segunda-feira, 19 de abril de 2010

A mídia se refestela... e o PSOL se esfacela!

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Leiam a seguinte notícia da Falha:
Na sábado, um congresso do partido no Rio de Janeiro escolheu Plínio como pré-candidato. No entanto, o grupo de Heloisa Helena se recusou a participar do encontro e fez uma reunião paralela contestando a escolha de Plínio.
Segundo os aliados da ex-senadora, o Diretório Nacional do PSOL fez uma jogada para tirar delegados favoráveis a Martiniano Cavalcante. Plínio foi escolhido por 89 delegados. O grupo de Heloisa Helena diz ter 91.
"Não satisfeitos em impor burocraticamente o candidato do PSOL à Presidência, nesta mesma suposta reunião do Diretório Nacional rasgaram o estatuto partidário e retirou as atribuições de nossa presidente nacional, Heloisa Helena", diz manifestou divulgado pelo grupo da vereadora.
De acordo a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que também apoiou Martiniano, o partido deve se reunir depois das eleições para eleger uma nova diretoria. "Decidimos mesmo contrariados, não recorrer dessa decisão e aceitar Plínio como candidato. Optamos por fazer isso em beneficio do PSOL", disse a deputado.
Segundo ela, Martiniano tinha o apoio da maioria da base do partido e não da cúpula. Mas, a deputada disse que a briga interna prejudica apenas ao PSOL. 
O mesmo conteúdo sob diversas formas foi divulgado pela grande mídia nos últimos dias. O PSOL chegou ao fim?

Mas esta não é a análise que quero fazer neste momento, sobre o possível fim do PSOL como alternativa viável na política já fiz no artigo "O que resta ao PSOL", meu objetivo aqui é analisar os discursos e o que está por trás da crise - mais uma - da Convenção e da candidatura do Plínio.

Comecemos pela desgraçada Deputada Luciana Genro. Ela e sua tendência tem um histórico incrível de chorar ante a derrota. De rachar quando se vêem em desvantagem. No último Congresso do PSOL - do qual participei - o MES, corrente de Genro, ameaçou se retirar do mesmo se as demais tendências aventassem a possibilidade de discutir a questão do Aborto. A razão? HH não queria, é contra o Aborto.

Se não respeitada esta vontade, este personalismo, o MES melaria a Convenção.

Eu comentei na época:
Eis que, no meio da discussão sobre o aborto - todos sabem que a HH é contra e ela faz questão de deixar sua opinião pública - o MES resolve abandonar o congresso porque não achava que o tema era apropriado para ser debatido!
"Sou do PSOL, sou radical, eu não aceito o dinheiro da Gerdau"
Musiqunha da CSOL/APS para o MES
O MES é o grupo, hoje, mais próximo da HH, ainda que a CST idolatre de forma quase religiosa a ex-senadora, e em uma deturpada noção de solidariedade, resolveu que não iria discutir nada sobre o Aborto e pôs um ponto final na discussão quando ameaçou se retirar do congresso. Uma demonstração absurda de sectarismo e desrespeito.

Por ser um partido de tendências, ninguém pode impor ao MES absolutamente nada, porém, sendo minoria, cabia ao MES aceitar a opinião dos demais. A Heloísa Helena, aliás, deveria se colocar em sue lugar e, como Lula, acatar a posição do partido.

Vejam que agora, novamente, a Luciana Genro esperneia quando se vê em minoria. Fazer algo em benefício do PSOL não é feitio da nobre Deputada ou de sua corrente, aliás, sobre o MES, vale a leitura de um pequeno resumo sobre o que considero a direita do PSOL. Não dá para confiar nesta figura.

Os problemas não pararam por aí.

Logo depois veio a piada da aliança com o PV e com a Marina Silva, a neocom ambientalista que, assim como a HH, é contrária ao Aborto. HH definiu que queria porque queria a aliança, mas felizmente foi derrotada. Mais uma crise temporariamente superada.

Desde o início, vale citar, o nome da Heloísa Helena era certo para a presidência, mas esta preferiu garantir sua eleição, seu salário e sua notoriedade concorrendo ao Senado. Escolheu o viés eleitoreiro ao invés da construção de uma base e do debate. E, no fim, descambou para o racha do partido.

Lembrem-se, antes de mais nada, que a chapa que serve de sustentação à candidatura do Plínio saiu vencedora do Congresso, como mostrei aqui, com uma margem de 30 votos, quase o tamanho da CST do Babá que, agora, apoiou a candidatura do Plínio.

