segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Brastemp e Machismo: O lugar das mulheres é na cozinha.

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Eis a propaganda da discórida. Mas poderia ser qualquer outra que fale de eletrodomésticos. Esta é a cara da Brastemp, mas também de todas as demais.

Em toda propaganda do tipo vemos o direcionamento à dona-de-casa, à mulher. Algumas, ao menos, já aceitam que a mulher pode ser algo além de dona-de-casa, que tem uma vida e não passa o dia a cuidar dos filhos, é alguém. É pouco.

Tudo se resume à mulher que limpa, passa, lava e cozinha. No máximo, "administra" o lar e comanda sua(s) empregada(s). A cozinha é seu lugar.

Alguém conhece propaganda de eletrodoméstico direcionada ao homem ou que seja neutra? Nunca vi.

É um machismo descarado e aceito pela sociedade. Silenciosamente aceito, compreendido e replicado. E os protestos são raros, poucos, não incomodam.

Talvez ainda pior seja a propaganda gringa com péssima dublagem que consiste num macho inútil e com cara de sono (ou mesmo de imbecil) que ao ir até a privada nota que acabou o refil daquele treco que limpa e tira mau cheiro da mesma (morro e não lembro do nome). Ao se deparar com o fato não se move para trocá-lo, grita pela esposa, submissa, que sai em sua ajuda.



A propaganda é, no mínimo, odiosa e estereotipada. Machista ao extremo e intragável.

Já é hora de pôr um fim neste tipo de atrocidade cometida contra as mulheres, colocando-as como submissas donas do lar ou, em outros casos, como mulheres ativas mas que, no fim do dia, se limitam a serem perfeitas esposas que cuidam da casa enquanto o marido bebe cerveja na sala.

Mas, felizmente, existem os (as) que se mexem. Mariana Parra (@mariana_parra), graduanda em Relações Internacionais e que estuda as questões feministas (e, felizmente vem a ser minha namorada), mandou uma mensagem certeira à Brastemp sobre a situação. Eis a mensagem e a "resposta" da empresa:

De: ------------------------
Para: faleconosco@brastemp.com.br

Assunto: Fale Conosco (crítica*Outros)

Classificação: crítica

Assunto: Outros

Nome: Mariana Parra

Email:---------------------------

Mensagem: Gostaria de fazer uma reclamação a respeito da propaganda vinculada na televisão
da lava-louça brastemp. A propaganda se mostra extremamente machista e reproduz uma
ideologia a respeito da mulher muito degradante, ao mostrar como a mulher pode economizar seu
tempo tendo a lava-louça, e apenas a mulher. Por que não o homem também nao economiza seu
tempo? Hoje em dia o serviço doméstico não é realizado, felizmente, somente pelas mulheres,
porém grande parte da mídia continua reproduzindo esta imagem, que nos nossos dias agrava-se
mais ainda, já que a mulher conquistou o mercado de trabalho, e se recair todo trabalho doméstico
nela, como infelizmente em alguns casos acontece. Sugiro que a empresa torne-se pioneira nesta
questão e tenha esta fundamental preocupação de responsabilidade social e respeito com a
igualdade de gênero na hora de fazer suas propagandas
E a resposta, que não diz nada mas talvez faça alguém da empresa pensar:
Olá Mariana,

Recebemos seus comentários como críticas construtivas, esse motivo nós os enviamos ao
conhecimento de nossa área responsável, que os levará em consideração em estudos futuros.

Em caso de outras dúvidas, estaremos à disposição.


Atenciosamente,

Maria Ferreira,
Central de Relacionamento Brastemp.
Sim, apenas isto. Nada. E, notem, a resposta veio de uma mulher. Como será que ela se sente? Ou apenas repete e reproduz?

Sugiro que mulheres e homens façam o mesmo, demonstrem seu repúdio a estas propagandas machistas e preconceituosas que perpetuam o estereótipo da mulher submissa e cordial.
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Comentários
18 Comentários

18 comentários:

Thiago disse...

É aquela coisa, publicidade foca num alvo, aí eles já pensam na dona de casa padrão, que é o foco deles... Creio que eles só vão mudar de atitude quando a sociedade mudar. E ainda vai demorar e MUITO pra essa mudança de atitude acontecer. É complicado!

