sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Nelson Jobim: Não basta demitir, é fundamental investigar e processar

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SEGUEM ABAIXO ALGUMAS ANOTAÇÕES (APENAS DE MEMÓRIA) SOBRE O DOUTOR NELSON JOBIM. SUGIRO QUE A NOSSA IMPRENSA, BLOGS, SITES E OUTROS INSTRUMENTOS DA MÍDIA INDEPENTE, POPULAR E/OU DE ESQUERDA FAÇAM UM BELO PERFIL DESSE SENHOR QUE ORA DEIXA A DEFESA. É UMA FIGURA QUE NÃO BASTA DEMITIR: É FUNDAMENTAL INVESTIGAR E PROCESSAR. E, EM SENDO O CASO, BOTAR PARA BATER CANEQUINHA NO PAVILHÃO 8.

Alípio Freire

Temos novo ministro da Defesa: o ex-ministro de Relações Internacionais, o diplomata Celso Amorim. Elogiável (muito elogiável) a atitude e a escolha da presidenta Dilma Rousseff.

Desta vez o doutor Nelson Jobim, ministro da Defesa desde o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu demissão do cargo que jamais deveria ter ocupado.

Explico: um elemento que fraudou o texto da nossa Constituição (um falsário); e que, para se tornar ministro - juntamente com os seus parceiros - criou uma crise nos aeroportos (o tal "caos aéreo") até provocar a queda de uma aeronave, matando (na verdade um assassinato em massa) cerca de 200 pessoas em São Paulo, jamais deveria ocupar qualquer cargo numa República: esses dois epósódios são suficientes para se perceber um caráter sem escrúpulos, sem limites. Mais que isto, esses dois episódos são suficientes para que fosse processado, preso e cumprisse pena. Impensável uma pessoa com esse histórico acabar exatamente dirigindo as nossas Forças Armadas - responsáveis pela garantia da Constituição, da legalidade e das nossas fronteiras.

Ao longo do Governo do presidente Luiz Inácio, seu perfil de provocador se manifestou permanentemente, e sempre que ele quis. Já começou seu mandato afrontando a nossa Constituição travestindo-se com uniformes militares - um ministro da Defesa civil foi uma importante conquista da nossa Constituição. No momento em que o ocupante desse cargo assume e se adorna com os símbolos da velha ordem (no caso, da ditadura), está mais que dito a que veio: já aí o presidente Luiz Inácio, que jamais deveria tê-lo nomeado, teve a chance e deveria tê-lo demitido. Não o fez.

Prosseguindo cinicamente em suas provocações e desrespeito àqueles a quem devia lealdade, chegou ao ápice do desrespeito a todo o Governo do presidente Luiz Inácio, ao tentar - às vésperas do 31 de dezembro de 2009, quando as instâncias do poder e as organizações da sociedade civil brasileira estavam desmobilizadas - um golpe contra o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH). O miintro Vannuchi lançara, poucos dias antes do Natal daquele ano, o Terceiro Programa Nacional dos Direitos Humanos (3ºPNDH), aprovado e assinado pela maioria esmagadora dos ministros.

O ministro Vannuchi não caiu, mas o presidente Luiz Inácio concedeu que o 3ºPNDH - elaborado e aprovado a partir da participação de representantes da sociedade civil de todo o país - fosse mutilado ao belprazer do doutor Nelson Jobim que, na ocasião, ameaçou se demitir, com uma carta supostamente assinada pelos comandantes das três armas. Quando afirmo supostamente, refiro-me sobretudo ao comandante da Marinha, cuja assinatura - à época - foi desmentida publicamente, questão que jamais foi esclarecida a contento. Ainda que, com menos ênfase, e sem qualquer declaração oficial, comentários do mesmo tipo rondaram a veracidade da assinatura do comandante da nossa Força Aérea.

