber se ainda estava vivo.

Bem, era um mendigo, não surpreende o comportamento, o descaso.

Poucos minutos depois chegaram, com toda a demonstração de eficiência, pela contra-mão, cerca de 7 viaturas e 3 motos cheias de PM's que, em nenhum momento, buscaram encontrar o responsável pelo assassinato - outro mendigo, segundo me foi dito.



Uma verdadeira demonstração, uma encenação que combina perfeitamente com o ambiente cheio de teatros. Um teatro policial, um circo armado para fingir eficiência enquanto um homem se esvaia em sangue e o responsável escapava com tranqulidade, sem ser molestado.

Quando a PM notou que estava ridículo o circo de mais de 20 policiais para um corpo e nenhum culpado, pegaram desrespeitosamente o mendigo e colocaram o corpo no banco de trás de uma viatura e foram embora, deixando alguns soldados para fazer perguntas e fingir serviço.

Passados mais alguns minutos, como que para lavar a alma da Praça e para coroar o belo governo Aquassab, chegou uma chuva de granizo que lavou completamente o sangue da calçada e lavou a alma da PM ineficiente e ineficaz.

Ao longo do acontecimento me surpreendeu o descaso não só da PM mas também de muitos transeuntes que passavam, davam uma olhada e passavam como se não fosse nada, como se não fosse uma vida, um homem estendido no chão, não importa sua condição social.

Conversando com comerciantes da rua vê-se o medo de que a Praça volte a ser o que era ha 10-15 anos, um antro de marginais e vagabundos, perigosa, sem vida. Não podemos permitir que isto se repita e que a praça morra. Prefeitura e governo precisam investir em infra-estrutura e em segurança, não fechar os albergues nem criminalizar a população de rua seria um começo ideal!


E nós, moradores, comerciantes e simples frequentadores da praça precisamos continuar a aparecer, a povoar a região e não deixar que o medo tome conta e que o lugar fique vazio pois não há volta.


Enfim, minha intenção é ligar para a Ouvidoria da PM e relatar estes fatos, o descaso da PM e a situação de abandono da praça. Mas como confiar num órgão da PM para verificar a ação da própria?

E, mais além, fica o sonho de que a reforma da Praça realmente saia algum dia, que Aquassab tome ciência da notícia e que Zé Alagão comece a pensar que segurança não é só para os Jardins e Morumbi.

Mas é uma esperança vazia.

No meio tempo ficamos com medo, a violência bate em nossas portas.

Vídeos da ação (sic) da PM:


















--------------------------
Update:

Um mendigo parece não ser tão relevante para a mídia, o nosso querido PIG. Do fato apenas o Estado de São Paulo soltou uma pequena, minúscula nota sobre o ocorrido:
Homem é esfaqueado na Praça Roosevelt
Quarta, 05 de Janeiro de 2010, 00h00

Um morador de rua foi esfaqueado ontem à tarde na Praça Roosevelt, em frente ao Espaço dos Parlapatões, local onde o dramaturgo Mário Bortolotto foi baleado, há um mês. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o homem foi levado para a Santa Casa, mas não resistiu e morreu. O caso foi registrado no 4º DP (Consolação).
E o Vermelho também noticiou o fato, com maior preocupação que a mídia tradicional.

O post também foi repassado ao Fórum Centro vivo.

O Blog do Nassif também repercutiu a notícia.

Com um dia de atraso e só porque causou comoção e repercutiu, a Folha Online também noticiou o fato mas de forma tão precária quanto o Estado.

Se a info de que ele ainda estava vivo quando chegou na Santa Casa de Misericórdia proceder então a negligência da PM foi ainda maior, pois os dois PM's que chegaram primeiro não prestaram qualquer atendimento à vítima e em momento algum uma ambulância apareceu, muito pelo contrário, o mendigo foi levado como um saco de babatas vários minutos depois das viaturas terem chegado com estardalhaço.
------
Comentários
34 Comentários

34 comentários:

Silvana da Costa Alves disse...

