quinta-feira, 8 de abril de 2010

O que resta ao PSOL

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Às vésperas de participar de sua segunda eleição presidencial, o PSOL de partido promissor, médio, com conteúdo, ideologia e bases bem assentadas, passou a um partido nanico, irrelevante, afundado em conflitos e sectarismo. Uma simulação em miniatura do que o PT tinha de pior.

Se no PT, algumas tendências eram chamadas de "direita" pelos que hoje compõem o PSOL, aparentemente o problema não eram estas "direitistas", mas a esquerda. Vejam os acontecimentos e crises atuais do PSOL.

Uma das críticas mais contundentes ao PT - duas, na verdade - eram o personalismo e o culto à figura do Lula - eterno candidato, figura máxima do partido - e a política de alianças que, diziam, desfigurava as bandeiras históricas do partido. ambas as críticas eram e são válidas.

O PT fez aliança com tudo e todos que se dispuseram a participar da grande "Frente". Não importa a ideologia, a história ou os Malufs acumulados. De PCdoB à PP, cabe tudo, até Crivellas da vida, Garotinhos e gente da mesma - e pior - espécie.

As alianças, efetivamente, eram e são espúrias, mas os resultados, querendo ou não, apareceram. Os retrocessos existiram, é fato, os setores que não andaram também são outros tantos, mas os avanços são inegáveis. Se o PT abriu mão de diversas bandeiras, por outro lado, manteve outras tantas. Se não fez frente aos bancos e grandes empresários, ao menos soube se aliar em certa medida e freou a venda do país - privatizações DemoTucanas - e fez diminuir a criminalização institucional dos movimentos sociais.

Fez pouco. Mas fez mais que qualquer outro governo anterior e pós-Ditadura.

Bolsa-Família, Cotas, construção de diversas universidades, ProUni... Todas iniciativas que são dignas de crítica mas deixam um saldo positivo.

Enfim, as alianças tornaram o PT mais "pragmático", menos "revolucionário", mas ainda assim permitiu algumas mudanças. A alma talvez não tenha sido vendida... apenas alugada.

A questão principal aqui, no entanto, não é pesar os ganhos e perdas do governo e do PT, mas ter em mente que a questão das alianças - com PP, PR e afins - foi uma das teclas mais pressionadas pelo PSOL durante sua existência e, às vésperas das eleições de 2010, não é que o PSOL aventou a possibilidade de se lliar com o PV? De ser linha transmissora das idéias de Sarney Filho, Gabeira e cia?

Criticou-se tanto a política de alianças do PT para, no fim, se aliarem com o que há de mais podre? PV, PPS, DEM e PSDB?

E, tudo isto, ainda com características autoritárias e personalistas. A responsável pelas conversas, pela aproximação e pelo quase fato consumado da aliança com o PV foi nada menos que a grande crítica do culto à personalidade de Lula, a (ex-senadora reduzida à vereadora) Heloísa Helena.

Das críticas às alianças e ao culto para uma cópia mal feita do mesmo.

Mas não só isso. Lembrem-se que a razão final para a expulsão dos "dissidentes" foi o voto contrário à Reforma da Previdência pois, segundo os descontentes, iria contra as bandeiras históricas do PT. É fato, a reforma era criminosa, mas durante seu Segundo congresso, a tendência conhecida como MES - de Luciana Genro, Roberto Robaina e que conta com a simpatia da Heloísa Helena - ameaçou rachar e inviabilizar o mesmo porque se recusavam a votar qualquer matéria relacionada ao aborto. Não é apenas uma demonstração de intolerância, de personalismo (o fizeram por HH ser contra), mas também uma renúncia à uma bandeira histórica dos movimentos sociais.

O que levou o PSOL à repetir e recriar exatamente as mesmas coisas e o mesmo clima do PT que tanto criticavam?

Hoje o PSOL é um partido fraturado, dividido em tendências antagônicas que se recusam a conversar. Envolto à um roubo de domínio (o site nacional foi simplesmente roubado pela coligação dos amigos da HH) e à datas conflitantes da reunião que decidirá o candidato do partido às eleições, o PSOL enfrenta uma queda abrupta de popularidade e, hoje, não se mostra como alternativa à nada.

