sábado, 7 de maio de 2011

5 Anos dos Crimes de Maio

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No dia 12 de Maio de 2006, há exatos 5 Anos, a vida de muitas de nós começava a mudar radicalmente: tivemos nossos filhos tirados do nosso convívio familiar violentamente por agentes do Estado Brasileiro e por Grupos de Extermínio ligados a ele durante os terríveis Crimes de Maio. O nosso movimento, de Mães, Familiares e Amig@s de vítimas do Estado, surgiria infelizmente a partir deste trágico episódio.

Ao completar 5 anos, é óbvio que não poderíamos deixar de lembrar nossos tão queridos filhos e filhas. Eles têm estado e seguirão Presentes conosco! Ontem, Hoje e Sempre!

Por ocasião do Aniversário dos 5 Anos dos Crimes de Maio, e da união com tantas outras lutas e movimentos contra o mesmo Genocídio, nós estamos vindo aqui convidar vocês para uma série de importantes atividades. Uma semana inteira repleta de Homenagens, Protestos, Lançamento de Livros, Exibição de Vídeo, Lutas e Poesias! 

Caso se interessem, vocês podem conferir a PROGRAMAÇÃO COMPLETA NO BLOG: http://www.maesdemaio.blogspot.com

Agora, faremos uma ATIVIDADE ESPECIAL NA QUINTA-FEIRA (12/05), QUANDO SE COMPLETAM EXATOS 5 ANOS. 

Neste dia LANÇAREMOS O LIVRO "MÃES DE MAIO - DO LUTO À LUTA", que estamos compartilhando com exclusividade para vocês, com antecedência, para que possam ler e conhecer o material antes das atividades do dia 12/05.

O LIVRO PODE SER BAIXADO POR VOCÊS NESTE LINK (EXCLUSIVO PARA IMPRENSA)http://www.sendspace.com/file/4b0whc 

Organizado pelas Mães de Maio e lançado por ocasião dos 5 Anos dos Crimes de Maio, o livro reúne textos de Mães e Familiares: Débora Maria (Mãe de Edson Rogério), Ednalva Santos (Mãe de Marcos), Vera de Freitas (Mãe de Mateus), Francisco Gomes (Pai de Paulo), Francilene Gomes (Irmã de Paulo), Ângela Moraes (Mãe de Murilo), Rita de Cássia (Mãe de Rogério) e Flávia Gonzaga (Mãe de Marcos Paulo). Reúne também Poesias de Escritores Periféricos: Sérgio Vaz (Cooperifa), Michel Yakini (Elo da Corrente), Sarau da Brasa, Marcelino Freire, Rodrigo Ciríaco (Cooperifa e Mesquiteiros), Poeta Dinha, Hélber Ladislau (Cooperifa), Rapper GOG (DF), Jairo Periafricania (Cooperifa) e Armando Santos (São Vicente-SP). E  reúne também Análises de Outros Parceiros: Rede Contra a Violência (RJ), Alípio Freire, Danilo Dara, Jan Rocha, Lio Nzumbi (Reaja-BA), Luiz Inácio (Fejunes-ES), Sérgio Sérvulo e Tatiana Merlino. As Ilustrações ficaram por conta do artista-parceiro Carlos Latuff (RJ), e o Projeto Gráfico sob assinatura da companheira-designer Silvana Martins (Sarau da Ademar). O livro foi apoiado e só poderia ter sido realizado com o importante apoio das compas-jornalistas Ali Rocha, Maria Frô e Rose Nogueira, além do apoio fundamental do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

No dia 12/05, faremos o Lançamento do Livro com uma COLETIVA DE IMPRENSA (NO SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SÃO PAULO, a partir das 14hs), SEGUIDA DE UMA PEQUENA CAMINHADA E HOMENAGEM ECUMÊNICA A@S MORT@S DE MAIO DE 2006, NAS ESCADARIAS DA CATEDRAL DA PRAÇA DA SÉ (às 18hs).

Estão confirmadas as presenças, além de nós Mães de Maio, de Mães do RJ e do ES, de uma Abuela da Plaza de Mayo (Argentina), do Pe. Valdir da Pastoral Carcerária, de Juninho do Comitê Contra o Extermínio da Juventude Negra, além de diversas autoridades, parlamentares (como Dep. Fed. José Cândido, Dep. Fed. Ivan Valente, Dep. Fed. Paulo Teixeira etc).

MAIS INFORMAÇÕES: 13-8124-9643 ou 11-8708-7962

Aguardamos vocês nas atividades de toda a semana, especialmente nos dias 12 e 13!