Além de ter como alvo o próprio 3ºPNDH, o golpe do impune doutor Jobim visava a disputa eleitoral de 2010 na qual, não por acaso, a campanha do candidato derrotado à Presidência, acabou elegendo como um dos eixos, a questão do aborto. Amigo pessoal e correligionário político-pessoal do candidato derrotado, nitidamente apoiador da sua campanha, sequer foi afastado do cargo durante aquele ano eleitoral (2010). Apenas, por orientação do presidente Luiz Inácio, retirou-se para um exílio dourado em Miami, onde certamente não se dedicou a esportes de verão, de primavera ou de inverno.

Não perdeu tempo: além de muito provavelmente ter prosseguido em conspirações com aqueles contra os quais deveria defender nossas fronteiras, às vésperas do segundo turno declarou publicamente que, não importava o candidato que fosse eleito, ele poderia ser o ministro da Defesa. Aliás, precisaríamos saber ao certo quais e como foram pagas suas despesas no balneário de luxo dos EUA, e da constiutucionalidade dessas despesas e pagamentos.

Mestre nesse tipo provocações, falcatruas e outros crimes (como o assassinato dos passageiros da recentemente), em suas entrevistas, passou a fazer sucessivas investidas contra a presidenta Dilma Rousseff, das quais dão conta as matérias que seguem abaixo. Certamente hoje dormiremos um pouco mais tranquilos: não apenas o doutor Jobim é o que é, como o embaixador e ex-ministro Celso Amorim é o novo responsável pela Defesa. Ainda assim, sugiro que continuemos atentos: o doutor Jobim é um provocador e é capaz de tudo.

Alípio Freire
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sonhos da noruega: O terror e o terrorismo da direita brasileira

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Anders Behring Brivik, o terrorista de olhos azuis e nórdico era cristão e de extrema-direita. Isto é um fato.Mas talvez isto não seja tão claro apra parte considerável da direita brasileira (e de cristãos brasileiros).

A reação dessa corja foi rápida e veio com força. Claro desespero para descolarem suas idéias das do terrorista, pese a notável semelhança entre elas. Na europa, alguns elementos da extrema-direita não conseguiram se segurar e aplaudiram o terrorista. Deixaram claro não defender a violência (e n[ós fingimos acreditar), masderam total apoio ao seu manifesto, especialmente no que toca a "necessidade" de xpulsar os muçulmanos e de que o multiculturalismo chegou ao fim - tese esta defendida mesmo por "moderados" como Angela Merkel e Sarkozy.

Aqui no Brasil, cristãos e direitistas vem fazendo seu contorcionismo para tentar disfarçar a satisfação que sentem ou para fingir que suas idéias não pdoem ser responsáveis por tamanhas atrocidades.

Reinaldo Azevedo, escrevendo sobre o Terrorista Cristão fez o possível para ligá-lo até com o PT, tentnado "provar" que ele não era de direita, não era um fanático, mas apenas um maluco que poderia ser comunista. Azevedo prefer,e em seu texto risível, acusar Zizek de defender o terrorismo e fala que o terrorista cristão, de extrema-direita, não pdoeria ser enquadrado como tal, pois esta categoria está superada...

Entendeu?

Nem o Azevedo, provavelmente.

No artigo que escrevi sobre o assunto para o Observatório da Imprensa, alguns comentários de cristãos surgiram para me acusar de ser desonesto, porque é óbvio que o Breivik não pode ser um "verdadeiro cristão"!

Vejam as pérolas:
Rubens Alves
Enviado em: 26/07/2011 18:38:07
O artigo exagera... No caso do norueguês (ou em outro caso qualquer), existiu algum LIDER CRISTÃO (um bispo, qualquer um com controle de multidões) incentivando o uso da violencia e ate treinando terroristas?... No caso do Islam, ha varios líderes religiosos, inclusive lideres de países, incentivando o uso do terror em nome da religiao. Existem lideres catolicos assim? Quais? O noruegues era catolico, mas ele encontrou lideres catolicos pelo mundo concordando e corroborando as ideias dele?... Acredito que nao. É mais um caso isolado, do que a representacao (ou o modus operanti) de alguma facção do catolicismo em si.