Por maior que seja o respeito que eu tenha por diversos quadros do partido - em particular ao Plínio de Arruda Sampaio, possível candidato presidencial do partido - o PSOL hoje não tem a estrutura, a unidade e a capacidade de gerir nem um condomínio.

E não falo isto pela capacidade individual ou coletiva de muitos de seus quadros - que são excelentes , mas pelo fato de que o partido não age como uma unidade para nada. Não concorda  nem em eleições para DCE, lança chapas concorrentes e, no fim, permite que a direita coloque sas manguinhas de fora e quase vença (USP, mais uma questão de rachas da Esquerda) ou vença (UFRGS).

O PSOL hoje é um partido pequeno dividido em partidos micro. Uma federação de pequeníssimos partidos que raramente conversam entre si e que emulam o PT rachado, problemático e doente.

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Que fique claro, ao fim, que não estou buscando "culpados" ou razões para tal corrompimento. Uns falam que o PSOL nasceu com força demais e não soube administrar, outros que veio de salto alto, ou ainda que as expectativas eram simplesmente grandes demais e, por fim, que o partido nasceu com alguma base, mas sem grande presença/apoio no/do movimento social, que permaneceu com o PT.

Eu alencaria, apenas de passagem, outro fator que, para mim, é mais relevante: O racha do PT foi (apenas) interno. Parece óbvio? Talvez não seja. O racha levou para fora do PT uma certa quantidade de figuras públicas e militantes, mas não respingou para fora do partido como se esperaria. Movimentos Sociais, sindicatos e o grosso dos eleitores mal tomaram conhecimento deste racha. A fundação do PSOL não refletiu - como se esperava - externamente.

As tendências majoritárias permaneceram, muitas outras de porte médio igualmente. O grosso do PT ficou, assim como os eleitores.

Outro fator relevante, mais agora do que na eleição passada, é a popularidade do Lula. Fator este acima de qualquer discussão. Para muitos, Lula é o PT, idéia esta que muitos da liderança do partido não fazem questão de negar ou rebater.

Outro fator que enxergo é o fato do PSOL ter migrado mais para a esquerda, se aproximando em alguns aspectos com o PSTU, o que acaba por dividir o eleitorado entre uma posição já consolidada e o novo em meio a um PT forte, de eleitorado convicto e histórico e muitos que  se aproximaram exatamente pelo pragmatismo - ou centrismo.

Enfim, razões são várias, o que citei pode ou não ter validade, mas o fato é que o PSOL, hoje, é apenas mais um nanico com algum inserção nos movimentos sociais e na sociedade, mas apenas marginal.

Hoje, analisando o todo, o PSOL dificilmente se mostra como um partido viável na disputa entre PT e PSDB.
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Comentários
8 Comentários

8 comentários:

Conrado disse...

Se o parâmetro for a via eleitoral, ok.
Mas os socialistas não vivem de eleições. Aliás, boa parte da história da esquerda brasileira se passou sem atividade eleitoral (por causa da clandestinidade).

É preciso pensar no PSOL como alternativa de esquerda socialista. A via eleitoral é uma ferramenta da luta pelo socialismo. Não a única, não a melhor.

Por essa lente os problemas devem ser vistos.

Nessa altura do campeonato, a pergunta não deve ser "até que ponto o PSOL conseguirá se impor contra a falsa polarização PT-PSDB e vencer eleições?". Melhor e mais lúcido perguntar "até que ponto a crise interna reflete na organização política da juventude, das mulheres, dos sindicatos e demais segmentos que se reivindicam socialistas?".

A resposta não se torna mais animadora. Mas diferente. Os desafios são outros. As dificuldades são outras.

Se deixarmos de enxergar o PSOL apenas como legenda eleitoral, termos como "nanico" deixam de fazer sentido na conversa. Chamar o PSOL de "nanico" é compará-lo ao PRB, aquele partido da Igreja Universal do Reino de Deus, do José Alencar, multimilionário explorador de mão-de-obra escrava e aliado de Lula e Dilma.

