sábado, 7 de agosto de 2010

Plínio, Socialismo e o pretenso jogo da direita

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Algo que vem me irritando ha muito tempo é esta mania que militantes do PT e simpatizantes tem de acusar o Plínio de fazer o jogo da direita.

Concordo - e escrevi neste blog - que, por vezes, o PSOL erra a mão das críticas e ataca o PT de forma até desleal, mas daí a acusar estas falhas de ser jogo da direita são um passo enorme. A isto chamo de oportunismo.

Em alguns momentos parece que é uma tentativa mal disfarçada de amordaçar o debate, de censurar a idéia divergente. Plínio está a esquerda do PT e MUITO mais a esquerda que o governo
(e esta separação entre governo e PT me foi dito por um militante radical do PT, não estou inventando) e, como tal, tem o dever de apresentar suas propostas e compará-las com as do governo/PT sem medo.

No debate, Plínio atacou PT, PSDB e Marina (chamar de PV soa irreal, ela não respeita praticamente nenhuma regra do partido, o usa como partido de aluguel, o que não vai longe da realidade daquele antro), mas a militância petista dá chilique porque ele atacou a Dilma, mesmo que com uma argumentação coerente e franca.
Chamou José Serra (PSDB) de "hipocondríaco", por só saber falar de saúde e o tachou de "a favor do latifúndio", quando o tucano afirmou ser contra a desapropriação de terras com mais de 1 mil hectares, uma das principais propostas de Plínio. Quanto a Dilma Rousseff (PT), o candidato a acusou de maquiar números ao falar de reforma agrária. "Quem fez o programa da reforma agrária do Lula fui eu. (Vocês) Fizeram menos que o Fernando Henrique."
Plínio venceu o debate, isto é incontestável. Serra parecia um vampiro anêmico, o que de fato é, Marina foi maravilhosamente desmascarada por Plínio (Ecocapitalista) e Dilma parecia nervosa (ainda que tenha ido bem no geral) e levou alguns comentários do Plínio pra casa.

Mas voltando ao ponto, eu me pergunto o que os petistas (alguns) temem? Não há mais o que perguntar, só pode ser temor.

Temem o PSOL? duvido, é um partido ainda pequeno e os próprios petistas (angluns) sentem prazer em tentar pisá-lo.

Seria o Plínio? Talvez, com mais de 50 anos de vida pública e luta, ele fala com propriedade, com a propriedade de quem militou por anos no PT e criou até mesmo o programa de reforma agrária do partido. Logo, tem a estatura necessária para criticar aquilo que ele ajudou a criticar e que, em sua opinião, se desviou do caminho, se perverteu.

Os argumentos do Plínio dificilmente são passíveis de resposta. Ele sabe do que fala. As propostas podem ser discutíveis, não são para todos os gostos, mas seus argumentos e críticas costumam ser certeiros.

Esse papo de "jogo da Direita" é realmente uma mordaça. Alguns tentam criar o medo da vitória do Serra para tentar calar a voz dissidente. Plínio toca em pontos fundamentais, como a Reforma Agrária, e ninguém pode respondê-lo, porque ninguém a fez ou tem propostas de fazê-la. então novamente entra o papo de ajudar a direita. Oras, se o PT em oito anos não se interessou em efetivamente fazer uma profunda reforma agrária no país, porque questionar este fato - como faz o MST constantemente - seria jogar com a direita?

A verdade é de direita? Eu acho que não. Então, realmente, eu não entendo.

Plínio mostra que existe uma alternativa. Em uma sociedade conservadora como a nossa sabemos que não será eleito, mas o crescimento de sua campanha forçaria a inclusão do PSOL na mesa de negociações. Com peso e força, o PSOL poderia pleitear junto ao PT, poderia pressionar e ter peso para isso. Seria uma chance de trazer o PT, ou o governo, para a esquerda.