Vê por exemplo: só agora, depois de ANOS, que as empresas estão fazendo propagandas focando casais divorciados, filhos de pais separados, coisa e tal. E sim, tem gente q fica horrorizada com isso, acredite!

Enfim, acho que estas coisas ainda vão mudar, mas vai demorar... igual nessa de pais separados que citei.

T+!

P.S. É hoje o dia do publicitário né? Coincidência ou esperou o dia de hoje pra postar? haha

Mariana disse...

Gente, que neura. O público-alvo é feminino. Só isso. As mulheres são decisoras de 70% das compras, inclusive de automóveis (que tem esteriótipo de ser um produto masculino). O que eu quero dizer é que até nas propagandas de carro as mulheres são as protagonistas, por uma questão de mercado, não porque o dono da brastemp ou de qualquer empresa ache que as mulheres até hoje são submissas. O que se tem que entender é que a comunicação, hoje, tem que ser mais dirigida o quanto possível, e se foi detectado que as mulheres são as decisoras na compra de lava-louças, elas vão ser as protagonistas do comercial, a fim de gerar mais empatia.

Eu sou mulher e não admito que fiquem procurando machismo onde não tem. Nós, cada vez mais, temos o nosso papel social respaldado, não por discussões como essa, mas pela nossa essencialidade, seja no mercado de trabalho, seja na família. E é no dia a dia que conquistamos isso.

Anônimo disse...

Os comentários demonstram mais uma vez a faceta que o radicalismo e a total falta de conhecimento do mercado trazem as mentes que se entitulam pensantes, e pior com teses já desenvolvidas em ensino superior.
A bela resposta foi padrão, pois achariam que a BRASTEMP ia escrever um "tratado sobre a relação feminina e seus produtos" para satisfazer o ego inflamado de uma pseudo intelectual feminista?
lógico que não.
Hj em dia é muito comum os homens irem pra cozinha e participar ativamente dos alfazeres domésticos. Ainda existem muitas diferenças? sim. Mas o tempo mostra que cada vez mais que a mulher toma seu espaço no mercado, mudando completamente as relações. Agora agirem como coitadas-oprimidas do sistema machista não vai mudar uma vírgula da realidade, somente preencher próprio ego radical.
Caso não saibam, a BRASTEMP gasta milhões ao ano em pesquisa e marketing pra agradar a mulher...sim é isso a MULHER e não o homem. Justamente por serem mais cuidadosas, detalhista e serem, em sua maioria, as detentoras da palavra final na compra dos produtos desse nicho.

a vovó estava certa, hj em dia é muito bla bla e pouco trabalho.

Mari Parra disse...

Aos que quiserem enviar reclamação: http://www.institucional.brastemp.com.br/portalvendadireta/control/bs/br/s1/CMCommand?action=show&jsp=FALE_CONOSCO&statusViewFinder=false&param=faleconosco&pagina=inicio
Se receberem uma enxurrada de reclamações dos que também acham que a propaganda reproduz um pensamento machista, quem sabe repensam suas estratégias de marketing...

"Eu sou mulher e não admito que fiquem procurando machismo onde não tem" --- temos que respeitar o direito à divergência, o direito do outro ter uma visão distinta e uma análise distinta das coisas. O fato de ser mulher não qualifica ninguém a não admitir pensamentos divergentes em relação à condição do gênero feminino na sociedade e às formas de propagação de modelos e formas de pensamento que as mantem em situação subalterna. Aliás, muitas mulheres são grandes responsáveis pela reprodução deste modelo, muitas mulheres naturalizam as desigualdades entre os gêneros, etc...

Com relação à propaganda ser direcionada, que aparece nos comentários acima, também creio que tem que ser revisto, a sociedade já mudou sim, não só as mulheres lutam cada vez mais para dividir sua dupla e tripla jornada de trabalho e conquistar seus direitos e sua autonomia, como o perfil do consumidor também se transformou, e conseqüentemente o público alvo destas propagandas, pela quantidade de mulheres e homens solteiros que moram sozinhos ou dividem apartamento com amigos (hoje em dia o modelo sair de casa só depois que casar digamos nao é o padrão dominante), até o exemplo citado, de casais que se separam... o modelo família com a mulher dona de casa e pai provedor é quase impossível de encontrar nas gerações mais novas(felizmente). A sociedade mudou sim, e muito...