Somos pequenos. Mas não somos apenas uma legenda eleitoral. Claro que desejamos eleger uma forte bancada parlamentar. Mas não aceitamos nos vender às alianças espúrias (que confundem os trabalhadores) e ao pragmatismo (que mascara a luta de classes oferecendo migalhas).

As forças mais eleitoralmente aceitas continuam sendo os socialdemocratas progressistas e os socialdemocratas neoliberais. A esquerda socialista continua quebrada em vários partidos. Há pequenos partidos de direita. E outros ainda mais minoritários. Esse quadro não é privilégio brasileiro: acontece em inúmeros países. Na França, nos EUA, na Espanha, em Portugal, no Chile, na Argentina, na Inglaterra, na Alemanha.

Dentro de todos os partidos há tensões. No mundo inteiro. Os socialistas não devemos temer as contradições. As sínteses vão mostrar qual a melhor resposta pra cada ponto crítico. Há os setores mais petistas no PSOL, como a Heloísa Helena, Martiniano Cavalcante e Luciana Genro, que topam Marina Criacionista Silva, Petecão, dinheiro de milionários etc. Mas são setores minoritários. Derrotados.

Isso demonstra que os setores mais avançados da esquerda estão rejeitando cada vez mais o projeto democrático e popular (rebaixar programa, fazer alianças com burguesia, viver de eleições). O problema é que há poucos setores mais avançados da esquerda. A maioria se rendeu às facilidades do governo Lula. Preferiu se contentar com pouco a lutar pelo justo.

É a história.

Apesar de pequeno e fraco, o PSOL e seus militantes participam da construção de várias iniciativas, como organizações de trabalhadores, retomada de sindicatos, organizações da juventude, das mulheres, de ambientalistas. O que resta ao PSOL é continuar organizando a luta dos que vivem do trabalho. Se hoje está difícil, devemos nos lembrar de tempos ainda mais difíceis. Nunca foi fácil, aliás. Devemos continuar. Vamos continuar.


Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural

nada deve parecer impossível de mudar.

Paulo Reis disse...

Tsavkko parabéns pela analise, é tudo exatamente como eu penso, eu sou petista há muitos anos, nem nos momentos mais difíceis de bombardeio intenso em que o PT sofreu, principalmente pela mídia e a oposição, eu nunca deixei de acreditar estar fazendo parte de um partido forjado e construido na democracia, por tantas pessoas, principalmente dentro da diversidade. Sei dos erros cometidos, tenho certeza absoluta que é na democracia que nos aperfeiçamos.
E para concluir: Tem partidos de esquerda que vão cada vez mais para a extrema esquerda, que acabam se encontrando com à direita lá do outro lado.

Ventura Picasso disse...

Tsavkko: Vc tem toda razão, e conhece muito bem essa história. A HH foi usada pelo PIG quando atacava o PT gratuitamente nas suas falações moralistas. O erro da HH foi não concorrer ao governo de Alagoas e eleger Collor senador. A intenção do PSOL era fazer um ‘ajuntamento’ das esquerdas. Proposta muito fraca.

Aqui onde eu moro veio um ex-deputado estadual do PT, informando que mudaria de partido para fundar o PSOL. Qnd revelou a tal proposta eu perguntei a ele como seria possível essa façanha? As esquerdas não se falam.

É mais um gueto, supostamente, socialista que pode ser valorizado para bater num candidato escolhido pela direita. A troco de que???

Hugo Albuquerque disse...