Mas muitos acham que o PSOL, PCB e cia deveriam simplesmente apoiar o PT, que isso traria o PT pra esquerda, bem, discordo. Apoiando o PT apoiariam seu discurso e o que demonstram concorrendo em separado é que existem outras propostas. E boas propostas.

Ainda, muitos gostam de dizer que o Plínio e gente do PSOL se ressentem do PT (o que é verdade em alguns casos, mas não todos), mas às vezes parece o contrário, que são alguns petistas que ressentem o fato de um novo projeto ter surgido com tanta gente boa (Ivan, Chico, Plínio, Temer, etc) que já não está mais no PT e vivem muito bem sem ele.

Discordar das idéias do Plínio são uma coisa, mas acusá-lo como fazem? Não dá. Aliás, boa parte das idéias do Plínio eram as mesmas do PT (e ainda são o sonho de muito militante) há alguns anos. Porque, hoje, o Plínio virou piada? Por defender o que o PT abandonou?

Plínio defende o que o PT costumava defender. Porque com ele é irreal e com o PT era a utopia de todo militante?

O PSOL tem falhas, e significativas, são várias, gosto, aliás, de citá-las sempre que posso, mas a falta de autocrítica dos companheiros petistas assusta. Lembrando que, SEMPRE, falo em alguns e não na totalidade.

Enfim, essa história toda de jogo da direita cansou. É infantil, demonstra um medo injustificável e uma veia ditatorial completamente imbecil de alguns militantes que deveriam abrir os olhos e compreender que o país é maior que o PT.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Coluna Semanal no Diário Liberdade

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Começo, a partir de hoje, a escrever uma coluna semanal (ao menos é esta a pretensão) para o Diário Liberdade, portal anticapitalista, de esquerda, defensor da autodeterminação dos povos e sediado na Galiza, nação mantida sob domínio espanhol.

"Defenderei a casa de meu pai" é o nome da coluna, onde tratarei de assuntos relacionados à autodeterminação dos povos, liberdade e nacionalismo Basco, Catalão e Galego. Temas que já foram tratados exaustivamente no blog e que agora encontrarão um novo espaço de debates.

O nome foi retirado do poema Nire Aintaren Etxea, escrito em 1963, por Gabriel Aresti, um dos poetas mais importantes a escrever na língua basca.

"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
...
"Defenderei
a casa de meu pai"

Eis o primeiro artigo: O caso Asel Luzarraga, escritor basco preso no Chile

Para ter acesso a todas as colunas, à medida em que forem publicadas, basta clicar na barra superior do blog, no nome da coluna ("Defenderei a casa de meu pai"), que fica entre a lista de revistas e periódicos onde tenho publicações e o poema que dá o nome a esta coluna.
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Plínio no Debate da Band Hoje

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Furando o bloqueio midiático que lhe foi imposto, nesta quinta-feira, dia 5 de agosto, Plínio de Arruda Sampaio estará no debate promovido pela Band, às 22 horas.

Na próxima quinta-feira, dia 5 de agosto, a TV Bandeirantes inaugura os debates televisivos dessas eleições presidenciais. O programa terá início às 22 horas e contará com a presença do candidato à Presidência pelo PSOL Plínio Arruda Sampaio, além dos candidatos Dilma Russeff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PT). O mediador do debate será o jornalista Ricardo Boachat e estará acompanhado de Joelmir Betting e José Paulo Andrade, também jornalistas.


O funcionamento do debate contará com cinco blocos e terá duração de aproximadamente duas horas. No primeiro bloco os candidatos responderão a uma pergunta escolhida pelos internautas através do site da emissora (http://www.band.com.br/jornalismo) e farão perguntas uns aos outros. As perguntas terão um minuto de duração e o tempo para as respostas será de dois minutos. Nesta primeira parte os candidatos terão direito a réplica e tréplica. O segundo e terceiro blocos terão dinâmica semelhante, mas a primeira pergunta será formulada pela produção da Band.