E sim, também acho que tivemos muitas conquistas, mas claramente há muito para se conquistar, basta analisarmos os índices enormes de violência contra a mulher, intimamente relacionados à condição feminina.

E também não creio que esta seja uma discussão inválida, que seja por uma coisa pequena. A opressão da mulher se dá nas formas mais sutis, nos pensamentos mais corriqueiros e "inocentes", nas idéias que são naturalizadas. Alfred Adler, um psicanalista que soube como poucos analisar a condição feminina do ponto de vista de sua ciência, mostrou bem isso. Um exemplo muito bom que dá é que a mãe sempre pede para o pai assumir a educação dos filhos quando não consegue impor sua "autoridade". a autoridade última é semrpe a do pai, e isto pode ser considerado por muitos como uma coisa pequena, o fato de sempre ser do pai a palavra final...

Doo disse...

Gogo Parrinha

E eu adoro anonimos:
sempre nervozinhos, sempre vazios e sempre sem argumento.

Por que eu acho que é sempre a mesma pessoa?

Queria apenas destacar a estupidez contida nas palavras: "muito blablabla e pouco trabalho". Aponto isto por dois motivos. Não sei se o senhor anonimo (medroso atras de seu casulo de segurança do anonimato) conhece o rafa, a mari ou eu, mas diria que antes de tudo o "pouco trabalho" não se aplica. Segundo, não existe uma dicotomia entre fazer e pensar no que se faz. Se para você ou se faz ou se pensa, continue argumentando verborragia vazia e irracional como sempre (se for o mesmo sempre né, não sei, não tem coragem de por a cara a tapa) FAZ(em?).

Sobre os contra argumentos da mariana (obrigado por se identificar), eu concordo plenamente que estes são os motivos que levaram os profissionais de marketing a esta propaganda. Concordo que a empresa não tem o menor interesse no subtexto de sua mensagem e se baseia completamente em pesquisas de opinião para chegar neste resultado. Não é a propaganda em si, mas o fato de a sociedade interpreta-la como "verdadeira" que incomoda. Não sei quanto a vocês, mas não espero que minha irmã, namorada ou filha que eu venha a ter devam pensar que suas escolhas estão entre lavar a louça e ir a academia.

Mas se isto não parece ofensivo e discriminatório em relação às mulheres, acho que realmente eu deveria ficar calado e me inscrever numa aula de pilates...

Dona Flor disse...

As mulheres estão sim encontrando seu lugar no mundo, mas todo mundo sabe e vê ao seu redor que a casa ainda é domínio feminino. Seja pra limpar, cuidar, gerenciar ou decidir as compras do casal. Raríssimos são os casais onde as tarefas são totalmente dividadas pela metade. Se a mulher não lava louça, ela passa roupas ou cozinha mais que o homem.
Essa propaganda em especial eu não achei tão machista (já vi piores, muuuuuito piores). Ao mesmo tempo, acho legitimo que a sua namorada tenha escrito pra empresa. Quando a gente tem uma posição, não pode tomar ela pela metade, tem que batalhar. Resmungar sem atitudes não resolve muito. Como eu não trabalho fora, no momento o lar é meu castelo e eu AMO ir pra academia e deixar a máquina de lavar trabalhando por mim. É uma chatura sem fim lavar louças!

Fernando J. Pimenta disse...

Essa questão do machismo onipresente é abominável. Bem dito.

Mari Parra disse...

Não tinha visto o comentário do "anônimo" antes de escrever o meu...

"e pior com teses já desenvolvidas em ensino superior"

haha ah meu Deus, já que fui chamada de "pseudo-intelectual", já que o "anônimo" recorreu a jargões ao invés de desenvolver um debate sério do que está em questão, ouso classificá-lo também, o óbvio não é: "classe média way"

Sinceramente não tenho paciência de discutir com essas pessoas que não se identificam, que ao invés de entrarem no debate taxam os outros disso ou daquilo. Falam sempre a mesma coisa dos que apenas reproduzem os mesmos modelos e não refletem sobre nada, e que ainda por cima tem ódio dos que pensam e tentam fazer algum coisa, esses "comunistas", "acadêmicos", "maconheiros que não trabalham": para falar menos e fazer mais, que falam pelos coitados e oprimidos (só faltou dizer ressentidos)....

Por que são tão repetitivos? podiam tentar ser mais criativos!

