quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O que significa o (suposto) atentado contra Ahmadinejad?

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À medida em que avança o dia chegam mais notícias sobre o suposto atentado cometido contra o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Até o momento, apenas incertezas, notícias desencontradas e uma festa de um lado anunciar e o outro desmentir.

O mais importante neste momento, porém, mais do que saber se efetivamente houve um atentado, é saber das consequências de toda esta história.

Creio que estejamos diante de dois cenários possíveis que se ramificam em múltiplas conjecturas e possibilidades:


1. Hipótese de um Atentado Real

Se houve efetivamente um atentado, é importante saber quem foi o responsável, as motivações e, acima de tudo, o que isto representa para o futuro.


1.1. Quanto aos responsáveis, podemos pensar em 4 grupos principais:

a) Pjak: Grupo Curdo financiado próximo ao PKK da Turquia e alegadamente financiado pelos EU, ao menos até Obama colocar o grupo na lista de "terroristas". O grupo luta por uma região autônoma curda no Irã e por maio respeito às minorias curdas, azeris, árabs e etc.
b) Balochis: Importante minoria étnica que vive entre o Irã, Afeganistão e Paquistão, os Balochis ou Baluchis vivem em conflito com o governo central dos respectivos países e grupos como o Jundallah poderiam ter o interesse de matar o presidente iraniano.
c) EUA/Israel, CIA/Mossad: Opção mais que provável, dispensa grandes comentários.
d) Outra oposição interna, Verdes, Progressistas: Outra hipótese possível é a de que algum grupo obscuro ou mesmo algum dissidente ligado aos Verdes, ou as Árabes do Kuzestão possa ter cometido o atentado.e) finalmente, a opção menos provável, um atentado "interno". Grupos radicais extremamente conservadores buscando impor uma liderança ainda mais conservadora. O processo fraudulento que levou Ahmadinejad ao poder criou tensão mesmo entre os conservadores, fazendo com que grupos extremamente conservadores deixassem claras suas posições. Nunca se descarta também a participação da guarda Revolucionária, ainda que Ahmadinejad tenha saído de suas fileiras.

É difícil saber até que ponto o programa nuclear é consenso e que grupos, mesmo conservadores, podem se sentir prejudicados pelas políticas governamentais. A dança de cadeiras no início do segundo governo pode contribuir para a hipótese de que uma elite conservadora se sentiu atacada.

1.2. Quanto às motivações e objetivos, estão claras. Cada grupo defendendo seus próprios interesses, seja a independência de uma região (caso dos Balochis), autonomia e respeito ao direito das minorias (Pjak), substituição por uma liderança mais moderada ou conservadora ou mais ligada aos interesses de um ou outro grupo ou mesmo a pura e simples confusão.A grande insatisfação com os rumos do governo parece estar presente nos mais diversos setores.

1.3. Finalmente, quanto ao que isto representa para o futuro. Dois são os cenários:
a) O atentado pode significar uma maior abertura, algo pouco provável, que seria fruto de pressões por um maior diálogo depois de uma radicalização contra o governo
b) Uma retração ainda maior do país, uma radicalização tanto interna quanto externa. Possivelmente, em caso de maior repressão, o país poderia rachar devido à grande pressão ainda exercida pelos Verdes e pela oposição insatisfeita com a atual situação política, social e econômica do país.

Em termos macro, como bem disse o Gustavo Chacra hoje pela manhã em seu blog, poderíamos ter guerra.
Guerras começam em eventos menores. São os chamados estopins, que colocam fogo em um barril de pólvora. O Oriente Médio está pronto para explodir. E a poda de uma árvore quase acabou em uma escalada militar entre o Líbano e Israel. Foi por muito pouco. Se uma cerca for derrubada, como em briga de vizinhos, o conflito pode eclodir e, como disse ontem, Beirute e Tel Aviv se destruiriam inutilmente.
Hoje foi a vez de uma tentativa de atentado contra Mahmoud Ahmadinejad. Provavelmente, a ação foi organizada por opositores internos. Mas e se atingissem o seu objetivo? Nós teríamos acordado com o presidente do Irã morto. É a velha história do cisne negro.
Um cenário que é bem possível. Se Ahmadinejad tivesse morrido, poderíamos estar diante de uma guerra,  o que iria de encontro aos interesses dos EUA e de Israel.