No quarto bloco as perguntas serão feitas pelos jornalistas com indicação de qual candidato deve responder e qual deve comentar. As perguntas terão o tempo de 30 segundos, as respostas 2 minutos, os comentários e as réplicas 1 minuto. O último bloco do debate será de considerações finais e terá ordem inversa à do primeiro bloco.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Google Censurou o Blog do Tsavkko (?) [Updates]

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Hoje, entre 15 e alguma coisa e 16:45 aproximadamente, o Blog do Tsavkko esteve suspenso. Quem tentava acessar o blog recebia a mensagem de que o blog não existia.

Eu não estava online, logo, não deletei ou modifiquei absolutamente nada do blog e, através do celular acessei rapidamente o Twitter e tomei consciência do problema.

Ao tentar logar no Gmail, assim que liguei o computador e contive o desespero, tive a grata surpresa de ver que o e-mail estava desativado e que teria de realizar alguns procedimentos para receber um código via SMS paraa ativar tanto o e-mail quanto o blog.

Não sei o que se passou. Se fui vítima de uma tentativa de ataque hacker ou se fui simplesmente suspenso pelo Google e sua incrível "inteligência coletiva", ou seja, mera atividade organizada de trolls.

A censura contra blogs hospedados no Blogspot não é nova, o que apenas aumenta minhas suspeitas.

O fato é que duvido que o Google dê qualquer resposta e continuarei sem saber o que aconteceu.

Recebi do InternetVista - um site de monitoramento que eu nem lembrava de ter me registrado, aliás - o seguinte informe:
Dear Raphael,

Your application website (http://tsavkko.blogspot.com) is on error (Not Found (404)) since 08/04/2010 15:28:02.

The checklist that triggered this alert is:

08/04/2010 15:28:02Not Found (404) done by Paris/France (attempt 1/2)
08/04/2010 15:29:02Not Found (404) done by Amsterdam/Netherlands (attempt 2/2)

Best regards,

The internetVista Team
Apenas a comprovação de que me tiraram do ar.

Agradeço à @nideoliveira71, @tgpgabriel, @luckaz, @ligtez e @felipeborges por terem me avisado via Twitter do problema.

Espero que tudo não tenha passado de um engano, mas já tenho um backup de todo o blog para eventuais problemas. Entrementes, aproveitem o blog enquanto ele não é - novamente? - censurado.
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Update:
Recebido do fórum de dúvidas do Google:
XXXXX postou uma resposta para a pergunta "Seria uma tentativa de roubo de senha ou ação de hacker?":

Isso acontece quando o Google, por algum motivo suspeita de mal uso da conta ou que sua conta foi comprometida de alguma forma. Veja a referência [1] que se aplica ao Orkut mas é o mesmo caso.

Referências:
[1] Acesso à Conta: Verificação de SMS para destravar perfil (Web)

Visualizar esta pergunta no Fórum de Ajuda do Google
Cancelar inscrição para as respostas a esta pergunta
 O que nos direciona para:

Acesso à Conta: Verificação de SMS para destravar perfil

Se encontrarmos perfis que suspeitamos ter conteúdo impróprio ou algum outro tipo de abuso, o orkut poderá bloquear o perfil temporariamente e pedir que você confirme sua identidade via SMS. Você verá essa mensagem ao tentar usar o orkut: "O seu perfil foi bloqueado".
É fácil confirmar a sua identidade via SMS, caso tenha que fazer isso. Veja como:
  1. Na caixa Confirme a sua identidade, selecione o seu país e operadora de celular.
  2. Digite o número do seu telefone (incluindo o código de área) e clique em Enviar.
  3. Você deverá receber uma mensagem SMS no seu telefone com um código de verificação.
  4. Digite esse código de verificação na caixa de diálogo no orkut e clique em confirmar.
Depois que seu número de telefone for confirmado, você poderá continuar usando o orkut normalmente. Pedimos desculpas por qualquer inconveniência que esse processo possa causar, mas é apenas mais uma maneira de manter o orkut seguro e impecável.
Observe que a verificação de SMS é gratuita e que o número do seu telefone será protegido contra uso impróprio de acordo com a nossa Política de privacidade.
Aparentemente houve realmente censura. O Google deve considerar que eu cometi algum abuso. Engraçado que exatamente quando eu não estava online e sem qualquer explicação.