Max Suel
Enviado em: 27/07/2011 10:15:18
NÃO, esse demente assassino norueguês pode ser tudo menos CRISTÃO. O verdadeiro Cristão segue os preceitos do Cristo: Amar ao próximo como a ti mesmo .... amar vosso inimigo .... É uma tremenda estupidez ou má-fé dizer que o maluco é Cristão. (Max)

Tércio Oliveira
Enviado em: 27/07/2011 12:40:12
Caro Raphael, todos estamos sujeitos ao erro. E é difícil reconhecer quando nós somos a parte errada. Não digo isso para explicar o estado de estouvamento da mass midia. Mas sim, sem ousar considerar-me superior, queria direcionar algumas considerações a teu texto. A impressão que senti (e existe a possibilidade de que haja sido apenas uma interpretação particular e errônea- ou correta) é que mais que buscar uma reforma, necessária e desejada dos meios de comunicação, ou simplesmente fazer uma crítica, tu usaste teu texto para impor tua cosmovisão de mundo. Senti que para defender a imagem a islâmica foi necessário atacar o cristianismo. E sabe, eu sou cristão. E me senti atacado. Mas o que me deixou triste não foi isso. Senão que os nomes "cristão", "cristianismo"... derivam do Nome de um Amigo meu: Cristo. E se alguma vez você tiver a oportunidade de ter uma Bíblia em mãos, como bom jornalista investigativo que tu és, estuda a vida de Cristo e verás que de forma alguma os atos do Anders Behring Breivik tem relação com o cristianismo. Aqui cabe um sincero pedido de desculpa da parte dos que invocamos o Nome de Cristo, porque hemos manchado seu Nome. Indo um poco mais longe, analisa o Manifesto que o Anders Breivik escreveu e você verá que ele foi motivado por outra filosofia. Transcrevo algumas partes aqui: “Marriage is not a ‘conspiracy to oppress women’, it’s the reason why we’re here. And it’s not a religious thing, either. According to strict, atheist Darwinism, the purpose of life is to reproduce.” “Nevertheless, people who are very short sighted will consider these policies quite cynical or darwinistic. However, long term, it is the most humanistic and responsible approach.” "‘Logic’ and rationalist thought (a certain degree of national Darwinism) should be the fundament [sic] of our societies.” Lendo as declarações dele pensaria que- a menos ele padeça alguma grau de esquizofrenia, oligofrenia, outra psicose ou alguma patologia que desestabilize sua função mental- que nem mesmo ele se consideraria um cristão (pra fazer o que ele fez, acho que ele tá enfermo). E, Raphael, me pareceu que usaste o texto como plataforma para defender os direitos homossexuais, a cambio de atacar os cristãos. Me parece mui digno defender os direitos de todos. Mas se para defender os meus necessito inferiorizar o outro, atacá-lo, desejar destruí-lo... sou mais um norueguês loiro e com idéias que necessitam reformas urgentes. Digo isso porque o cristianismo, como tal, não tem nada parecido com perseguição. Olha a história e verás que os verdadeiros cristãos foram perseguidos (valdenses, albigenses, entre outros). Outro sim, como cidadão, deve ser dado direito ao cristão, como ao homossexual de defender seu ponto de vista. Liberdade inerente dada não pela constituição, mas pelo próprio Deus. E visto que as duas cosmovisões não se harmonizam, pois desde já são contrárias, devem encontrar uma solução prática para a convivência sem que haja opressão de uma parte ou outra. Muito utópico que isso passe num mundo de pecado. Por isso Jesus, o Cristo da Cruz, vai voltar. E Raphael, com todo o amor que Ele tem, Ele também vai julgar os atos de todos os homens. Por isso devemos viver sob Sua jurisdição, Sua Lei.
Ao que respondi:
Max, Tércio e Rubens: O Terrorista se declara cristão. Diz agir em nome do cristianismo. Se é a visão deturpada dele do cristianismo ou não, são outros quinhentos. O engraçado é que quando um muçulmano mata, logo o islamismo é apontado como culpado. Mas se um cristão mata por sua religião ( ou visão deturpada dela), ele deixa de ser cristão porque "não segue o verdadeiro cristianismo"? E desde quando homens-bomba muçulmanos seguem o verdadeiro islamismo? A crítica aqui não é sobre o cristianismo, mas sobre a discrepância no tratamento dado pela mídia que esconde o fato dele ser não só cristão, como dizer estar numa cruzada enquanto templário, mas não tem constrangimentos em apontar o dedo em direção ao islamismo quando lhe convém. Quanto ao cristianismo dele não ser o "verdadeiro", bem, cada um tem sua visão, mas não vejo grande diferença dos escritos dele para o de muitos fundamentalistas - inclusive deputados federais - aqui mesmo no Brasil.
E recebi a tréplica revoltada:
Max Suel
Enviado em: 28/07/2011 11:54:17
Sr. Raphael Garcia: parece que o Sr. ainda não entende bem o que seja um CRISTÃO. Um verdadeiro Cristão não quer o mal e não faz o mal para nenhuma pessoa. Pode ser realmente difícil encontrarmos um verdadeiro cristão, tendo em vista nossas imperfeições; porem, a doutrina do Cristo prega o amor entre as pessoas. Esse maluco terrorista não pode ser considerado um verdadeiro cristão pelos atos que praticou. Não sei se os terroristas do mundo árabe são verdadeiros muçulmanos (acho que não) porque não conheço os fundamentos do Islamismo; mas pelos testemunhos de muitos muçulmanos não acretido que sua doutrina pregue a violência contra a humanidade. Concluindo e voltando: o demente terrorista norueguês não pode ser considerado cristão, mesmo que ele afirme ser cristão, pois como disse , um cristão verdadeiro não faz o que ele fez.
Os cristãos parecem não compreender que POUCO IMPORTA a visão DELES de cristianismo, e sim que o terrorista tinha a sua própria e que, nem de longe, é deslocada ou isolada.