MÃES DE MAIO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA
DIA 12/05, QUINTA-FEIRA - ATIVIDADES DOS "5 ANOS DOS CRIMES DE MAIO", NO SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SÃO PAULO

HORA: A partir das 14hs
LOCAL: SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SP (Rua Rego Freitas, 530 - Sobreloja - Vila Buarque - Telefone: 3217-6299)

14:30hs - LANÇAMENTO DO LIVRO "DO LUTO À LUTA - MÃES DE MAIO" E COLETIVA DE IMPRENSA SOBRE OS "5 ANOS DOS CRIMES DE MAIO: 5 ANOS DE IMPUNIDADE", COM A PRESENÇA DAS MÃES DE SP E DE SANTOS, REDE CONTRA VIOLÊNCIA (RJ), E DE UMA ABUELA DA PLAZA DE MAYO, ALÉM DE PE. VALDIR DA PASTORAL CARCERÁRIA, JUNINHO DO COMITÊ CONTRA O GENOCÍDIO NEGRO, ENTRE VÁRIAS OUTRAS GUERREIRAS E GUERREIROS

17:00hs - SAÍDA DA CAMINHADA DO SINDICATO DOS JORNALISTAS ATÉ A PRAÇA DA SÉ (com Fotos, Cruzes e Bexigas Brancas em Homenagem às Vítimas de Maio de 2006)

18:00hs - ATO ECUMÊNICO E SIMBÓLICO NA ESCADARIA DA PÇA DA SÉ, EM HOMENAGEM A TOD@S MORT@S E DESAPARECID@S DOS CRIMES DE MAIO DE 2006
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Não é preciso ser gay para ser HUMANO! #UniaoHomoafetiva

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Escrevo ainda inebriado de alegria pela esmagadora vitória de 10 a 0 (a ZERO) no STF a favor da União Homoafetiva, dos direitos civis garantidos aos casais homossexuais.

Enquanto escrevia, ontem de noite, as tags #UniaoHomoafetiva e #ChupaMalafaia estavam liderando os TT's brasileiros (a tag #UniaoHomoafetiva em primeiro mundial).

De uma tacada só, a garantia dos direitos das minorias, o respeito aos direitos humanos de TODOS e TODAS @s brasileir@s e uma resposta à homofobia persistente de lideranças criminosas evangélicas, como Silas Malafaia e Marco Feliciano e de setores da Igreja Católica, em especial da CNBB, com seu advogado que dificilmente passaria num teste anti-drogas (dentre MUITOS outros, lembremo-nos de Bolsonaro e sua famiglia).

É momento para comemorar, mas também para manter a mobilização, na verdade de tomarmos consciência do poder de nossa militância - sejamos gays, héteros ou o que for - e pressionar com ainda mais força pela aprovação do PLC 122 que não só garante direitos aos homossexuais, como ainda CRIMINALIZA a homofobia, criminaliza aqueles que tentam retirar ou impedir acesso de significativa parcela da população à seus direitos.

Não basta apenas garantir direitos, mas também evitar, proibir que se incite o ódio, que se pregue contra a humanidade. Somos todos humanos, somos todos iguais, independentemente de raça, de orientação, de gostos, opiniões...

Não é preciso ser gay para se comemorar este momento, basta ser humano. Basta respeitar, basta saber o que é amar, o que é sentir afeto por outro ou pelo outro.

Todos temos direito à felicidade. O importante é amar, é sentir prazer, é viver bem consigo mesmo e com os demais.

O Brasil é um Estado Laico. Cabe aos fanáticos aceitar ou, como recomendaram no Twitter, se mudar pra Uganda.
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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Os EUA não conseguem aprender História

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A notícia de que Obama autorizou a CIA - a mesma que com muita eficiência apontou a existência de armas de destruição em massa no Iraque e previram com precisão os ataques às Torres Gêmeas - a repassar armas e dar apoio aos rebeldes líbios quase passou despercebida pela maior parte dos veículos de mídia, e mesmo pela blogosfera.

Não vale nem discutir a legalidade de tal ação frente à resolução 1973, pois a ilegalidade é clara e absoluta.

Se é verdade que reza na Resolução fazer de tudo para defender os civis, por outro isto não quer dizer que armar um dos lados seja legal. Há um embargo de armas imposto ao país e, até onde sei, este embargo vale para qualquer tipo de armamento que possa entrar na Líbia, não importa o lado.

Os artigos 13-16 da Resolução 1973 deixam claro que há um embargo completo de armamentos ao país e em momento algum discrimina que o embargo vale apenas para o governo, logo, é total, não importa para que lado se entregue armas.

O objetivo da Resolução era claramente o de garantir uma no-fly zone para, então, evitar a morte de civis no conflito e para, finalmente, buscar equilibrar a capacidade das forças.

Mas, em se tratando de uma guerra civil, não cabia - não cabe - a nenhum Estado intervir tomando lados. Tudo isto tratei em post anterior, recomendo a leitura.

A questão agora, porém, é a da incapacidade dos EUA em aprender com os próprios erros, de compreender a história por detrás de suas intervenções e, ainda, de seu apoio a um dos lados do conflito de forma descarada e inconsequente.

Quando pensamos nos EUA armando rebeldes contra um inimigo, logo nos vem à mente os Mujahideens do Afeganistão, dentre eles, Osama Bin Laden.

Sem se importar com quem estavam financiando, mas apenas com o inimigo, a URSS, os EUA acabaram por criar a base para o que logo viria a se tornar o maior foco do que o Império chama de Terrorismo. Os EUA são diretos responsáveis pelos atentados de 11 de Setembro, pois foram eles que criaram, treinaram e armaram Bin Laden e sua trupe. O Taleban é criação dos EUA.

Mas o Império não parou por aí. Saddam Hussein é outro que foi financiado pelos EUA, que o apoiaram de forma entusiasmada, como uma forma de segurar o Irã pós-1979. Tiro no pé. Saddam não só resolveu testar os presentinhos recebidos pelos EUA - além do dinheiro e armas convencionais ele recebeu armas químicas - nos Curdos, como invadiu vizinhos e saiu do controle.

