ICarabe, Oboré e Mopat convidam para debate dia 10 de fevereiro: "A Mulher Palestina e a Ocupação".
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A Mulher Palestina e a Ocupação
------
Propaganda
-------
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
17:25
Links para esta postagem
A Mulher Palestina e a Ocupação
2011-02-07T17:25:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Brasil|Debate|Feminismo|Mulheres|Oriente Médio|Palestina|Política|
Comments
Ruralistas realmente amam Aldo Rebelo
------
Propaganda
-------
Kátia Abreu - Miss Moto-Serra - já o elogio - falou da coragem moral deste grande homem, um nacionalista! - agora é a vez de ruralistas de Assis, em São Paulo, elogiarem seu maravilhoso (cof,cof) projeto de Revisão do Código Florestal...
Da seção de cartas da Folha:
Volto a me perguntar, de que esquerda falamos? Que esquerda queremos?
Aliás, o sr Orson Jacob é também o responsável por esta pérola em outra seção de cartas da Folha:
Da seção de cartas da Folha:
Código FlorestalAldo Rebelo e ou não é um comunista (SIC gigante) "muderno"? Viva a Esquerda!
Manifestamos nossa posição contrária sobre a reportagem "Revisão do Código Florestal pode legalizar área de risco e ampliar chance de tragédia" (Cotidiano, 16/1) e o editorial "Lei ambiental" (Opinião, 24/1). Como representantes dos produtores rurais, temos o direito de esclarecer que a proposta de mudanças apresentada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) não "pende em demasia a favor de interesses ruralistas", como alegou o editorial.
Em nossa região participamos de uma das duas audiências públicas promovidas no Estado de São Paulo pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados que serviram de base para a elaboração da proposta de mudanças no código. Tivemos a oportunidade de entregar aos parlamentares uma proposta elaborada pela região. Nossa posição corrobora o previsto na proposta do deputado Aldo Rebelo.
Defendemos uma legislação que preserve os recursos naturais, mas que também permita a produção agrícola e pecuária em termos racionais, sem onerar o produtor rural nem responsabilizá-lo por obrigações que cabem à sociedade e ao Estado. O relatório apresentado pelo deputado reflete bom senso e, diferentemente do que se propaga na mídia, defende interesses nacionais e garante o desenvolvimento sustentável, concedendo à preservação ambiental o respeito e a importância que lhe cabe.
A reportagem tampouco ouviu a parte mais interessada na preservação do ambiente, os produtores rurais, classe laboriosa que tem sustentado o equilíbrio social deste país.
ORSON MUREB JACOB, presidente do Sindicato Rural de Assis (Assis, SP)
Volto a me perguntar, de que esquerda falamos? Que esquerda queremos?
Aliás, o sr Orson Jacob é também o responsável por esta pérola em outra seção de cartas da Folha:
"‘A manchete de quinta-feira da Folha (‘Vitória histórica de Obama afasta conservadores e derrota racismo’) causou impacto, mas os 96% de votos dos afro-americanos em Obama são profundamente indagadores: afinal isso também não é racismo?’Vejam como Aldo Rebelo só se mete com gente boa!
ORSON MUREB JACOB (Assis, SP)
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Links para esta postagem
Ruralistas realmente amam Aldo Rebelo
2011-02-07T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Brasil|Comunismo|Mídia|PCdoB|Política|Ruralistas|Safadeza|
Comments
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Quando confunde-se religião com práticas
------
Propaganda
-------
É possível afirmar, como o fez Amâncio Siqueira em artigo recente no Amálgama, que o Irã é uma
teocracia islâmica e, ao mesmo tempo, que é uma ditadura com diversos
aspectos que merecem nosso franco repúdio.
Não há problema nisso.
Problema há quando ligam ditadura e repressão ao islamismo. Quando a ideia de “ditadura repressiva” passa a estar intimamente ligada ao islamismo, quando estamos diante não do islamismo, mas de uma leitura que, em geral, envergonha a maior parte daqueles que professam a religião.
Ditaduras independem de religião. São políticas. Feitas por homens que encontram uma desculpa para manter seu poder e perpetuar a repressão. Pode ser o Islamismo, Cristianismo ou até o Pastafarianismo – basta acreditar. Pessoas matam e morrem em nome de grandes ou de pequenas religiões. Entregam todo seu dinheiro para templos evangélicos. Trata-se de leituras deturpadas.
Obviamente a religião em si abre portas para o fanatismo, mas não pode ser totalmente responsável pelas leituras mais radicais que são feitas. Senão todos os crentes seriam fanáticos por princípio.
Imagino que nenhum cristão se vanglorie dos milhões de mortos durante as Cruzadas ou defenda a Inquisição, ou mesmo reconheça estes dois exemplos como base ou resultados do “Cristianismo”, mas apenas faces de uma igreja ou mesmo uma interpretação absurda da “palavra” de seu deus.
Quem já leu o Corão ou ao menos conhece muçulmanos o suficiente para ter uma ideia de seus costumes e práticas, vê que o suposto islamismo pregado por aqueles fanáticos nada mais é que uma versão fascista e deturpada de suas crenças. É a leitura crua, sem atualização ou interpretação honesta. É a politização de uma crença levada ao mundo estatocêntrico com o intuito de garantir a alguns o poder sobre os demais.
Seria, em paralelo, o mesmo que o Comunismo (sic) nas mãos de Stalin. O Comunismo seria naturalmente ruim pela interpretação genocida de alguns. Assim como as religiões, as teses marxistas foram usadas por milhões da pior forma possível. O problema não está na religião/ideologia, mas na prática desta, na apropriação e leituras feitas a posteriori por quem tinha claros interesses em desvirtuar aquilo que milhões seguem ou acreditam. Da mesma forma que você precisa interpretar e atualizar os escritos de Marx, que não têm nem 300 anos, você precisa interpretar e atualizar aquilo que foi escrito a 1500 ou 2 mil anos.
A própria gênese de muitas religiões se baseia apenas no interesse de um ou uns dominarem um grupo através do medo ou de promessas de benesses eternas. É bom ter isto em mente, porém: o neopentecostalismo, como tal, é nocivo desde seu princípio e por base.
Não estou aqui falando que o Islamismo ou mesmo o Cristianismo sejam “puros” — imagino já ter deixado isto claro –, que mesmo em seus ensinamentos não exista algo recriminável, longe disso, o problema na verdade são as interpretações ou, mais ainda, a insistência dos mais puristas em evoluir a si mesmos e à própria religião. No fim das contas, o problema surge quando, de apoio, religião passa a ser a razão da vida.
Post completo no Amálgama
Não há problema nisso.