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Update 2:
Segundo o mesmo InternetVista, fiquei fora do ar por cerca de 2 horas.


Dear Raphael,

Your application website (http://tsavkko.blogspot.com) is ok (OK (200)) since 08/04/2010 17:29:02.

The checklist that triggered this alert is:
08/04/2010 17:29:02OK (200) done by Brugg/Switzerland (attempt 1/2)
08/04/2010 17:30:02OK (200) done by Munich/Germany (attempt 2/2)

An error occurred in your application at 08/04/2010 15:28:02; the error duration is 2 hours 1 minute.

Best regards,

The internetVista Team

© 2010, internetVista sa/nv http://www.internetVista.com
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O que significa o (suposto) atentado contra Ahmadinejad?

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À medida em que avança o dia chegam mais notícias sobre o suposto atentado cometido contra o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Até o momento, apenas incertezas, notícias desencontradas e uma festa de um lado anunciar e o outro desmentir.

O mais importante neste momento, porém, mais do que saber se efetivamente houve um atentado, é saber das consequências de toda esta história.

Creio que estejamos diante de dois cenários possíveis que se ramificam em múltiplas conjecturas e possibilidades:


1. Hipótese de um Atentado Real

Se houve efetivamente um atentado, é importante saber quem foi o responsável, as motivações e, acima de tudo, o que isto representa para o futuro.


1.1. Quanto aos responsáveis, podemos pensar em 4 grupos principais:

a) Pjak: Grupo Curdo financiado próximo ao PKK da Turquia e alegadamente financiado pelos EU, ao menos até Obama colocar o grupo na lista de "terroristas". O grupo luta por uma região autônoma curda no Irã e por maio respeito às minorias curdas, azeris, árabs e etc.
b) Balochis: Importante minoria étnica que vive entre o Irã, Afeganistão e Paquistão, os Balochis ou Baluchis vivem em conflito com o governo central dos respectivos países e grupos como o Jundallah poderiam ter o interesse de matar o presidente iraniano.
c) EUA/Israel, CIA/Mossad: Opção mais que provável, dispensa grandes comentários.
d) Outra oposição interna, Verdes, Progressistas: Outra hipótese possível é a de que algum grupo obscuro ou mesmo algum dissidente ligado aos Verdes, ou as Árabes do Kuzestão possa ter cometido o atentado.e) finalmente, a opção menos provável, um atentado "interno". Grupos radicais extremamente conservadores buscando impor uma liderança ainda mais conservadora. O processo fraudulento que levou Ahmadinejad ao poder criou tensão mesmo entre os conservadores, fazendo com que grupos extremamente conservadores deixassem claras suas posições. Nunca se descarta também a participação da guarda Revolucionária, ainda que Ahmadinejad tenha saído de suas fileiras.

É difícil saber até que ponto o programa nuclear é consenso e que grupos, mesmo conservadores, podem se sentir prejudicados pelas políticas governamentais. A dança de cadeiras no início do segundo governo pode contribuir para a hipótese de que uma elite conservadora se sentiu atacada.

1.2. Quanto às motivações e objetivos, estão claras. Cada grupo defendendo seus próprios interesses, seja a independência de uma região (caso dos Balochis), autonomia e respeito ao direito das minorias (Pjak), substituição por uma liderança mais moderada ou conservadora ou mais ligada aos interesses de um ou outro grupo ou mesmo a pura e simples confusão.A grande insatisfação com os rumos do governo parece estar presente nos mais diversos setores.