Se seguirmos o raciocínio dos que dizem professar o (ou este) "verdadeiro cristianismo", as Cruzadas e a Inquisição não eram instrumentos cristãos de dominação e terror. Mas curiosamente, uma boa parte de cristãos não vê problemas ou falseamento na defesa da homofobia e do preconceito, ainda que muitos tenham horror ao racismo e escravidão, esquecendo que a Igreja Católica o defendia ativamente por séculos.

Me passaram por e-mail um blog chamado Janer Cristaldo, em que o autor de um risível texto afirma que os ataques na Noruega favoreceriam o "obscurantismo das esquerdas européias". O autor deixa claro concordar com basicamente TODAS as afirmações do terrorista (em especial que os muçulmanos deveriam ser expulsos da europa), mas para não se comprometer, o chama de louco por ter escrito um manifesto de 1500 páginas. Ok, se fosse menor seria mais aceitável?

A direita e muitos cristãos ficaram perdidos, vendidos com os atentatods na Noruega, pois foram feitos sobre uma ideologia e sobre idéias que defendem e professam. Triste para estes "escapistas" é que outros admitem, com tristeza, a verdade.

Já a mídia tradicional, claramente alinhada com interesses conservadores da pior espécie, preferiram em grande parte nem dar conversa e esconder referências claras do atirador ao seu cristianismo e à sua ideologia tão próxima da de "expoentes" tupiniquins.

Só precisa esconder ou falsear a realidade aqueles que tem pontos demais em comum com o terrorista, cristão e de extrema-direita.

Alguma dúvida?
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Homofobia no México e a "intervenção" da OEA

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Uma pergunta aos meus caríssimos amigos petistas e não petistas que defendem Belo Monte e acusaram a OEA de ser intervencionista por ter condenado o Brasil, se dizem o mesmo da condenação, em maio, do México no mesmo organismo por não proteger de violência sua comunidade LGBT:
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou nesta terça-feira o assassinato de Leija Herrera, militante pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais (LGBT) no México, cujo corpo foi encontrado com golpes na cabeça que lhe desfiguraram o rosto.
Em um comunicado divulgado em Washington, a comissão pertencente à Organização dos Estados Americanos (OEA) disse que recebeu informações de que o ativista teria sido encontrado morto na madrugada de 4 de maio próximo do antigo Palácio de Justiça de Chilpancingo, na cidade de Chilpancingo, capital do Estado de Guerrero.
A CIDH defendeu que 'é obrigação do Estado investigar acontecimentos desta natureza e sancionar os responsáveis' pelo assassinato do militante, de 33 anos. 
[...]
A comissão também pediu às autoridades mexicanas que adotem 'de forma imediata e urgente todas as medidas necessárias para garantir o direito à vida, à integridade e à segurança dos defensores e defensoras dos direitos das pessoas lésbicas, gays, trans, bissexuais e intersexuais'.
Aliás, vale uma distinção: Trata-se não da OEA, mas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, virtualmente/formalmente independente.