Problema há quando ligam ditadura e repressão ao islamismo. Quando a ideia de “ditadura repressiva” passa a estar intimamente ligada ao islamismo, quando estamos diante não do islamismo, mas de uma leitura que, em geral, envergonha a maior parte daqueles que professam a religião.
Ditaduras independem de religião. São políticas. Feitas por homens que encontram uma desculpa para manter seu poder e perpetuar a repressão. Pode ser o Islamismo, Cristianismo ou até o Pastafarianismo – basta acreditar. Pessoas matam e morrem em nome de grandes ou de pequenas religiões. Entregam todo seu dinheiro para templos evangélicos. Trata-se de leituras deturpadas.
Obviamente a religião em si abre portas para o fanatismo, mas não pode ser totalmente responsável pelas leituras mais radicais que são feitas. Senão todos os crentes seriam fanáticos por princípio.
Imagino que nenhum cristão se vanglorie dos milhões de mortos durante as Cruzadas ou defenda a Inquisição, ou mesmo reconheça estes dois exemplos como base ou resultados do “Cristianismo”, mas apenas faces de uma igreja ou mesmo uma interpretação absurda da “palavra” de seu deus.
Quem já leu o Corão ou ao menos conhece muçulmanos o suficiente para ter uma ideia de seus costumes e práticas, vê que o suposto islamismo pregado por aqueles fanáticos nada mais é que uma versão fascista e deturpada de suas crenças. É a leitura crua, sem atualização ou interpretação honesta. É a politização de uma crença levada ao mundo estatocêntrico com o intuito de garantir a alguns o poder sobre os demais.
Seria, em paralelo, o mesmo que o Comunismo (sic) nas mãos de Stalin. O Comunismo seria naturalmente ruim pela interpretação genocida de alguns. Assim como as religiões, as teses marxistas foram usadas por milhões da pior forma possível. O problema não está na religião/ideologia, mas na prática desta, na apropriação e leituras feitas a posteriori por quem tinha claros interesses em desvirtuar aquilo que milhões seguem ou acreditam. Da mesma forma que você precisa interpretar e atualizar os escritos de Marx, que não têm nem 300 anos, você precisa interpretar e atualizar aquilo que foi escrito a 1500 ou 2 mil anos.
A própria gênese de muitas religiões se baseia apenas no interesse de um ou uns dominarem um grupo através do medo ou de promessas de benesses eternas. É bom ter isto em mente, porém: o neopentecostalismo, como tal, é nocivo desde seu princípio e por base.
Não estou aqui falando que o Islamismo ou mesmo o Cristianismo sejam “puros” — imagino já ter deixado isto claro –, que mesmo em seus ensinamentos não exista algo recriminável, longe disso, o problema na verdade são as interpretações ou, mais ainda, a insistência dos mais puristas em evoluir a si mesmos e à própria religião. No fim das contas, o problema surge quando, de apoio, religião passa a ser a razão da vida.
Post completo no Amálgama
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
13:30
Links para esta postagem
Quando confunde-se religião com práticas
2011-02-06T13:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Cristãos|Islamismo|Oriente Médio|Política|religião|Terrorismo|
Comments
Marcadores:
Cristãos,
Islamismo,
Oriente Médio,
Política,
religião,
Terrorismo
sábado, 5 de fevereiro de 2011
A Palestina frente à crise egípcia e os Papéis Palestinos
------
Propaganda
-------
A revelação dos Papéis Palestinos pela Al Jazeera, no atual momento, parecem mais importantes para os Palestinos que a crise no Egito e a deposição de Ben Ali na Tunísia, mas, juntos, dificultam a vida de Abbas e da Autoridade Palestina como um todo.
Os Papéis Palestinos, divulgados pela Al Jazeera no melhor estilo WikiLeaks, revelam as negociações secretas entre a Autoridade Palestina e Israel, que incluía a negação ao Direito de Retorno (apenas poucos milhares teriam permissão de voltar), a entrega de quase todos os territórios ocupados por Israel e a entrega de Jerusalém
É claro, é possível também dizer que os Papéis Palestinos comprovam a falta de vontade de Israel em chegar a uma solução para o conflito, visto que a Autoridade Palestina - comandada por Abbas e pelo negociador Saeb Erekat - praticamente desistiu de todos os direitos dos palestinos garantidos pelo direito internacional e mesmo pela decência humana.
A certeza, porém, é a de que a Autoridade Palestina - e em especial a Fatah, partido majoritário - teve sua imagem manchada de forma permanente. A questão agora é, frente à eleições locais que se aproximam, se haverá uma reação popular contra seus líderes.
O grande problema para os palestinos, porém, é a falta de alternativas. Notadamente laicos, sobra apenas o religioso Hamas, que não possui grande representação ou penetração na Cisjordânia (ao tempo em que controla Gaza). Os demais partidos, em geral, fazem parte do guarda-chuva da OLP (como os esquerdistas FPLP e FDLP) e são, em geral pequenos e pouco relevantes. Outra opção seria a Jihad Islâmica, grupo ainda mais radical que o Hamas, o que desagrada a muitos.
A situação é realmente complicada. E piora, ao menos para a Fatah, com a queda de Mubarak. Não a toa a Autoridade Palestina proibiu protestos pró-manifestantes egípcios na Cisjordânia.
Mubarak era um "parceiro" na resolução do conflito com Israel e não seria errado supor que sabia e fazia fé dos acordos entreguistas da Autoridade Palestina. Mas com o enfraquecimento e possível quedado Ditador, o Hamas se fortalece, tanto por suas ligações com a Irmandade Muçulmana (sua inspiração) quanto por ser a "alternativa", ainda que seja incerto este apoio, visto que o movimento egípcio (e o tunisiano) carece de ligações partidárias - é um movimento popular por primazia.
O Hamas, no entanto, está se beneficiando de imediato com a passagem de Rafah aberta, e o Irã comemora a possibilidade de enviar armas e o que mais for preciso para o grupo através deste caminho, mas se tudo isto resultará em efetivo apoio popular é incerto.
Os Palestinos vem vivendo em um gueto - Gaza - e a abertura da passagem pode até mesmo revoltar os próprios palestinos que vem sendo forçados a aceitar a imposição da Sharia e outros retrocessos desde que o Hamas tornou-se governante absoluto da região.
A situação é de pura incerteza. A Palestina vem sendo sufocada por Israel e, agora, enfrenta a traição de suas autoridades, além de crises em suas fronteiras que modem mudar todo o cenário internacional e local.
Na Jordânia, o não muito amigo dos Palestinos rei Abdullah II enfrenta protestos que o enfraquecem, no Líbano o Hezbollah surge como grande vencedor e possível força dominante e, claro, o Egito está pegando fogo. Tudo isto contribui para fortalecer o Hamas que tem apenas um problema para resolver: conquistar os Palestinos de forma definitiva. Se serão capazes, é outra história.
