quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eleições.... ou Derrota?

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Terminadas as eleições, fica difícil decidir quais foram as grandes vitórias e quais foram as grandes derrotas. Tivemos de tudo um pouco, ou na verdade, muitas derrotas e muitas vitórias.

Em termos de governo, tivemos péssimos resultados em São Paulo, com a vitória do Picolé de Chuchu no primeiro turno por uma margem ridícula. No Paraná, contra todas as pesquisas, Beto Richa, o censurador, levou no primeiro turno. Pelo visto a impugnação de pesquisas lhe serviu bem. E, o pior resultado de todos, por uma margem igualmente mínima, Roseana Sarney se tornou, mais uma vez, governadora do Maranhão. O mais doloroso? Com apoio do PT.

Já em Minas, Hélio Costa foi derrotado. Uma notícia maravilhosa, mesmo que o vencedor tenha sido um DemoTucano, Anastasia. Azeredo foi eleito Deputado Federal e continuará a nos perseguir.

Em São Paulo, Tiririca foi um fenômeno. Parabéns à todos que elegeram uma besta igual aos que nele votaram.

Mas, talvez, a grande derrota tenha sido termos perdido Brizola Neto, que teve votação suficiente para entrar mas foi barrado pelo coeficiente eleitoral. Se por um lado conseguimos garantir o Ivan Valente, o Paulo Teixeira e a Erundina, que sempre estiveram do nosso lado na defesa da democratização das comunicações e na luta pela liberdade na rede, por outro perdemos um valioso aliado.
 
A eleição do Ivan, aliás, é digna de nota. Ele mais que dobrou sua votação e apenas por muito pouco, por menos de 5 mil votos, conseguiu se eleger e manter um dos mandatos mais importantes da Câmara dos Deputados. Erundina fez outra votação espetacular e o Paulo Teixeira conseguiu, sem sustos, seu lugar e nos representará com a força de sempre.

A grande derrota da noite foi, sem dúvida, o segundo turno no Brasil. E a imensa subida da líder criacionista, Marina Silva, que conseguiu agregar em sua campanha desde mauricinhos filhinhos de papai da zona sul carioca, maconheiros metidos a hype até fundamentalistas religiosos da pior espécie. Realmente, um samba do crioulo doido.

Maria Silva representa o que há de pior e mais atrasado no país, um amálgama de contradições, de desencontros. Foi a grande responsável por fazer subir a retórica neopentecostal, evangélica, fanática e agitar até mesmo os católicos na defesa do preconceito, do medievalismo.

Mas nem tudo é tristeza.

Aparentemente a centro-esquerda terá uma folga maior no futuro. Dependerá do PMDB e é fato que nem todo deputado do PT/PCdoB é exatamente da melhor espécie (Vaccarezas da vida, representante da Monsanto no país, ou Aldos Rebelos e etc), mas ao menos o PT formou uma bancada considerável passada esta eleição.

A maior bancada do Congresso é a do PT. Mas sem o PMDB nada feito. No Senado o PT é a segunda. Novamente, precisa do PMDB.  Uma relação incômoda que pressupõe Sarneys da vida.

Do outro lado, o DEM deve enfrentar um significativo encolhimento. Seus números no Senado são vergonhosos e resta saber o quanto encolheram entre os deputados.

Mas, me perdoem se não consigo ser otimista, a idéia de um segundo turno soa cansativa. Mais golpismo, mais pressão e agora a necessidade de barganhar com uma fanática e com um partido de aluguel, o PV, que saiu absolutamente fortalecido das urnas, graças ao voto evangélico e do eixo Leblon-Jardins.

Razões para comemorar existem, mas em geral senti estas eleições como um banho de água fria para quem esperava por algumas mudanças mais significativas. Se por um lado ter Chico Alencar em segundo no Rio, levando ainda o Jean Wyllys ou o Freixo também em segundo é maravilhoso, por outro os primeiros lugares focaram com Garotinho e Wagner Montes. Não poderia ser pior.

Talvez, quando passar a ressaca o cenário se mostre mais favorável, mas e prevejo um governo ainda mais refém do PMDB e uma campanha extremamente suja pela frente. Ficaremos na mão dos evangélicos e nada está decidido.

O Segundo turno será uma batalha suja. Discursos obrigatoriamente terão de convergir, pois a fiel da balança é nada menos que uma fanática religiosa com um eleitorado que é uma icógnita.
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Sério que agora a blogosfera petista vai atacar o aborto tb e se rebaixar ao fundamentalismo marinista?

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Li e não acreditei no post do "Os Amigos do Presidente Lula". Li e reli, procurei verificar se estava no blog certo ou se tinha, por acaso, digitado errado e caído em algum site feito ou por Serristas ou por fundamentalistas religiosos ligados à Marina.

Para minha tristeza, estava no blog certo.

De início, senti meu estômago embrulhar só de ler o título do post " Serra causou polêmica ao legalizar o aborto em 1998". À medida que ia lendo o texto o desespero só fez aumentar:Será mesmo que, para conquistas os fanáticos marinistas anti-Aborto alguns do PT iriam realmente adotar o mesmo discurso e se posicionar contra o aborto? Pior, atacando Serra por um dos raros momentos em que acenou com uma atitude decente em toda sua carreira?

Serra, quando ministro, normatizou o aborto, ou seja, adequou à lei a prática do aborto nos hospitais públicos. Em resumo, garantiu ao menos que mulheres estupradas (e outros casos previstos na lei) tivessem o direito à realizar o que a lei lhes garante.
Em 1998, quando era ministro da Saúde, José Serra foi acusado de atender a grupos pró-aborto por normatizar a realização do aborto nos casos previstos em lei (risco de vida para a grávida ou gravidez após estupro).
Mesmo permitido desde 1940, poucos serviços públicos faziam o aborto. A normatização deu respaldo político e técnico para que mais hospitais o realizassem.
Acho justo e correto que Serra seja atacado por tudo que fez e desfez dirante seus anos de ministro, de governador ou de prefeito, mas é inaceitável que setores petistas se apropriem do discurso anti-aborto de fanáticos religiosos e o usem para atacar de forma medíocre e insensata opositores.

Isto simboliza apenas que setores petistas se apropriaram do mesmo discurso lamentável do DemoTucanato e dos fanáticos em geral. É se rebaixar à lama e, pior, é continuar a querer ditar às mulheres como devem se comportar, como devem viver.

No "Maria da Penha Neles", excelente blog que recomendo fortemente, @LaPasionaria escreveu:
Quem é o senhor da verdade neste tema? Começa por aí né? Deveria perguntar quem é a sra. da verdade nesse tema. Afinal o Sr. não engravida, portanto não pode abortar ou deixar de abortar.
Será que a nossa tutela ( ou dominação) histórica não nos dá o direito de ser protagonistas num tema tão feminino como este?
Por que usar um tema tão complexo, e cheio de valores, morais, religiosos, éticos e de foro íntimo, para desmerecer um candiato a presidência da república?
Exato. O Aborto é, em primeiro lugar, um assunto que diz respeito ao direito das mulheres de serem protagonistas de suas próprias vidas, de terem controle sobre seus próprios corpos e, em segundo lugar o aborto não deveria ser agenda ou peça de troca em uma eleição presidencial.

Estamos, pois, discutindo o direito das mulheres como se objeto de barganha fossem. Isto é inaceitável.

Se por um lado considero lamentável o recuo ou possível recuo do PT no tema, retirando do programa a questão, por outro denuncio como ainda mais grave o uso que gente do próprio PT vem fazendo do tema, usando-o de forma baixa e suja e se igualando aos fundamentalistas cristãos.

Acho ainda mais assustador que, em meio aos e-mails carregados de mentiras e difamação que a direita vem espalhando contra Dilma, um blog que se propõe militante queira fazer EXATAMENTE o MESMO contra Serra, ou seja, espalhar propaganda difamatória, que prega a não discussão política, mas a pseudo discussão moral.
Repasse este link  http://www.youtube.com/watch?v=yst5IM8Q2os  o Padre Leo criticando Serra e FHC por permitir o aborto no Brasil PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 78 de 1993
Dilma defende o aborto (como questão de saúde pública) e é bombardeada pela direita com vídeos apócrifos a difamando e a colocando como uma assassina de crianças e etc, e  o que faz a esquerda? Coloca um vídeo de outro fanático religioso atacando o Serra por este ter defendido que a porra da lei seja cumprida em relação ao aborto.

