domingo, 14 de março de 2010

Protesto dos professores em greve!

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"Serra a culpa é sua! A greve continua"

Sexta foi dia do protesto dos professores de São Paulo por aumento de salário. Um protesto justo que chegou a reunir mais de 30 mil pessoas na Paulista e depois em caminhada até a praça da República. Já no final, cerca de 10 mil professores se reuniram, gritaram palavras de ordem na praça até a dispersão.

Na verdade, o número total é disputado. Fala-se de até 60 mil na Paulista. Já para a PM...

Infelizmente só acompanhei o protesto perto do final, quando os professores caminhavam em frente à igreja da Consolação, já passada a confusão e o princípio de confusão com a PM. Não seria, afinal, um protesto sem que a PM tentasse espancar algumas  pessoas.




De acordo com a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo), há cerca de 30 mil manifestantes no local. Já a Polícia Militar estimou que o número de docentes protestando chega a 8.000.
De qualquer forma, a organização dos professores e do sindicato (APEOESP) afirmam terem reunido pelo menos 30 mil professores e estudantes, já a PM afirma terem sido míseros 8 mil. Basta olhar para algumas fotos para termos a real dimensão do mar de gente que se manifestou da Paulista até o Centro de São Paulo. Só para passar pela Igreja da Consolação, a marcha levou quase meia hora!
"É uma honra muito grande dizer 'não' ao autoritarismo do governo de São Paulo. Esta foi uma semana de teste que Paulo Renato [Souza, secretário da Educação] e [José] Serra quiseram fazer conosco", afirmou a presidente do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha. A entidade estima que 80% do magistério paulista esteja parado.



Atentem para o jornalismo lixo do Uol que, ao invés de cobrir corretamente a manifestação, foi falar dos "transtornos" causados pelos grevistas, com direito à entrevista com motoristas insatisfeitos! PAra o PIG, melhor seriam os professores na miséria - como estão - e os filhos das classes baixas sem educação de qualidade. Mais fácil governar um povo analfabeto e ignorante enquanto os seus vão para as escolas particulares de elite.

Doloroso constatar que boa parte das manchetes dos jornais online do dia do protesto comentavam ou davam mais publicidade ao trânsito e ao fato dos milhares de professores terem fechado avenidas que ao protesto ou às reivindicações em si. Jornalismo (sic) de esgoto com louvor.

No Estadão a manchete era "professores bloqueiam Paulista", no G1 "Após fecharem Paulista, professores seguem em passeata pela Consolação", na Folha "Motorista deve evitar tráfego" e no Ig "Após interditar ruas..."
Durante o protesto, os professores votaram pela manutenção da greve iniciada na segunda-feira - e que, até ontem, tinha baixa adesão, segundo a Secretaria de Estado da Educação. Para a pasta, apenas 1% da categoria aderiu. Segundo o sindicato, 80% das escolas do Estado paralisaram as atividades.

Os docentes pedem reajuste salarial de 34%, incorporação imediata de gratificações e o fim das avaliações e dos programas criados pelo governo José Serra. Eles marcaram uma nova assembleia para a próxima sexta-feira, também na Avenida Paulista.

Com gritos de "Serra, a culpa é sua, a greve continua" e faixas dizendo "Inimigo da educação não pode governar a nação", os professores começaram o protesto no vão livre do Masp, por volta das 14 horas.
A cobertura da mídia, porém, por mais tendenciosa que fosse, não pôde esconder o número avassalador de professores nas ruas reivindicando seus direitos e, obviamente, exigindo que Serra assuma a responsabilidade pelas péssimas condições de trabalho, pelos péssimos salários e que saia para o debate.

Mas, em sua intransigência, Serra se recusa a negociar e ainda ameaça cortar o ponto dos grevistas. É, de fato, um criminoso.

Fotos via Uol, Estadão, G1, Ig, CMI e blog Efeito Colateral

Vídeos dos discursos finais na Praça da República:

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Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Joaquim disse...

Eu vi a passeata passar na minha frente e percebi que tinha um monte de estudantes universitários e secundaristas que militam nos partidos de extrema esquerda.

Estranho um movimento tão amplo ter precisado desses militantes com bandeiras da ubes...rs..

O mais legal foi ter lido um folheto de deputado do psol que não tinha três crases na sequência. Fora as vírgulas aleatórias.

A educação tá em crise ou não?

Raphael Tsavkko Garcia disse...

A diferença entre um movimento "precisar" de um movimento "receber" apoio é imensa...

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