Mas não para por aí. Reza a lenda que o Hamas chegou, em certa época, a ser financiado pelos EUA, como tentativa de servir de contraponto ao Fatah, o até então todo poderoso grupo político, encabeçado por Arafat. E vejam no que deu.

Não é preciso nem falar no papel dos EUA e aliados na própria Revolução Islâmica de 1979, no que fizeram com Mossadegh.

Exemplos outros não faltam. Os EUA costumeiramente intervém em guerras que não são suas, colocam grupos uns contra os outros e, no fim, acabam tendo que apagar o incêndio que criaram. Tudo isto às custas da destruição de países, de modos de vida, de povos...

Será que estamos diante de mais um exemplo disto?
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quando blogueiros se parecem com o PIG

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Grandes blogueiros - e mesmo médios ou pequenos - que compõem a chamada "blogosfera progressista" ou orbitam em sue entorno costumam sempre que possível declarar o quanto são diferentes do chamado PIG.

São honestos, debatem, apresentam os fatos, analisam com honestidade... Claro, sempre puxam (ou puxamos) para nosso lado, ou melhor, temos nossa perspectiva claramente à esquerda. E isto é bom, pois deixamos claro nosso lado e de forma alguma enganamos o leitor passando a falsa imagem de que somos - ou queremos ser - imparciais, "isentos".

O PIG, por outro lado, declara a quem quiser que é isento ou imparcial, que não tem lado, que mostra apenas os fatos e analisa com propriedade. Mas todos sabemos que seus fatos são fabricados, suas análises são parciais e muitas vezes feitas por quem nem de longe entende do assunto e, claro, tem sempre um lado, o da elite.

Mas, para aqueles que acham que estamos diante de uma luta entre o bem e o mal, entre o terrível PIG e a salvadora blogosfera, não se enganem.

Acredito normal que os assuntos mais diversos sejam tratados pela ótica da esquerda, que haja posicionamento, que se debata com argumentos e propriedade sobre diversos assuntos e, no fim, não acho de todo negativo posições convergentes às do governo.

O problema é quando esta convergência se torna hipócrita, ou melhor, quando esta convergência ultrapassa o aceitável e passa a servir como forma de encobrir fatos, de evitar debates ou mesmo fazê-los não existir.

O PIG é famoso por criar não-notícias, seja por criar factóides ou por esconder fatos e histórias relevantes.

E, infelizmente, a blogosfera às vezes repete o mesmo método de fugir do debate e esconder notícias relevantes para evitar que seus patrocinadores sejam afetados.

Encarem "patrocinadores" como bem entenderem.

Exemplo específico desta hipocrisia copiada do PIG é a recente condenação do Brasil na Comissão de Direitos Humanos da OEA no caso de Belo Monte. Bandeira máxima do neo-desenvolvimentismo desenfreado do governo, vedete do PAC, Belo Monte é um crime em andamento e assim entendeu a Comissão da OEA que exigiu ao Brasil a suspensão das obras enquanto requisitos mínimos não fossem atendidos - coisas simples como ouvir as comunidades locais e respeitar a dignidade humana.

A decisão até o momento foi sumariamente ignorada pela franca maioria (ao menos por TODOS os blogs que leio) da grande blogosfera política de esquerda que, em muitos momentos, confunde ser esquerda com petismo, com governismo.

Alguns tuiteiros mais exaltados chegaram ao absurdo de acusar a Comissão de agir à serviço dos EUA, como se a Comissão fosse, em si, a OEA, confundindo as bolas numa torrente de impropérios típicos de fanáticos que apenas repetem aquilo que alguém de cima lhes manda dizer, sem questionar ou entender o porque.

Segundo a Folha e outros veículos, o Brasil ameaçou suspender pagamento e até se retirar da Comissão (o que seria impraticável, pois acarretaria na renúncia de diversos pactos sobre direitos humanos e mesmo a manutenção de posição insustentável na região - analiso melhor os desdobramentos em artigo para o Amálgama) e, frente a isto, ao invés de revolta frente ao absurdo do abandono do multilateralismo consagrado durante o governo anterior, louvações à decisão esdrúxula. Atitudes lamentáveis, para dizer o mínimo.

Da parte dos blogueiros, em especial dos grandes e médios, retumbante silêncio.

O que surpreende deste silêncio tão grande por parte de uns, e de raiva inconsequente por parte de outros tantos é que não faz nem 6 meses todos estes louvavam a decisão da Corte Interamericana de DH da mesma OEA (que hoje é só um instrumento maléfico de controle do Império O.o) de exigir que o Brasil revisse a Lei da Anistia.

É difícil compreender porque há menos de 6 meses os blogueiros louvavam um órgão ligado à OEA por sua decisão (que condenava o Brasil), e hoje repudiam uma decisão de outro órgão ligado à OEA por sua decisão (que, novamente, condena o Brasil).

Pode-se até criticar a decisão por se concordar com Belo Monte (ainda que eu considere inaceitável tal atitude), mas simplesmente fingir que a decisão não existe ou se insurgir como se do dia pra noite tanto a OEA (ou melhor, órgãos relacionados e não a OEA em si, esta sim com largo histórico de posicionamentos pró-EUA), quanto o multilateralismo fossem algo repugnante é simplesmente inaceitável.