É enojante e espero que a campanha não tome este rumo e que não nos rebaixemos ao mesmo nível da direita raivosa.
@LaPasionaria continua:
Li ,hoje, no blog do PHA que Serra quando foi ministro da saúde regulementou a lei que autoriza o aborto em casos de risco de vidapara a mãe. Não vejo nenhum demértio nessa atitude do Serra, se regulamentou a lei cumpriu com sua obrigação.
O que devemos nos perguntar é por que tanta celeuma e intrigas como o nome de Dilma Rousseff, as Igrejas e o aborto.
Será que em campanha eleitoral vale tudo?
Nós mulheres deveriamos exigir dos dois candidatos que essa discussão fosse inserida num debate muito mais amplo, pois o aborto é apenas um elemento de temas que interessam a todos os brasileiros e às brasileira em particular.
Deveriamos saber dos dois candidatos que propostas tem para efetivamente melhorar o atendimento da sáude da mulher.
Para piorar, o blog ainda se apóia em Chalita. Cria DemoTucana que, por melhores cargos e perspectivas, debandou para o "Lulismo", mas continua sendo o mesmo Chalita que afundou a educação em São Paulo e que os petistas tanto acusavam.
É esta a campanha que teremos pela frente? O rebaixamento do petismo ao nível do DemoTucanato aliado aos fundamentalistas? Usando o aborto e, em consequência, as mulheres como moeda de troca.
Querer desviar a discussão de um tema tão sério é desonestidade política e canalhice masculina.

Quanto às igrejas, elas tem todo o direito de dizer aos seus membros como devem se comportar dentro dos preceitos morais de cada religião. Se as mulheres não concordarem com as proibições de suas igrejas, mudam de religião.E direito constitucional a liberdade religiosa.
O que não podem é usar Deus e a crença das pessoas para manipular uma eleição e muito menos para criar armadilhas para um dos candidatos
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Outro blog a enveredar pelo mesmo caminho absurdo é o Blog da Dilma:
Os Evangélicos e os Católicos deveriam espalhar um importante depoimento do saudoso PADRE LÉO da TV Canção Nova que acusa o então Ministro da Saúde no Governo FHC, José Serra. O candidato José Serra organizou o Grupo Guararapes somente para fabricar dossiê e boatos contra Dilma Rousseff. Serra não fala que Assinou Portaria a FAVOR DO ABORTO. Gostaríamos de saber como ficam os Pastores e Padres que acusaram Dilma Rousseff. Assista e espalhe por e-mail para o maior número de pessoas do Brasil e do Exterior.
O Evangélico e o Católico tem que deixar o fanatismo de lado e votar com consciência. Devme compreender que religião e Estado não combinam. E cabe à Esquerda não entrar neste jogo suicida e estúpido.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"Censura eu, Folha" - Censura, Estadão, F(o)alha de São Paulo e o poder da mídia [Update]

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Update! Maria Rita Kehl foi, de fato, demitida/censurada pelo Estadão:
Filha da colunista confirma no Facebook.
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"Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro." Maria Rita Kehl

Eu havia escrito um post gigantesco para denunciar a censura contra a Falha de São Paulo mas, infelizmente, o blogspot endoidou e engoliu meu post. Então força para escrever mais um!

Esta não é a primeira vez - e suspeito que não será a última - em que a Folha de São Paulo censura um blogueiro. E muito menos a primeira ou última vez em que mente descaradamente, manipula e aje como golpista.

Na época em que desfilava o mais grotesco saudosismo da Ditadura Militar e a apelidava de "Ditabranda", a Folha se moveu e censurou o blogueiro e amigo Antonio Arles. Fomos à sua port aprotestar contra estes absurdos e deixar clara a posição da blogosfera de que não iremos jamais nos calar frente à censura, à truculência e ao poder do dinheiro.

Mas a onda de censuras não parou. Não só a Folha, mas o Uol resolveu agir e censurar o Bodega Cultural, o Beto Richa censurou um tuiteiro, sobrevivemos ao AI5Digital, e agora a jornalista Maria Rita Kehl está (supostamente) ameaçada de demissão pelo Estadão por publicar um texto simplesmente justo sobre o governo do PT e o papel da mídia.

A onda, hoje, é a de censurar, eliminar, proibir...

O que vemos nos últimos tempos é o mais puro desespero da mídia tradicional contra blogueiros e jornalistas minimamente independentes que não se conformam com as manipulações e com o golpismo midiático.

Na falta de outra maneira de tolher nossa liberdade, abusam de seu poder econômico e de sua capacidade de contratar os melhores advogados (e até mesmo os melhores juízes) para tentar nos calar. Mas esbarram no poder da rede, no poder da nossa capacidade em formar redes de solidariedade, em nos organizar e multiplicar.

A Folha não perde por esperar. A mídia não está mais sozinha, não influencia mais como antes, agora enfrenta a concorrência de milhares ou milhões de blogueiros que não estão dispostos a aceitar todas as mentiras que chegam até seus (nossos ) ouvidos.

Pensando neste poder de mobilização que o Fausto (@botecosujo) teve a melhor sacada da semana e criou o movimento "Censura eu, Folha", que já encontrou vários adeptos e eu me somo aos esforços de replicar o mais completo repúdio à censura da Folha de São Paulo contra a blogosfera.
Na semana passada, uma forte crise nostálgica atingiu a família Frias. Podia ser saudade dos anos 80, época em que a Folha de S. Paulo era chamado de "jornal das Diretas" e tido como um legítimo aliado das lutas democráticas. Mas não. A Folha sentiu saudade foi dos bons e velhos anos 70. E não era vontade de usar costeletas, vestir calças boca-de-sino e dançar Staying Alive. Era a saudade da rigidez viril dos anos de ditadura, quando a Folha era uma maria-caserna tão próxima dos generais que emprestava seus carros para as ações de tortura e morte de "inimigos do regime" praticadas pelos paramilitares da Operação Bandeirantes. 

Em 30 de setembro, o jornal conseguiu uma liminar que obrigava os irmãos Lino e Mario Bocchini a tirar do ar o conteúdo da Falha de S. Paulo, um site de humor que tirava um barato do indisfarçável viés pró-tucano que aterrissou com mais força do que nunca na Barão de Limeira dos últimos tempos. Os dois foram obrigados a remover do ar todo o conteúdo do site, sob pena de pagar multa diária de R$ 1.000. Segundo Lino, a empresa nem chegou a enviar uma notificação extrajudicial ou um pedido por e-mail: já foi logo apelando para o processo. Assim, a seco, sem KY nem piedade.
O site da Falha de São Paulo foi deletado, assim como a conta no Twitter, mas um Tumblr foi criado e vários sites tem re-postado o que o Fausto escreveu, em solidariedade aos blogueiros processados e contra a censura.

Vamos ver se a Folha tem força para censurar todos os blogs que repostarem e apoiarem a Falha de são Paulo. Vamos mostrar pra Folha quem é que manda na rede.
Para retirar o site do ar, a Folha alegou que os autores faziam “uso indevido da marca” do jornal. De acordo com Taís Gasparian, advogada do veículo, a Folha não questiona a sátira, nem o nome do site, mas o “uso da marca”.

Sobre a multa diária de R$ 1.000, caso Lino e Mario Bocchini descumpram a determinação, Taís acredita que o valor é baixo para este caso. “A Folha, como qualquer outra empresa, deve preservar a sua marca (...) Geralmente, nesses casos, o juiz aplica uma multa de R$ 100 mil”, afirmou ao Consultor Jurídico.
"Uso indevido da marca", um belo alternativo para o mais incisivo termo "Censura". Uma bela tucanada do termo. E ainda acham pouco a multa, queriam roubar ainda mais dos blogueiros por apenas denunciarem o golpismo midiático!

A mídia não cansa de acusar o governo de querer censurá-la, o Estadão passou meses com a piada de que estava sendo censurado (ainda continua?) num "mimimi" eterno. Puro despeito. Não perdem um segundo de oportunidade para fazerem pior, para ameaçarem e tomarem medidas contra nossa liberdade de expressão.

Choram que são ofendidos, mas na verdade são os grandes responsáveis pela censura no país. Usam sua liberdade de empresa, seu dinheiro e seu alcance para mentir, distorcer e acusar e quando sofrem qualquer revés posam de vítimas, de coitados atacados e vilipendiados.



