sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dilma venceu. E agora? [Políticas Sociais e Educação]

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No campo social - e na educação - , a batalha é pelo aprofundamento dos programas existentes, mas também ela radicalização de alguns projetos e retomada de outros abandonados.

Se por um lado o Bolsa Família foi um sucesso e será mantido, por outro é preciso ampliar as perspectivas de superação da necessidade de tal bolsa e de projetos sociais do mesmo tipo. Políticas assistencialistas devem ter começo, meio e fim e não serem eternas. São importantíssimas para a superação de distorções históricas, mas não devem ser eternas.

É fato que a Bolsa Família e as políticas de incentivo ao consumo - solução lulista para a superação da crise - foram um sucesso (ao menos desta vez, no caso da segunda), mas nada garante que a mera perpetuação deste modelo consiga ser sempre bem sucedido.

O que precisamos é de garantias, da certeza de que, uma vez dado o empurrão, o povo consiga andar com as próprias pernas.

Não se trata de defender Estado Mínimo ou qualquer tipo de política liberal, mas a de garantir ao povo maior estabilidade e dignidade, sempre tendo o Estado por trás, mas sem a necessidade de constante ou perpétua intervenção.

Que fique claro que sou estatista, defensor de uma ampla presença do Estado na economia e também partidário da re-estatização de nossas empresas, mas é impensável que o Estado se limite a financiar programas de assistência ao invés de investir, também, em projetos para a superação da situação de pobreza e necessidade.

Se é verdade que o incentivo ao consumo desenfreado nos salvou da crise, também o é a revelação do caráter consumista de camadas da população que podem comprar, que ascenderam socialmente, mas não tiveram, conjuntamente, uma educação de qualidade ou foram minimamente politizados.

Falta educação, falta politização.

Não basta transformar o Brasil em um país de "classe média", se isto significa meramente poder de compra, o que precisamos é promover a igualdade tendo como base também a educação, a politização e a consciência de classe.

Reduzir tudo ao consumo é dar mais munição à parcela majoritariamente conservadora dessa classe média, que tem ódio destes que ascenderam socialmente. Mas mesmo este ódio não impede que estes recém-chegados emulem, copiem aqueles já estabelecidos no que há de pior, em seus preconceitos mais básicos.

Consumir é apenas um item, um detalhe. Deve-se promover a consciência de classe, a solidariedade e a politização.

Mesmo os investimentos em educação tiveram dois lados.

Se é fato que hoje mais pessoas chegam à universidade, também é fato que boa parte das universidades não tem qualquer qualidade. É preciso investir - ou melhor, ampliar o investimento - em universidades federais, em centros de referência, técnicos e na qualidade do ensino superior do país para superarmos a necessidade de ProUnis, que garantem isenção fiscal mesmo às piores universidades do país.

Acesso à universidade deve vir junto com universidades de qualidade.

E, claro, é importantissimo o investimento em educação básica, para garantir que mais e mais jovens tenham educação de qualidade desde a infância e que, mais pra frente, possam pleitear em pé de igualdade com a elite, vagas em universidades públicas e nas melhores particulares.

O principal é a inclusão social, mas uma inclusão completa em que o limite não seja a mera convivência lado-a-lado, mas a integração completa das camadas mais baixas no novo modelo social que vem nascendo.

É preciso passar por cima do conservadorismo e promover a integração em bases humanísticas. Consciência social antes de mais nada, respeito pela diversidade e ideais progressistas. A superação do modelo assistencialista pela emancipação popular.
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