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Dona Flor: A da Brastemp não é das piores, na verdade a que mais me irrita é mesmo a da Pastilha adesiva. O boçal incapaz de trocar chama a mulher? A escrava? Me corrói de ódio!

Anônimo disse...

ahahahaha Democracia amigos....cada tem o direito de falar o que acha....ou não é assim que funciona?

classe média....haha..rindo muito....vc é o que carapálida? A, B, C OU D? ser de alguma classe não muda em nada.

Não vejo preconceito na propaganda. Acho um porre esse papinho que virou modinha. Em relação ao trabalho...só quem transforma é quem trabalha. Gritar todo mundo grita.Continue trabalhando.

vai passar a vida gritando e não transformando nada. Afinal o preço da passagem em nossa cidade aumentou?

pois é, a vida como ela é. Quem sabe uma passeata não faz mudar o rumo? NOT.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

É, e na democracia quem fala tb costuma se identificar. Trollar é algo bem diferente.

Júlia disse...

É a primeira vez que visito o seu blog e devo dizer que esse post leu os meus pensamentos. A cada nova propaganda de eletrodomésticos, produtos de limpeza e carros eu simplesmente reviro de raiva. Essa não é a das piores, mas reproduz sim a concepção de mulher "dona do lar", cujo único domínio é o próprio lar. Tem inúmeras outras propagandas que lidam com isso de maneira velada ou não, mas constantemente reproduzem essa imagem da mulher o que influencia em muito essas visões estereotipadas que podemos ver nesses próprios comentários. Claro que a mídia visa um teórico público alvo, no objetivo de atrair mais possíveis compradores. Mas é inegável tambem que contribui em muito ao perpetuar e reproduzir certos padrões que já estão passando por um grande momento de mudança e que não necessariamente mais correspondem à realidade, mas a uma determinada visão da realidade. E no caso, uma visão machista sim.

". Acho um porre esse papinho que virou modinha" - é muito fácil também soltar essas afirmações quando simplesmente se recusa a enxergar uma realidade que é presente, e que você simplesmente a absorveu e deu como certa; ou se for homem, que nunca teve de lidar.

Feminismo não é modinha. E não trata-se de enxergar machismo em tudo. Vivemos em uma sociedade essencialmente masculina, em que o homem teve e ainda tem um papel predominante em todos os sentidos. As mulheres foram substancialmente desconsideradas ao longo da história, sendo tratadas como inferiores, fracas, incapazes de fazer as coisas "que os homens fazem".
Talvez seja o caminho mais fácil mesmo postar comentários num blog criticando determinadas visões sem nenhum argumento substancial. E não trata-se aqui de problemas com mais ou menos importância. São problemas diferentes e que devem ser tratados diferentemente, e não devem ser ignorados. É muito fácil também se esconder atrás do computador e soltar afirmações falaciosas, sem argumentação crítica válida.
E é muito fácil também não reconhecer as dificuldades do outro , o outro aqui entendido como a mulher, vítima de inúmeros abusos durante toda a história da humanidade.
Já passou da hora da "mídia" perceber isso. E parar de fazer propagandas do tipo "uma nova panela para uma nova mulher" (acreditem, eu vi!)

bem, é isso. Acho.

Anônimo disse...

muito bonito o que foi escrito....só que até agora não li o grandes argumentos. Onde estão os argumentos substanciais? a opressão sofrida pelas mulheres ao longo do século? ou se preferirem o atavismo da relação de dominação a época pré-histórica? ou temos também a posição romana na qual se tratava a mulher como ser subalterno, de baixa categoria?

Não é o feminismo que é modinha. É a forma como os ideais que tem valor na sociedade são utilizados, não se restringindo somente a mulheres.

Em relação a anonimou ou não, bullshit. Poderia colocar Fernanda, roberta, joão, gabriel, joyce, jorge e não faria diferença. Se achar que democracia é se identificar num blog, está precisando aprofundar mais sobre o que é democracia.


se esconder atras do computador? e por acaso vc escreveu o post como? do celular? acho que foi da mesma forma, agindo de forma igual só com pensamentos diferentes.

Quem disse que a mulher não tem quer valorizada? quem disse que deve ser estigmatizada? eu não lembro de ter escrito isso. Concentraram a atenção aonde somente se interessaram.