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Update: Mais que recomendado o post do Rogério sobre o caso no excelente Conexão Brasília-Maranhão.
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Partidos Fracos, Exotismo, Ideologia e Sistema Partidário Brasileiro - Parte 2

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Tratando das propostas contidas no artigo que citei logo no post anterior, devo, prontamente, me colocar contra a idéia de listas fechadas. Vão no mesmo sentido do coeficiente. Você vota em um candidato, mas acaba elegendo outro que, talvez, você abomine. Com as listas fechadas fica ainda pior. Você sequer vai saber em quem está votando e será forçado a escolher entre um ou outro partido fisiológico e não em quem, talvez, possa escapar.
"Esse tipo de candidato só existe em lista aberta. Eu sou muito a favor de fechar a lista, porque você não teria mais os exóticos. Outra razão é a pluralidade de partidos", diz David Fleischer, cientista político da UnB (Universidade de Brasília).
Obviamente o ideal seria o voto em legenda, mas para isto seria necessário que os partidos fossem minimamente honestos e decentes. E centralizados. Colocar a Europa como exemplo é o mesmo que comparar o Brasil com o Congo. Não há como comparar.

Ao votar em um partido na Europa você espera que todos os eleitos ajam mais ou menos da mesma forma e sigam agendas minimamente comuns. Esperar isto no Brasil oscila entre a inocência e a má fé. E dou um exemplo da impraticabilidade no país: Voto para Deputado Federal no Paulo Teixeira, do PT, mas JAMAIS aceitaria votar em Palocci, Dirceu ou Genoínos da vida. Fosse lista fechada eu jamais poderia votar no candidato que quero, seria forçado a votar no bolo, diretamente nos que abomino.

Infelizmente o coeficiente eleitoral acaba tornando a situação hoje parecida com a de um mundo de listas fechadas, mas ainda existem diferenças.

Enfim, a lista fechada seria a forma pela qual os partidos imporiam suas frutas podres de forma ainda mais indecente. Tiriricas talvez sumissem, mas o plantel de "políticos sérios" já comporta um número significativo (majoritário?) de piadas prontas. Aliás, recomendo a leitura deste post do @viniciusduarte sobre o fenômeno Tiririca.
"No Brasil o partido é muito fraco. O partido não está preocupado com a imagem, está preocupado em eleger deputados", concorda o cientista político Rubens Figueiredo, da USP (Universidade de São Paulo). Em países como Espanha, Uruguai, Alemanha e Itália o sistema vigente é o de lista fechada. "Nesse sistema não há Tiririca", diz Fleischer.
Fato, na Europa não existem Tiriricas, mas figuras como Le Pen,  Jörg Heider ou Geert Wilders conjugam tosquice com perigo fascista. E figuras como o Maluf me soam tão toscas e repugnantes quanto um Tiririca.

O Brasil não é a Europa. Uma coisa é ter modelos, outra é acreditar que a simples emulação resolverá todos os nossos problemas. Mariátegui sabia disto há mais de 100 anos.

Algo que passou ao largo, mas que é extremamente válido, é a idéia de financiamento público de campanha.

Inegavelmente, um dos grandes problemas de nossa "democracia", hoje, é a prostituição em busca de financiamento. É político se vendendo pra empreiteira, pra banco, pra multinacional... E, pior, fingindo que nada disto existe. O problema, na verdade, não é o político ser eleito para defender os interesses de um setor, de uma classe, de um grupo, mas fazê-lo deforma subterfugiosa. Os candidatos da Esquerda, do PSOL, por exemplo, deixam explícitas suas posições e a classe que defendem. Alguns do PT fazem o mesmo.

E não há problema nisso.

A questão é quando se fala em defender o povo, mas se recebe financiamento de empreiteira e o mandato passa a existir apenas em função destes interesses. Não declarados, ilegais, que passam por cima dos interesses da população.

Outros problemas menores também devem ser objeto de discussão, como a disparidade do tempo de TV e na mídia que é simplesmente absurdo. Não só força a política de alianças vazias e pontuais, sem real comprometimento com agendas e ideologia, mas também privilegia sempre os mesmos grupos, sempre os mesmos políticos de grandes grupos e facilita a piada, a comédia sem noção, a prostituição em troca do voto pelos 3 segundos de tempo de TV.

Aliás, retomando o problema geral das listas fechadas, é interessante acreditar que os candidatos "exóticos" iriam ser limados, mas a verdade é que, em muitos casos, estes "exóticos" procuram os partidos e seu lugar na política. Como fazer? Claro, eles podem ser empurrados para o fim das listas, mas nada garante a eliminação completa. E, ademais, volto a repetir, um Tiririca me parece mais inofensivo que um Tuma ou um Maluf ou qualquer outro "Pastor, Bispo, Apóstolo ou Missionário" que usa a religião para enganar o povo e se eleger.
"Por outro lado, se você botar a lista fechada, só vão entrar os mafiosos do partido, só quem domina a máquina. Você não vai ver o candidato que está na rua", diz o cientista político do IBEP, que não vê maiores contratempos na existência desse tipo de candidato.
A política brasileira passar por uma crise que vai muito além do que se pensa, é de credibilidade, de honestidade. Não importa que os novos sistemas propostos criem listas fechadas, eliminem os pequenos e acabem com o "exotismo". Os políticos tradicionais, "sérios", não deixarão de roubar, de corromper e de serem corrompidos. Podemos apresentar propostas, mas precisamos mais ainda pressionar e fiscalizar constantemente, sem sossego.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

No primeiro votei Plínio. Neste segundo turno, votarei em Dilma

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Votarei em Dilma.

Não por concordar com todas as políticas do PT, mas por coerência.

Posso ter inúmeras discordâncias com o programa que será aplicado quando Dilma vencer - e vai vencer -, mas não posso, de forma alguma, permitir que o DemoTucanato abocanhe a presidência e ponha a perder todos os avanços que conquistamos.

Não forma avanços tão radicais quanto esperávamos, mas eles existiram. E quero que continuem.

Para mim, me abster seria, ao mesmo tempo, trair minha consciência e trair aqueles que se beneficiaram destes 8 anos de governo Lula. E seria, também, lavar as mãos, perder meu direito e minha capacidade de crítica.

Ao votar em Dilma, o faço criticamente. Mas me reservo no direito de, como cidadão e eleitor, cobrar, reclamar, propor e exigir.

Mantenho minas objeções à propostas como a Transposição do Rio São Francisco, à Belo Monte ao completo abandono da Reforma Agrária, à falta de projetos para se ir além do Bolsa Família e do ProUni...

Mas,com consciência, voto em Dilma para, ao menos, ter espaço para debater estas idéias, para disputar, para ser ouvido e não criminalizado, como é costume do DemoTucanato. Voto em Dilma para barrar o avanço das forças mais retrógradas de direita.

Apoiando, votando, mas não só, pressionando, para que possamos caminhar para uma sociedade mais justa e igualitária.

Sei que teremos pela frente uma campanha suja, podre. Graças à pressão dos evangélicos e religiosos em geral, Dilma foi forçada a abrandar discursos e até mesmo agradecer a deus em debate, batizar seu neto às pressas.... O que nos espera mais adiante é um cenário ainda pior. Já comecei a receber e-mails acusando Dilma disso ou daquilo, acusando seu vice de ser Satanista, dizendo que Dilma está morrendo e etc...

E é daí pra baixo. A mídia nunca esteve tão feliz. Os evangélicos nunca estiveram tão felizes. E o Movimento Social e a militância Socialista se vêem acuados. Precisamos reagir!

Voto Dilma para que permaneça a esperança.

No primeiro turno votei Plínio, por ideologia, no segundo voto Dilma, para barrar o DemoTucanato, por pragmatismo e com consciência.

É preciso reconhecer que o Brasil melhorou. Não estamos mais sob a égide do neoliberalismo privatizante.

Não caminhamos pro Socialismo, mas também nos afastamos do abismo. Vitória de Dilma não representa um avanço para a Esquerda, mas um retrocesso para a Direita.

Bandeiras foram rasgadas, outras foram levantadas. Há espaço para diálogo e precisamos deixar o sectarismo de lado e buscar um espaço de lutas plural.

Disputemos nosso lugar. Quero Dilma Presidente!
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Golpes na América Latina: 2002, 2009 e 2010.