O mote é defender o governo. Ponto. Até discutem uma coisa aqui ou ali, mas o desenvolvimentismo desenfreado é a lei e ponto. O PAC é intocável. Transposição do Rio São Francisco, Belo Monte...

Podemos criticar a Cultura (e só depois de muito esforço, pois no começo os que criticavam a Ana de Hollanda eram xingados e tachados de golpistas) e até alguns aspectos da Política Externa (que difere obviamente da de Lula, logo, há espaço para críticas no entender de alguns), mas JAMAIS podemos mexer com a galinha dos ovos de ouro, com as obras faraônicas - e em muitos casos, desnecessárias - do PAC.

E vale tudo para esconder ou matar a crítica.

Não somos assim tão diferentes do PIG como pensamos. Infelizmente.

O Moisés Pol encontrou o nome perfeito para estes blogueiros que "esquecem" de criticar o governo, o PIF, Partido da Imprensa Favorável. Interessante...

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Brasil e o Multilateralismo de Conveniência: Belo Monte, OEA e Hipocrisia

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Este texto é uma ampliação com algumas alterações do artigo "O Brasil irá realmente se desligar da OEA? Belo Monte e a hipocrisia brasileira" publicado originalmente no blog Amálgama.

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O Brasil recentemente foi condenado pela Comissão Interamericana de direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) - não confundir com a Corte Interamericana da mesma organização -, que solicitou ao Brasil parar "imediatamente o processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu".

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Aliás, é engraçado notar o duplipensar petista na questão da "condenação". A OEA tomou a decisão de solicitar ao Brasil que pare uma obra. Chamam de condenação. Já quando se trata da condenação do Brasil contra o Irã no CDH/ONU, se recusam a chamar pelo mesmo nome.
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Reclamando não ter tido tido tempo para responder, o MRE retrucou à OEA afimando também que o "governo brasileiro considera as solicitações da CIDH precipitadas e injustificáveis". Realmente, de novembro de 2010 (data do envio da reclamação por várias ONG's à OEA) até a decisão final, quase 2 anos depois, não houve mesmo tempo para preparar uma resposta, apenas para condenar o Irã e se aproximar dos EUA.

Ao invés de aceitar a decisão de um órgão multilateral em uma questão sobre direitos humanos, o Brasil preferiu virar as costas à OEA:
O governo brasileiro decidiu jogar duro com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos): deixará o órgão a partir de 2012 e suspendeu, por ordem presidente Dilma Rousseff, o repasse de verba à entidade previsto para este ano, de US$ 800 mil.
Trata-se da mais completa hipocrisia do governo brasileiro, que fala em Direitos Humanos, mas apenas se este valer para os outros.

Trata-se de um retrocesso gigantesco em relação à política do governo Lula, capitaneado por Celso Amorim.

Mais um.

Influência estrangeira
 
Após a decisão da OEA decisão, um show de fanatismo e ignorância por parte de militantes petistas que não só desconhecem o funcionamento da OEA, como ainda começaram a adotar o discurso padrão de Aldo Rebelo e acusar qualquer opositor de Belo Monte de ser agente estrangeiro pago pela CIA ou por qualquer outra agência estrangeira.

É óbvio, e todos sabemos, que existem organizações e mesmo países interessados em colocar as mãos na Amazônia, mas daí a acreditar que qualquer oposição à Belo Monte ou às políticas do governo para a região são reflexo desses interesses é ridículo. Teoria da conspiração barata que serve aos propósitos pseudo-desenvolvimentistas atuais do governo. E digo pseudo, pois vemos que não há o mesmo empenho em diversas outras áreas vitais, tampouco uma uniformidade  de âmbito nacional.

O falso discurso dos Direitos Humanos

Por parte do governo brasileiro, a mais completa vergonha alheia e o desmascaramento da política dilmista de supostamente se pautar pelos direitos humanos (vide artigo sobre os primeiros dias do governo Dilma).

Dilma condenou o Irã no Conselho de Direitos Humanos da ONU, um órgão tão ou mais político que a Comissão Interamericana de direitos Humanos (CIDH) da OEA, assumindo um discurso de que o Brasil iria começar a basear suas alianças no respeito aos direitos humanos.

Balela.

Logo após a confirmação de que esta política seria posta em marcha Dilma recebeu Obama - o maior terrorista da terra - no Rio (visita que foi um show de horrores diplomático, resultando até na prisão arbitrária de manifestantes) sem maiores problemas e depois ainda fez uma visitinha à China, um país conhecido por respeitar os direitos humanos em geral, não?

Ah, mas são os interesses comerciais! E comigo concorda Leonardo Sakamoto:

Na verdade, o país demonstra dessa forma usar uma política self-service. O que é bom do jogo internacional, coloca-se no prato, o que não é, deixa-se de lado. Problemas com os subsídios ao algodão e ao açúcar dados pelas nações ricas do Norte e que causam danos aos nossos produtores rurais? Vamos aos organismos internacionais para acabar com essa pouca vergonha! Agora, quando somos nós os acusados, gritamos contra a arbitrariedade desses mesmos organismos? Tenha a santa paciência…Neste momento, um leitor estufa o peito e grita diante da tela do computador: “É a economia, estúpido!” Sei disso. E sei que tudo é um jogo de demonstração de força e poder. E o Brasil descobriu que tem mais cacife do que imaginava para apostar.
Este discurso de Dilma, de defesa dos Direitos Humanos, é conversa pra boi dormir. Como já disse antes em mais de um momento, parece mais que o Brasil tem interesse em se re-aproximar dos EUA e adotou este discurso para poder condenar o Irã livremente e voltar a cair nas graças do Império, pois logo após condenar o Irã o Brasil voltou ao seu desrespeito costumeiro aos DH tanto interna quanto externamente.
[...] Dilma resolveu adotar posição de militante dos DH, o que a coloca alinhada com os EUA. Alinhada pois casos sérios de abuso dos direitos humanos que chegam à ONU costumam se limitar aos do terceiro mundo, enquanto potências aliadas ou mais ou menos amigas dos EUA - vide China - jamais são constrangidas a tal ponto.
Isto significa basicamente um maior alinhamento com os EUA e um afastamento considerável do terceiro mundo, algo que foi a bandeira do governo Lula e um marco na nossa política externa.
Mas, pior de tudo, é aguentar certos fanatismos convenientes que buscam deslegitimar qualquer oposição.

As mentiras (dos) governistas

Coisas do tipo "Mas sem Belo Monte você ficaria sem energia". Mentira. Existem inúmeras possibilidades alternativas, mas é compreensível a opção por Belo Monte: É mais visível, por ser imensa passa a imagem de que o governo está trabalhando muito... Não podemos esquecer que, pelo tamanho e peço enorme preço, é possível disfarçar melhor o "por fora", a graninha da corrupção básica para empreiteiras, políticos e intermediários...

"Se ficarmos sem Belo Monte, vamos ter que recorrer à nuclear ou fóssil. A alternativa é apagão. Em vez de twitter vamos usar fumaça".

As opções são várias e em muitos casos até simples, como investimento em Biogás (gás metano de lixões ou mesmo de gado, lembrando que somos o país com mais cabeças de gado no mundo), usinas eólicas (depois de amplo estudo de impacto), adequação de novas construções à melhor recepção de luz solar, captação de água da chuva e etc, melhor e mais ostensivo uso de energia solar e, finalmente, usinas hidroelétricas menores e mais próximas do consumidor final.

Mas os apocalípticos pregam que estamos perdidos sem Belo Monte. É o imediatismo inconsequente típico do capitalismo, em que o interesse é lucrar imediatamente mesmo que se abra falência em um mês.

Outras críticas ainda mais estúpidas vem dos que numa hora acusam as ONG's contrárias à Belo Monte de serem pagas pelos EUA. Realmente, ISA, MST, MAB, CIMI e várias outras devem ser realmente terríveis!

Quando notam que esta linha de argumentação é simplesmente ridícula, adotam o discurso conveniente de selecionar apenas aquilo que lhes interessa. Explico: Difícil encontrar, dentre os lulistas e dilmistas, quem se oponha ao MST, logo, difícil acusar a organização de ser paga pela CIA. A decisão, então, é a de concordar com o grupo só naquilo que lhes interessa. "Não concordo em tudo com o MST". Justo, o interessante é que a discordância é sempre quanto a Belo Monte, Transposição...

Nem vale à pena falar dos índios. São só 200 e dificilmente alguém se preocuparia com eles.

Finalmente, alguns buscam questionar o foco de organizações como o CIMI, ligado à Igreja Católica, com argumentos como "porque se preocupam com Belo Monte mas não fazem nada quanto aos desabrigados, os mendigos, os pobres e etc". Oras, primeiro porque o CIMI não trata dessas questões, existem as Pastorais e etc, e, segundo, o fato das Pastorais e da Igreja em si não funcionarem sempre ou serem maravilhosas não deslegitima outras lutas.

"A mesma Igreja Católica que se mete em Belo Monte não faz nada por crianças de rua ou a poluição de rios como o Tietê." Oras, o que uma coisa tem a ver com outra? A mesma Igreja que fez tudo isso tem muita gente nela que lutou contra a Ditadura, que desrespeita as regras e distribui camisinhas, que faz belos trabalhos sociais... Tomar o todo pelas partes é típico de quem não sabe ou não quer argumentar.

Argumentação falaciosa muito usada é a de que todos os lados foram ouvidos, o projeto mudou muito, é quase outro, ou de que é "birra" do movimento social a oposição à Belo Monte. Pois é, numa discussão séria TODAS as opções devem estar na mesa. E quando eu digo todas, falo desde a opção de se fazer Belo Monte da forma mais canalha até a posição defendida pelos Movimentos Sociais: A de NÃO TER nenhuma usina.

Mas esta última foi "democraticamente" descartada pelo governo. A imposição aos movimentos é a de que haverá Belo Monte e ponto, mas vamos discutir se vai destruir mais ou menos.

coloquei isto no blog, mas repito, para ver se entendem:
Faço paralelo com o caso basco, que tanto escrevo e estudo. A Espanha se diz uma democracia, diz debater todas as questões com os Bascos (nem vou entrar no caso das ilegalizações, tortura e prisões políticas), mas quando perguntada se aceitaria um plebiscito ou mesmo discutir a opção da independência, o tempo fecha.

JAMAIS! É impensável discutir a separação de território espanhol!

É ou não é uma bela democracia? As opções são apenas aquelas que um dos lados dá ou quer dar, mesmo que de má vontade. Aos bascos - e aos opositores de Belo Monte - resta aceitar um jogo em que já entram derrotados.