Concordo totalmente que os cidadãos não podem se omitir; nem na reclamação junto à Ouvidoria menos ainda abandonando a praça que é de todos. Moradores, frequentadores, mendigos ou não. Caso contrário, todo esforço terá sido em vão. Tudo aquilo pelo quê lutamos ficará sem sentido. Seja na Praça, nos pontos históricos, no cotidiano. Reclamar é preciso, agir é preciso. Não devemos permitir que nos vençam. "Para que o mal triunfe, basta que o bem cruze os braços."

Gabriel Justo disse...

Eu amo teatro. Certa vez recebi um convite do Teatro do Ator, localizado na Roosevelt, para assistir ao espetáculo "Antunes ou Seis Atrizes em Busca de Uma Personagem Principal". A peça foi boa, mas o local - a praça e o teatro - eram péssimos.
Voltando pra casa, pensei: os teatros da Roosevelt são considerados underground. Como querem revitalizar um lugar com eventos desse tipo? Teatro é uma coisa feita por várias pessoas, mas quem sustenta tudo isso é o público. E o público que está acostumado a outros teatros e cinemas naturalmente resistem em ir à Roosevelt.
A única solução para todos os problemas enfrentados pelos moradores e frequentadores da praça - a maioria desses, "da classe artística" - seria uma ação conjunta entre os empresários da região e a Prefeitura. Infelizmente, nós paulistanos não podemos contar com a nossa administração nem pra isso e nem pra muitas outras coisas.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Discordo que sejam ruins os teatros. Já pude assistir peças no Teatro do Ator e no Satyros 2 e não os acho péssimos. Não são de primeiro mundo, são undergrounds, o orçamento é baixo e pouco, mas as atuações são excelentes.

Fora o local com vários bares, e bons bares. Tem gente que vai pra lugar muito pior ou muito mais caro e reclama, vai entender?

Ricardo Silveira disse...

Raphael, muito bom seu post. Eu moro na rua também. Ontem a hora que cheguei, umas 21h, e vi aquela faixa de isolamento no Parlapatões me deu um arrepio: de novo, não! Fiquei transtornado, cara. E uvia algumas pessoas dizendo "Foi só um vagabundo". Muito triste. Tá muito triste a situação lá. Mas não podemos deixar quieto não. Vou te seguir no Twitter. Sou o @ rinitecronica. Vamo agitar, cara. Precisamos chiar. Vou pensar em alguma coisa aqui. Se você tiver alguma idéia de ação, me fala que eu te ajudo. Abraço.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Moras aqui na rua? Legal que consegui chegar até um morador!

Conversando com o Renato ontem - o da barbearia - ele me disse algo interessante, houve um abaixo-assinado dos moradores dos prédios - especialmente entre os que moravma nos apês mais baixos - para proibir mesas nas calçadas... Isso esvaziou ainda mais a praça e aumentou o perigo durante a noite...

Cá entre nós, me desculpem os incomodados, mas eu prefiro incômodo - moro em andar baixo - do que morrer baleado ou esfaqueado. Fora que, ao mudar, sabia onde estava indo.

Eu vi td acontecer, pense na minha cara... Foi foda!

E eu ouvi coisas assim tb e o que mais me deu pena foram alguns mendigos tentando ser simpáticos e tal com medo de serem atacados, de sobrar pra eles... Sério, me apertou o coração!=/

MAs conversemos, afinal, moramos no mesmo lugar!=)

Ricardo Silveira disse...

Vamos combinar sim. Assim que abrir um bar a gente senta e toma uma.

Eu concordo muito com você e já preguei isso pra quem reclama dos teatros: a Praça só "existe" por causa deles. Por causa das pessoas que circula.

O poder público, como você bem sabe, nunca esteve lá.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Precisamos! Aliás, nunca mais vi reuniões do pessoal do Viva o Centro, faz falta, era uma boa idéia para mobilizar! Mas quase ñ ia ninguém... Tem que ver quem se interessa em discutir a praça e marcar uma cerveja para debater!

Flavia (@ladyrasta) disse...

Eu frequento o outro lado da praça - o vc vai se quiser e estou preocupada também...