Em geral, a situação não está boa para os Palestinos, que vêem suas lideranças tradicionais desacreditadas e o fortalecimento do islamismo radical (ainda que o grupo tenha se tornado mais pragmático em relação à Israel e suas ações) que, aparentemente, sobrou como alternativa, mas não como opção real.
Enfim, resta esperar. As futuras eleições podem servir como termômetro para entendermos a quantas anda o prestígio de Abbas e da Fatah - fiquemos de olho na abstenção também - e o futuro do Egito pode também ditar o futuro sucesso do Hamas em Gaza.
É muito difícil, agora, prever o que pode vir a acontecer.
---
Mais sobre os papéis palestinos e a reação nos territórios ocupados:
Os Papéis Palestinos, divulgados pela Al Jazeera no melhor estilo WikiLeaks, revelam as negociações secretas entre a Autoridade Palestina e Israel, que incluía a negação ao Direito de Retorno (apenas poucos milhares teriam permissão de voltar), a entrega de quase todos os territórios ocupados por Israel e a entrega de Jerusalém
Hoje, o canal em inglpaês da Al Jazeera lançou o primeiro de mais de 1.600 documentos internos [en] de uma década do Processo de Paz Israel-Palestina, conhecidos como os “Papéis Palestinos”. Os documentos divulgados hoje tornam público um número de negociações secretas entre o negociador- chefe da OLP, Saeb Erekat, e os israelenses, incluindo o que a Al Jazeera chamou [en] de “compromisso sem precedentes sobre a divisão de Jerusalém e dos lugares sagrados”.O governo palestino foi humilhado e desmascarado em suas negociações com Israel que entregariam todos os direitos da Palestina em bandeja de ouro para os Sionistas.
O jornalista baseado em Doha (Catar) Blake Hounshell (@blakehounshell), reagindo às primeiras publicações, declarou [en]: “Eu acho que hoje pode ser lembrado como o dia em que a solução de dois Estados morreu #papéispalestinos”.
É claro, é possível também dizer que os Papéis Palestinos comprovam a falta de vontade de Israel em chegar a uma solução para o conflito, visto que a Autoridade Palestina - comandada por Abbas e pelo negociador Saeb Erekat - praticamente desistiu de todos os direitos dos palestinos garantidos pelo direito internacional e mesmo pela decência humana.
A certeza, porém, é a de que a Autoridade Palestina - e em especial a Fatah, partido majoritário - teve sua imagem manchada de forma permanente. A questão agora é, frente à eleições locais que se aproximam, se haverá uma reação popular contra seus líderes.
O grande problema para os palestinos, porém, é a falta de alternativas. Notadamente laicos, sobra apenas o religioso Hamas, que não possui grande representação ou penetração na Cisjordânia (ao tempo em que controla Gaza). Os demais partidos, em geral, fazem parte do guarda-chuva da OLP (como os esquerdistas FPLP e FDLP) e são, em geral pequenos e pouco relevantes. Outra opção seria a Jihad Islâmica, grupo ainda mais radical que o Hamas, o que desagrada a muitos.
A situação é realmente complicada. E piora, ao menos para a Fatah, com a queda de Mubarak. Não a toa a Autoridade Palestina proibiu protestos pró-manifestantes egípcios na Cisjordânia.
Mubarak era um "parceiro" na resolução do conflito com Israel e não seria errado supor que sabia e fazia fé dos acordos entreguistas da Autoridade Palestina. Mas com o enfraquecimento e possível quedado Ditador, o Hamas se fortalece, tanto por suas ligações com a Irmandade Muçulmana (sua inspiração) quanto por ser a "alternativa", ainda que seja incerto este apoio, visto que o movimento egípcio (e o tunisiano) carece de ligações partidárias - é um movimento popular por primazia.
O Hamas, no entanto, está se beneficiando de imediato com a passagem de Rafah aberta, e o Irã comemora a possibilidade de enviar armas e o que mais for preciso para o grupo através deste caminho, mas se tudo isto resultará em efetivo apoio popular é incerto.
Os Palestinos vem vivendo em um gueto - Gaza - e a abertura da passagem pode até mesmo revoltar os próprios palestinos que vem sendo forçados a aceitar a imposição da Sharia e outros retrocessos desde que o Hamas tornou-se governante absoluto da região.
A situação é de pura incerteza. A Palestina vem sendo sufocada por Israel e, agora, enfrenta a traição de suas autoridades, além de crises em suas fronteiras que modem mudar todo o cenário internacional e local.
Na Jordânia, o não muito amigo dos Palestinos rei Abdullah II enfrenta protestos que o enfraquecem, no Líbano o Hezbollah surge como grande vencedor e possível força dominante e, claro, o Egito está pegando fogo. Tudo isto contribui para fortalecer o Hamas que tem apenas um problema para resolver: conquistar os Palestinos de forma definitiva. Se serão capazes, é outra história.
Em geral, a situação não está boa para os Palestinos, que vêem suas lideranças tradicionais desacreditadas e o fortalecimento do islamismo radical (ainda que o grupo tenha se tornado mais pragmático em relação à Israel e suas ações) que, aparentemente, sobrou como alternativa, mas não como opção real.
Enfim, resta esperar. As futuras eleições podem servir como termômetro para entendermos a quantas anda o prestígio de Abbas e da Fatah - fiquemos de olho na abstenção também - e o futuro do Egito pode também ditar o futuro sucesso do Hamas em Gaza.
É muito difícil, agora, prever o que pode vir a acontecer.
---
Mais sobre os papéis palestinos e a reação nos territórios ocupados:
Israel/Palestina: Reagindo aos Papéis Palestinos
Palestina: Internautas Reagem ao Primeiro Lote de “Papéis Palestinos”
Palestina: Raiva frente aos Papéis Palestinos
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
13:30
Links para esta postagem
A Palestina frente à crise egípcia e os Papéis Palestinos
2011-02-05T13:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Conflito|Ditadura|Egito|Israel|Oriente Médio|Palestina|Política|Protesto|Revolução|
Comments
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Jornalixo brasileiro ataca novamente durante apagão/blecaute
------
Propaganda
-------
Nordeste (quase) todo com apagão sem que ninguém soubesse a ou as causas e nenhum grande portal noticiava... Muitas horas depois - com o Twitter lotado de referências ao fato e nos trending topics mundiais - tímidas notas apareciam aqui e acolá nos conglomerados (o Terra aparentemente foi o primeiro)...
Mas o jornalismo brasileiro não se limitou a ser lerdo. Não, fez muito pior. A relevância dada ao caso, no caso de um conglomerado poderoso, foi MENOR do que ao fato do show de Ivete Sangalo ter sido, acreditem, interrompido pela falta de luz!