Será que se trata de mais um caso absurdo, terrível e intolerável de intervenção contra a soberania do pobre México? São os EUA tentando invadir o México através da defesa da comunidade LGBT?

Engraçado que muitos dos que agora se revoltam apoiaram a decisão da Corte Interamericana contra o Brasil no caso da Anistia e provavelmente encontrarão alguma desculpa para concordar com a decisão da Comissão de condenar o México. Ou melhor, possivelmente manterão o mais completo silêncio, mesmo se questionados.

E, sempre é bom lembrar, muitos ainda comemoraram a ingerência absurda do Miguel Insulza, Secretário Geral da OEA sobre a Comissão, tentando forçá-la a rever sua decisão, algo sem precedentes. Uma ingerência criminosa do principal líder da OEA sobre um organismo formalmente independente.

Estamos diante de um movimento grotesco do Brasil que ameaçou se retirar e cortar financiamento da Comissão para que esta tome decisões de acordo com suas vontades.

A Anistia Internacional, por sua vez, condenou as declarações de Insulza e sua tentativa de intervir na Comissão. Engraçado que quem me passou a notícia a entendeu errado, como se a AI estivesse apoiando a intervenção. Vendo que estava errado, passou a condenar a AI e colocar no mesmo saco de outras "agências americanas".

Imaginemos um cenário hipotético em que um país é desafiado por um organismo internacional relevante que se opõe a seus interesses. Digamos que este país tenha a intenção de ir contra os direitos humanos de uma população vulnerável, indefesa cuja única forma de reagir é através de um, organismo internacional.

Este organismo condena este país que, como todo bom imperialista, passa por cima de sua decisão, mas não sem antes fazer ameaças. Esta história lembra alguma coisa? Os EUA talvez, durante a invasão ao Iraque?

Não, o Brasil. O país copia EUA e joga multilateralismo no lixo.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Marina Silva e a "Natureza Humana": Teologia e extrema-direita

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Li e gostei muito do texto de @msfelippe sobre recente artigo de Marina Silva (que representa um perigo real de medievalização do Brasil) para a Folha (sempre ela!) em que esta coloca a responsabilidade pelos atos do Terrorista Cristão, na Noruega, na "Natureza Humana".

Segundo Marina, o Fascismo poderia ser explicado simplesmente pela natuerza humana, que nos torna a todos inerentemente ruins e, segundo leitura do autor do blog, isto carregaria um discurso fundamentalista cristão na idéia de que precisamos ser salvos ou adotar um discurso religioso - devemos aceitar deus, enfim - para escapar a esta condição ou natureza.
Por que Marina Silva fala de uma natureza humana contaminada pelo mal, inexorável? Minha opinião é que ela está traduzindo nesta expressão sua visão teológica do mundo. A natureza humana, sendo contaminada, determina que a única possibilidade de salvação reside em alguma confissão religiosa que tem a “chave do reino”. Então, em vez de dizer “combatamos o fascismo”, embute, disfarçadamente, um apelo religioso.
Não discordo, mas iria além.

Marina Silva é uma fundamentalista religiosa do bem, segundo o autor, quer dizer, não professa um fundamentalismo violento, que busca eliminar as diferenças pela força, mas ainda assim, possui uma visão de mundo pautada por uma religião medieval, com uma visão de mundo ultrapassada e incompatível com a modernidade.

Marina não escapa de tentar impor sua visão, mas tenta de forma simpática. E convence a muitos desavisados. Mas o fato de professar a não-violência não garante que seus seguidores sejam tão pacifistas quanto ela. Professar ideais de ódio (como se opor à criminalização da homofobia) é o mesmo para fundamentalistas do bem ou não.