Acho que teríamos que fazer algum tipo de mobilização para reivindicar soluções, inclusive quanto à reforma da Praça. Há uns tempos atrás enviei email pra Prefeitura e pra Associação Viva o Centro perguntando sobre a reforma da Praça e não obtive resposta.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

É, eu fiz o mesmo, nunca me responderam e só vi, em mais de um ano, uma única reunião da Ação Local da Roosevelt.

Do jeito que está, não dá. Ou se conscientiza os moradores de que tem que ter mesa na rua, e o governo de que tem que ter policiamento 34h em toda extensão da praça e uma reforma completa pra derrubar esta porcaria, ou seremos eternas vítimas....

Elisangela disse...

Meninos, moro na Maria Antonia e tava prevendo isso na Roosevelt desde que tiraram as mesas da calçada. Afastou os frequentadores dos botecos (como eu, que odeio botecos perto do Mackenzie). Uma rua Mista, em termos de urbanismo, é o ideal. Quando a rua é somente residencial atrai problemas (fica um espaço vazio, ocupado por esse tipo de problema). Claro que a política de fechar albergues e pulverizar a cracolândia ajudam, mas os moradores tem que ser espertos e "ocuparem" suas ruas, buscarem ações. Contem comigo para o que for preciso @smelisangela.

pitadascotidianas disse...

Excelente post Raphael, moro perto da praça e sinto o mesmo por todo o centro.Descaso e encenação. Tenho um post semelhante no meu blog, se quiser:
http://pitadascotidianas.blogspot.com/2009/10/no-coracao-da-cidade-se-existe-uma-rua.html
Você tem toda razão, temos que continuar "ocupando e movimentando" as ruas e as mentes.
Beijos,
Clau

Felipe Barros disse...

me entristece que nem esses acontecimentos nem nada abalam a confiança do paulista nos governos tucanos e democratas.

enquanto o serra e o kassab continuarem a governar para os ricos, vão se manter no poder com o apoio da mídia, e os pobres vão continuar iludidos de que eles fazem um bom governo...

Gustavo disse...

A Roosevelt é linda, mas tá cada pior. Se já não bastasse a sujeira, a água parada, agora chegamos na onda das balas.

Eu moro do outro lado da praça e apesar adorar a arquitetura dela, raramente subo até lá, só quando tem algo muito legal.

Bob disse...

Acho engraçadas essas manifestações de ficar sentado da janela de seu ap, mandando e-mail pra prefeitura e postando textos criticando governos estadual e municipal (duvido q se fosse pt na prefeitura haveria queixa desse tipo). Soa como os maconheiros de classe média do Rio que colocam flores de papel na praia protestando contra a violência causada pelo tráfico, mas não deixam de comprar e fumar seu baseadinho ou sua bala na balada, achando que isso nada tem a ver com os tiroteios morro abaixo.

Existem muitos prédios, altos, com muitos apartamentos ali naquela região da Roosevelt. Os que fizeram abaixo-assinado pra tirar as mesas da calçada talvez tenham tomado atitude errada, mas tiveram a atitude e se mobilizaram. Alguém resolveu sair do sofá e bater de porta em porta atrás de assinatura, com um discurso convincente. É disso que essa praça e outras regiões do centro precisa, de gente com atitude. De gente que não fique só criticando polícia, governos, igrejas, associações, ongs, o diabo a 4, do seu sofazinho com seu notebook sobre as pernas enquanto vê um video ou outro no youtube.

Viu o mendigo jorrando sangue da janela e ficou indignado com o transeunte que passou e não deu menor bola? Descesse de seu apto e fosse acudi-lo então. Garanto que seu discurso de jogar a culpa na inoperância da polícia e governos seria mais autêntico se assim o tivesse feito.

O post valeu pela notícia. Mas foi inócuo e clichê como forma de protesto.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Bob: Se fosse o PT a mídia estaria aqui xingando MArta ou quem quer que fosse. Abra os olhos.

E, sim, tirei fotos, gravei vídeo, mandei e-mail para a ouvidoria e estamos conversando aqui, com outros moradores, formas de mobilizar, do que fazer, assim como fiz com alguns comerciantes da rua e pretendo continuar. O que você propõe?

A violência está demais, não importa a prefeitura, o governo, mas é fato que DemoTucano é a pior das merdas, só governam pros ricos, são canalhas.