Continuo discordando em relação ao e-mail e a BRASTEMP continuará fazendo os seus comerciais "não politicamente corretos", assim como outras farão. Afinal o que existe por tras da fria máquina é muito diferente de uma visão restrita que temos aqui escondidos atras do computador. Não é?

Quem sabe eles não lancem uma linha de panelas para homens?...seria o ó.

Em relação a raiva a cada comercial, cuide-se para não florescer um cancêr.

Mayara Melo disse...

A reflexão proposta no post é relevante p/ pensar e assumir posturas diante do papel de reprodução discursiva da publicidade.Fico intrigada–embora compreenda–a postura de quem ñ percebe machismo e/ou opressão no comercial.Digo compreender pq sei q/ o efeito da dominação é esse–fazer c/ q/ @ oprimid@ ñ perceba as amarras.Mas pq isso acontece?A publicidade é msm feita por monstros q/fazem lavagem cerebral nos outros?Eu diria q/ não.A teia é muito mais complexa.Quem saca de publicidade sabe q/os discursos trabalhados só atingem resultados se tiverem assentados em construções simbólicas existentes na sociedade.É preciso dialogar com crenças e valores que permeiam os contextos sociais.A campanha em questão deixa claro q/ vivemos numa sociedade ainda machista e patriarcal e trabalha com isso..por isso msm produz resultados.

Não quero aqui “aliviar a barra” d@s colegas publicitári@s e nem da Brastemp, mas para caminhar rumo ao desmonte dos discursos que aprisionam as mulheres é necessário compreender que existe uma relação de retroalimentação entre mídia e sociedade.Uma vez percebido isso, podemos observar q/ os papéis ofertados pela propaganda as mulheres é frequentemente o mesmo oferecido no cotidiano “a santa” ou a “puta”.Fazendo um recorte percebemos que algumas propagandas usam o corpo feminino fragmentado e erotizado ex: cervejas, automóveis e etc associando claramente aos objetos a serem consumidos.Outras a mulher é colocada como a responsável por manter a reprodução da ordem familiar ex:comerciais de eletrodomésticos, sabão em pó e outros produtos associados ao lar.Vcs acham mesmo que isso só repercute em termos de vendas?Ingenuidade.

Para ñ prolongar muito, vou me deter apenas na propaganda da Brastemp.O incomodo expresso no texto reverbera em mim pq compreendo o trabalho doméstico como uma das mais fortes amarras a prender as mulheres na submissão.Ele nos responsabiliza pelo cuidado com o lar e, por consequência, mantem a divisão sexual do trabalho.O trab. doméstico é um dilema, pois ao mesmo tempo em q/ é necessário reconhecer seu valor social (oq não acontece pq 1.aprisiona quem o executa 2.pq numa sociedade capitalista só tem valor oq é remunerado) é necessário compreender que é um dos alicerce das desigualdades de poder entre sexos.Vcs já perguntaram a uma dona de casa qual a ocupação dela?muito provável q/ responda:não tenho–sou do lar.Como assim?Cuidar de casa,filhos,marido..enfim...garantir a base da organização familiar é pouco?Qualquer mulher que se ocupe disso sabe q/ não, mas pq as coisas são colocadas nesses termos?Será que é justamente por ser uma tarefa relegada às mulheres?Ah, mas aí tem gente que diz que está mudando pq cada vez mais as mulheres trabalham fora.Ok!é verdade, mas por acaso deixaram de ser responsáveis pela ordem do lar?NÃO.Observem que quando uma mulher trabalha fora e ganhar mais dinheiro ela costuma contratar alguém p/ cuidar dos afazeres domésticos.Responda:quantos profissionais domésticos homens vcs conhecem?Afirmo - c/ convicção – q/ a categoria “empregada doméstica” é feminina.Então, não neguem q/ o trabalho doméstico é uma função ainda delegada às mulheres.Isso é tapar o sol c/ a peneira e evitar que a reflexão seja feita.O mesmo vale p/ os comerciais.Percebam que eles reproduzem as desigualdades, os preconceitos e as ideologias...isso é fundamental p/ debater e exigir novas posturas, afinal, não somos obrigadas a aceitar discursos que legitimam nossa própria opressão em nome da obtenção de lucro.

É...eles tem os interesses deles p/ fazerem um comercial assim e nós temos os nossos p/ dizer que NÃO QUEREMOS.