Tendo estes números em mente, é interessante notar que a alegação do grupo dos insatisfeitos de que teriam uma suposta maioria absoluta dos votos é, no mínimo, descabida. Do Congresso, o campo do Plínio e do Babá, somados, tinham mais de 60 votos (68 no total)  além dos do grupo da HH, Martiniano, Genro e cia, então como explicar que poucos meses depois o MES e MTL cresceram de forma nunca antes vista e viraram a franca maioria?

Fraude talvez?

Sim, exatamente a fraude que foi detectada pela direção do partido, denunciada e revista. O que garantiu a derrota de Martiniano e da manipulação.

No site de Martiniano, algo para rir:
Nem no primeiro, nem no segundo Congressos do PSOL aconteceram eleições na base tão disputadas e tão fiscalizadas.
Nesta conferência seguimos todas as regras e elegemos de maneira legal e legítima uma maioria incontestável de 90 delegados contra 86 delegados somados por Plínio e por Babá.

Segundo o derrotado, especificamente NESTA eleição interna - que ele não vai recorrer, porque será, se tem a razão? - é que o processo foi o mais justo, democrático, legal, fiscalizado... E os outros não foram? De uma minoria considerável seu grupo passou para a maioria absoluta em eleições fiscalizadas? Isto seria crível se a eleição anterior - que indicou uma grande maioria dos opositores da HH - tivesse sido contestada. Como uma diferença tão grande e gritante passou despercebida?


Martiniano completa:
"Este conjunto de iniciativas espúrias tomadas pela insignificante maioria burocrática instalada no Diretório Nacional e em sua Executiva violaram definitiva e irreparávelmente a legitimidade e a legalidade da III Conferência Eleitoral Nacional do Partido Socialismo e Liberdade."
A "insignificante maioria" - 68 votos, que fique claro, quase metade da votação do MES/MTL - foi decidida em congresso, com debate, votação, com direção anterior presente, com HH presente... Então eis que Martiniano considera ilegítimo o Congresso do PSOL?

O fato de gente intransigente e revoltada como os derrotados sequer aventarem a possibilidade de recorrer significa apenas que sabem que tentaram ganhar no grito, no roubo e não pela base, com debate, embate de idéias. Dizer que aceitam a derrota para não rachar o PSOL é mentiroso e risível, mas afirmar que não farão campanha para o Plínio, ou seja, para o próprio PSOL, é criminoso.

Ao contrário de alguns, porém, sou contra a expulsão destes péssimos elementos. Seria prejudicial para o PSOL e para a democracia como um todo. Acredito que estes revoltosos devessem ser proibidos de votar e ser votados nas instâncias partidárias e tivessem suas tendências diluídas pelo tempo que fosse necessário para aprenderem um pouco de humildade e a respeitar o jogo democrático dentro da própria agremiação.

E que se sintam livres para abandonar o barco no primeiro caso em que os ratos sairão primeiro.
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Comentários
4 Comentários

4 comentários:

Wadilson disse...

Tsavkko, quase 30 anos atrás eu militava na Convergência Solialista, trotskysta, com muita gente que iria criar depois o PSTU.
(estou longe do movimento há décadas)

Unidade nunca foi o forte na esquerda. Convergência e Libelu, trotskystas e maoistas e stalinistas, segunda e terceira e quarta internacionais.. e mesmo dentro da Convergência, como agora no PSOL, a união se esvanecia.
Centralismo democrático ou burocrático, pah!
Por que será que as esquerdas não se organizam? E por que diabos a direita sempre consegue resultados melhores quando precisam atacar como uma frente?

Raphael Tsavkko Garcia disse...

O que une a direita é o lucro. Ele é um só. A Esquerda se desagrega porque é ideologia, interpretação. Se um interpreta uma linha de MArx diferente do outro racha. Não há diálogo, não se cede. Cada um acha que é certo, puro e ponto, funda outro grupo e por aí vai... Esquerda só se une quando tá presa.

Jest nas Wielu disse...

Estimado, Raphael,

Embora não sou da mesma família ideológica, acabo de ler a sua análise da situação chechena (no blogue do José Milhazes) e acho o texto bem acertado. Em resumo, proponho uma troca de links entre as nossas páginas.

Atenciosamente,
JNW

p.s.
O seu sobrenome indica que é de descendência ucraniana. Certo?

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Obrigado Jest, mas na verdade este sobrenome tem origem finlandesa e é um empréstimo mais que sobrenome!=)

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