Sim, o show de uma cantora é, para o Globo.com MAIS RELEVANTE que o apagão no nordeste!
Vejam a home do famigerado site que não cita absolutamente nada sobre o apagão em si mas posta até fotos do importantíssimo show às escuras.
O UOL não foi muito melhor, deu um pequeníssimo destaque ao apagão (que pra eles ocorreu só em Recife) e, claro, uma nota abaixo falando, adivinhem, da mesma Ivete Sangalo!
Algum tempo depois o Uol ao menos teve a decência de informar que o blecaute foi maior do que em Recife... Mas Ivete estava lá!
O G1, "portal de notícias da Globo" nem noticiou o blecaute (ao menos até as 02:22), mas Ivete? Sim, estava lá! Pobre coitada, não pôde cantar!
Música ruim bate evento de grande importância! Parabéns grande mídia, vocês são um lixo!
Aliás, um adendo, o problema parece ter sido na transmissão e não na geração (como o blecaute anterior), as mesmo assim apareceu oportunista no Twitter defendendo Belo Monte (geração)... Vê se pode!
---
Já de manhã, a maioria dos portais dava algum destaque ao apagão, ainda que citassem a infeliz cantora... Menos o glorioso portal daquele conglomerado global que dava um destaque simplesmente vergonhoso...
Sério, eu realmente sinto vergonha do jornalismo brasileiro e dos jornalistas que são coniventes com tudo isto. É jornalista (sic) cujo trabalho é cobrir o BBB, jornalista subserviente à vontade dos patrões... Simplesmente inaceitável.
Mas o jornalismo brasileiro não se limitou a ser lerdo. Não, fez muito pior. A relevância dada ao caso, no caso de um conglomerado poderoso, foi MENOR do que ao fato do show de Ivete Sangalo ter sido, acreditem, interrompido pela falta de luz!
Sim, o show de uma cantora é, para o Globo.com MAIS RELEVANTE que o apagão no nordeste!
Vejam a home do famigerado site que não cita absolutamente nada sobre o apagão em si mas posta até fotos do importantíssimo show às escuras.
O UOL não foi muito melhor, deu um pequeníssimo destaque ao apagão (que pra eles ocorreu só em Recife) e, claro, uma nota abaixo falando, adivinhem, da mesma Ivete Sangalo!
Algum tempo depois o Uol ao menos teve a decência de informar que o blecaute foi maior do que em Recife... Mas Ivete estava lá!
O G1, "portal de notícias da Globo" nem noticiou o blecaute (ao menos até as 02:22), mas Ivete? Sim, estava lá! Pobre coitada, não pôde cantar!
Música ruim bate evento de grande importância! Parabéns grande mídia, vocês são um lixo!
Aliás, um adendo, o problema parece ter sido na transmissão e não na geração (como o blecaute anterior), as mesmo assim apareceu oportunista no Twitter defendendo Belo Monte (geração)... Vê se pode!
---
Já de manhã, a maioria dos portais dava algum destaque ao apagão, ainda que citassem a infeliz cantora... Menos o glorioso portal daquele conglomerado global que dava um destaque simplesmente vergonhoso...
Sério, eu realmente sinto vergonha do jornalismo brasileiro e dos jornalistas que são coniventes com tudo isto. É jornalista (sic) cujo trabalho é cobrir o BBB, jornalista subserviente à vontade dos patrões... Simplesmente inaceitável.
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
17:15
Links para esta postagem
Jornalixo brasileiro ataca novamente durante apagão/blecaute
2011-02-04T17:15:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Apagão|Brasil|Jornalismo|Jornalixo|Lixo|Mídia|Nordeste|PIG|Política|
Comments
A Revolução começa agora
------
Propaganda
-------
A Revolução no Egito começa efetivamente agora, com a resposta de Mubarak nas ruas, com manifestações pró-governo (ainda que composta por capangas, agentes de segurança e pessoas pagas); começa agora com a certeza de que não será fácil, sem sangue ou suave.
De fato, os 29 dias de protestos na Tunísia foram relativamente pacíficos e passaram a idéia - errada - de que seria igual em todo o oriente médio.
O exército vem se limitando a cercar e, vez ou outra, separar os manifestantes pró e anti-Mubarak, o que deixa dúvidas sobre seu papel e sobre o que pensa a cúpula militar.
Ao se recusarem a atacar o povo passaram a idéia de que não seriam assim tão pró-Mubarak (ou ao menos que estariam barganhando por mais poder), mas ao também pouco fazer contra as turbas raivosas pagas pelo governo, deixa espaço para maiores conjecturas. Não irão derramar o sangue do povo, mas pouco irão fazer para evitar que outros matem o povo. Parece casar com a tática atual de Mubarak.
Aliás, algo deve ficar claro, estes manifestantes pró-Mubarak são, em geral, agentes da polícia a paisana, pessoas ligadas aos ministérios egípcios e pessoas pagas para criar confusão e não uma parcela da população em protesto legítimo.
Foram vários dias em que a população disputava espaços com a polícia e o saldo foi de mais de 100 mortos, porém, um número ínfimo se formos pensar que a população lutava contra uma ditadura de 30 anos e fortemente repressora. Mubarak - e seus aliados imediatos - não poderiam se dar ao luxo de ter sangue de civis nas mãos em grandes proporções, especialmente quando a onda revolucionária se espalhava por toda a região.
O temor era um isolamento regional e uma péssima reação do ocidente (mesmo dos aliados) que, frente aos acontecimentos, poderiam fingir nunca terem apoiado o regime e adotarem um discurso condenatório.
Sendo mais claro, não haveria justificativa política aceitável (para o ocidente) frente à morte de milhares de civis que se limitavam a protestar contra o governo, algo que volta e meia acontece mesmo nos EUA. Por mais que se trate de uma Ditadura, o Egito sempre foi blindado pela mídia ocidental, sempre foi tratado como o Estado imperfeito que, porém, luta contra os terríveis muçulmanos radicais (por mais que a Irmandade Muçulmana esteja longe disto).
Ou seja, era a Ditadura amiga que deveria existir para que a "democracia" ocidental sobreviesse. Que importam 80 milhões de Árabes em uma Ditadura se temos nossos brancos americanos livres (Tea Party à parte)?
O Mirgon Kayser fez, aliás, uma excelente postagem sobre o assunto no Jornalismo B, sobre a "ditadura do bem" do Egito e a mídia brasileira que, como a dos EUA, parece só ter visto agora que o Egito é uma Ditadura e, mesmo assim, não vê problemas nisso. O que importa é assegurar o direito (divido) dos EUA de controlarem o mundo. O Destino Manifesto nunca morre ou sai de moda.
Enfim, a estratégia de Mubarak é a de manter a repressão, mas usando um artifício inteligente: O de usar terceiros que não podem ser oficialmente ligados a ele.