Agora, não se pode descartar a hipótese de que não houve atentado algum, como atesta o Irã e sua agência oficial.

2. Hipótese de que não houve qualquer atentado:

É preciso analisar, antes de mais nada, o que motivaria a criação de um boato deste tamanho e, posteriormente, analisar as consequências de tal boato. Apesar de algumas fotos e relatos, alguns sustentam a versão de fogos e não de uma bomba.

2.1. Tudo não passa de um boato. A quem serviria?

a) Primeiramente, logo pensamos em Israel/EUA ou mesmo em qualquer outro grupo já descrito na hipótese anterior, e neste caso a resposta é simples:? Confusão. Uma tentativa dos inimigos do Irã buscarem capitalizar em cima do boato, procurando mostrar que há uma grande insatisfação com o governo. Poderia servir até mesmo como desculpa para uma intervenção, a falsa idéia de que haveria apoio a um ataque contra o Irã mesmo dentro do país, visto que chegaram até a tentar matar o presidente. Seria o boato perfeito para justificar uma ação militar desastrosa. Sendo coisa apenas de grupos locais, o país não sairia de sua normalidade e possivelmente aumentaria a repressão contra as minorias locais.
b) Por outro lado, não podemos descartar a possibilidade de o próprio governo ter lançado mão deste boato como forma de criar um inimigo para justificar suas políticas repressivas. Seja ele interno ou externo (EUA/Israel), seria a justificativa para um programa nuclear efetivo (e não apenas para fins pacíficos, como declaram). Esta hipótese não é muito provável, visto que o governo prontamente buscou negar o fato.

2.2 Finalmente, as consequências são diversas.
Vão desde um descrédito simples das agências internacionais, até a humilhação dos responsáveis por vazar tal informação, supostamente falsa dentro da hipótese. Descobrindo-se que o boato foi criado pelo Irã, o governo se encontraria com sérios problemas, se mostraria fraco e precisando criar factóides para sobreviver, o mesmo pode-se dizer dos EUa/Israel, que se veriam novamente envoltos em uma crise ligada às suas agências. A CIA falhou no 11 de Setembro e o Mossad vem cometendo lambanças pelo Oriente Médio.

No fim das contas, ainda é cedo para saber o que realmente aconteceu e, mesmo com fontes oficiais, a história ainda permanecerá envolta em mistério. O melhor é esperar até que alguma fonte independente, um blogueiro ou jornalista independente, apresente provas do que aconteceu - ou não aconteceu.

Até lá, tudo não passa de conjectura.

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Comentários
4 Comentários

4 comentários:

AF STURT disse...

Concordo com vc,sempre é bom uma terceira via.
Agora se ouve um ataque o mais possivel é um ataque feito pela oposição,é claro com ajuda dos EUA/Israel.Acredito que eles tem envolvimento ,mas indiretamente.Eles sabem trabalhar sem deixar rastro, são profissionais do terror.
Se foi feito por conservadores,acredito que ou são burros ou são aliados dos inimigos externos.Quem em sã conciencia atacaria um presidente,na situação que se encontra,para ainda manter sua legetimidade nacional...
Se for falso,poderia também ser invenção da oposição iraniana/EUA já que os propio governo do Irã desmentiu ocorrido ,a não ser se foi uma ato sem planejamento.
Mas se houve o ataque ainda fico com a versão dos grupos internos ligados aos externos...

AF STURT disse...

Mantém nos informado.

Anônimo disse...

A iraniana catalã Nazanin Amirian parece gostar da hipótese do auto-atentado: http://1ul.com.ar/852

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Anônimo: Bom saber que não sou o único a aventar a possibilidade!=)

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