Mas Marina vai além da mera teologia e desvela um pensamento tipicamente conservador, direitista. E, em muitos casos (quase todos), fundamentalismo religioso é o par perfeito de pensamentos políticos conservadores, pois ambos partem de uma mesma análise da sociedade, a de que somos todos reflexo de nossa natureza, que é a competição, é o tentar ser sempre superior e melhor que os demais.

A religião institucionalizada nada mais é que a hierarquização dos indivíduos em categorias, em grupos de mais ou menos poder. Em mandantes e ovelhas. E assim é o capitalismo.

E, mais ainda, vem da negação da influência das condições sociais, do ambiente, em que se inserem os indivíduos.

Não há nada mais comum no pensamento classe-mediano que a defesa da pena de morte pro "marginal e favelado" que assaltou a madame no sinal. A natureza humana nos torna ruins, então este 'marginal" tem que ser preso - ou morto - porque não tem jeito.

É o discurso que passa por cima da condição social do "favelado", adotado para dar uma "solução final" ao "problema". Apenas cria mais e novos problemas.

Na franca maioria dos casos (não digo em todos porque de fato existem psicopatas e pessoas irrecuperáveis), um assaltante que saiu da favela o é não por ser ruim, mas porque não conehce outra vida, porque foi humilhado por toda a vida. E, claro, estou sendo simplista pois o objetivo do texto não é o de tratar de condições sociais, mas mostrar que estas existem e são preponderantes.

Motivos para se cometer um crime são milhares, mas garanto que nenhum deles designado no nascimento, nenhum definido pela natureza humana ou por algum contrato social hobbesiano.

Enfim, não discordo do componente messiânico, fundamentalista, teológico colocado pelo autor do texto, mas vou além, colocando também a questão da natureza humana como uma arma usada pela direita (ou pelas direitas) para denunciar a inutilidade de políticas sociais, de inclusão...

E para justificar atos de fanáticos ligados ideologicamente a ela (ou elas) como se fosse apenas uma questão de natureza humana, logo, sem relação com a pregação fanática dos ideais de mercado.

Mas a questão vai muito além.

É o discurso típico de uma direita que luta com unhas e dentes contra qualquer tipo de políticas sociais, de inclusão, da busca por uma efetiva igualdade entre todos.

A natureza nos faz a todos desiguais, nos faz caçadores, lobos e cordeiros, logo, a própria natureza é contrária a qualquer tipo de inclusão, de política compensatória, cotas ou mesmo de acesso.

O pobre nasceu pobre e deve morrer pobre, pois assim diz a natureza. Se melhorar de vida foi porque lutou, porque soube aproveitar as oportunidades ou as fez aparecer. Qualqeur coisa além disso é ir contra a suposta natureza humana.

Egoísmo é a palavra de ordem.

Ou seja, sob a desculpa da Natureza Humana, a direita baseia sua ideologia. E Marina Silva faz coro, agregando teologia e medievalismo à seu já indigesto ideário. Porém ela o faz de forma palatável para uma classe média necessitada de uma corda de salvação.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Não-violência enquanto tática, uma visão histórica e o caso palestino

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Quando falamos em Não-Violência, logo nos vem a mente as figuras de Gandhi e de Nelson Mandela e, para quem tem em mente a Palestina, os casos das vilas de Bil'in, Ni'lin e vizinhas na Cisjordânia.

Mas até que ponto a não-violência tem efeitos práticos e, também, até que ponto os exemplos comumente citados são realmente válidos?

Quando falamos em Mandela, nos lembramos apenas do período em que este esteve na prisão por "atividades subversivas" - sem jamais nos perguntarmos quais atividades eram estas - e do período posterior, de abertura política, negociação e, graças ao filme "Invictus", da copa do mundo de Rugby nos anos 90. Mas voltemos às "atividades subversivas" por um momento. Mandela, ao contrário do que muitos pensam, nunca foi um pacifista, mas um pragmático que foi líder do braço armado do CNA (Congresso Nacional Africano), o Umkhonto we Sizwe, ou Lança da Nação, responsável por dezenas de mortes durante o regime do Apartheid.