Com a eterna conivência da mídia ocidental (e as tentativas de bloquear as transmissões da Al Jazeera, simpática aos manifestantes), a idéia é fazer com que seus capangas pagos sejam tratados por "manifestantes pró-governo", legítimos. Se eles irão conseguir reverter o processo ou ao menos dar tempo para que Mubarak pense em outras saídas, é incerto, mas não há dúvida de que Mubarak espera algum sucesso com sua nova tática.
Neste momento os manifestantes estão sendo testados em sua vontade de levar o processo adiante. E, apenas superando este obstáculo - o primeiro, o medo, já foi superado - a revolução terá possibilidade de triunfar.
De fato, os 29 dias de protestos na Tunísia foram relativamente pacíficos e passaram a idéia - errada - de que seria igual em todo o oriente médio.
O exército vem se limitando a cercar e, vez ou outra, separar os manifestantes pró e anti-Mubarak, o que deixa dúvidas sobre seu papel e sobre o que pensa a cúpula militar.
Ao se recusarem a atacar o povo passaram a idéia de que não seriam assim tão pró-Mubarak (ou ao menos que estariam barganhando por mais poder), mas ao também pouco fazer contra as turbas raivosas pagas pelo governo, deixa espaço para maiores conjecturas. Não irão derramar o sangue do povo, mas pouco irão fazer para evitar que outros matem o povo. Parece casar com a tática atual de Mubarak.
Aliás, algo deve ficar claro, estes manifestantes pró-Mubarak são, em geral, agentes da polícia a paisana, pessoas ligadas aos ministérios egípcios e pessoas pagas para criar confusão e não uma parcela da população em protesto legítimo.
Foram vários dias em que a população disputava espaços com a polícia e o saldo foi de mais de 100 mortos, porém, um número ínfimo se formos pensar que a população lutava contra uma ditadura de 30 anos e fortemente repressora. Mubarak - e seus aliados imediatos - não poderiam se dar ao luxo de ter sangue de civis nas mãos em grandes proporções, especialmente quando a onda revolucionária se espalhava por toda a região.
O temor era um isolamento regional e uma péssima reação do ocidente (mesmo dos aliados) que, frente aos acontecimentos, poderiam fingir nunca terem apoiado o regime e adotarem um discurso condenatório.
Sendo mais claro, não haveria justificativa política aceitável (para o ocidente) frente à morte de milhares de civis que se limitavam a protestar contra o governo, algo que volta e meia acontece mesmo nos EUA. Por mais que se trate de uma Ditadura, o Egito sempre foi blindado pela mídia ocidental, sempre foi tratado como o Estado imperfeito que, porém, luta contra os terríveis muçulmanos radicais (por mais que a Irmandade Muçulmana esteja longe disto).
Ou seja, era a Ditadura amiga que deveria existir para que a "democracia" ocidental sobreviesse. Que importam 80 milhões de Árabes em uma Ditadura se temos nossos brancos americanos livres (Tea Party à parte)?
O Mirgon Kayser fez, aliás, uma excelente postagem sobre o assunto no Jornalismo B, sobre a "ditadura do bem" do Egito e a mídia brasileira que, como a dos EUA, parece só ter visto agora que o Egito é uma Ditadura e, mesmo assim, não vê problemas nisso. O que importa é assegurar o direito (divido) dos EUA de controlarem o mundo. O Destino Manifesto nunca morre ou sai de moda.
Causou-me estranheza o comportamento de grandes emissoras como a Rede Globo, sempre tão prestativa na defesa da democracia, em silenciar sobre o comportamento das grandes potencias mundiais no que diz respeito ao Egito. Pelo contrário, as primeiras noticias veiculadas na grande imprensa davam conta apenas de protestos relacionados à crise econômico que o Egito está mergulhado e sobre como Mubarak poderia “restabelecer a ordem e dar estabilidade ao governo”.
Claro que minha estranheza tinha algo de cínico, sarcástico, já que eu jamais esperaria que a nossa grande imprensa fosse pedir a cabeça de Mubarak com a mesma energia com que pede a queda de ditaduras como a cubana, a iraniana ou norte-coreana. No fundo, o que importa são os interesses. Fosse o regime cubano “queridinho da América”, e nossa grande imprensa o defenderia ao limite extremo da falta de argumentos.
Enfim, a estratégia de Mubarak é a de manter a repressão, mas usando um artifício inteligente: O de usar terceiros que não podem ser oficialmente ligados a ele.
Com a eterna conivência da mídia ocidental (e as tentativas de bloquear as transmissões da Al Jazeera, simpática aos manifestantes), a idéia é fazer com que seus capangas pagos sejam tratados por "manifestantes pró-governo", legítimos. Se eles irão conseguir reverter o processo ou ao menos dar tempo para que Mubarak pense em outras saídas, é incerto, mas não há dúvida de que Mubarak espera algum sucesso com sua nova tática.
Neste momento os manifestantes estão sendo testados em sua vontade de levar o processo adiante. E, apenas superando este obstáculo - o primeiro, o medo, já foi superado - a revolução terá possibilidade de triunfar.
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Links para esta postagem
A Revolução começa agora
2011-02-04T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Egito|EUA|Mídia|Oriente Médio|Política|Protesto|Revolução|
Comments
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Islamismo, o coadjuvante incômodo nos protesto egípcios
------
Propaganda
-------
Os EUA e seus aliados - notadamente os comumente estridentes, mas atualmente silenciosos Israelenses - vem tentando fazer com que a opinião pública mundial olhe para os protestos no Egito não como uma Revolução Democrática em curso, contra a tirania - patrocinada por este mesmo EUA e aliados -, mas como uma cópia da Revolução Islâmica iraniana.
Nada poderia ser mais falso.
É fato que não podemos prever o futuro, o que sairá deste processo incontestavelmente revolucionário (sequer sabemos se Mubarak cairá, por mais que a torcida seja grande, mesmo dentro dos EUA), mas os indícios nos apontam para algo bem diferente do que ocorreu em 79 - e sem tomada de embaixada americana.
Os egípcios que protestam tem em comum com os iranianos de 79 apenas o fato de estarem lutando contra a opressão e a tirania e que, em ambos os casos, estes regimes foram (E são) apoiados pelos EUA. A partir daí, as histórias divergem.
Não há líder ou grupo por trás dos protestos egípcios. A Irmandade Muçulmana, tão temida pelos EUA - ainda que sem grandes fundamentos, explicarei adiante -, aderiu aos protestos dias após seu início e se boa parte da organização das manifestações (ou ao menos o início das marchas) se dá das mesquitas, é porque os protestos começam após a reza do meio-dia (a população é, afinal, majoritariamente muçulmana, ainda que os protestos contem com amplo apoio dos Coptas cristãos) e porque as mesquitas são um excelente ponto de encontro em que as forças de segurança não invadem ou batem, servindo como ponto neutro, seguro.