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Venezuela em 2002, Honduras em 2009 e Equador em 2010.

Três Golpes de Estado patrocinados pelos EUA (o primeiro também pela Espanha de Aznar, Franquista).

Dois fracassos e um sucesso. Quem será o próximo?

Quem acreditava que a onda de golpes pela América Latina, patrocinados por potências estrangeiras, estava acabada, se enganou. Após o longo interlúdio entre 2002 e 2009, um novo golpe, ou tentativa de golpe, se materializou.

É possível que, depois da derrota acachapante e da volta de Chávez nos braços do povo em 2002 tenha diminuído a sanha golpista das direitas latinoamericanas e internacionais, mas não fez com que este sonho fosse totalmente eliminado: O de expulsar do poder os expoentes do Socialismo do Século XXI, os líderes da ALBA e, em seu lugar, implantar governos mais acessíveis aos interesses imperialistas.

Diz Eva Golinger, reproduzido pelo Opera Mundi:
Organizações financiadas pela USAID e NED pedem a renúncia do presidente Correa, apoiando o golpe de Estado promovido por setores da polícia equatoriana, profundamente penetrada pelos Estados Unidos.

Uma nova tentativa de golpe contra um país da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) atenta contra a integração latinoamericana e o avanço dos processos de revolução democrática. A direita está no ataque. Seu êxito em 2009 em Honduras contra o governo de Manuel Zelaya encheu-a de energia, força e confiança para poder arremeter contra os povos e governos de revolução na América Latina.
A derrota de 2002 talvez tenha intimidado a direita, mas a vitória de 2009, em Honduras, mesmo com o repúdio internacional, deu novo ânimo. O fato é que, depois de perderem no país que basicamente cunhou o termo e a ideologia do novo Socialismo, notaram que haviam tentado abocanhar um pedaço de carne grande demais.

Acertadamente (do ponto de vista puramente geopolítico, claro) tentaram pela segunda vez na periferia, atentaram contra um país pequeno, frágil e vítima de terríveis contradições e lutas internas (é sempre bom lembrar que Zelaya pertencia a um partido de direita, mas que foi aos poucos se aproximando de Chávez e dos movimentos sociais, realizando significativas reformas em prol do povo, o que deixou a oligarquiadominante em pé de guerra).

Com esta vitória, se sentiram prontos a tentar de novo. A escolha do Equador não foi a toa. Correa vem realizando significativas reformas que, porém, vem encontrando resistência mesmo entre os setores indígenas - algumas contra certas medidas de seu governo e outras, em especial a poderosa CONAIE, pedindo por uma maior radicalização nas reformas propostas.

Não posso afirmar que são positivas ou negativas as reformas propostas, mas o fato é que serviram de pretexto para a direita local e internacional armar uma tentativa de golpe. Primeiramente incitarma a polícia a sair às ruas e tumultuar, e devem ter esperado que o Exército participasse. O Exército, aliás, demorou horas para mobilizar tropas e intervir, o que talvez denuncie uma exitação, uma possibilidade de que alguns elementos estivessem comprometidos com o golpe.

Mas, ao contrário do que esperava a direita, o Exército por fim tomou o lado da Democracia e do povo equatoriano. Correa foi salvo e voltou nos braços do povo.

Pior para a direita, que não só viu seu golpe fracassar, como ainda conseguiu garantir para Correa ainda mais simpatia popular e mais força para suas reformas.

Declarações de Chávez, via Boltxe Kolektiboa:
“Debemos exigirle al gobierno de los Estados Unidos que no siga metiendo sus viejas manos imperiales en este continente”,[...] “Sobre todo a los países cuyos gobiernos, absolutamente legítimos y democráticos, hemos levantado la bandera de la revolución socialista en democracia”. [...]  “Honduras ha sido un mensaje para América Latina”. “Lamento mucho que quienes dicen que son grandes defensores de la democracia son los que vacíen, impulsen dictaduras militares”, [...]
“Los presidentes de Sudamérica somos los grandes defensores de la democracia. Quedan todavía algunos grupos retrógrados en América Latina que piensan que con un golpe de Estado se pueden resolver los problemas o las diferencias políticas y programáticas”.
Lucio Gutiérrez, líder da oposição e provável principal líder golpista, está no Brasil, e terá muito trabalho para voltar ao Equador.

A direita, enfim, continua viva e pronta para tentar implantar regimes antidemocráticos e antipopulares. Ficou por um tempo dormente após uma derrota, mas voltou a atuar e demonstra que não tem intenção de desistir.

Devemos todos ficar de olho. Por enquanto, aparentemente, as forças de direita miram os países que vem realizando as reformas mais radicais, ligados ao Socialismo do Século XXI. Qualquer momento de fragilidade é aproveitado. No caso do Equador, uma greve de policiais, uma tentativa mais radical de reformas no serviço público e talvez até o fato do presidente ter sido operado recentemente, ainda que de algo simples.

Vários países da América Latina governados por líderes de esquerda vem sofrendo pressões. No Brasil nem é preciso dar exemplos do papel que a mídia vem tendo em defender um golpe nas eleições vindouras. Na Argentina, a Kirchner enfrenta resistências por parte das oligarquias, especialmente depois de sua vitória contra o grupo Clarín.

Chávez perdeu sua maioria absoluta na Venezuela e é sempre alvo preferencial. No Paraguai, Lugo vem sendo criticado mesmo pelo povo e seu próprio vice é um oposicionista. A ficar de olho se não tentarão se aproveitar de seu câncer.

Felizmente, hoje, possuímos instituições como a UNASUL/UNASUR, uma vitória da América Latina contra o poderio dos EUA e estamos cada vez mais ligados. A unidade da América Latina é uma realidade e devemos continuar atentos a toda e qualquer investida.

Enfim, Viva Correa! Viva o Equador! Viva a América Latina!


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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Beto Richa, governador, é Censurador!

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Maurício Betti, publicitário e tuiteiro, é a mais nova vítima de Beto Richa, candidato tucano a governador do Paraná.

Richa vem constantemente censurando blogueiros, pesquisas eleitorais, a revista Istoé, e agora partiu para uma nova modalide de censura: A de censurar tuítes. A situação é tão ridícula que até mesmo colunista da Folha chamou o Richa de "mané".

O caso é o seguinte, segundo conta a revista Época, Maurício Betti, que no Twitter responde por M.Betti, supostamente infringiu a lei ao "vazar" o resultado de uma das inúmeras pesquisas eleitorais censuradas pela campanha de Richa. O caso é que todas estas pesquisas vem mostrando uma queda do candidato frente ao seu oponente, o Pedetista Osmar Dias.
Depois de obter na Justiça Eleitoral a suspensão de pesquisas de sete institutos, como o Ibope e o Datafolha, o candidato do PSDB ao governo do Paraná, Beto Richa, conseguiu censurar um texto de 112 caracteres de um usuário do Twitter. O tuiteiro condenado é o publicitário Maurício Betti, que tinha 188 seguidores até a noite da sexta-feira, 1º de outubro. O tuite embargado falava sobre um suposto vazamento de uma pesquisa censurada do Datafolha
Richa entrou com um processo contra Betti para fazê-lo apagar o tão terrível tuíte e, ainda, o fez postar em seu microblog um pedido de desculpas "legal". A situação só pode nos despertar medo e temor. Estamos diante não só da prática mais grotesca de censura, como também de um monitoramento criminoso de redes sociais e a perseguição à blogosfera e tuitosfera independente.

Não surpreende que o partido de Richa seja o mesmo PSDB do Azeredo, censurador-mor da internet e autor do #AI5Digital.

Eis o que Betti foi forçado a tuitar, para não ter de pagar multa e enfrentar outras consequências - e vale notar que a inteligência (sic) da justiça (sic²) é tanta que o que ele haveria de tuitar sequer cabia num único tuíte! Viva a improvisação!:
 
Instigado pela @Myris e pelo @Caribe corri atrás do tuíte censurado (já apagado pelo autor por força de decisão judicial), fui atrás do cachê do google e, por sorte, encontrei o tuíte que Beto Richa censurou e mandou apagar:
Beto Richa e todos os DemoTucanos da terra podem tentar nos censurar, usar seu poder e dinheiro para contratarem quantos advogados quiserem e comprarem quantas decisões judiciais forem possíveis, mas JAMAIS irão superar o poder da rede, da colaboração e da militância.