Exato, Tsavkko. Vejos os mesmos problemas. O grande problema que eu vejo no PSOL é que sua existência, em virtude da crise do PT, não conseguiu resultar numa superação ao modelo petista por um motivo bastante óbvio: Eles não compreenderam (e aí digo a grande maioria dos membros do partido) o que deu errado no PT e atribuíram isso a questões pessoais. Em suma, era aquele velho "o PT está em crise não por causa do partido, mas pelas pessoas que tomaram o poder por lá". Uma concepção estranha, personalista e antiga - etimologicamente falando mesmo: Trata-se de uma concepção aristotélica, absolutamente falha ao meu ver, de atribuir a culpa ao técnico e não à técnica (como se pudesse haver uma cisão entre ambos e o projeto e sua realização integrassem um mesmo conjunto). A Política é sim uma tekhné, isto é, uma arte em sentido antigo, um ato humano de concretizar um determinado projeto ideal, portanto, além de só podermos conhecer as coisas em ato, o próprio conceito de Política, pela categoria a qual pertence, só pode ser concebido em ato, onde se confundem atores e projeto, portanto. Em meio a essa esquizofrenia, o PSOL acirrou a maldição dos rachas da esquerda brasileira, inaugurando uma nova forma de disputismo interno, completamente suicida - além de ter uma postura muito fechada para os intelectuais. Enfim, a coisa é feia...sua crise não melhora as coisas porque o PT continua lá, com n problemas, mas também não são os problemas do PT que, por lógica extensiva, diminuam ou simplesmente apaguem os problemas psolistas...

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Conrado: Levando em conta que a via eleitoral é o que mais interessa às legendas majoritárias do PSOL (excetuando apenas o CST de Babá), então eu penso que esta é a análise a ser feita.

Tanto Plínio quanto Martiniano defende um programa democrático-popular e não a ruptura o que, a levar pela própria situação do partido, seria um tiro no pé.

A esquerda brasileira está LONGE de ter condições de qualquer ruptura que não interna...

Eleitoralmente a comparação entre PRB e PSOL deixa o PSOL atrás, infelizmente. A esquerda Socialista ainda não aprendeu a transformar sua inserção social em votos. O PT até aprendeu, mas mudou o foco e o PSOL está longe de aglutinar um décimo do que o PT tem hoje em termos de massa e de movimentos sociais que o apóia. E a contar pelos rachas e crises pelos quais vem passando o PSOL, dificilmente crescerão mais do que cresceram até hoje.

Admiro e acompanho o PSOL, mas ando me desanimando bastante com o que vejo.

Paulo: Eu me senti expulso junto com os do PSOL quando tudo aconteceu, o PT mudou bastante, se descaracterizou... Fez alguma coisa, nada poderia ser tão ruim como foi o DemoTucanato, mas o PT de hoje está longe de ser o PT de antes do racha do PSOL.

Ventura: O PSOL pecou muito em certos ataques. O PSOL manteve o ódio mortal ao PT quando este não era nem é seu principal inimigo e por vezes fez o jogo que Serra e cia sonharam.

Hugo: O projeto personalista do PSOL acaba por minar o projeto de partido e organização. Gente como Luciana Genro, Robaina e HH agem como um câncer na estrutura do PSOL e impedem seu crescimento. No congresso que fui era impressionante como o pessoal do MES parecia não militar no PSOL... mas no MES! Era um partido separado, ligado por interesses eleitorais e ponto.

O PSOL não compreendeu que é um partido, age como federação de pequenos partidos, até mesmo em eleições de DCE! Deste jeito faz o mesmo jogo que PCO, LER, PSTU e etc... Cada um na sua, sem conversar e se achando a vanguarda...

Antonio Torres disse...

Tsavkko,

seu texto me fez refletir. A qualidade da analise sintetiza uma série de questões relativas ao PSOL que devem ser discutidas num debate de pensarmos os erros históricos da esquerda. O olhar ao passado - o PSOL está no passado, e foi isso que me fez postar essas palavras - é uma ação importante em nossa reflexão.

Gostaria de dizer, antes dos meus apontamentos, que sou petista e, tambem tencionado na época da fundação do PSOL, fui um dos milhares que optei por ficar. Mas gostaria de acrescentar alguns elementos críticos ao texto.

Nós, socialistas, não podemos - nem devemos - analisar a formação do PSOL as luzes da atual conjuntura.

Se hoje a opção de ficar no PT e no governo Lula parece óbvia, na época as contradições eram maiores e haviam elementos políticos para acreditar que havia uma possibilidade de ruptura externa. E a grande hegemonia do pensamento socialista que optou por permanecer no PT ficou com tambem com elementos que agregam pouco ao acumulo de forças - os mesmos elementos que você aponta no PSOL continuam presentes no PT, e não podemos esquecer disso. Claro que a opção foi correta - ninguem discute isso - mas não foi fácil.