Doo disse...

Sim, anonimo, voce me pareceu muito sensato na ultima resposta. A brastemp não vai mudar mesmo. Isto não significa que devemos abaixar a cabeça e aceitar que te tratem como um idiota.

Não entendi qual o ponto do computador/celular...

A parte mais engraçada do seu discurso é que acho que você deve ter faltado em muitas aulas de história, porque você só vive no mundo de hoje, numa democracia como você mesmo grita, por causa de um bando de "baderneiros" na frança, EUA e outros lugares que fizeram suas tão odiadas passeatas. Agora não me lembro de um fato histórico onde as pessas terem abaixado a cabeça e continuado trabalhando e não feito nada tenha mudado algo.... AH! Desculpe a ignorancia. Lembro sim! Elas abaixaram a cabeça e legitimaram genocídios por todo o mundo...

Retomo meu argumento: Parmenides estava errado. Nem tudo são opostos. Pensamento não impede o trabalho/ação nem o inverso é verdadeiro.

Não sei porque te incomoda tanto que pensemos nas coisas que fazemos/vivemos.

Vale apontar também que seu discurso do "muito blablabla" ou que é tudo ideologia vazia é também uma ideologia. Só porque ela é legitimada pela hipocrisia generalizada não significa que ela seja menos extremista ou ofensiva que a ideologia que você critica.

Desculpe se te irritamos, mas acho que se você se acalmasse antes de responder, seus argumentos talvez fossem mais coerentes e menos panfletários...

Robson Fernando disse...

Raphael, novamente parabéns e obrigado! Aplaudo de pé sua análise =D

Assim como o texto do PNDH3, vou reproduzi-lo no Arauto da Consciência a qualquer momento, obviamente preservando a autoria.

Sobre o que podemos fazer, é CONAR na cabeça! Mesmo que não sustem ou ordenem a alteração do comercial, vão ficar cientes do crescimento da luta feminista pelo fim das desigualdades de gênero e da reclusão doméstica.

Falando em reclusão, o judaísmo dá um péssimo exemplo:
http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/mulher_jud.html
Pra quem fez esse site, mulher só serve pra ser esposa, mãe e pessoa frágil!

Abração

Larissa disse...

Sou formada em relações internacionais e gosto muito de estudar questões de gênero, assim como a Mariana. Acho certíssimo mandar um email reclamando. É uma pena que infelizmente isso ainda seja reflexo do que acontece aqui fora. Sou casada há dois anos e na minha casa quem lava, passa, cozinha e limpa o banheiro é meu marido. Não é porque eu sou feminista. É porque ele cozinha melhor, tem horários mais flexíveis no trabalho, e porque dividimos as tarefas, assim como dividimos o mesmo teto e as contas pra pagar. pra mim isso não tem nada de mais, mas é incrível como ouço asneiras do tipo: "que bom que ele te ajuda". Quero morrer quando ouço coisas do tipo! E a vida real é essa: garçom que dá a conta pro homem pagar, que entrega o suco pra mim e a bebida alcoolica pro meu marido (afinal né, tomar suco diz qual o seu sexo), vendedores de lojas de móveis que querem me mostrar a cozinha e o home office pro meu marido quando na verdade deveriam fazer o contrário. E o mais bizarro é ouvir comentários dizendo que eu sou sortuda porque meu marido me ajuda vindo de mulheres, que aceitaram casar para fazer dupla jornada e "cuidar" do marido fazendo janta, deixando as roupas impecáveis e a roupa de cama sempre limpa - e depois ainda reclamam como se tivessem sido obrigadas a casar - pô, casou porque quis né? estamos no século 21!!. Pra mim, cuidar tem outro sentido. Eu casei porque amo e porque quero construir uma vida junto: cuido sim, lembrando das coisas q ele vive esquecendo, revisando a tese de doutorado dele porque não escreve tão bem, comprando o sorvete que ele adora antes de ir pra casa. Mas faço isso com muito amor, e se cozinhasse, lavasse, seria por isso tbm, e não por obrigação. acho q já escrevi demais! bjo

sergio disse...

Infelizmente do jeito que a brastemp está mal das pernas a propaganda parece-me bem aceitável pois os equipamentos fabricados por essa empresa não são confiáveis e somente essas destemidas mulheres sabem do que estou falando.
abraços
sergio jose

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