terça-feira, 2 de março de 2010

Estados, Verdades e Democracia: A maquiagem da realidade

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Me deparei nos ultimos dias com um artigo interessante e um post inteligentíssimo que apenas comprovam minha tese - minha certeza, melhor dizendo - de que os Estados apenas discursam sobre democracia, liberdade e justiça. Na verdade, as lideranças e elites não defendem estes ideais sob nenhum aspecto.

Parece óbvio, mas para muitos os governos são inerentemente honestos e bons, veja o caso da grande parte dos estadunidenses. Realmente acreditam que seu governo tem a intenção de levar a democracia para todo o mundo. democracia esta que só existe no nome. Falamos, pois, de ditaduras, sangue, destruição, violência e assassinatos. Mas a fachada, para muitos, é sólida.

Um país que muitos consideram insuspeito é a França. País da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, na verdade, é o país que tem o Genocídio de Ruanda sob suas costas (junto com a Bélgica) e foi um dos países que mais dura e violentamente reprimiu os movimentos anti-colonialistas nas suas colônias e que até hoje está presente na repressão de movimentos populares pelo mundo.

A França, assim como os EUA se dizem democracias, mas o que exportam está longe de ser o que o mundo gostaria.

A Espanha, por outro lado, é o exemplo do atraso. Um país em que Franquistas e genocidas permanecem no poder e tem um aprtido político com grande força (o PP), em que o Estado financia(ou) grupos de extermínio de extrema-direita (caso dos GAL financiados pelo PSOE) e que oprimem diariamente suas minorias tenta passar a imagem de uma democracia moderna e falha miseravelmente.

A Rússia é outro bom exemplo de Império que permanentemente mantém submetidas minorias e que passa longe de ser uma democracia funcional.

China sequer vale à pena ser citada, uma ditadura horrorosa e opressora que realiza uma verdadeira lavagem cerebral em sua população.

E até mesmo o Brasil merece ser citado. Genocídio indígena, destruição da amazônia e das culturas tradicionais (Belo Monte vem aí) e imperialismo na América Latina. Posa de exemplo, quando é um dos problemas.

Mas, voltando ao tópico, a reportagem a que me refiro é a da mea culpa de Sarkozy quanto ao Genocídio de Ruanda:
"Houve um sério erro de avaliação, um tipo de cegueira quando não previmos as dimensões genocidas do governo", disse ele a jornalistas numa entrevista coletiva ao lado de Kagame.
"Erros de avaliação e erros políticos foram cometidos aqui e eles levaram a consequências absolutamente trágicas", afirmou Sarkozy.
É pouco, insuficiente, mas um começo. Não é comum aos Estados admitir responsabilidade - mesmo que pequena ou parcial - sobre um genocídio. A admissão de "erros" é melhor que nada, mas ainda longe do ideal. Imaginem só os EUA admitindo responsabilidade pelas ditaduras todas da América Latina!

Do outro lado, o post do Esquerdopata em seu blog sobre a Espanha, o País Basco e Cuba é de um primor que me faz quase repreender a mim mesmo por não ter pensado antes em escrever sobre o assunto.

A pergunta que permeia o Post é a de que "Qual é a moral que o Premier da Espanha, Zapatero, tem para falar em "liberdade" em Cuba quando seu país oprime e mantém presos centenas de presos políticos e diversas nações - no caso em questão, a nação Basca?"

É certeiro.

Os Estados - especialmente os EUA e os Europeus - tem a mania inaceitável de querer criticar os demais países do mundo sem que, porém, enxerguem seu próprio umbigo. A Espanha é o país da europa que mais tortura - não sou eu quem diz, são as estatísticas e os organismos internacionais -, mantem dentro de si diversas nações oprimidas e subjugadas e se acha no direito divino de falar de Cuba? Ou melhor, de falar de qualquer outro país no mundo?

Realmente, os Estados, muitas vezes, se investem do manto da democracia e da verdade sem que, porém, não sejam nada além de pseudo-democracias repressivas e opressoras apenas interessadas em perpetuar um modelo falido de soberania e de Estado.

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Comentários
6 Comentários

6 comentários:

Doo disse...

Citando o otimo filme de Visconti "O Leopardo":

"As coisas têm que mudar, para que permaneçam as mesmas"

Marcos Cândido disse...

Si vis pacem para bellum amicci.
c´est la vie

José Carlos disse...

As democracias "puras" e utópicas que você sugere geralmente descambam em regimes autoritários porque são inatingíveis em termos práticos.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

José: Onde eu defendi democracias "puras"?

Doo disse...

Sabe o que falta? Fenomenologia.

Porque será que sempre que pensamos sobre algo, ja nos pressupõe sob uma logica absurda e distrocida herdada das entranhas abissais duma guerra fria mal compreendida?

Eh osso...

José Carlos disse...

Você as defende quando rejeita a democracia no modelo proposto conforme suas descrições e fundamenta a idéia de que o socialismo (igualdade absoluta) é possível.

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