E notem que, em um possível plebiscito, quem votaria seria os habitantes da região e não de todo o país. Os atingidos e os interessados.
Por fim o mais risível, a tese da "ditadura da Minoria". Sim, acreditem. Seria ditadura da minoria exigir que, durante a suposta negociação sobre a construção da usina, que a opção de não construí-la estivesse sobre a mesa! 

Oras, o governo quer construir e ponto, e só aceita mudar uma coisinha aqui e outra ali. Aceitem e ponto!

Isto não é negociação. É imposição. E com um discurso que busca legitimar qualquer crime e abuso contra minorias que lutam por seus direitos. Oras, Belo Monte, para o governo, traz benefícios para o país, então azar dos insatisfeitos, são minoria.

As obras do Kassab, pra prefeitura e pra sua corja, são boas pra cidade, então que venha Nova Luz, Operação Águas Espraiadas e azar dos que serão expulsos.

As obras da Copa, no rio, são boas pro país, então vamos logo expulsar as famílias de suas casa,s porque precisamos de estádios e etc...

Ditadura da Minoria esse povo querer reclamar de obras que beneficiam tanto o povo!

Multilateralismo em foco
 
Há, em meio a todo discurso contra a decisão da OEA, uma quantidade absurda de fanatismo, mas mais ainda, de ignorância quanto ao funcionamento da organização e de sua Comissão.

A OEA não "se meteu" nos assuntos internos do Brasil - discurso engraçado, aliás, levando em conta que muita gente aplaudiu o Brasil, via ONU, se metendo nos assuntos do Irã, mas pimenta nos olhos dos outros é refresco, para usar um famoso clichê -, mas foi ACIONADA por organizações da sociedade civil, dentre elas a Comissão Missionária Indigenista (CIMI), uma organização que nem o mais tresloucado "rebelista" pode considerar mancomunada com a CIA.

O Brasil, à partir do momento em que concorda com os princípios da organização e assina seus pactos automaticamente se submete às suas decisões. Isto chama-se multilateralismo, exatamente o princípio pelo qual o Brasil diz se pautar internacionalmente. Condenar o Irã tudo bem, mas quando o problema é em casa a coisa complica, não?

Está tudo bem e dentro da legalidade a ONU aprovar intervenção militar na Líbia, ou mesmo a OEA decidir pela ilegalidade da Lei da Anistia, mas não pode decidir contra Belo Monte? Desde quando se escolhe que decisão multilateral iremos gostar ou desgostar?

"A OEA deveria se manifestar contra os 6.500MW de ger. a carvão que entraram nos EUA só em 2010."

Divertido é encontrar discursos do tipo: 'Porque a OEA não condena Guantánamo, ou as térmicas nos EUA"? Oras, porque ninguém SOLICITOU à Comissão da OEA que examinasse essas questões!

Mas, curiosamente, a Comissão expressou suas preocupações sobre Guantánamo recentemente.

A ONU não condenou Guantánamo, o Brasil vai se retirar da ONU também? Lembrando que por lá não é preciso nenhuma organização solicitar nada, caberia ao Brasil apenas reclamar da situação.

O Brasil, enfim, tem enorme prazer em desrespeitar a OEA (vide a falta completa de resposta à decisão da Corte Interamericana, órgão superior à comissão, sobre a Lei da Anistia), mas desta vez o caso é simplesmente absurdo!

A OEA não resolveu - à mando dos EUA - condenar o Brasil, apenas decidiu baseado em um pedido vindo de organizações brasileiras legítimas:
A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 em nome de varias comunidades tradicionais da bacia do Xingu pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Prelazia do Xingu, Conselho Indígena Missionário (Cimi), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global e Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA).
Vale lembrar que o MST e o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) também se opõem à Belo Monte (assim como à Tranposição do São Francisco, mas este é outro problema assunto)  e, até onde eu sei, não são organizações criminosas vendidas aos interesses dos porcos capitalistas yankees - engraçado esse discurso ter origem num amigo da Katia Abreu que recebe dinheiro de empresas 100% brasileiras como a Coca-Cola e o McDonalds, mas tudo bem.

Direitos humanos e mordaça
 
Mas no fim, o grande problema de Belo Monte sequer é a usina em si, mas a mais completa falta de transparência, respeito e mesmo respeito pelos Direitos Humanos da população que será afetada diretamente. O governo brasileiro em nenhum momento ouviu a população local, sejam ribeirinhos ou indígenas.

A idéia é passar como um trator por cima de toda oposição. Seja impondo este discurso absurdo "rabelista" de invasão de ongs estrangeiras, seja deslegitimando a OEA e as organizações multilaterais com um discurso incabível de 'intervenção", ou mesmo simplesmente pressionando os órgãos competentes - como o IBAMA - a liberar permissões antes dos prazos ou fora das regras gerais para acelerar as obras e não dar tempo de resposta à oposição.

O Brasil, enquanto signatário dos pactos ligados à OEA, tem o DEVER de acatar suas decisões.

Não importa se o país gostou ou não da decisão, deve apenas acatar, pois fazer parte de organismos multilaterais pressupõe direitos, mas também deveres.

Desdobramentos

O país se recusar a acatar a decisão da Comissão da OEA tem múltiplos desdobramentos.