Não podemos esquecer que Mubarak, presidente/ditador egípcio instou os pregadores das mesquitas a discursar contra as manifestações. Apenas para constar.
Acreditar que, por várias manifestações começarem nas mesquitas, a revolução é "islâmica", é o mesmo que dizer queos EUA são uma teocracia cristão, já que todo presidente dos EUA usa deus em basicamente todos os seus discursos, na pose, em comunicados e etc.
Voltando à Irmandade Muçulmana, vale explicar brevemente o porque deste grupo dificilmente apresentar um "perigo islâmico". Em primeiro lugar - e mais importante - a Irmandade parece com o PT: Fragmentado, cheio de tendências e, assim como o partido brasileiro, tende a adotar posições mais brandas para e quando (se) chegar ao poder. Não necessariamente por esta ser uma vontade da população, mas pela própria organização interna conflituosa e diversa.
Existe na Irmandade mesmo aqueles que preferiam que o grupo sequer se apresentasse como partido. A caridade, os debates filosóficos e religiosos e a irmandade em si deveriam bastar.
Os protestos no Egito, enfim, são autenticamente populares. Não são influenciados - ao menos não de forma visível - por qualquer grupo, partido ou Estado. Mesmo a tentativa de El Baradei de se colocar como liderança esbarrou na desconfiança de muitos egípcios, que vem se organizando coletivamente para, por exemplo, distribuir comida, cuidar de feridos e proteger museus, casas e outros locais de importância.
Alguns já falam na Comuna do Cairo. Talvez uma precipitação, mas o fato é que muitos estão se auto-organizando e fazendo as vezes de Estado.
O medo do Islamismo também não se justifica na Tunísia, onde mesmo o líder do partido islamita local já declarou não defender imposição da sharia, se declara centrista e disse ainda não estar pronto para participar de eleições. Como se vê, bem diferente do perigo e terror pintados pelos EUA e pela mídia ocidental - esta que merece post a parte, em especial a ridícula e vergonhosa mídia tupiniquim.
Voltemos ao Irã: De fato a Revolução (que logo se tornaria Islâmica) era apoiada por diversos setores, desde comunistas a radicais islâmicos. Mas no país havia uma liderança clara, o Aiatolá. Havia um direcionamento, lideranças a seguir. No Egito a coisa parece ser mais ou menos autônoma e os partidos são marginais, meros espectadores em busca de espaço. Sejam eles de esquerda, direita ou religiosos.
O islamismo é apenas o perigo que aponta o ocidente para deslegitimar o anseio popular por liberdade. Estamos falando de um aliado importante dos EUA e de Israel, e não qualquer país insignificante, mas um colosso, o maior país Árabe (em população), um grande receptor de investimentos dos EUA e país estratégico em termos geográficos e políticos.
Não é pouca coisa. E a propaganda estadunidense não poderia deixar de agir.
Mas, enfim, as semelhanças com a Revolução Iraniana existem, mas não justificam o temor de uma repetição, ainda que, se se repetisse e fosse pela vontade da população, pouco poderia ser feito, ou mesmo deveria ser feito além de respeitar a vontade soberana do povo egípcio.
E os EUA, infelizmente, tem o terrível costume de jamais respeitar decisões de qualquer povo se estas forem diferentes da sua vontade, vide a vitória do Hamas na Palestina.
Nada poderia ser mais falso.
É fato que não podemos prever o futuro, o que sairá deste processo incontestavelmente revolucionário (sequer sabemos se Mubarak cairá, por mais que a torcida seja grande, mesmo dentro dos EUA), mas os indícios nos apontam para algo bem diferente do que ocorreu em 79 - e sem tomada de embaixada americana.
Os egípcios que protestam tem em comum com os iranianos de 79 apenas o fato de estarem lutando contra a opressão e a tirania e que, em ambos os casos, estes regimes foram (E são) apoiados pelos EUA. A partir daí, as histórias divergem.
Não há líder ou grupo por trás dos protestos egípcios. A Irmandade Muçulmana, tão temida pelos EUA - ainda que sem grandes fundamentos, explicarei adiante -, aderiu aos protestos dias após seu início e se boa parte da organização das manifestações (ou ao menos o início das marchas) se dá das mesquitas, é porque os protestos começam após a reza do meio-dia (a população é, afinal, majoritariamente muçulmana, ainda que os protestos contem com amplo apoio dos Coptas cristãos) e porque as mesquitas são um excelente ponto de encontro em que as forças de segurança não invadem ou batem, servindo como ponto neutro, seguro.
Não podemos esquecer que Mubarak, presidente/ditador egípcio instou os pregadores das mesquitas a discursar contra as manifestações. Apenas para constar.
Acreditar que, por várias manifestações começarem nas mesquitas, a revolução é "islâmica", é o mesmo que dizer queos EUA são uma teocracia cristão, já que todo presidente dos EUA usa deus em basicamente todos os seus discursos, na pose, em comunicados e etc.
Voltando à Irmandade Muçulmana, vale explicar brevemente o porque deste grupo dificilmente apresentar um "perigo islâmico". Em primeiro lugar - e mais importante - a Irmandade parece com o PT: Fragmentado, cheio de tendências e, assim como o partido brasileiro, tende a adotar posições mais brandas para e quando (se) chegar ao poder. Não necessariamente por esta ser uma vontade da população, mas pela própria organização interna conflituosa e diversa.
Existe na Irmandade mesmo aqueles que preferiam que o grupo sequer se apresentasse como partido. A caridade, os debates filosóficos e religiosos e a irmandade em si deveriam bastar.
Os protestos no Egito, enfim, são autenticamente populares. Não são influenciados - ao menos não de forma visível - por qualquer grupo, partido ou Estado. Mesmo a tentativa de El Baradei de se colocar como liderança esbarrou na desconfiança de muitos egípcios, que vem se organizando coletivamente para, por exemplo, distribuir comida, cuidar de feridos e proteger museus, casas e outros locais de importância.
Alguns já falam na Comuna do Cairo. Talvez uma precipitação, mas o fato é que muitos estão se auto-organizando e fazendo as vezes de Estado.
O medo do Islamismo também não se justifica na Tunísia, onde mesmo o líder do partido islamita local já declarou não defender imposição da sharia, se declara centrista e disse ainda não estar pronto para participar de eleições. Como se vê, bem diferente do perigo e terror pintados pelos EUA e pela mídia ocidental - esta que merece post a parte, em especial a ridícula e vergonhosa mídia tupiniquim.