1.3. Finalmente, quanto ao que isto representa para o futuro. Dois são os cenários:
a) O atentado pode significar uma maior abertura, algo pouco provável, que seria fruto de pressões por um maior diálogo depois de uma radicalização contra o governo
b) Uma retração ainda maior do país, uma radicalização tanto interna quanto externa. Possivelmente, em caso de maior repressão, o país poderia rachar devido à grande pressão ainda exercida pelos Verdes e pela oposição insatisfeita com a atual situação política, social e econômica do país.

Em termos macro, como bem disse o Gustavo Chacra hoje pela manhã em seu blog, poderíamos ter guerra.
Guerras começam em eventos menores. São os chamados estopins, que colocam fogo em um barril de pólvora. O Oriente Médio está pronto para explodir. E a poda de uma árvore quase acabou em uma escalada militar entre o Líbano e Israel. Foi por muito pouco. Se uma cerca for derrubada, como em briga de vizinhos, o conflito pode eclodir e, como disse ontem, Beirute e Tel Aviv se destruiriam inutilmente.
Hoje foi a vez de uma tentativa de atentado contra Mahmoud Ahmadinejad. Provavelmente, a ação foi organizada por opositores internos. Mas e se atingissem o seu objetivo? Nós teríamos acordado com o presidente do Irã morto. É a velha história do cisne negro.
Um cenário que é bem possível. Se Ahmadinejad tivesse morrido, poderíamos estar diante de uma guerra,  o que iria de encontro aos interesses dos EUA e de Israel.

Agora, não se pode descartar a hipótese de que não houve atentado algum, como atesta o Irã e sua agência oficial.

2. Hipótese de que não houve qualquer atentado:

É preciso analisar, antes de mais nada, o que motivaria a criação de um boato deste tamanho e, posteriormente, analisar as consequências de tal boato. Apesar de algumas fotos e relatos, alguns sustentam a versão de fogos e não de uma bomba.

2.1. Tudo não passa de um boato. A quem serviria?

a) Primeiramente, logo pensamos em Israel/EUA ou mesmo em qualquer outro grupo já descrito na hipótese anterior, e neste caso a resposta é simples:? Confusão. Uma tentativa dos inimigos do Irã buscarem capitalizar em cima do boato, procurando mostrar que há uma grande insatisfação com o governo. Poderia servir até mesmo como desculpa para uma intervenção, a falsa idéia de que haveria apoio a um ataque contra o Irã mesmo dentro do país, visto que chegaram até a tentar matar o presidente. Seria o boato perfeito para justificar uma ação militar desastrosa. Sendo coisa apenas de grupos locais, o país não sairia de sua normalidade e possivelmente aumentaria a repressão contra as minorias locais.
b) Por outro lado, não podemos descartar a possibilidade de o próprio governo ter lançado mão deste boato como forma de criar um inimigo para justificar suas políticas repressivas. Seja ele interno ou externo (EUA/Israel), seria a justificativa para um programa nuclear efetivo (e não apenas para fins pacíficos, como declaram). Esta hipótese não é muito provável, visto que o governo prontamente buscou negar o fato.

2.2 Finalmente, as consequências são diversas.
Vão desde um descrédito simples das agências internacionais, até a humilhação dos responsáveis por vazar tal informação, supostamente falsa dentro da hipótese. Descobrindo-se que o boato foi criado pelo Irã, o governo se encontraria com sérios problemas, se mostraria fraco e precisando criar factóides para sobreviver, o mesmo pode-se dizer dos EUa/Israel, que se veriam novamente envoltos em uma crise ligada às suas agências. A CIA falhou no 11 de Setembro e o Mossad vem cometendo lambanças pelo Oriente Médio.

No fim das contas, ainda é cedo para saber o que realmente aconteceu e, mesmo com fontes oficiais, a história ainda permanecerá envolta em mistério. O melhor é esperar até que alguma fonte independente, um blogueiro ou jornalista independente, apresente provas do que aconteceu - ou não aconteceu.

