terça-feira, 20 de abril de 2010

E a Reforma Agrária, Dilma? As propostas, o Blog da Dilma e o primeiro "encontro" [Parte2]

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O "Encontro"

Já no "encontro", no streaming com a Dilma a coisa melhorou.

Segundo a candidata, a Educação será sua prioridade. Ela ainda falou sobre questões feministas respondendo pergunta da @Semiramis e, depois de pergunta do @tuliovianna, falou sobre a internet para todos e banda larga para todas as escolas com pelo menos 2MB. Dilma não citou diretamente o PNBL mas falou da intenção de levar Banda Larga a todo país.

Seguindo o "encontro", Dilma disse que tentará fazer estes encontros semanalmente na medida do possível. Uma vitória para a internet e a colaboração! Seguindo pergunta do @eduguim, Dilma afirmou acreditar que a internet terá grande papel na eleição. Twitter, blogs e nós, blogueiros, teremos grande papel nas eleições.

Pela primeira vez, segundo Dilma, todos poderão comentar, interrogar, colocar suas dúvidas na internet.

Haverá participação e democracia. E tudo com software livre.

É isto que esperamos.

De fato, esta interatividade é inédita. Ponto para a campanha e para seu coordenador, o @marcelobranco.. Dilma agora tem twitter (@dilmabr) e aparentemente interage de forma bem mais séria que alguns de seus concorrentes que só falam besteira, tem blog e esta idéia de encontros semanais, se não ficar só no clima morno, será interessante.

Mas, acredito eu, uma boa parte dos que acompanharam e acompanharão o streaming semanal será de militantes e de pessoas que não serão convencidas com amenidades. A militância virtual costuma ter um nível mais elevado que a média e será preciso mais do que falar em novela para convencer alguém à votar. É preciso ir nas questões polêmicas e solucioná-las.

Quanto ao encontro em si, infelizmente, foi tudo muito light. Belo Monte ficou de fora, Alianças ficaram de fora, Reforma Agrária, aborto, direitos dos homossexuais, dos negros... tudo ficou de fora.

Aliás, declaração de Dilma sobre o MST, reproduzida pelo JC de Recife é assutadora:
Sem se mostrar contra o Movimento dos Sem Terra, Dilma tentou tranquilizar os mais conservadores.  "Acho que não é cabível vestir o boné do MST.  Governo é governo, movimento é movimento”, afirmou.

Segundo a ex-ministra que, não cessou as referências ao governo Lula, o governo do qual fez parte instituiu a "paz no campo".

“Não apenas assentamos 590 mil hectares como fizemos um programa forte de agricultura familiar".

Para Dilma, desde que o movimente seja pacífico, o governo deve respeitar.
O "movimento" deve ser pacífico, deve aceitar um novo Carajás, deve aceitar morrer, ser perseguido e ficar de braços cruzados enquanto é acossado, violentado e esquecido?

Dilma irá assumir o "Lulinha paz e amor" e pactuar incessantemente com a direita ou terá personalidade para realmente mudar alguma coisa?

No blog da candidata a coisa foi ainda pior! Segundo ela o MST e os movimentos sociais devem respeitar a lei... Ok, que lei? A imposta pela Kátia Abreu - que ela mesma não respeita? A lei do latifúndio? O MST e demais movimentos devem sentar e esperar ajuda divina?
A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, afirmou hoje que os movimentos sociais têm o direito de promover suas manifestações. Mas, segundo ela, não é correto que afetem a vida de pessoas que não são responsáveis pelas políticas públicas.
“Acredito que essa forma [invasões de propriedades e prédios públicos] não é correta. Governo é governo, e movimento social é movimento social”, disse. “Mas acho que não está certo prejudicar pessoas que não são responsáveis pela política pública. E ilegalidade não se pode cometer”, acrescentou, em entrevista a Rádio Jornal de Pernambuco.
Esse discurso de não afetar a vida das pessoas é o mesmo que ouvi na manifestação dos professores da elite cansada. Pode protestar, mas silenciosamente, dentro de casa? Ir para as ruas é perturbar?

Dilma, esclareça, por favor! Na tentativa de agradar a direita, você está perdendo a esquerda.

Responda apenas uma coisa: Você fará a Reforma Agrária que Lula não fez?

Ainda sobre o blog, voltando, falou-se dos óculos da candidata, de novela numa tentativa de mostrá-la mais humana e menos mecânica, mas os tópicos de real relevância ficaram de lado.

Espero realmente que os bons militantes, que apoiam a Dilma, não percam o compasso. Não caiam no ufanismo, no messianismo e esqueçam de criticar, de exigir, de bater e pleitear.

O primeiro passo de ir à internet, de debater é incrível, um marco. Mas é preciso tratar de assuntos espinhosos, é preciso tratar do desconfortável, é preciso ainda muito mais.
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Comentários
5 Comentários

5 comentários:

Vera Pereira disse...

Você esquece que ela ainda não é candidata e ainda não pode fazer propaganda política aberta. Não pode nem te responder: vou fazer a Reforma Agrária ou não vou fazer a Reforma Agrária - para não ser impedida até de virar candidata.

Murilo Rodrigues Guimarães. disse...

Penso que a crise não é do MST, mas de método. O MST é um movimento capaz de eleger uma bancada de congressistas, de usufruir como pco das políticas públicas e de interferir positivamente na consolidação da democracia participativa. Sendo Movimento Social não é Governo, está certo. Deve trabalhar para aprimorar as instituições sociais, em contraponto às ações governamentais, como se espera do diálogo entre Governo e sociedade (essa dicotomia é absurda, mas é nela que se baseia nossa cultura política) No fundo, penso que compreendo o q Dilma quis dizer, porém ainda espero uma atitude mais clara e contundente sobre as "causas" da CNA, por exemplo.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Vera: Bem, no blog dela constam "propostas", foi no que me baseei, além do que ela disse no streaming. Porque, dentre as propostas, não está a Reforma Agrária? Não há uma citação sequer ao assunto em todo o blog. Nem às causas das mulheres, negros, homossexuais...

O que faço é um alerta, para que se pressione por isto, para que a população e os militantes exerçam sua influência.

Lula não fez a Reforma, Dilma fará?

Murilo: Eu não consigo ver nenhuma crise. A elite odeia o MST como sempre, a Classe Mérdia odeia o MST - ainda que não saiba o porque - da mesma forma.

De qualquer maneira, eu ñ entendo o que disse a Dilma, só vejo o governo cada vez mais se distanciando do MST e jogando o movimento para escanteio. O que é mais que perigoso.

Rodrigo disse...

Uns tempos atrás eu tive receio que ela se tornasse algo como a Bachelet no Chile. Depois do teu post, sei lá...
Algo legal que o Stédile falou alguns dias depois do encontro dos comunicadores pela reforma agrária, no mesmo sindicato dos jornalistas daqui de SP (só que dessa vez pra estudantes de jornalismo da USP) foi que o conceito de reforma agrária é republicano, liberal e burguês, tendo sido trazido à tona após a derrocada das monarquias européias e como forma a ajudar a expansão do comércio industrial.
Não seria uma boa insistir por aí?

Edu disse...

É por estas e outras que nesta eu vou de Plínio de Arruda Sampaio - a despeito do que se diga sobre o PSOL e sua crise...

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