terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Ou para Belo Monte, ou paramos o Brasil" - As fotos do protesto

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"Mas o Brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão! 
Que país é esse???"
Todo protesto traz consigo alguma emoção. Mexe conosco participar de manifestações ao lado daqueles oprimidos e pensar que podemos fazer alguma diferença. às vezes conseguimos nossos objetivos, às vezes não, mas é sempre válido sair às ruas e mostrar nossa insatisfação.

Mas este protesto em particular, contra Belo Monte, foi especial. Já estive em outras manifestações junto à população vítima de abusos do governo, despejados e à beira de perder suas casas ou mesmo depois de já terem perdido tudo que tinham por ação criminosa dos mais diversos governos, mas neste caso em particular estamos em uma situação que vai além da mera perda de uma casa (por mais grave e absurdo que isto seja), mas da morte de culturas e modos de vida.

Ver índios pintados para a guerra, no frio gélido de são Paulo, uma cidade inóspita, gigantesca e poluída, prontos a morrer na defesa de suas terras e de seus povos é algo que emociona a todos que ainda tem um coração e que não deixaram o fanatismo pró-governo suplantar sua humanidade.

Crianças pequenas, de colo, adolescentes e adultos do Xingu ou mesmo de Parelheiros, zona sul de São Paulo, Kayapós, Kalapalos e Guaranis unidos para lutar contra uma obra que representa a morte da floresta e a destruição de suas culturas.

Parece que muitos petistas, muitos governistas, esqueceram do significado dos direitos humanos.

Os índios de Paralheiros e Guaranis da cidade de São Paulo sabem muito bem o que é viver pressionados pela "civilização", constantement atacados e ameaçados. E os índios do Xingu, que tanto lutaram para garantir uma terra sua, sbem bem o que é lutar contra Belo Monte, este projeto criado pela ditadura Militar que hoje foi apadrinhada por um governo que se diz de esquerda, mas que até o momento não deu um só passo para rever os rimes da Ditadura, condenar culpados e abrir arquivos.

Pelo contrário, preferem realizar projetos abortados pelas lutas populares idealizados por militares.

Eu não consigo realmente entender o que passa na cabeça daqueles que seguem de forma cega um governo que fez ressurgir das cinzas (tomando Dilma como continuidade de Lula, apesar desta aprofundar aquilo que Lula tinha de pior) um projeto que o movimento social indígena ou não conseguiu derrubar durante uma DITADURA! Em plena "democracia" o governo tenta impor uma obra gigantesca, feita sob medida para empreiteiras (as mesmas que financiaram a campanha de Dilma, aliás), sem qualquer tipo de consulta séria e sem ouvir os indígenas.

Aos que tentarem, em vão, dizer que o Ibama e outros órgãos conversaram com indígenas, façam o favor de me poupar. Chegar numa tribo ou em cidades próximas e que serão atingidas pelas obras e se limitar a informar porcamente o que será feito, não é conversar, mas impor sua vontade sobre brasileiros vulneráveis.

Se Belo Monte fosse uma obra que respeitasse minimamente os direitos humanos não teríamos ao menos TREZE processos, recomendação do MPF contra a obra, condenação na Comissão Interamericana de Direitos Humanos e condenação pela Anistia Internacional e outras ONG's de nível mundial

E, finalmente, para o petista fanático que adotar o discurso-padrão Aldo Rebelo (amigo da Katia Abreu, só lembrando), de que tem "dinheiro estrangeiro"financiando algumas ongs contra Belo Monte, recordo que boa parte dos fundadores do PT, ex-guerrilheiros, receberam financiamento de Cuba e da URSS para lutar contra a Ditadura e até hoje o PT mantém acordos e alianças com organizações de vários outros países. PAra bom entendedor, meia.

Enfim, foi um protesto emocionante, com a participação de diversas organizaçõess e entre mil pessoas (segundo a PM) e duas mil (segundo os organizadores) que caminhou do MASP até o Ibama, no meio dos Jardins, cantando palavras contra Belo Monte e, claro, contra DIlma e seu governo-trator.

Ao longo do caminho um boneco de palha, chamado de "Dilma" foi amaldiçoado , espancado e finalmente queimado, assim como um boneco representando o presidente do Ibama, Curt Trennepohl que, sem saber que estava sendo gravado, anunciou seu desejo de tratar os indígenas brasileiros como a Austrália tratou seus aborígenes: Matando todos. Ou o máximo que conseguir.


Lideranças indígenas históricas, como o cacique Megaron Txucarramãe e o Pajé Kunue Kalapalo marcaram presença, cantaram, dançaram e deixaram claro que não irão aceitar Belo Monte sem luta.


Kunue declarou em alto e bom som que os indígenas resistirão, irão colocar fogo nos canteiros de obra e irão fazer o possível para impedir que seu povo e seu modo de vida seja destruído.


Cada gota de sangue indígena ou não-indígena derramada será culpa direta de dilma e sua sanha por promover um "desenvolvimento" assassino, a todo custo, feito sob medida para a gradar às multinacionais, empreiteiras ematar o povo.
Um boneco de palha representando a presidenta Dilma Rousseff foi linchado e queimado pelos indígenas presentes no ato, durante uma cerimônia que parou o trânsito na esquina da Paulista com a rua Haddock Lobo. Palavras de ordem criticavam o governo federal e a Presidência da República por conta dos impactos sociais e ambientais trazidos pela obra e questionavam a eficiência energética da usina. O deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator das mudanças no Código Florestal e que vem recebendo pesadas críticas de ambientalistas e cientistas, também foi lembrado pelos presentes. Outro boneco, de terno e gravata, que simbolizava o presidente do Ibama Kurt Trennepohl, foi incendiado na frente do escritório do órgão, em protesto contra as licenças concedidas para o início das obras sem que as populações envolvidas tivessem sido devidamente ouvidas.
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Os protestos aconteceram em diversas cidades brasileiras, como Belém, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Fortaleza, João Pessoa, Recife, Salvador, Santarém, Florianópolis, Cuiabá, Manaus e Belo Horizonte. Além de protestos pelo mundo, em 16 países, e reuníram milhares de pessoas.

Digno de nota o silêncio da dita blogosfera progressista e dos grandes blogs de "esquerda", que antes e depois da marcha mantiveram a posição de fingir que nada acontecia ou aconteceu. De todos os blogs que sigo, posso citar apenas dois que, até o momento, postaram algo sobre a marcha ou convocando para a mesma: O Blog do Sakamoto e da Maria Frô.
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Algumas fotos do protesto. Para mais fotos, visite o Flickr.








Os vídeos do protesto serão postados em separado.
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