Em primeiro lugar, enfraquece a instituição frente a outros países da região, mas vai além, enfraquece a posição do Brasil internacionalmente. Ao se opor a acatar sucessivamente tanto uma decisão da Corte (Anistia) quanto da Comissão (Belo Monte), o país se posiciona como um notório violador das leis internacionais, pois faz parte de organismos cujas regras desrespeita.

O Brasil não se mostra melhor que o Irã que o país acabou de condenar e que se recusa a receber relatores de Direitos Humanos.

A posição do Brasil em outros órgãos, como na ONU, fica enfraquecida, pois como o país teria moral para garantir o cumprimento de decisões do organismo se se recusa a acatar decisões contrárias a si?

Como fica o discurso de defesa dos direitos humanos quando o país se recusa a acatar a decisão de um importante órgão do sistema interamericano de direitos humanos nas Américas? A decisão final de se desligar da Comissão (que em nada afeta a relação com a OEA, pois a Comissão é ligada, mas formalmente independente) demonstra a hipocrisia do discurso brasileiro pós-Lula/Amorim.

Devido à hipocrisia geral que pauta as relações internacionais, e dada a re-aproximação do Brasil com os EUA, é possível que as consequências políticas não sejam sentidas muito fortemente enquanto este neo-direcionamento pró-EUA permanecer, mas para os aliados tradicionais brasileiros, como o Irã, as coisas podem se complicar, assim como a tentativa do Brasil (ao menos durante o governo Lula havia a intenção) de se colocar como negociador no conflito Irraelo-Palestino.

O Brasil adota posição semelhante ao das potências, que buscam impor suas agendas sem se preocupar em assumir os mesmos compromissos (algo como condenar um país por desrespeitar os direitos humanos e fazer igual ou pior interna ou externamente.

Imaginem a China condenando um país por desrespeitar os DH, ou os EUA do alto de sua indústria armamentista) e isto tende a prejudicar a posição brasileira frente às alianças que construíu durante oito anos de governo Lula, sob a batuta de Celso Amorim, com o terceiro mundo, com o hemisfério sul.

O Brasil, tentando (a)parecer como potência e líder, desvia do caminho de uma liderança alternativa, crítica aos tradicionais mandantes e os emula em seu pior, no discurso hipócrita dos direitos humanos em que eles unicamente condenam, mas jamais aceitam ser condenados.

Retomo Leonardo Sakamoto:
O que ocorre, contudo, é que o mundo mudou. Os países não podem mais se esconder atrás do discurso de respeito à soberania como se ele fosse verdade absoluta – até porque verdades absolutas estão caindo em desuso. Não porque eles tenham perdido a soberania, de maneira alguma. Mas como sustentar práticas anacrônicas diante de compromissos firmados internacionalmente quando estes são colocados à prova por informação que flui em segundos? E, espalhada diante de todos os outros Estados, mostra que determinado país mente.
Quando um Estado reconhece a legitimidade de organismos internacionais para arbitrar conflitos, ele passa a ser potencialmente reclamante e reclamado. E tem que aceitar isso e jogar o jogo, sob o risco de perder a credibilidade.
Credibilidade que é importante para quem quer ser levado a sério no mundo.
Dilma, desde que assumiu, vem cometendo erros sobre erros em termos de política externa. Um fracasso retumbante.
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Atualização (31/10/11) Confirmado que o Brasil NÃO pagou à OEA sua cota devida, no valor de 6 milhões de dólares.
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Casa ou quartel? Reitoria da UFRGS tenta empurrar goela abaixo regimento que retira direitos dos moradores

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Por Alexandre Haubrich, jornalista e editor do Jornalismo B

Os resíduos bolsonarianos chegaram a Casa do Estudante Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEU-UFRGS). Em silêncio, sem ampla divulgação na comunidade acadêmica, a Reitoria da UFRGS caminha para impor um novo regimento na CEU. “Casa” é um conceito que parece um tanto controverso no tal regimento. Ou você, leitor, não pode andar sem camisa dentro de sua casa? E consumir bebidas alcoólicas em casa, você pode? Mesmo que o local onde você mora seja alugado? “Que escândalo!”, urrariam os redatores do novo regimento.

Pois é, os estudantes maiores de idade que moram na Casa do Estudante da UFRGS podem ser impedidos de circular sem camisa ou beber nas dependências. Um moralismo antiquado que chega a ditatorial quando consideramos que nada disso foi – nem a Reitoria tenciona que seja – debatido com os moradores. Se o atual regimento nem existe legalmente – há anos a CEU é organizada através de regras regimentais não formalizadas – a proposta de mudança que a Reitoria tenta emplacar retira direitos até de participação dos estudantes na gestão da Casa. Segundo o blog Megafonadores,

Este novo regimento, além de ter sido elaborado sem a participação dos estudantes, é um retrocesso no que tange a gestão da casa. Se aprovado, a CEU não possuirá um conselho gestor com participação dos moradores. Tirando o direito dos alunos de, de forma representativa, deliberarem sobre questões de sua própria moradia.