Voltemos ao Irã: De fato a Revolução (que logo se tornaria Islâmica) era apoiada por diversos setores, desde comunistas a radicais islâmicos. Mas no país havia uma liderança clara, o Aiatolá. Havia um direcionamento, lideranças a seguir. No Egito a coisa parece ser mais ou menos autônoma e os partidos são marginais, meros espectadores em busca de espaço. Sejam eles de esquerda, direita ou religiosos.
O islamismo é apenas o perigo que aponta o ocidente para deslegitimar o anseio popular por liberdade. Estamos falando de um aliado importante dos EUA e de Israel, e não qualquer país insignificante, mas um colosso, o maior país Árabe (em população), um grande receptor de investimentos dos EUA e país estratégico em termos geográficos e políticos.
Não é pouca coisa. E a propaganda estadunidense não poderia deixar de agir.
Mas, enfim, as semelhanças com a Revolução Iraniana existem, mas não justificam o temor de uma repetição, ainda que, se se repetisse e fosse pela vontade da população, pouco poderia ser feito, ou mesmo deveria ser feito além de respeitar a vontade soberana do povo egípcio.
E os EUA, infelizmente, tem o terrível costume de jamais respeitar decisões de qualquer povo se estas forem diferentes da sua vontade, vide a vitória do Hamas na Palestina.
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Links para esta postagem
Islamismo, o coadjuvante incômodo nos protesto egípcios
2011-02-03T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Egito|EUA|Irã|Islamismo|Política|Política Externa|Revolução|Tunísia|
Comments
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Comitê de luta contra o aumento das passagens de ônibus realiza manifestação nesta quinta-feira
------
Propaganda
-------
Comitê de luta contra o aumento das passagens de ônibus realiza manifestação nesta quinta-feira
Será
realizada nesta quinta-feira, 03/02, mais uma manifestação contra o
aumento da tarifa de ônibus em São Paulo. A concentração começa às
17h00, no vão livre do MASP. O ato é organizado pelo Comitê de luta contra o aumento.
Histórico: a
jornada de luta contra o aumento contou com cinco manifestações em
24/11, 16/12, 13/01, 20/01 e 27/01. No dia 13, mais de mil manifestantes
marcharam pelo centro da cidade e sofreram forte repressão policial com
gás lacrimogênio, balas de borracha e bombas de efeito “moral”, com
saldo de 31 detidos e ao menos 10 feridos. Mesmo assim, a população
paulistana voltou às ruas em uma marcha na Avenida Paulista, que contou
com mais de três mil participantes. No último ato, os manifestantes
decidiram refazer o trajeto que havia lhes sido impedido pela repressão
policial no dia 13. Dessa vez, com mais de 4 mil manifestantes, o
trajeto pode ser concluído.
O Comitê de luta contra o aumento
está sendo construído como um espaço de articulação de movimentos
sociais, organizações políticas, sindicatos e indivíduos que tem como
intuito barrar o aumento da tarifa no transporte público de São Paulo.
ATO PÚBLICO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA
Quinta-feira, 03 de fevereiro
Concentração às 17h00, no vão livre do MASP (Avenida Paulista).
Concentração às 17h00, no vão livre do MASP (Avenida Paulista).
Mais informações:
Pedro Lopes – 9996 1963
Marco Magri – 9272 1918
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
17:00
Links para esta postagem
Comitê de luta contra o aumento das passagens de ônibus realiza manifestação nesta quinta-feira
2011-02-02T17:00:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Brasil|Kassab|Política|Protesto|São Paulo|Tarifa Zero. Transporte público. Política|Transporte público|Ônibus|
Comments
Marcadores:
Brasil,
Kassab,
Política,
Protesto,
São Paulo,
Tarifa Zero. Transporte público. Política,
Transporte público,
Ônibus
Quando Obama lava as mãos...
------
Propaganda
-------
...a CIA também lava?
O último discurso de Obama, ontem, trouxe novidades frente ao discurso anterior, mas ambos, em geral, foram fracos, óbvios e demonstram apenas o caráter dos EUA, o de um Estado apenas interessado em defender seus interesses e não o de efetivamente garantir democracia ao mundo.
Obama, no primeiro discurso, claramente buscava ainda manter Mubarak no poder, pedindo por uma saída pacífica do conflito e para o ditador que aceitasse realizar reformas amplas no governo e na forma de governar.
Este pedido foi aceito, ainda que a população pouco tenha se importando. Ditadores, aliás, parecem ser completamente tapados quando se trata de agradar à população. Mubarak nomeou para importante cargo (vice-presidência) o chefe do temido serviço secreto local - a Mukhabarat - Omar Suleiman. Não pode realmente esperar uma boa recepção por parte do povo. Se por um lado os militares são respeitados no Oriente Médio em geral, o mesmo não pode se dizer de chefes de centros de tortura.
Porém, com a recusa da população em se sentir satisfeita com as "reformas" - demissão de todo gabinete e promessa de mudanças políticas -, Obama mudou o discurso. E, novamente, conseguiu ser escutado por Mubarak. Este se comprometeu a não buscar a reeleição nas eleições de Setembro. Claro, isto pode perfeitamente significar que seu filho - odiado pelos egípcios, Gamal - concorra em sue lugar e, com todo aparato estatal nas mãos uma fraude gigantesca não parece irreal.
O povo claramente quer a deposição de Mubarak e o fim do poder de seu partido, quer uma equipe ou governo de transição que organize eleições livres. Os EUA e Mubarak querem a perpetuação do regime.
Mas Obama não é besta - pode ser um péssimo presidente, mas burro não é -, e por mais que defenda pessoalmente a manutenção do status quo, buscou parecer um estadista que se importa com a população egípcia e com a democracia, por mais que todo o mundo saiba (se não sabia antes o WikiLeaks acabou com a ignorância) que o interesse dos EUA é sempre a de ter ditaduras amigas prontas a aceitar suas ordens sempre.
O discurso de Obama, de mais ou menos 5 minutos, serviu para informar que os EUA conversam com Mubarak e que o convenceram a deixar o cargo em setembro. Mas nenhuma palavra sobre o blecaute informacional, sobre os mortos na repressão (mais de 100), sobre a violência da polícia e de policiais à paisana saqueando a cidade e muito menos sobre a ditadura em si.
Parece aos EUA que Mubarak se trata de um presidente democraticamente eleito que passa apenas por problemas, e não um ditador há 30 anos no poder - com a eterna conivência dos EUA.
Dizer para a "transição começar", mas ainda sob o regime de Mubarak e seu partido é o mesmo que nada, que pedir para que fraudes aconteçam e o sucessor escolhido pelo ditador vença. Ou melhor, que os EUA vençam.
Os EUA jamais consideram "ditadura" aquele país que lhe é aliado. Não vêem problema em Mubarak ou no já deposto Ben Ali, mas não tolera Bashar Assad ou Ahmadinejad (que até as eleições passadas era o presidente democraticamente eleito). Qual o problema com a ditadura na Arábia Saudita ou na Jordânia? Afinal, são amigas!
