sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Golpismo: O retorno do "Brasil: Ame-o ou deixe-o"?

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A mídia é golpista e pronto.

O que não faltam são ataques feitos à mídia pelos "progressistas".

Não que esta não tenha uma agenda política clara, distante dos interesses populares e dos movimentos sociais. Isto é um fato.

Os interesses são empresariais, são até estrangeiros. Mas há uma distância enorme entre criticar os atos da mídia e mesmo daqueles por ela manipulados (a manipulação pura, como se fôssemos todos imbecis, ja foi desmentida por acadêmicos da área da comunicação, vale lembrar) e alertar, com fervor fingido, para um possível golpe aos modos de 1964.

É conversa para boi dormir e tentativa de escapar de seus erros e obrigações.

Ressurreição da marcha da família, como alguns estão chamando a Marcha Contra a Corrupção (ou marchas), é terrorismo pra tentar bater no terrorismo da mídia. Ambos são imbecis. Nós, a esquerda, temos MUITO mais a oferecer do que ficar criando teorias fantasiosas ou lambendo botas desse governo.

E muitos progressistas usam e abusam dos mesmos métodos sujos da mídia para esconder lutas populares, como a greve dos Institutos Federais ou os protestos contra Belo Monte.

Na verdade, adotam o mesmo modus operandi que usaram para a Marcha Contra a Corrupção, dizendo que os que protestam contra Belo Monte são pagos pela USAID, pelos EUA e etc, afirmando ainda que a OEA é vendida, não é confiável (mas curiosametne aplaudem ou se calam quando Dirceu diz que recorrerá contra a Veja na mesma OEA, mas aí a organização é boazinha)!

Qual a diferença desse comportamento para o da mídia chamada de golpista?

E mais, o "golpismo" contido no termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) é usado de forma livre, ampla e irrestrita pelos "progressistas" quando, na minha concepção, o golpismo não é a tentativa de derrubar governos, e sim o golpismo que existe contra o povo, contra a verdade e a democracia.

Há uma personalização por parte dos governistas e petistas absurda! Se há golpismo, tem que ser contra o governo! Coloca-se o governo como ultima salvação da humanidade, esquecendo que os reais atingidos pelo golpismo midiático são o povo e a democracia, e que o governo nada mais é - ou deveria ser - representação do povo e não a personificação, enquanto farsa, deste.

Não há "golpe" preparado contra o governo, o que existe é um golpismo diário contra o povo, contra a verdade. E cada vez mais a dita esquerda emula este modelo, tornando-o ainda pior. Tenta não apenas criticar/depender da mídia, mas ser a mídia, o que está certo, porém acabam copiando também aquilo que ela tem de pior.

O duplipensar governista e o ódio cego à mídia chegam ao ponto de criar distorções como no post "Folha ‘atacou’ Alckmin para simular ‘isenção’":
Sim, você leu direito: enfim algum grande meio de comunicação publicou uma “denúncia” contra um tucano. Na verdade, o que é mais surpreendente é que a “denúncia” cita familiares do governador Geraldo Alckmin, o que, até então, pensava-se ser regalia exclusiva de petistas. E, para completar, foi parar na primeira página (!?) da Folha de São Paulo.
O post do Eduardo Guimarães, ou ao menos a parte que trata deste terrível problema, da mídia criticar o Alckmin, mas isto não ser suficiente, resume-se a este parágrafo. O responsável pelo blog depois prefere falar no Dirceu e não dar maiores explicações.

Mas vários outros blogueiros seguiram pelo mesmo caminho. Com maior ou menor intensidade. Mas o ponto em comum foi o alarmismo inconsequente e deslocado.

No fim a mídia acaba tendo mais peso e influência do que sequer pensava em ter graças ao ibope desmedido dado por alguns blogueiros e, por outro lado, há um imenso desgaste devido à tentativa do governismo de impor sua agenda à militantes e não-militantes de sua causa na base do "custe o que custar".

Seguiu-se um "diálogo" - ou tentativa da minha parte ao menos - entre mim e o blogueiro Eduardo Guimarães:

Eu:
Vejamos se eu entendi:
A mídia ataca o PT = vendida, golpista, salafrária, etc, etc e etc.
A midia ataca o Alckmin = vendida, golpista, salafrária, etc, etc e etc porque o ataque é uma farsa?
Ou seja, ela erra se ataca, erra se não ataca, erra se ataca qualquer um?
Fala sério!
Eduardo:
Sempre defendendo a imprensa golpista. Faz de conta que não percebe que para dez mil matérias contra o PT eles publicam uma única contra o PSDB, fraca e que não tem sequência. Por isso que chamos vocês do PSOL de militontos. Bando de hipócritas. Só servem para isso mesmo, como massa de manobra da imprensa que impôs ao Brasil vinte anos de ditadura. Por isso ninguém da bola para vocês.
Eu:
Pois é, a mídia é boba e feia e quer dar um golpe em quem vem garantindo os maiores lucros da história para seus aliados…
Discordar de alguns argumentos contra a mídia significa apoiar a mídia? engraçado….
Eduardo:
Vocês do Cansei me deixam cansado
Eu:
Vc consegue apresentar algum argumento ao invés de atacar com baixarias que SABE serem falsas?
A reclamação constante é que a mídia só ataca o Pt, mas quando ataca o PSDB vc diz que é ataque falso? Quando será suficiente? Ou nunca será, já que fingir que há algum golpe em curso é bom para mascarar um péssimo governo e suas ações desastrosas?
Em resumo, discordar do governo ou aventar que a mídia pode ter acertado te transforma automaticamente em direitista, em membro do Cansei ou até pior. E sempre sobra pro PSOL!

Eu ainda tento entender como funciona o raciocínio: Vejamos, a mídia é golpista porque ataca o governo e esconde a podridão da oposição (ainda que tenha sido a mídia a denunciar o Mensalão do DEM, mas sigamos adiante), mas ela também é golpista, escroque e terrível porque denunciar o Alckmin (oposição ao governo do PT) porque... porque... porque mesmo?

Ah, porque estampar denúncia contra o Alckmin na capa do jornal é diferente de fazer o mesmo com qualquer um do PT? Do mensalão do DEM, denunciado pela mídia ninguém lembre. A mídia, por pior que seja, ainda tem um papel que, graças ao trabalho de porco de muitos governistas, se torna mais claro: O de gritar na mesma intensidade que os fanáticos do outro lado, do que os radicais cegos. São opostos completos, mas ambos em uma realidade paralela.

Me corrijam se eu estiver errado, mas o clima de "Brasil (o do PT): Ame-o ou deixe-o" voltou para ficar?

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Vale para ampliar o debate iniciado no post anterior sobre a Marcha Contra a Corrupção sobre a demonização generalizada e a superioridade pseudo-ideológica que uns pregam:




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