Maurício Betti foi perseguido, censurado e humilhado e deve contar com o total apoio da blogosfera. Beto Richa deve ser desmascarado e, então, enterrado. Ele, Azeredo e todos os demais que atentam contra nossa liberdade de expressão.

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Publicado originalmente no Xô Censura

Triste é saber que Richa foi eleito, no primeiro turno, governador do Paraná. E continuará censurando, assim como Azeredo, eleito Deputado Federal em Minas Gerais.
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Partidos Fracos, Exotismo, Ideologia e Sistema Partidário Brasileiro - Parte 1

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Lendo o artigo "Partidos fracos e sistema eleitoral estimulam 'fenômeno Tiririca'", no Uol Eleições há algum tempo, fiquei com algumas idéias e questionamentos na cabeça. Concordo com o título, mas algumas idéias colocadas prometem tornar pior o que já é péssimo e risível.

De fato a maioria dos partidos é fraca em termos ideológicos. Temos poucos partidos com alguma solidez e os grandes, embora em alguns casos tenham alguma unidade, são francamente infiltrados. O PMDB é um bom exemplo. Chamá-lo de "partido" só funcionaria se fôssemos interpretar como "rachado", "dividido", pois não passa de uma federação de caciques regionais que vão de Requião na centro-esquerda à Roseana e Hélio Costa, que dispensam apresentações.

Mesmo entre os pequenos, como o PSOL, existem os problemas graves. Problemas que neste caso vêm da própria organização interna que mais se assemelha à uma federação de pequenos partidos que qualquer outra coisa.

Raros são os partidos que, como o PSTU ou PCB, conseguem alguma unidade em nível nacional. Partidos como PSC, PTdoB, PTC e outros nanicos não passam de legendas de aluguel, servindo aos interesses de oligarquias locais e regionais, ao passo que partidos de médio porte, até tradicionais, como o PSB e o PDT, são por vezes jogados na mesma lama geral, com sua ideologia jogada no chão e pisoteada, vide casos grotescos como o corrupto ex-governador do Amapá, Wáldez Góes, do PDT, ou Paulo Skaf e seu Socialismo Empresarial no PSB de São Paulo (para não citar Marcelinho Carioca, Chalita e cia).

Erundina (PSB) e Brizola Neto (PDT) ficam em situação deveras complicada.

O fato é que o principal problema dos partidos políticos brasileiros hoje está na ideologia, ou melhor, na falta de ideologia, de norte ao partido.

Coeficiente eleitoral, a necessidade de votações astronômicas e distorções absurdas do sistema eleitoral (sempre me lembro do caso do Cyro Garcia, do PSTU do Rio, que sempre acaba numa posição que, em teoria, deveria se eleger, mas acaba suplantado por que teve menos da metade de seus votos,graças à piada do coeficiente eleitoral.) são também grandes responsáveis pela prostituição partidária.

De que adianta o PSB ter uma Erundina se, sozinha, ela não se elege devido ao coeficiente eleitoral? A solução é conseguir algum puxador de votos e lançar outros candidatos duvidosos, mas que atraem votos, para permitir que ela se eleja, junto com o(s) duvidoso(s).

O sistema brasileiro é um absurdo. Alguém lembra quantos deputados o Enéas levou? Gente com menos de 100 votos! Votou-se no Enéas e o resultado foi uma enxurrada de desconhecidos que nem a mãe havia votado levados à reboque.

A escolha dos partidos, por vezes, fica entre o ostracismo eleitoral e a prostituição. Não resta dúvida sobre a escolha preferencial. É o dilema que os pequenos partidos de esquerda por vezes enfrentam. Optam pela via da decência e acabam excluídos, dando também espaço para tentativas - ou ao menos pedidos - de certos políticos não muito honestos de pregarem barreiras para evitar que os pequenos partidos tenham espaço na mídia, nas eleições e no parlamento.

Se por um lado é certo que nanicos sem qualquer tipo de ideologia não tem razão de existir, por outro, existem aqueles que representam nichos ideológicos e idéias fundamentadas e que, numa "limpeza" acabariam seriamente prejudicados.

A idéia da formação obrigatória de grandes blocos partidários não garante a defesa de ideologias e idéias, vide, como sempre, o PMDB, ou mesmo o PSDB de São Paulo, rachado entre 5 grandes "famílias" que se unem nas câmeras mas tentam se matar internamente. Nada muito diferente das brigas internas do PT.

Qual seria a diferença prática da eliminação dos pequenos quando médios e grandes como PP, PPS e DEM continuariam intocados, mesmo representando o que há de mais podre e desprezível na política brasileira? 

Ideologia não se garante à força, sejam os partidos grandes ou pequenos. Mas o fato é que, uma reforma no sistema eleitoral, buscando dar maior transparência aos processos internos e à escolha dos candidatos seria um passo positivo. O fim do coeficiente eleitoral seria outro passo significativo e, claro, uma migração para um modelo mais distrital, mais local, aproximando as bases de seus candidatos e tornando mais fácil a fiscalização das ações de cada parlamentar. Obviamente, o modelo tem falhas enquanto grassa o coronelismo no país. Mas é algo a se pensar. Ao menos discutir.

O fortalecimento dos partidos é algo que, em grande medida, deve ser trabalhado internamente. E a população deve contribuir. Enquanto votarem em Tiriricas da vida, em Marcelinhos Cariocas e Mulheres Pêras, não teremos jamais uma reforma séria ou uma mudança significativa. Por outro lado, a mudança no sistema eleitoral pode ser o primeiro passo e pode trazer consequências positivas, eliminando, por exemplo,a  necessidade de puxadores de votos grotescos.

Talvez não se salve a ideologia, mas ao menos restaria alguma dignidade.
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domingo, 3 de outubro de 2010

A Política Externa do PSOL/Plínio de Arruda Sampaio - Coluna Semanal no Diário Liberdade

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Nona coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

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Uma das facetas da política externa defendida pelo Plínio nos debates da TV que acredito ser importante analisar é a crítica à política externa soberana do Lula.
Venho há muito elogiando a Política Externa do governo do PT. Apesar de alguns erros e de falhas significativas (relacionadas ao Sri Lanka, Sudão e etc) e de algumas propostas discutíveis - a idéia de não condenar Estados criminosos e preferir o diálogo -, a política externa tem sido não só soberana e independente, mas também tem sido uma política invejável, de potência.

Se o sonho do Conselho de Segurança não se concretizou ou mesmo não se concretizará, o fato é que a política externa deixou uma marca. O Brasil teve papel preponderante na crise de Honduras, praticamente salvou a vida do presidente deposto. O acordo Brasil-Irã-Turquia é um marco. E a tentativa de mediação no conflito Israelo-Palestino é uma forma de trazer fato novo e buscar destravar as conversações.

O Brasil, hoje, tem credibilidade internacional, mais que isto, é ator preponderante, respeitado e até mesmo convidado para todas as rodadas importantes.

Mas o Plínio acredita que o Brasil deva abandonar todas estas posições.

Deve adotar posição "defensiva", menos prepotente até. Não tem razão em mediar crise em Honduras, conflito com o Irã e etc....

Desculpe, Plínio, mas discordo frontalmente.

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Artigo completo no Diário Liberdade.

"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
...
"Defenderei
a casa de meu pai"

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Netinho de Paula, o espancador arrependido (?)

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Eu não preciso de mais motivos para NÃO votar em Netinho, mas ele teima em sempre me arranjar mais e mais.

Não bastou ter espancado a mulher, nem mesmo ter espancado um apresentador do programa Pânico - Vesgo -, Netinho parece achar que eles mereceram. Pobre coitado, foi uma vítima. Aparentemente esta figura ainda bateu em outra mulher, uma funcionária da VASP, em 2001.

É este tipo que queremos no Senado?

Na época do espancamento de sua mulher, Netinho já havia se feito de vítima:
O apresentador do Domingo da Gente, da Record, Netinho de Paula, 34 anos, admitiu ter batido na mulher, Sandra Crunfi, 36, depois de uma discussão na quarta-feira 2 na casa onde vivem, em Alphaville. Os dois nunca foram casados, apesar de dividirem o mesmo teto há dois anos. Amigos contaram que Netinho queria a separação sem repartir bens.
Sandra, com vários hematomas nos olhos, registrou queixa na delegacia. “De repente, eu virei o pior homem do mundo”, disse ele.
Realmente, pobre coitado. Um homem maravilhoso que "apenas" espancou uma mulher, que merecia!