Até lá, tudo não passa de conjectura.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Blogs, Internet e democracia no Irã

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Nos últimos oito anos, vários blogueiros e ativistas iranianos vem sendo vítimas de perseguições e prisões por causa de seus trabalhos e opiniões
Por Raphael Tsavkko Garcia

Os nomes Hossein Derakhshan, Hussein Rongah Melki, Majid Tavakoli, Koohvar Godarzi ou Omid Reza Mir Sayafi provavelmente não significam nada para os brasileiros, mas são um símbolo de resistência para o povo iraniano.

Os quatro primeiros encontram-se presos, em um regime de reclusão sufocante. O último está morto. Em comum, o fato de serem blogueiros e líderes estudantis, e também o de estarem ou terem sido presos, torturados, terem passado por greves de fome e por humilhações. Tudo pelo simples direito à liberdade. E estes cinco são apenas parte dos blogueiros e ativistas presos por expressarem suas opiniões.

Derakhshan, mais conhecido como Hoder, está preso desde 1 de novembro de 2008 e apenas recentemente começou a ser julgado. Ele é um dos principais e mais influentes blogueiros do Irã e, como tal, constantemente vigiado e perseguido pela temida polícia local.

Majid cometeu o terrível crime de lutar pelos direitos humanos e ser uma das principais lideranças jovens nesta área. Godarzi foi preso por pedir aos leitores de seu blog para o ajudarem a parar uma execução. Melki era uma das principais lideranças do projeto Iran Proxy, que luta contra a censura e filtragem de conteúdo no pais.

Sayafi tinha 29 anos de idade morreu na prisão de Evin, em Teerã, em 18 de março de 2009. Era blogueiro, jornalista e dissidente. Ousou levantar a voz contra a opressão.

Tavakoli, preso em dezembro de 2009, foi fotografado em roupas femininas pelas autoridades. Uma tentativa de humilhá-lo que, como resposta, foi seguida por uma onda de blogueiros e ativistas postando fotos vestidos de roupas femininas, num sinal claro de apoio.

Nos últimos oito anos, vários blogueiros e ativistas vem sendo vítimas de perseguições e prisões por causa de suas opiniões e trabalhos. Alguns foram presos por poucos dias. Outros foram condenados a vários anos e, ainda, alguns não aguentaram até o fim de suas sentenças e morreram nas prisões sem sequer a chance de um julgamento justo.

As acusações costumam ser as de fazer propaganda contra a República Islâmica, a de se associar a elementos provocadores ou agentes estrangeiros ou a de insultar líderes religiosos. Em praticamente todos os casos as acusações não passam de farsas pessimamente apresentadas.

A onda de prisões de blogueiros teve início em 2003, com a prisão de Sina Motalebi – hoje exilado na Holanda -, ainda sob a presidência de Mohammad Khatami, considerado por muitos como um reformista, e apenas cresceu desde que Ahmadinejad assumiu o cargo, em 2005. De lá para cá, dezenas de blogueiros foram interrogados, presos e mortos enquanto lutavam pro uma ampla reforma na República Islâmica do Irã.

Há quase uma década os governos conservadores vêm prestando bastante atenção na internet e em seu potencial transformador. Durante o conturbado processo eleitoral de 2009, em que Ahmadinejad foi acusado de fraudar as eleições para vencer seu adversário reformista Mir Hossein Mussavi, o Twitter e outras plataformas eleitorais foram o fio condutor da revolta.

Em meados de junho, o blog jornalístico coletivo Huffington Post iniciou sua cobertura em tempo real (liveblogging) dos protestos pós-eleitorais do Irã. Desde então, uma forte censura foi baixada no país, contando com a expulsão de jornalistas credenciados para cobrir o processo eleitoral e, para os que puderam ficar, um cerco feroz contra suas atividades, proibição de sair às ruas e de divulgar o que acontecia no país: Protestos violentos entre manifestantes e a polícia e a famigerada Milícia religiosa Basij.