Os moradores reclamam também de expulsões arbitrárias e de vigilância excessiva, que, para eles, configura a tentativa de “implementação de uma política de controle e repressão sobre os estudantes que necessitam de políticas de promoção social e não da criminalização e exclusão”. Outra questão prejudicial aos moradores se refere às novas regras para a permanência na Casa após a graduação. Hoje, é permitido que os formados continuem ali por até seis meses, prazo que pode ser reduzido para 60 dias. A política de estímulo à permanência na universidade, defendida pela Reitoria, também seria esvaziada, com o fim da permissão para alunos de pós-graduação morarem na CEU.

Localizada na avenida João Pessoa, uma das principais vias de Porto Alegre, a Casa do Estudante da UFRGS é, atualmente, o lar doce lar de 400 estudantes. Mas a doçura pouco tem a ver com a estrutura oferecida pela universidade. A quantidade de pias e fogões não supre a demanda, há infiltrações no oitavo andar e a segurança contra incêndios é criticada pelos moradores. Além disso, o segundo andar, antes ocupado por moradias, foi transformado em espaço da administração, para departamentos que antes ficavam no prédio da Secretaria de Assistência Estudantil. Essa medida, obviamente, reduz a quantidade de vagas oferecidas para moradia.

Esses e outros problemas estruturais, somados à tentativa de retirada de direitos e de imposição antidemocrática de um novo regimento, levaram os estudantes ao Campus Central da universidade, para protestar e propor um regimento alternativo. Ainda segundo o Megafonadores, “o Secretário de Assistência Estudantil, Edilson Nabarro, resolveu sair para conversar com os estudantes. Recebeu as reivindicações, mas não se comprometeu com nada. Disse não estar impondo esse novo regimento, mas também não quis saber do regimento elaborado e proposto pelos moradores da casa”.

O regimento informalmente em vigor pode ser lido AQUI.

A “proposta” da Reitoria pode ser lida AQUI.

A contra-proposta dos estudantes / moradores pode ser lida AQUI.

Mais informações no blog da CEU.
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Reações ante a ilegalização de Bildu / Reacciones a la ilegalización de Bildu

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Algumas reações coletadas no Twitter logo após a decisão do Tribunal Supremo decidir, por 9 votos contra 6 (e um parcial), pela ilegalização da coalizão nacionalista basca Bildu.

Algunas reacciones recogidas en Twitter poco después de la decisión del Tribunal Supremo de Justicia decidir, por 9 votos contra 6 (y uno parcial), declarar ilegal la coalición nacionalista vasca Bildu.

Desde franco repúdio, passando por comparações com o Franquismo até mensagens de apoio e força a todos. 


Desde franco rechazo, pasando por comparaciones con el franquismo hasta mensajes de apoyo y fuerza para todos.

Gora Bildu! Força a todos e todas de Bildu, a tod@s @s basc@s valentes que não deixarão de lutar por uma Euskadi livre e socialista!

Gora Bildu! Fuerza a todos y todas de Bildu, a tod@s l@s Vasc@s valientes que no dejarán de luchar por una Euskadi libre y socialista! 



É hora de uma união de forças Abertzales, que Hamaikabat, Aralar e PNV (e NaBai em Nafarroa), assim como Zutik e até o Ezker Batua-Berdeak retirar suas candidaturas e não aceitar participar desta armadilha chamada "democracia espanhola".


Es hora de uma unión de fuerzas nacionalistas, que Hamaikabat, Aralar y PNV (y NaBai en Nafarroa), asi como Zutik y hasta Ezker Batua-Berdeak retiren sus candidaturas y no accepten participar de esta trampa llamada "democrácia española".


Jo Ta Ke Independentzia!



































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domingo, 1 de maio de 2011

Alternância de Poder como instrumento de controle burguês

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Trigésima quarta coluna  para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Alternância de Poder como instrumento de controle burguês

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Alternância de poder é o nome bonito que a burguesia, a elite, usa para garantir que nenhum governo de Esquerda possa durar mais do que o tempo que esta elite permitir.


Alternância de poder é a forma pela qual a burguesia faz parecer que respeita a democracia, criada por ela, a mesmo tempo em que nada muda. De forma inteligente, transformam a alternância em algo ligado apenas à pessoa, ao indivíduo, mas jamais ao partido ou ao grupo político em si.


A idéia de alternância é corrompida por uma elite interessada em se perpetuar, e ao mesmo tempo, acaba demonstrando uma falha tradicional das esquerdas, que é a insistência em fabricar líderes personalistas e não uma variedade de quadros de renome.


A elite fabrica um número quase infinito de candidatos, investe quanto dinheiro tiver interesse neles e pode trocá-los de tempos em tempos, fazendo parecer que houve alguma alternância, quando, na verdade, mudou a figura teoricamente no poder, mas não a classe por trás, não os que se beneficiaram do governo e muito menos mudou o modelo, a estrutura.


A esquerda, por outro lado, tem a tradição de ter um nome forte, um Chávez, um Morales (até mesmo um Vargas para determinados grupos) que, ao buscarem se re-eleger - pois dificilmente fazem sucessores tão fortes quanto eles - são acusados pelas forças conservadoras de desrespeitar o princípio sagrado da alternância de poder, simplesmente porque seu modelo de governo não corresponde aos anseios da elite.

O fato de "democracia" significar, em termos eleitorais, que quem tem mais votos vence, sempre que o vencedor se opõe, mesmo que minimamente, aos interesses da elite, é tachado de ditador (ou ditatorial).
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Artigo completo no Diário Liberdade.
"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
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"Defenderei
a casa de meu pai"
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