Aparentemente a mulher de Netinho, Sandra, o havia traído. Claro que esta é uma bela razão para um espancamento! Corrigir um erro com outro MUITO pior é realmente uma forma decente de resolver as coisas. Pena que isto seja crime.Infelizmente a Lei Maria da Penha só passou a valer um ano depois de seu crime (ele espancou a mulher em 2005 e a lei passou a valer em 2006) mas, por ser famoso, dificilmente sofreria qualquer coisa. Que o diga a vítima do goleiro Bruno, Eliza Samudio.

Mas a política é uma coisa engraçada. Interesses passam por cima de tudo. Vejam o que dizem as feministas do PCdoB, seu partido:
Netinho já fez profunda autocrítica de seu ato. Publicamente pediu “perdão a todas as mulheres brasileiras” por seu ato, que considerou injustificável. Reconheceu que cometeu um erro e que nada justifica a violência contra a mulher. Convidou para seu programa de estréia no SBT, o Show da Gente , em 9 de maio do ano passado, a companheira Maria da Penha, que deu nome à lei de combate à violência contra a mulher.[...] Nós, mulheres que temos uma longa trajetória de luta em defesa dos direitos femininos e contra a violência doméstica, votamos em Netinho porque ele teve coragem e dignidade para mudar. E com esta atitude clara e transparente presta um imenso serviço à causa do combate a violência contra a mulher.

Vamos então exigir apenas "autocrítica" dos espancadores. Pra que Maria da Penha se todos podem apenas se desculpar? "Apenas" metade dos que espancam suas mulheres são reincidentes, não é mesmo?

Alguns comentários que leio por aí são interessantes quando toco no assunto. Alguns me perguntam se ele terá de pagar eternamente pelo erro, se ele deve ser punido eternamente...

Me desulpem mas... punido? Pagar? O que ele pagou? Onde e quando ele foi punido? Uma vaga no Senado é punição? Só se for, porque não me recordo dele ter passado uma noite sequer na cadeia, lugar para onde TODOS os que espancam mulheres deveriam ir.

Depois que ele cumprir sua pena aí sim podemos falar em perdão.

Não importa se ele supostamente não reincidiu. Um assassino só vai preso se matar duas pessoas? A primeira não vale? E não me venham com "você está exagerando", porque espancar mulheres não é crime menor, não é uma besteira qualquer. É crime grave.

E graças à política, alguns tentam fingir que não é nada. Tentam diminuir a força do crime, o significado. Justificar o injustificável. "Pedir perdão" é parte do processo, é louvável .Reconhecer o erro é importante. Mas cumprir a pena também. O que Netinho pagou? Ele ganhou um programa de TV e agora uma cadeira no Senado.

E, para os que falam que ele genuinamente se arrependeu, atenção:
O candidato do PCdoB ao Senado por São Paulo, Netinho de Paula, repetiu neste domingo (26) o mesmo discurso que fez há um mês durante um culto na igreja evangélica Assembleia de Deus, em que disse se arrepender de ter agredido sua ex-mulher em 2005.
Acompanhado do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, Netinho participou neste domingo de um encontro das mulheres evangélicas da Assembléia de Deus, na região central de São Paulo. Os candidatos foram apresentados aos membros da igreja pelo vereador Carlos Apolinário (DEM), que apoia as candidaturas.
Ao receber o microfone, Netinho disse que não iria aproveitar o espaço para falar de política. "Eu vivia uma vida de sucesso, dinheiro, glamour e em função de uma traição eu perdi a moral. Perdi a calma e agredi a minha mulher. Fui à TV, admiti o que fiz, pedi perdão e esse povo de Deus sempre dizia que orava por mim. Tudo o que eu for fazer daqui para a frente vou colocar Deus na frente", disse, antes de ser calorosamente aplaudido.
O que podemos tirar daí?

Em primeiro lugar tenho ainda mais certeza de que jamais darei meu voto ao Netinho pois não voto em quem "coloca deus na frente". O Estado é laico. "deus" não interessa para o Estado, não pode ter influências sobre o Estado.

E, em segundo lugar, Netinho realmente se arrependeu? "em função de uma traição eu perdi a moral. Perdi a calma e agredi a minha mulher." Então está tudo bem? Ele foi supostamente traído, perdeu a moral (sic) e tá valendo meter a mão na mulher?

Mas ele foi na TV e admitiu... Que graça, será que um zé ninguém, sem acesso aos meios de comunicação e sem dinheiro teria a mesma sorte?

Aparentemente Netinho entrou em acordo com a mulher, pagou alguma grana e pronto. Se fosse pobre o desfecho seria igual?

Mas independentemente disto tudo, Netinho realmente se arrependeu ou acredita que a "traição" e a perda de sua "moral" justificaram seus atos? O arrependimento da figura se deu pelo ato ou simplesmente por ter perdido a calma?

Engraçado como a mulher dele foi simplesmente esquecida em toda essa história, e como se pagar uma multa, pagar o valor de um acordo fosse o suficiente para tornar alguém decente. Belo capitalismo que acredita que o dinheiro pode comprar tudo, até mesmo a inocência. E Netinho, vejam só, é Comunista (sic)!


Mas de uma coisa apenas eu tenho certeza: Netinho jamais terá meu voto. Votar nele porque supostamente a alternativa é "pior" não cola. Fosse um assassino confesso, um pedófilo, seria ainda melhor que a opção? Há quem acredite que sim.

Uma figura que espancou duas mulheres, pagou às duas pelo silêncio e depois espancou um apresentador de programa humorístico não tem a capacidade de ser um Senador.

Pagar uma multa não muda o caráter de uma pessoa.

Termino com as sábias palavras de uma feminista:
Com o lance do Netinho. Saiu um manifesto feminista (?) apoiando o cara. Um manifesto de todo patético e que recoloca a maneira como temos tratado a questão. Em determinado momento, diz o seguinte. Ele se arrependeu, pediu desculpas, o que mais podemos querer? Eu não sei se podemos querer coisas. Mas eu queria, sinceramente, que ele não se tornasse senador com endosso do movimento. Desculpas, o Dado também pediu. Na esfera privada, ele pode tudo. Casar outra vez, fazer terapia e se tornar um novo homem. Na esfera pública, ele pode um monte de coisas também. Menos ser representante feminista. Ou melhor. Ele pode ser representante feminista. Mas desde que faça algo pra merecer isso. Pedir desculpa está longe de ser suficiente.A Zuleika Alembert relata algumas coisas sobre a dupla militância dela no partido comunista. Ela faz um retrato bastante sincero do que era debater feminismo dentro da organização. Conta coisas cotidianas. Tipo que às mulheres era designado passar um cafezinho mesmo no meio das discussões. Para mim, essas mulheres que assinaram o manifesto continuam passando cafezinho. Primeiro por endossar uma candidatura com base nesse argumento de "pediu desculpas". Fizemos uma lei, hein? Para evitar que pedidos de desculpas eliminassem a responsabilidade. Que era o grande problema dos processos referentes a violência doméstica. Os agressores serem perdoados. Pelas esposas, pelas filhas, pelas vizinhas e pelas feministas do PC do B. Mas antes, essas mulheres já tinham passado um cafezinho. Porque ele é o candidato, né? Quer dizer que não teve feminista porra nenhuma nas reuniões do partido que definem candidaturas. Ele é candidato porque as feministas se omitiram e deve ser eleito com o endosso delas. É de cagar, sinceramente. E pelo visto, muito mais gente está disposta a atropelar a nossa agenda em prol de interesses partidários. No caso, nem vejo como o PT se beneficia tanto. Quem mais se beneficia mesmo é o PC do B. Não faria grande falta pra base da Dilma e seria um grande feito pra um movimento que vê a sua bandeira (violência doméstica) ser continuamente menosprezada no plano simbólico. Então eu não acho que é somente escolher se é a hora do partido ou a hora do movimento. Acho que se trata de pensar no significado mesmo. Há muita sinalização recente de que agredir mulheres não seria tão grave e poderia ser revertido com arrependimento. Não é onde eu achei que estaríamos em 2010. Mas é onde estamos. Daí que temos que vigiar a bandeira ué.

