sexta-feira, 26 de março de 2010

Uganda e nós: Homossexualidade em questão

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A entrevista e declarações do deputado ugandense David Bahati na semana passada, sobre o homossexualismo (sic) causaram surpresa, repúdio para muitas pessoas, mas encontraram eco no Brasil.

Mitos, de forma preconceituosa, qualificaram a declarações de Bahati como típicas da África, do "atraso negro" africano e outras barbaridades.
BAHATI - Há muita evidência, cientistas estudaram isso. Há outro ponto: se você é gay, tem três vezes mais chances de ter Aids que um ser humano normal.
BAHATI - Em Uganda, há uma tendência que ameaça nossas crianças. Vemos pessoas usando dinheiro para recrutá-las em escolas e promover uma agenda de homossexualidade. Qualquer sexo entre homem e homem não é sexo, é abuso do sexo. 

BAHATI - Pesquisas sobre a Aids. Além disso, a homossexualidade pode reduzir a expectativa de vida em quase 20 anos. Você pode destruir seu reto. Alguns precisam usar fraldas, como crianças.
BAHATI - Não é certo que o tecido moral dos EUA esteja bem. Foi destruído. Se o homem se desvia do caminho para o qual Deus o criou, há algo errado.
BAHATI - É uma pessoa que já foi condenada por homossexualismo, um sujeito mau. Vamos focar no núcleo da proposta. Homossexualismo é um direito humano? Acredito que não deva ser. 
Só uma pequena mostra das declarações já tão divulgadas. Bahati defende a pena de morte para gays e lésbicas e é contra a liberdade de expressão, como sua entrevista completa deixa claro.

De fato, é inegável que existe, na África, um preconceito gigantesco contra os homossexuais, em Uganda, gays e lésbicas são obrigado(a)s a se esconder, e políticas anti-homossexuais são uma constante. O ódio é instuticionalizado e muitas vezes criminalizado. Mas, poucos reparam, o ódio e o preconceito contra os homossexuais não é característica apenas de algumas regiões da África. Vejam o que acontece com homossexuais em países como o Afeganistão, Paquistão, Arábia Saudita e tantos outros da região.

Uns podem dizer que dá no mesmo, africanos e muçulmanos são preconceituosos, atrasados, assassinos... É o uso de preconceito para tentar explicar outro preconceito. Não funciona. São se sustenta.

Vejam a frase a seguir“A ciência e a teologia concordam que Deus fez macho e fêmea e não uma sociedade de andróginos e bissexuais. Não existem cromossomos homossexuais, portanto essa tese é furada”. Foi dita por um pastor ugandense? Por um mulá Paquistanês? Não. Pelo Pastor Silas Malafaia.

Para quem acha, ainda, que Malafaia apenas discursa e que não causa mal ou não encontra eco, vejam ainda outra de suas declarações: “Bombardeiem com e-mails os senadores”, afirmou. “Os grupos homossexuais querem botar uma mordaça gay na sociedade.”. Malafaia fala, aqui do PLC 122/06 que proíbe a discriminação aos homossexuais (e também prroíbe o racismo e outros tipos de preconceito  baseados em raça, cor e etc), não importando se a Bíblia ou qualquer livro "sagrado" digam o contrário.

O que o "Pastor" defende é que se permita, por lei, o racismo, o preconceito, logo, um passo em direção à "utopia ugandense". Talvez seja apocalíptico pensar que algum dia chegaremos lá, mas sem dúvida estamos dando passos ou, ao menos, temos uma significativa parcela da população - notadamente os evangélicos, mas também muitos católicos - que aplaude as frases de Bahati e sonham com a "utopia ugandense".

Para os que se impressionaram com as declarações de Bahati e ainda acreditam que tal coisa é típica "deles", o vídeo abaixo talvez seja ilustrativo.



Malafaia é ainda mais direto:
Não concordamos, porque a homossexualidade é uma rebelião consciente contra o que Deus estabeleceu na Criação. A Bíblia diz que Deus criou o ser humano como macho e fêmea, e em seguida instituiu o casamento heterossexual e a família. A civilização humana tem perdurado até hoje por causa desse princípio bíblico.

Nenhuma sociedade é mais forte do que a vitalidade de suas famílias, e a vitalidade de suas famílias depende do relacionamento entre pessoas de sexos opostos, dos relacionamentos heterossexuais.

A homossexualidade é uma distorção do que Deus criou. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, ela é classificada como abominação, paixão infame, perversão moral (Lv 18.22; Rm 1.26,27; 1Co 6.9,10).

Alguns afirmam que a homossexualidade é de origem biológica, genética. O indivíduo já nasceria homossexual. Porém, nenhum cientista jamais conseguiu provar isso. Na cadeia genética do ser humano, não existe nenhum fator, nenhuma ordem cromossômica homossexual. Admitir tal coisa seria o cúmulo do absurdo. Existem cromossomos que determinam o sexo feminino e cromossomos que determinam o sexo masculino.

A homossexualidade é, antes de tudo, uma questão de comportamento, de preferência. É uma conduta aprendida ou induzida. Psicólogos e psiquiatras são unânimes em afirmar que o fator mais importante para uma criança decidir sua preferência sexual é a maneira como ela é criada. Isto é mais importante do que o próprio fator genético.