E, realmente, gente com atitude... Atitude mesquinha, preocupada somente com seus umbigos, com o suposto braulho (eu moro em andar baixo e nunca me incomodei, mudei praqui porque sabia como era e queria vir pra cá) e por esta piada de mobilização conseguiram prejudicar a praça e todos os demais moradores e frequentadores... Se é este tipo de mobilização que você quer então, obrigado, prefiro ficar quieto no meu canto - o q obviamente não farei.

No mais, seu discurso é tipicamente vazio, daqueles que precisam reclamar e acusar. Do alto do seu laptop também não vejo muita ação. Nem ao menos para conseguir a notícia.

E, não se preocupe, meu protesto não para aqui, o blog é uma forma de noticiar e e agregar, mas espero que os que leram este post e moram aqui ou frequentam a região queiram se organizar, conversar e buscar soluçõe,s mas o que não pdoemos fazer é fingir uqe a polícia funciona, que o govenro é uma maravilha e que está tudo bem.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Aliás, Bob, vendo no seu perfil que você segue pulhas como o Reinaldo Azevedo, da piada pronta que é a veja, da criminosa e falsa que é a Veja - e Arnaldo Jabor, além de ler um blog racista que indica Ali Kamel e outras pérolas para negar que existam raças no país. Não posso levar à sério.

É o típico classe mérdia que adora jogar terra nos outros, nas idéias e defender o Demotucanato. Melhor sorte da próxima vez.

@mayroses disse...

Não moro em sampa, mas vou meter a colher.Gostei do texto pq é lúcida a percepção de que é preciso ocupar os espaços p/ que se tornem de fato públicos.Investir em espaços de convivência - como praças - é básico p/ uma cidade viva.No entanto, em quase todas as capitais assistimos uma tendência que segue na contramão disso.As pessoas estão afastadas das ruas, do convívio e isso explica, em certa medida, a indiferença com os espaços públicos e com oq acontece neles. Somos seres sociais e precisamos do encontro.Moro em Fortaleza e o descaso c/ os espaços públicos é gritante tb. Acontecem então fenômenos inusitados...por exemplo...tem uma praça aqui que foi feita p/ não ser ocupada (fica no meio de uma rotatória), mas uma "tribo" de jovens a ressignificou e ocupou.A maioria das pessoas parece incomodada e já vislumbra problemas...eu vejo o pulsar da necessidade do encontro e a abertura de possibilidades.Outra coisa que devo dizer é que discordo do comentário de Bob quando se refere a notícia como inócua...como se falar, refletir e criticar tb não fossem ações.É claro que devemos pensar em estratégias p/transformar a crítica em atitude transformadora, mas isso faz parte de um processo dialógico no qual nem ação e nem reflexão podem ser desvalorizadas.Nos comentários posteriores a notícia aparecem moradores/as da rua e adjacências que trazem ideias p/ encontros e ações.Isso é ser plural...e se a descrição da cenas reais e abertura de debate sobre isso consegue provocar o encontro, a troca de ideias e de atitudes, na minha opinião, cumpre um papel muito importante...viva o encontro!!

Anônimo disse...

Oras... reclame na ouvidoria.

Se acha que isso é ineficaz, acha que postar algo no blog resolve alguma coisa?

Bola pra frente e reclame... senão nada adianta.

E o certo era aparecer a polícia civil aí. Isso sim, afinal apurar um homicídio não faz parte do trabalho da polícia militar.

Anônimo disse...

Outra coisa...

Já que você está fazendo uma mobilização, não pare agora.

Já que tem uma delegacia aí perto, que tal ir até lá com outros moradores e perguntar sobre o andamento do inquérito policial, se está sendo naquela delegacia mesmo ou em outro local. Também perguntar se o corpo foi levado ao IML e tudo mais, que tal a população local acompanhar tudo?

Se estão mesmo preocupados, corram atrás.

Outra coisa: chega um ponto que mandar e-mails e telefonar na Prefeitura não adianta. Tá na hora da população ir pessoalmente aos órgãos responsáveis cobrar... mas não um único contribuinte, mas sim em massa... não para fazer protesto ou tão pouco bagunça... mas sim, cobrar mesmo!