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sábado, 2 de outubro de 2010

Serra enfrenta o fim de sua carreira

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Muitos se divertem e se revoltam com os pitis de José Serra, mas poucos tem a real noção das razões para o destempero do candidato. Não que esta figura seja necessariamente calma e ponderada, mas suas explosões tem razões mais profundas do que os meros números da pesquisa e sua acentuada queda.

Serra está com a carreira acabada.

Obviamente é impossível fazer profecias, políticos morrem e renascem diariamente, somem e volta aos holofotes, mas o fato é que Serra corre o grande perigo de ser ver totalmente isolado em seu partido e em seu estado.

É fato que vários candidatos pelo país tem escondido Serra de suas campanhas. Sabem que se colocar junto do anti-Lula afasta votos. Mas a questão vai além e tem a ver com a popularidade de Alckmin.

Serra e Alckmin não se bicam. Se detestam. Perto de Alckmin, marionete da Opus Dei, Serra é um homem de Esquerda, para se ter noção do problema. E Alckmin não só está quase eleito em São Paulo no primeiro turno, como vem cooptando e afundando políticos próximos à Serra.

Segundo fontes que contactei, além de simples leituras de jornais, aliados próximos de Serra, como a vereadora Mara Gabrilli (a mesma que perguntou no Twitter se alguém deixaria a Dilma ser babá de seus filhos), receberam pouco dinheiro do fundo partidário, enquanto aliados de Alckmin ficaram com a maior fatia.

Serra já sacaneou o Alckmin antes, quando este tentou ser presidente recebeu pouco apóio de Serra, que pouco fez para ajudar o colega de partido. Internamente, as facções de ambos vivem em guerra, ainda que, em público, pareçam excelentes amigos.

Em São Paulo, as facções do PSDB se dividem entre nomes famosos e lealdades históricas, são estes grupos: O do Serra, Alckmin, FHC, Covas e Montoro.

A facção do Alckmin tomou o controle de São Paulo e até mesmo Kassab, aliado, quase filho de Serra, sentiu a pressão e pode abandonar o DEM, dizendo que o problema central é o DEM nacional e não - também - a crise interna de seu principal aliado. Alckmin não é tão fã de Kassab quanto Serra.

Sem Kassab Serra perde um importante aliado, um dos últimos com poder real.

Muitos, também, duvidam que Serra tenha força para recomeçar depois da segunda derrota eleitoral. Poucos o engoliriam novamente como prefeito ou mesmo como governador, e ele iria sumir por uns tempos, sem cargo e, em São Paulo, isolado. Alckmin, se eleito, dificilmente permitiria que Serra mantivesse forte presença na mídia através de algum cargo relevante em secretaria.

A base serrista estadual e federal tende a diminuir e, com isso, Serra perde força, influência e capacidade de barganhar por poder com Alckmin, que daria um golpe de misericórdia em seu desafeto.

Enfim, Serra corre, neste momento, o risco de ver sua carreira encerrada. Como um fracassado. Um eterno candidato a presidente que nunca ganhou e ainda levou uma porrada humilhante de uma, para ele, desconhecida.

O destempero e descontrole não são gratuitos.
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48 Horas de Cobertura Alternativa das Eleições! #48hvotobr

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Acompanhe aqui o #48hvotobr, 48 horas de cobertura alternativa das eleições brasileiras!

Use a hashtag #48hvotobr, participe, colabore, assista! Vamos mostrar à Globo e à mídia tradicional como se faz uma cobertura cidadã!

À partir das 9h da manhã do sábado, dia 2 de outubro!

Iniciativa capitaneada pelo pessoal da Revista Fórum, Sérgio Amadeu e Blogueiros!


O Eleitor2010 também estará presente!
Um dos idealizadores do Eleitor 2010,  Diego Casaes, vai aparecer de duas em duas horas no 48 Horas Democracia para compartilhar e analisar os vários focos dos relatos que estão sendo enviados para a plataforma pelos eleitores-cidadãos em 3 de outubro. Ou seja, o ambiente online do 48 Horas Democracia servirá de ponto-de-encontro para trocas de opiniões sobre voto, democracia e liberdade de expressão.
Eu estarei lá também para ajudar na cobertura e para trabalhar na transmissão e updates!=)

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Adote a #hashtag; #48hvotobr
Entre ao vivo pelo Skype; Quarentaeoitohoras_Democracia
Demais sugestões; 48horasdemocracia@gmail.com




#48hvotobr
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PSOL: A Superação do Sectarismo? As críticas à Dilma em Sergipe [Update]

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No mesmo dia da declaração criminosa de Mercadante - que ainda não foi objeto de pedido de desculpas por parte de sua candidatura e do PT -, a candidata ao governo de Sergipe pelo PSOL, Professora Avilete, deu uma declaração desastrosa e igualmente criminosa. Chamou Dilma de Terrorista. Basicamente usou os mesmos termos da direita golpista e saudosa da Ditadura para caracterizar uma mulher que lutou contra a Ditadura e foi torturada e presa por isto, logo, uma heroína, como todos que combateram bravamente a Ditadura.

O fato de Dilma ter, depois, assumido uma posição vergonhosa de concordar com a decisão do STF de manter intocada a Lei da Anistia não muda o fato de que ela lutou e merece nosso total respeito e admiração e, JAMAIS, criticas como as proferidas por Avilete.

Mas, o mais surpreendente, foi a própria resposta do PSOL que, em carta aberta, não só repudiou a atitude de sua candidata como, aparentemente, retirou seu apoio a ela, passando a pedir votos para os candidatos do PSTU e do PCB.


Não me recordo de ter visto um partido, por uma única declaração de um de seus membros, de sua candidata, ter não só se desculpado em nota da Direção do partido, como ter suspendido o apoio do partido à candidata, logo, a candidatura.


Por ter sido caluniosa, criminosa, Avilete foi corretamente punida pelo partido. Será que o PT fará o mesmo com o Mercadante, que ofendeu a todo o Movimento Social dos Sem Teto, logo, a todos os movimentos sociais que lutam por moradia, terra e dignidade ou vão fechar os olhos e fingir que não viram nada?


O PSOL, enfim, deu uma lição de ética a ser seguida por todos.


Segue a carta do PSOL/SE:

Repudiamos a postura de Avilete – Carta Aberta ao Povo Sergipano

setembro 29, 2010 por PSOL Sergipe
A Executiva Estadual de Sergipe do PSOL, de modo unanime, vem a publico, em respeito à juventude e aos trabalhadores sergipanos, em particular aos que lutam contra todas as formas de exploração e opressão, afirmar que varias posições defendidas pela candidata ao governo do estado pelo PSOL, Professora Avilte, suas atitudes internas no partido e com os partidos da Frentede Esquerda não condizem com as posições políticas e éticas do PSOL.
Em debate entre os candidatos realizado no dia 28 de setembro de 2009, referiu-se à candidata à presidência da republica do PT Dilma como terrorista.
Entendemos que todos os que lutaram contra a ditadura militar merecem o respeito do povo brasileiro a despeito de suas posições políticas atuais e, além disso, tal postura soma-se à direita mais conservadora de nosso país.
Nossas criticas a candidata Dilma dizem respeito a ela hoje representar um governo que governa em nome do capital, mantendo a subordinação de nosso pais as políticas imperialistas, defendendo os interesses do latifúndio e demais capitalistas em detrimento às reivindicações dos trabalhadores.
Quando a candidata Professora Avilete, em sua propaganda eleitoral defende posição contraria à discriminalização do aborto vai de encontro as resoluções do Congresso Nacional do PSOL, do Coletivo Nacional de Mulheres do PSOL, do Congresso Estadual do PSOL e contra as próprias mulheres vitimas dessa criminalização.
A postura da candidata nos debates entre os candidatos ao governo do estado fazendo coro com o candidato João Alves do DEM vai de encontro as resoluções congressuais do PSOL que coloca o partido em oposição ao governo da coligação petista, aos demais partidos da base de apoio do governo Lula e demais partidos de direita, o que inclui o DEM do candidato João Alves. O PSOL é uma oposição de Esquerda : Nem Deda, nem João.
Executiva Estadual de Sergipe do PSOL
Heitor Pereira Alves Filho
Presidente do Diretório Estadual
Odair Ambrósio
Vice-Presidente do Diretório Estadual
Dalvacir Azevedo Gois
Tesoureira do Diretório Estadual
Danilo Santana
Secretario do Diretório Estadual
Aracaju, 29 de setembro de 2010
Segundo a Folha, Avilete foi mesmo punida e sua candidatura foi retirada. PArabéns ao PSOL por ter rapidamentetomado uma atitude digna e honesta!
O PSOL de Sergipe retirou nesta sexta-feira (1º) a candidatura da professora Avilete Cruz ao governo estadual. A decisão foi tomada por unanimidade pelo diretório estadual do partido, após a candidata afirmar, em debate na Rede Globo na última terça-feira, que a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, era "terrorista, assaltante e assassina".
A declaração de Avilete, feita durante pergunta ao governador e candidato à reeleição Marcelo Déda (PT), foi considerada "a gota d'água" na conturbada relação entre a candidata e o partido. "Foi uma ofensa típica da direita", diz o vice-presidente do PSOL Sergipe, Odair Ambrósio.
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A credibilidade da mídia... qual credibilidade? Dilma, Tuma e Sasha Grey.