Através de blogs, Twitter, Facebook, Youtube e outras redes sociais, a população iraniana pôde expressar seu descontentamento com a situação, não só eleitoral, mas social de um país governado por milícias religiosas e constantemente sofrendo boicotes e sanções

Aqueles blogueiros e ativistas engajados em divulgar as manifestações e em encontrar formas de burlar a censura foram brutalmente perseguidos e os que já estavam presos se viram em uma situação ainda mais difícil.

Através de sites como o Global Voices Online, e comunidades no Facebook, amigos, familiares e ativistas buscam mostrar a o mundo o que acontece, na tentativa de angariam apoio e pressionar a comunidade internacional a agir e intervir.

Hamed Sabe, foto-blogueiro preso recentemente é um exemplo desta mobilização. Preso sem qualquer tipo de acusação conhecida, seus familiares e amigos iniciaram uma campanha mundial pela sua libertação e pedem, no mínimo, um julgamento justo.

Outro caso emblemático é o de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Condenada a morte por apedrejamento por supostamente ter cometido aldutério, esta iraniana de 43 anos encontrou salvação – ao menos temporária – na pressão internacional tanto através da mídia tradicional, quanto da mídia social e de ativistas espalhados por todo mundo. Seus filhos e amigos criaram um site para dar visibilidade ao seu caso e a notícia logo se espalhou. Da mesma forma que o Twitter serviu para mobilizar as massas em apoio à Revolução Verde de Mussavi, a rede serve agora para salvar a vida de uma mulher comum.

Apesar de pequeno em termos de conquistas, o poder da internet no Irã vem sendo sentido e começa a assustar seriamente os donos do poder. A mobilização em prol dos direitos humanos e da liberdade de expressão no país vem crescendo a olhos vistos e, se ainda não foi capaz de transformar profundamente a sociedade, ao menos consegue espalhar a ideia de democracia pelo mundo e denunciar os abusos e crimes cometidos contra o povo.

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e blogueiro: http://tsavkko.blogspot.com


Publicado originalmente no site da revista Caros Amigos, em 30 de julho de 2010.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

No que o PSOL falhou?

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Semana passada saí para jantar com um amigo que se formou comigo na PUC... Com uma boa feijoada na frente, começamos a conversar sobre as razões pelas quais o PSOL falhou como partido. Falhou como partido de massas, como representante dos trabalhadores, falhou como alternativa.

Em poucas palavras, a razão é porque se mostrou como oposição, não como alternativa. Se mostrou como o anti-PT em uma época em que o povo não queria a mudança, mas uma continuidade.

Se colocar abertamente como anti-PT custou ao PSOL, basicamente, sua existência a longo prazo como partido protagonista. Esvaziou, tornou-se obsoleto em muitos aspectos e corre o risco de não aguentar unido por muito tempo. Como eu já comentei antes, o PSOL não é exatamente um partido, mas uma federação de pequenos partidos que, por vezes, são francamente antagonistas.

O PSOL se comporta como o PSTU, com a diferença que o PSTU efetivamente não tem interesse na eleição, se coloca como um partido - ao menos em tese - revolucionário, um partido que se apresenta nas eleições apenas para divulgar sua plataforma, para chamar à luta. O PSOL é diferente, é um partido que, pro mais que possua correntes revolucionárias, depende das urnas, é um partido eleitoreiro - não no sentido pejorativo, apenas de forma objetiva.

Quando os que viriam a formar o PSOL deixaram o PT tinham uma força parlamentar significativa, deputados federais, estaduais, representações várias. Logo na eleição seguinte o partido minguou, não conseguiu "empatar" a representação que tinha e encolheu visivelmente. Aquele resultado não era desesperador, era apenas a primeira eleição do partido, novo, com pouco tempo de TV e claramente enfraquecido em termos de militância e presença nos movimentos sociais. Havia, porém, espaço para crescer.

Infelizmente, o partido não soube aproveitar seu espaço. Ao invés de programa, demonstrou apenas uma terrível divisão interna - como mostrei neste post sobre o II Congresso do partido e do peso que é ter uma tendência belicosa e golpista como o MES - e uma incapacidade de agregar elementos e movimentos sob sua bandeira.