Corra atrás.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

@Mayroses: Culta, inteligente e direita! Perfeito! É minha percepção também, o debate cresceu, o post acabou juntando moradores e frequentadores que podem (devemos) discutir os problemas da Praça e buscar soluções.

Anônimo: A reclamação já foi feita, mas até agora nenhuma resposta da polícia. E duvido que tenha, perdoe-me se não confio na nossa maravilhosa polícia... São reflexo da sociedade decadente e viciada.

E, aqui o pessoal corre atrás, os comerciantes e vários moradores costumam acompanhar tudo e sempre tem contato com os chefes da polícia e afins.

Anônimo disse...

Se é assim, continue, então.

Acho uma pena que vc não confie na polícia, afinal se você quer cobrar algo, precisa de um mínimo de confiança nas autoridades, senão você estará de certo ponto, agindo sem motivação.

Não generalize a situação. Os policiais compareceram no local. O que lamento é que eles não verificaram se a vítima estava viva no começo, o que poderia salvá-la.

Mas fora isso, os policiais nada poderiam fazer. Eles precisavam isolar a cena do crime, quanto a busca pelo assassino, isso deveria ser feito por policiais que não estavam presentes na cena, assim que obtida uma descrição.

Digamos que "outro mendigo" ficou algo muito vago, se eles forem interrogar todos os mendigos da cidade... não vão terminar o serviço nunca.

Enfim, continue assim, estarei acompanhando.

Desejo-lhe sorte!

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Como confiar na polícia que mata mais do que salva? Claro que nem todos são corruptos, talvez nem a maioria, mas confiar num órgão repressivo não é das tarefas mais fáceis. Mas não me desmotiva, eu quero que a praça ñ volte para o buraco, isto já é motivação suficiente!

E os PM's apareceram no local porque estavam perto e foram como dois lerdos até o corpo - que poderia ainda não ser só um corpo na hora - demonstrando como se preocupavam.

E os mendigos da praça sem dúvida sabem quem foi o "outro", se vão contar é outro assunto, mas alguns possivelmente viram a cena.

Mas, no mais, é implementar algo mesmo!

Anônimo disse...

Eu entendo...

Bom, realmente a ação daqueles dois policiais deixou muito a desejar... o que me espantou foi a frieza deles em ir andando à cena do crime.

Talvez, por ser parte da rotina...

Bom... agora estou de saída. Amanhã eu volto a postar aqui e faço questão de acompanhar esse caso.

Boa noite.

Carolina Augusta disse...

Pergunto eu, os transeuntes nada fizeram pra salvar a vida do pobre mendigo, mas e o espectador que via tudo de camarote, o que fez?
Será que este mesmo espectador preocupa-se com as pessoas em situação de rua, ou apenas não quer que seu belo prédio no centro da cidade fique sujo?

Preocupa-nos a saúde das pessoas ou a beleza do espaço público?

Gostei do post e do alerta. Mas é preciso mais que isso, é preciso muito mais. Precisamos nos alertar para nós mesmos e nossas ações. Ao pagar uma "pinga" ou dar risada de um morador de rua enquanto saimos do espaço parlapatões depois de ver uma peça, sugiro que nós olhemos pras pessoas valorizando o que elas são, e não a situação em que isso se encontra.

Isso vale pra todos, pros PMs, pra assistentes sociais como eu, pra atores, pra espectadores, pra cidadãos que todos nós somos ou devemos ser.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Carolina, se não fosse por mim nada seria dito sobre o assunto. Não vi mídia, PIG nem ninguém comentando nada sobre a Roosevelt, o assunto não saiu em qualquer lugar.

Aliás, minha reclamação - se pode ser chamada assim - contra quem passava não foi exatamente de não ajudar a vítima, mas a inação total, sequer as pessoas paravam um minuto para se transtornar, era como se fosse algo comum, um corpo inútil. Esta é a crítica.

Eu, pelo menos, fotografei, gravei, falei com ouvidoria da polícia, divulguei.... Desculpe, mas tem horas em que críticas enchem o saco, especialmente quando vcoÊ foi um dos poucos a fazer alguma coisa.