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A Mídia vem perdendo totalmente a credibilidade, não é algo novo, não é algo isolado. Sejam nos grandes assuntos ou mesmo nos pequenos assuntos, a mídia se revela incapaz.

Incapaz de mostrar a verdade. Seja por vontade de mentir, de encobrir e de falsear, ou mesmo pela incapacidade de ir atrás da notícia, de se aprofundar, de pesquisar.

A mídia hoje oscila entre a falta de ética e a falta de capacidade. E ainda me falam do diploma de jornalismo.

O diploma, hoje, não garante qualidade, isenção ou ética. Porque garantiria? O dinheiro garante, em muitos casos.

Qual a credibilidade da mídia, ou mesmo do jornalista diplomado responsável pela Ficha Falsa da Dilma?

Qual a credibilidade desta mídia que atenta contra a liberdade de expressão do povo e que defende apenas os interesses da empresa, de famílias mafiosas que se perpetuam no poder?

Recentemente a Folha, o Uol e O Globo mataram Romeu Tuma.
Apenas mais uma página do péssimo jornalismo praticado pelos grandes impérios. Barrigas inacreditáveis, manipulações...

O Acerto de Contas é direto:
Hoje à noite foi possível analisar o nível a que chegou a imprensa brasileira. Simultaneamente, três grandes veículos de comunicação deram o “furo” da morte do Senador Romeu Tuma, que está internado em São Paulo.
Primeiro foi o UOL, seguido da Folha e do Globo, que anunciaram a morte do Senador, e tão logo perceberam que se tratava de uma “barriga”, retiraram a “notícia” do ar. Provavelmente um chupou a falsa notícia do outro, e centenas de release blogs também publicaram o “furo”. Aliás, release blogs não faltam nos tradicionais grupos de comunicação.
Esse episódio lamentável mostra como está sendo feito o tratamento da notícia por parte da imprensa brasileira, que nem ao menos se dá ao trabalho de checar se o Senador estava vivo ou não.
A pressa em dar a notícia, a falta de verificação do que se estava sendo contado, a divulgação precipitada e a mea culpa vergonhosa são assustadoras. A culpa talvez nem seja da jornalista, que prontamente se desculpou no Twitter, mas de algum editor interessado em dar um furo. De fato, foi um furo, num barco que já vem afundando há tempos.

Pena que a Folha não teve a decência de manter o tuíte da barriga, deletou e tentou esconder a verdade.

Tuma, infelizmente, está vivo. Se morrer, aliás, deve virar herói pelas mãos da grande mídia. Deixará de ser o delegado torturador que deveria ir direto para o lixo da história.

Mas para quem acha que a mídia é apenas responsável por manipulações e notícias falsas e precipitadas, apresento uma notícia que pode parecer até fútil, mas que revela o que venho dizendo ha muito tempo: O jornalista/mo de hoje não sabe o que é pesquisa.

Não sabe o que é investigação. Salvo raras exceções, quase todos com nomes fáceis de lembrar, o jornalismo de hoje é um amálgama de senso comum, de cópia de agências, de falta de crítica e de remendos vindos da Wikipedia.

Leiam as páginas internacionais dos jornais. Salvo um ou outro jornalista que analisa o que acontece fora do país - concordando ou não com sua análise -, a página (no singular mesmo, a cada dia parece que o que acontece fora do país se torna menos importante) é recheada por notícias de agência, acríticas, de análises importadas, de jornalistas de fora (mesmo que sequer relacionados ao país do evento) e, pior, em alguns casos de análises rasas, banais e que qualquer criança poderia ter facilmente copiado da wikipedia.

A Folha, ao anunciar ser o jornal do futuro (sic) e ter remodelado suas páginas fez o movimento inverso do esperado, precarizou ainda mais as análises e o conteúdo de qualidade. Reduziu texto, aumentou imagens e esvaziou o que já era um saco vazio. Este, aliás, parece ser o movimento natural do jornalismo (sic) brasileiro, o de privilegiar imagem ao invés de texto, o de reduzir análises para enfiar baboseiras.

Mas, indo direto ao ponto, Sasha Grey, famosa [e maravilhosa] atriz da indústria pornô e que vem fazendo boas incursões no cinema "normal", nasceu nos EUA. Até aí, nada demais.

O problema é quando um grande portal de notícias das Organizações Globo, mesmo em seu mais fútil canal, EGO, repete a Wikipedia em português, de forma totalmente descarada e acrítica, anunciando que [a belíssima] Sasha Grey, vejam só, é cearense.
Aí lá vem pra gente no Twitter o pessoal shitando brickos “OMG ELA É BRASILEIRA!”… Não, amigos. Ela não é Brasileira. Ela nasceu em 14 de Março de 1988 em Sacramento, nos EUA. E… é isso. Em tudo quanto é site do universo há essa informação, MENOS na Globo, que diz que ela nasceu em Fortaleza. Ela esclareceu em entrevistas e, na Encyclopedia Dramatica tem uma declaração dela dizendo que uma revista daqui publicou isso “só pra vender mais”.
A Wikipedia, aliás, já corrigiu o erro há um bom tempo e existe material de 2008 que comprova que tudo não passava de uma brincadeira.

Uma pesquisa rápida revelaria a manipulação da Wikipedia, uma brincadeira:
Com exceção da data de nascimento, 14 de março de 1988, parece não haver muito consenso na Internet sobre o local de nascimento da atriz. O Omelete se afiançou na Wikipedia em português, mas a informação é suspeita. O IMDb diz que Grey nasceu em Gary, no Estado de Indiana, nos EUA - local confirmado por um jornal de Sacramento, na Califórnia, cidade onde a atriz cresceu.
Existe, é fato, dúvidas sobre se ela haveria nascido em Gary, Indiana ou Sacramento, Califórnia, mas daí a ligá-la ao Ceará? Tanto Wikipedia quando o IMDB indicam que ela nasceu em Sacramento, mas algumas outras fontes divergem, o que não vem ao caso.
Um problema que passa meio despercebido pelo público em geral é o fato de se veicular em absolutamente todos os sites que a moça nasceu em Fortaleza, no Ceará. Em alguns estão dizendo que ela nasceu em Quixadá. Quixadá. Não estou de brincadeira. Quixadá.

Não ignoro que o corpo dela seja estereotipicamente cearense, mas além disso, sinto informar que não há nenhuma prova ou indicação de que ela seja brasileira. Ou seja, tiraram a informação do cu. Parem de repeti-la, it's fucking pissing me off. (Quer dizer: você, você, você, você e vocês, outros resultados do Google para "sasha grey brasileira", calem a boca.)

A informação é tão conspicuamente fake que o Omelete ficou até com vergonha e admitiu que confiou num Zé Neguinho qualquer que editou a Wikipedia PT (não foi nem a Wikipedia em inglês, hein). Verificando o artigo atual da Wikipedia em português, vejo que até lá o local de nascimento da Sasha já foi alterado. E, no entanto, O Globo ainda insiste que a mulher é produto nacional.
É a denúncia final de que, efetivamente, o jornalismo brasileiro morreu. Nem a mais simples das pesquisas um grande portal de mídia tem a capacidade de fazer. Tuma está morto, mas passa bem, Sasha Grey é cearense e Dilma é uma terrorista com extensa ficha-corrida.
Imagens que ilustram o post vem do Blog da Maria Frô e do Portal Imprensa.

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