Enfim, o discurso do Obama foi mais do mesmo. Mostrou-se "preocupado" com a situação, pediu respeito aos direitos humanos... E mais alguns blablablas.
Típico discurso Yankee tirando o seu da reta, fingindo que nunca apoiou o regime e pagando de defensor dos fracos e oprimidos. O pior? Tem gente que acredita.
E, pra terminar, esqueçamos o discurso de Obama, o que a CIA está fazendo? Quem irá matar, quem irá depor, quem irá colocar no poder?
O último discurso de Obama, ontem, trouxe novidades frente ao discurso anterior, mas ambos, em geral, foram fracos, óbvios e demonstram apenas o caráter dos EUA, o de um Estado apenas interessado em defender seus interesses e não o de efetivamente garantir democracia ao mundo.
Obama, no primeiro discurso, claramente buscava ainda manter Mubarak no poder, pedindo por uma saída pacífica do conflito e para o ditador que aceitasse realizar reformas amplas no governo e na forma de governar.
Este pedido foi aceito, ainda que a população pouco tenha se importando. Ditadores, aliás, parecem ser completamente tapados quando se trata de agradar à população. Mubarak nomeou para importante cargo (vice-presidência) o chefe do temido serviço secreto local - a Mukhabarat - Omar Suleiman. Não pode realmente esperar uma boa recepção por parte do povo. Se por um lado os militares são respeitados no Oriente Médio em geral, o mesmo não pode se dizer de chefes de centros de tortura.
Porém, com a recusa da população em se sentir satisfeita com as "reformas" - demissão de todo gabinete e promessa de mudanças políticas -, Obama mudou o discurso. E, novamente, conseguiu ser escutado por Mubarak. Este se comprometeu a não buscar a reeleição nas eleições de Setembro. Claro, isto pode perfeitamente significar que seu filho - odiado pelos egípcios, Gamal - concorra em sue lugar e, com todo aparato estatal nas mãos uma fraude gigantesca não parece irreal.
O povo claramente quer a deposição de Mubarak e o fim do poder de seu partido, quer uma equipe ou governo de transição que organize eleições livres. Os EUA e Mubarak querem a perpetuação do regime.
Mas Obama não é besta - pode ser um péssimo presidente, mas burro não é -, e por mais que defenda pessoalmente a manutenção do status quo, buscou parecer um estadista que se importa com a população egípcia e com a democracia, por mais que todo o mundo saiba (se não sabia antes o WikiLeaks acabou com a ignorância) que o interesse dos EUA é sempre a de ter ditaduras amigas prontas a aceitar suas ordens sempre.
O discurso de Obama, de mais ou menos 5 minutos, serviu para informar que os EUA conversam com Mubarak e que o convenceram a deixar o cargo em setembro. Mas nenhuma palavra sobre o blecaute informacional, sobre os mortos na repressão (mais de 100), sobre a violência da polícia e de policiais à paisana saqueando a cidade e muito menos sobre a ditadura em si.
Parece aos EUA que Mubarak se trata de um presidente democraticamente eleito que passa apenas por problemas, e não um ditador há 30 anos no poder - com a eterna conivência dos EUA.
Dizer para a "transição começar", mas ainda sob o regime de Mubarak e seu partido é o mesmo que nada, que pedir para que fraudes aconteçam e o sucessor escolhido pelo ditador vença. Ou melhor, que os EUA vençam.
Os EUA jamais consideram "ditadura" aquele país que lhe é aliado. Não vêem problema em Mubarak ou no já deposto Ben Ali, mas não tolera Bashar Assad ou Ahmadinejad (que até as eleições passadas era o presidente democraticamente eleito). Qual o problema com a ditadura na Arábia Saudita ou na Jordânia? Afinal, são amigas!
Enfim, o discurso do Obama foi mais do mesmo. Mostrou-se "preocupado" com a situação, pediu respeito aos direitos humanos... E mais alguns blablablas.
Típico discurso Yankee tirando o seu da reta, fingindo que nunca apoiou o regime e pagando de defensor dos fracos e oprimidos. O pior? Tem gente que acredita.
E, pra terminar, esqueçamos o discurso de Obama, o que a CIA está fazendo? Quem irá matar, quem irá depor, quem irá colocar no poder?
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Links para esta postagem
Quando Obama lava as mãos...
2011-02-02T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Ditadura|Egito|EUA|Política|Política Externa|Protesto|Revolução|
Comments
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Movimento Social fará manifestação na Câmara dos Vereadores
------
Propaganda
-------
Movimento
Social fará manifestação na Câmara dos Vereadores para pressionar por
uma Audiência Pública sobre o aumento da tarifa no transporte público de
SP
Dia
02/02 começam os trabalhos na Câmara dos Vereadores e o Movimento Passe
Livre estará presente para pressionar pela votação de uma audiência
pública com o Secretário Municipal de Transportes, Marcelo Branco.
No
ato passado, dia 27/01, mais de 4000 manifestantes foram recebidos em
frente à Câmara Municipal por alguns de seus vereadores, incluindo o
Presidente da Casa, Josê Police Neto, que assinou uma carta se
comprometendo publicamente a convocar essa audiência.
A
exigência da audiência com o Secretário faz parte da jornada de luta
contra o aumento e tem por objetivo prestar esclarecimentos sobre o
reajuste na tarifa do ônibus que passou a vigorar no dia 05 de janeiro.
Essa
manifestação está sendo convocada pelo Movimento Passe Livre,
juntamente com a ANEL (Assembléia Nacional de Estudantes Livre) e
Barricadas abrem caminhos.
Além
desta, outra manifestação está sendo chamada para o dia 03/02, dando
continuidade ao ciclo de grandes atos contra o aumento às
quintas-feiras.
O
Movimento Passe Livre acredita que o transporte público precisa ser
público de verdade: gerido fora da iniciativa privada e gratuito para o
conjunto da população. Considera o transporte um direito elementar, que
garante o acesso aos demais direitos sociais, como saúde, educação e
cultura. Um aumento na tarifa, como o que passou a vigorar em 5 de
janeiro, exclui ainda mais pessoas desses direitos.
ATO PÚBLICO EM FRENTE À CÂMARA DOS VEREADORES
Quarta-feira, 02 de Fevereiro
Concentração às 15h00, no Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista.
Concentração às 15h00, no Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista.
------
Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
17:17
Links para esta postagem
Movimento Social fará manifestação na Câmara dos Vereadores
2011-02-01T17:17:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Brasil|Kassab|MPL|Política|Protesto|São Paulo|Ônibus|
Comments
Assinar:
Postagens (Atom)