Se toda prática deturpada, pecaminosa, imoral for legalizada, onde vai parar a nossa sociedade? Se a sociedade legalizar suas aberrações, ela se destruirá. Um erro moral nunca pode ser um direito civil.

Porém, qualquer homossexual que confessar o seu pecado, receber Jesus como Salvador e obedecer à Sua Palavra, poderá tornar-se um heterossexual, poderá ser recuperado e liberto. Jesus tem poder para isto.
O preconceito criminoso é ainda usado com fins políticos por pastores, mostrando que por aqui também se faz política com o mesmo nível - ou falta dele - que em Uganda:
Lula e o seu Partido nunca esconderam sua simpatia pelo movimento pró homosexualismo. Vamos ter cuidado na hora de elegermos os nossos representantes, até por que nós não podemos ser representados por pessoas que defendem o homosexualismo, indo de encontro a palavra de Deus, como Fernando Gabeira, Marta Suprici e Luiz Inácio.
Nossos Representantes são aqueles que defendem a família e os bons costumes. Lembrem-se que somos responsáveis pelo que nossos candidatos vão legislar a favor ou contra a bíblia.
Pr. Robson Aguiar
E os exemplos são inúmeros.... E alguns, inclusive, são extremamente parecidos com os argumentos do deputado Bahati.

Temos nossa parcela de políticos fundamentalistas que defendem abertamente o preconceito, como o Senador Marcelo Crivella, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, uma das maiores caça-níqueis do país, travestida de Igreja.

Sob o título "Impotência cristã diante da militância homonazista", alguns são ainda mais radicais e defendem abertamente o preconceito criminoso.

Mas, claro, não podemos ou precisamos ficar só no Brasil. O preconceito contra homossexuais nos EUA - notadamente no sul do país - chega a níveis alarmantes. Mas o preconceito não é exclusivo do sul, vejam, por exemplo, as declarações de um General da OTAN:
A retired U.S. general says Dutch troops failed to defend against the 1995 genocide in the Bosnian war because the army was weakened, partly because it included openly gay soldiers. 
"The battalion was understrength, poorly led, and the Serbs came into town, handcuffed the soldiers to the telephone poles, marched the Muslims off, and executed them," Sheehan said.
"That was the largest massacre in Europe since World War II," he said of the killing of some 8,000 Bosnian Muslim boys and men after Serbian forces captured the town.
Levin, D-Mich., appeared incredulous. "Did the Dutch leaders tell you it (the fall of Srebrenica) was because there were gay soldiers there?" he asked.
"Yes," Sheehan said. "They included that as part of the problem." He said the former chief of staff of the Dutch army had told him.
Levin said it may be the case that some militaries have focused on peacekeeping to the detriment of their war-fighting skills.
"But I think that any effort to connect that failure on the part of the Dutch to the fact that they have homosexuals, or did allow homosexuals, I think is totally off-target," said Levin, a proponent of ending restrictions on gays serving in the U.S. armed forces.
Enfim, pequenas mostras de preconceito por todo o mundo. Os ugandenses deram um passo além, o de institucionalizar o preconceito, de criminalizar, prender e matar, mas vontade não falta aos demais intolerantes pelo mundo.

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Comentários
3 Comentários

3 comentários:

Marcelo Pereira disse...

Não sou homossexual porque não gosto de homem. Mas se eu fosse, eu assumia.

Não há nada errado em gostar de alguém do mesmo sexo. E porque haveria? Os gays nada fazem de mal a ninguém. Esse preconceito se basea em interpretações erradas da bíblia.

Sou espírita e sei que em muitos casos um espírito pode ser homem em uma encarnação e voltar como mulher na posterior. Esse negócio de sexualidade é muito mais complexo do que se imagina e as religiões materialistas como a católica e as protestantes, que acham que o ser é o corpo (e não é), não sabem o que estão dizendo. Se baseam e mitos, lendas e mentiras criadas na idade média para satisfazer interesses do clero, qum realmente mandava na "era das trevas".

Não sou homossexual, repito, mas respeito muito o direito deles. Eles só querem amar, nada mais. E amar é ruim?

Muitos casais homossexuais são muito mais dignos que muitos heterossexuais, que só se unem por interesses materiasi e vivem se traindo, se desprezando e se ofendendo mutuamente.

Portanto a declaração de Malafaia (nunca fui com a cara de picareta dele) é bastante infeliz e pode custar caro a ele na próxima ncarnação.

Roberto - SP disse...

Excelente seus post e toda a sua análise.

É bem por aí mesmo. Enquanto tendemos a achar que absurdos contra os gays só existam em países atrasados como na África e no Oriente Médio, aqui no Brasil cada vez se erguem sem o menor pudor as vozes do preconceito que tem nesses pastores picaretas a sua linha de frente.

E quanto mais lutarmos por nossos direitos mais esses trogloditas falarão absurdos e farão comparações que nos desabonem aos olhos da opinião pública difundindo o preconceito abertamente - coisa que deveria ser proibida em qualquer país civilizado.

Anônimo disse...

É Marcelo Pereira com certeza ele como crente está preocupado com reencarnação.

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