O que se vê é que Mandela utilizou a não-violência apenas quando sentiu que esta era a tática mais correta no período em que se encontrava, e mesmo assim, o grupo apenas suspendeu suas atividades em 1990. Mandela e o CNA erma considerados terroristas pelo governo Sul-Africano, da mesma forma que o partido nacionalista basco Batasuna (alegado braço político da ETA) e o Hamas ou até mesmo a Fatah. É fácil notar que a não-violência era apenas uma tática, mas não a base ideológica do movimento anti-Apartheid ou mesmo de Mandela.

O caso da Fatah, aliás, é emblemático, notamos que, mesmo ainda mantendo um braço armado, as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, o grupo já não mais é considerado terrorista por EUA ou Israel, um novo inimigo foi encontrado e, no geral, o grupo foi domesticado, tendo adotado uma tática mais pacifista nos últimos tempos.

O caso de Gandhi é ainda mais interessante, pois ainda que ele fosse efetivamente pacifista e adepto da não-violência, era apenas mais um dos que lutavam pela independência do então Raj Britânico e, cabe lembrar, ele havia lutado como comandante das tropas voluntárias indianas contra os Zulus na África do Sul em 1906. Gandhi tornou-se a figura mais emblemática, a figura pública que humilhava os conquistadores ao não reagir à violência. Mas poucos conhecem Chandrasekhar Azad ou Bhagat Singh, ambos heróis indianos, mortos pelos ingleses, que pegaram em armas para lutar contra o Império conquistador e que, na Índia, são venerados como heróis e são objeto de grandiosos filmes de Bollywood, como Rang de Basanti ou The Legend of Bhagat Singh.

Para o mundo, Azad e Singh são figuras desconhecidas, mas localmente tiveram uma enorme influência e foram apenas as figuras mais destacadas a usar a violência contra o Reino Unido, assim como Ram Prasad Bismil ou Ashfaqulla Khan. Ainda é polêmica na Índia a suposta recusa de Gandhi em intervir no enforcamento de Singh, em 1931, onde ele é acusado até de conspirar com o Raj, ainda que À época Gandhi não tivesse influência sufuciente para evitar o enforcamento de Singh.

O Raj Britânico finalmente caiu em 1947, mas não graças unicamente aos esforços de Gandhi, mas muito mais pela situação do Reino Unido pós-Segunda Guerra e também pela violenta resistência enfrentada pelo Império em várias outras regiões.

Ainda falando do Reino Unido, é possível ainda diferenciar uma tática pacifista, não-violenta, de uma luta maior, caso de Bobby Sands, membro da IRA e do parlamento britânico que, preso, morreu em greve de fome em 1981, angariando um apoio nunca visto à sua causa. Sua greve de fome foi a tática encontrada para sensibilizar a opinião pública, para constranger o governo da coroa e, ultimamente, para conseguir o objetivo pessoal de libertar a Irlanda do Norte. Vale ainda considerar que a greve de fome em si não deixa de ser uma espécie de violência: Do grevista contra si mesmo, mas de forma consciente e voluntária, e do Estado opressor que não se move para evitar que esta violência continue e apenas a incentiva ao não fazer nada. A luta da IRA, vale lembrar, não teve pausa.

Como se vê, a idéia da não-violência é uma tática, mas não um princípio, ou, ao menos, não deve ser levado como um princípio. Outros exemplos interessantes de uso da violência contra violência podem ser encontrados nos Irmãos Bielski que lutaram contra os Nazistas em Belarus (história contada no filme Defiance, de 2008), ou o levante do Gueto de Varsóvia, que, juntos, colocam em cheque a idéia de que todos os judeus da Europa aceitaram calados seus destinos e que, como pobres vítimas, merecem um território tomado de outro povo - contrariando o ideário Sionista de "um território sem povo para um povo sem território".

O que teria sido dos vietnamitas se não resistissem à invasão dos EUA?