Concordo que não foram esses elementos que serviram para aglutinação dos 100 militantes que formaram o PSOL, mas os argumentos utilizados por esses foram muito fortes na época. Não tenho dúvida.

Um segundo destaque para reflexão é uma critica a essa opção dos dirigentes em colar a imagem do PT ao LULA. Continuo considerando isso um erro político, e é nosso dever lutar contra essa maré - tarefa nada fácil em uma época que o governo atingiu uma popularidade histórica. O PT como defendemos acumulou pouco nesses governos do ponto de vista de organicidade e formulações internas. E podemos nos esvaziar ainda mais qualitativamente, nos aproximando desses elementos que criticamos na turma da Heloísa.

O últomo ponto, e aqui cabe inclusive uma autocritica pessoal, e a nossa capacidade de criar e manter o PSOL. É um erro criticar os companheiros psolistas por só atacar o PT: é para isso que eles foram criados, existem, são ouvidos e servem.

Qual agrupamento político no Brasil pensa, discute, sabe que existe, contesta... o psol? Só o PT! Eles mesmos já cansaram de pensar em si mesmos e nós continuamos! O PSOL não é um partido nanico - acho o adjetivo desrespeitoso e que demonstra mágoa. Ele apenas não existe politicamente, o que deveria nos gerar um distanciamento desse debate: falemos do que existe, como a direita, a Midia, a esquerda para fora do PT, etc. Se ninguem topar, vamos discutir o PSTU que podemos aprender muita coisa com eles - apesar do seu tamanho.

Mas bater em cachorro morto é covardia, tratemos do mundo. Deixa os(as) caras!(Existem até alguns militantes lá que deveríamos chamar de volta...)

Fica o convite.

Judson C. Maciel disse...

Excelente o artigo. Boa descrição do PSOL atual, infelizmente, como antigo filiado é muito triste ler isso. Eu que já estive lá dentro, me afastei após as eleições de 2008, porque já via estas tendências desagregadoras de correntes misturada com um pensamento muito fundamentalista com uma ganância pelo poder.

No meu site, reforcei estas minhas palavras num post publicado em Março. Intitulado: A falência ideológica da esquerda no brasil. + http://www.judsonline.com/blog/16493//

Parabéns pelo artigo!

Almir disse...

Parabéns pela análise!

O PSOL é a esquerda que a direita adora. A campanha televisiva de HH nas últimas eleições foi um serviço sujo prestado aos liberais, remunerado com a exposição na mídia que a ex-senadora conquistou. Embriagou-se com tanta divulgação, tantos microfones à disposição, parecia até acreditar que davam credibilidade às suas propostas e não buscavam nela somente o melhor veículo para expressar o ódio contra o trabalhismo lulista, através do revanchismo cego e estúpido que o PSOL estabeleceu com o governo mais popular da história do Brasil.

Vocês querem entender porque o PSOL está nessa indefinição? Arrogam-se a ser os intérpretes da vontade popular, e ignoram a manifestação do próprio povo. A popularidade do governo Lula acima de 85% há anos traduz o reconhecimento das pessoas pelas conquistas sociais do governo, que tirou da miséria milhões de brasileiros. Mas o PSOL diz, com sangue nos olhos, que, a despeito da opinião popular, o governo é uma merda, uma desgraça. Ou seja, ignoram os fatos e desprezam a opinião mesmo dos mais humildes brasileiros. E isso sem ter qualquer representatividade popular, não conseguem reunir 100 pessoas em um comício. Não têm conexões com as organizações representativas da sociedade, não têm inserções nos sindicatos, tampouco nas organizações da sociedade civil. O PSOL embriagou-se com a votação que HH teve nas últimas eleições, um dia vão entender que ela se explica pelo serviço sujo que prestaram aos demo-tucanos e às máfias editoriais que apoiam esses neoliberais.

Torço para que Plinio de Arruda Sampaio consiga reconduzir o PSOL para um bom destino como opção de esquerda, e seja sábio para perceber que há um espaço importante a ser ocupado desde que o PT começou a se deslocar para o centro do espectro político. Mas não será com demagogia e personalismos, típicos da Sra. HH, que o PSOL conquistará simpatizantes.

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