Calbercan disse...

É um absurdo, mas não acontece só em SP não, em Belo Horizonte também é assim e acredito que no país inteiro. Para além das incompetências e insensibilidades dos eventuais ocupantes da prefeitura e do governo estadual, há um defeito de origem na polícia brasileira: ela é ainda a polícia da ditadura militar. Como tantas outras instituições brasileiras, a polícia não foi reformada com a redemocratização e atua, na essência, como polícia da ditadura, completamente desvinculada da sociedade à qual deveria servir. Chamar a polícia é um problema, não é uma solução. Além de não resolver, ainda faz a gente passar raiva. Mudando de assunto, parabéns pelo post. Esse é o novo jornalismo que está sendo feito na internet: com blogs e câmaras, todo mundo virou jornalista e pode retratar o que acontece na cidade, no país, no mundo.

Um nada disse...

Policial é um ser entorpecido pela própria autoridade, vive segundo sua próprias regras e julgamentos. Qualquer demente pode ser policial militar. Por exemplo, ao ler o que acabei de escrever, o primeiro desejo de um policial militar será me encontrar pessoalmente pra "mostrar sua opinião".

Marcos disse...

Raphael, é louvável o seu registro. Não saiu na mídia do PIG, mas certamente a notícia vai se repercurtir. Moro na Santa Ifigênia, e sofremos por muito tempo com o tráfico de drogas na porta de nossas casas. Agora, estão fazendo uma "limpeza" por aqui. Até que o assunto não passou no Profissão Repórter, nada fizeram. Precisou ter repercussão nacional, para depois fazerem todo esse viral que a gente vê na mídia golpista demotucana. E nem sei porque a Cracolândia foi assunto do Profissão Repórter, aliás. Talvez porque saberiam que ia dar audiência. Pois todos sabemos que a Globo adora colocar debaixo do tapete as cagadas do Serra e do Kassab. A revitalização da Cracolândia? Só nos jornais. Por aqui, nada de novo. Enfim... Passarei a acompanhar o seu blog, e conte com minha presença em futuros movimentos. Quem sabe se unindo conseguimos fazer barulho. Nem que seja para a Folha imprimir em suas páginas algo do tipo: Polícia Militar retira arruaceiros da Praça Roosevelt. Bom trabalho! Grande abraço!

panoptico disse...

Opa!

Por algum motivo meu comentário não entrou.

Vou tentar de novo:

A Ouvidoria não é um órgão da PM. A ouvidoria de polícia de sp é uma das poucas ouvidorias externas.

Funciona assim; o CONDEPE elege uma lista tríplice. O governador, então, nomeia um. Como acontece com reitores.

Parabéns pelo artigo.

Abraços!
Panóptico

Anônimo disse...

era síndico. fui expulso do meu prédio pelos bandidos que moram nele, por não gostarem das obras que prejudicariam seus negócios de drogas e cds piratas. tive que alugar meu apto. depois vem falar que querem a classe média morando no centro.

Carolina Augusta disse...

Raphael, não foi uma crítica direta! Se pareceu ofensiva me desculpe, mas eu quis dizer a mesma coisa que vc disse no seu post, e nas respostas à comentários.
Temos que nos envolver, seja como for. Porque desde o momento que passamos a não nos importar mais com a vida de outro ser, seja ele humano ou não, as coisas começaram a degringolar!

Em meu comentário, critiquei sim, a política higienista de nosso queridíssimo Kassab. Critiquei o desrepeito à vida. Critiquei a precariedade dos serviços públicos de segurança. E acima de tudo critiquei a falta de sentimento de pertencimento das pessoas. A praça Rossevelt, assim como todo o resto do bairro, da cidade, do país, e do mundo nos pertence, e por isso temos que zelar, e lutar pelo bem-estar.

Essa foi minha critica, e eu nunca a dirigi exatamente à você.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Então estamos entendidos, Carolina1=)

Ludmila disse...

Oi Rafael, viu essa notícia?
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u678289.shtml

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Vi sim, Ludmila! Amanhã sai post sobre isso!=)

De qqr forma, obrigado por passar o link e se preocupar em divulgar!

Postar um comentário