Chegando ao Oriente Médio, podemos notar que a resistência pacífica dos habitantes das pequenas vilas de Bil'in, Nil'in ou outras resultou em ganhos efetivos, mas locais, limitados e longe de satisfatórios para toda a população. O ganho, na verdade, é moral, mais que material, o que de nada serve quando o inimigo costumeiramente dá as costas para o Direito Internacional, para a ONU e para a opinião pública mundial.

O documentário da brasileira Julia Bacha, Budrus, nos dá uma visão panorâmica e privilegiada da primeira vila Palestina a efetivamente se valer da tática de não-violência para vencer o exército israelense. O que fica claro do filme é que a vila escolheu este caminho principalmente pela completa falta de opções. De população reduzida, desprotegida e frágil, não havia qualquer alternativa senão a de protestar pacificamente e esperar pelo apoio de ativistas israelenses e internacionais - o que aconteceu.

De resultado, conseguiram mudar o traçado do Muro da Vergonha, mas, no geral, foi uma vitória tímida frente à toda  ocupação e assentamentos nos territórios palestinos. enquanto tática, funcionou, mas a não-violência dificilmente traria os mesmos resultados que a dura resistência do Hezbollah contra Israel durante a ocupação do sul do Líbano e na guerra de 2006.

Apenas para ilustrar, podemos trazer o caso basco para um rápido debate. Mesmo nos períodos de trégua da ETA, a violência estatal continuou à toda. Não importava que a tática do momento fosse a negociação e a deposição das armas, a resposta da Espanha era sempre a mesma, mostrando a inutilidade da não-violência enquanto tática no caso específico e também que a não-violência não pode ser tomada como filosofia.

O Hamas jamais teria chegado até onde chegou se não usasse um misto de filantropia islâmica, de ajuda humanitária e de respostas violentas e provocações contra Israel. Até 2004 - data do último atentado suicida perpetrado pelo Hamas -, a tática em voga era a do uso de homens-bomba contra Israel por cada Palestino morto. à época, os ataques forçaram Israel a negociar e tiveram o resultado de elevar a presença do grupo entre os Palestinos, de mostrar que a violência israelense não seria tolerada sem respostas e, acima de tudo, em fazer afundar os Acordos de Oslo de 1993 - no que foram bem sucedidos.

A não-violência é, enfim, uma tática, e com otal deve ser analisada conjunturalmente, cada caso é um caso. Usada de forma exclusiva dificilmente surtirá efeito mais do que local ou transitório. Contra a violência de um Estado, de um grupo, dificilmente apenas a não-ação, ou a greve, ou a desobediência civil irão resultar em algo totalmente satisfatório.

Até mesmo a Flotilha humanitária para Gaza, que tinha objetivos totalmente pacíficos, acabou envolta em um conflito - desigual - entre israelenses fortemente armados com fuzis, sub-metralhadoras e armaduras e ativistas "armados" com facas e bastões. Mesmo que a tática no momento fosse a da não-violência, no fim fogo foi combatido com fogo e o número de mortos poderia ter sido ainda maior a contar pela vontade israelense de dar um exemplo. Contra um inimigo violento, a primeira tática é tentar desarmá-lo, o que por si só é uma forma de violência e, não resultando em nada, deve-se buscar defender a própria vida usando as armas que se tem no momento. Nem toda situação é propícia para uma ação ao estilo Gandhi.

Os mortos no confronto, aliás, acabaram por dar uma visibilidade à causa e ao movimento em si que não seria possível sem as mortes dos ativistas. Apenas comparemos a Flotilha com o Rachel Corrie, navio que foi abordado por Israel dias depois sem qualquer violência. Quantos ouviram falar deste navio e qual foi a reação internacional? A violência desmedida de Israel foi denunciada, filmada e divulgada e horário nobre para todo o mundo e ficou provado o caráter do Estado que é responsável pelo primeiro genocídio do século XXI e mais longo até então. A resistência é um direito legítimo e toda tática deve ser empregada em seu momento certo sem que, porém, qualquer uma das táticas - seja o uso de homens-bomba ou a não violência - se sobressaia ou se torne uma ideologia e ponha, assim, tudo a perder.
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