Heloísa Helena conseguiu uma boa votação para o partido, mas esta votação não se refletiu em outros cargos. O discurso de HH não era o discurso do partido, o ao menos o que deveria ser o do partido: Era um discurso moralista, obsoleto, próximo ao discurso da oposição mais reacionária e, acima de tudo, faltava programa.

O PSOL desde sua fundação se preocupou mais em se afastar do PT e denunciá-lo - algumas vezes com razão, outras de maneira absolutamente burra - do que em construir de fato um partido, em construir uma unidade (interna e de ação) e em formar bases, conseguir quadros e criar propostas.

A questão é básica. Muitas das falhas do PSOL estão também na forma de discursar. No "timing" político, em sentir a conjuntura, o público. Muitas das críticas feitas pelo PSOL contra o PT são válidas, concordo com muitas delas, mas em todas falta um mínimo de senso político e de sensibilidade.

As críticas ao Bolsa Família são válidas. Mas são mal construídas, são diretas, não  contra elementos do projeto, mas contra todo ele. Como criticar um dos programas que mais atrai votos e apoio ao PT sem ter prejuízo? Ainda mais, uma crítica míope, desconectada com a realidade.

Críticas ao ProUni e outros projetos são válidas. A questão é saber COMO criticar e o QUE criticar. O PSOL em geral se levantou contra tudo. Não só cometeu este erro como também jamais apresentou uma proposta alternativa. Novamente, o PSOL não foi alternativa, foi oposição. E assim com todos nesta posição, tem minguado. Fez em muitos casos o jogo da direita.

Cansei de ver amigos e conhecidos petistas revoltados com algumas escolhas de seu partido, mas que pelas críticas insensatas de alguns Psolistas preferem votar nulo do que apoiar candidatos excelentes, mas com posições inconsequentes.

Ivan Valente, Chico Alencar, Milton Temer e tantos outros, são candidatos da melhor qualidade. Os dois primeiros, no parlamento, demonstram todo dia que os votos e a confiança neles depositada não foram em vão. são legítimos representantes dos trabalhadores, dos movimentos sociais, mas, em muitos casos, agem como se fossem da direita em suas críticas inconsequentes ao PT, não importa se o partido acertando ou efetivamente errando - e erra muito.

Falta um pouco de responsabilidade. Reconhecer os avanços que existiram no governo Lula não é compactuar com o governo, não é assinar embaixo é apenas... reconhecer o óbvio. Devemos criticar o que está errado - e eu faço isso aqui neste blog - e nos posicionar como alternativa e não como oposição. O PSOL erra feio neste ponto, agindo de forma inconsequente e afastando até mesmo MUITOS eleitores iludidos com o PT que não encontram alternativa no PSOL porque este não se posta desta forma.

Muitos votam no Lula, mas não concordam com os governadores ou deputados impostos à base, mas não estão dispostos a votar na oposição e muito menos numa inconsequente. Optam pelo nulo quando poderiam optar pelo PSOL.

Com pouco tempo na TV, isolado e marcado como simples oposição, o PSOL corre o risco de sumir e, com isso, temo que o partido não mantenha sua já frágil unidade. Sem nada a perder, logo, sem cargos a perder, pouco sobra para manter a unidade. Heloísa Helena e sua "independência" em relação ao partido, mais que indício, é demonstração do problema que tem o PSOL desde o início.

Segundo este meu amigo, algumas pessoas do PSOL já acordaram pra esta situação e, como eu, temem que, apesar do bom trabalho, os atuais deputados, vereadores e demais cargos do PSOL acabem não conseguindo a reeleição - o que seria particularmente assustador no caso do Marcelo Freixo, no Rio.

Meus amigos do PSOL, acordem! Abram os olhos para o mundo! 

O problema é se já for tarde demais.
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