Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral...
Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
Já ha algum tempo o PT vem incessantemente falando da necessidade de uma reforma política.
Concordo. Mas acredito que minhas razões sejam diferentes das dos dirigentes petistas.
Acredito que precisamos de amplas reformas na política brasileira, como introduzir o financiamento público para campanhas, ampliar a fiscalização, punir mensalões e caixas 2 com rigor extremo, procurar um melhor sistema que proporcione representação real à população....
Mas acima de tudo é preciso garantir um mínimo de democracia partidária, para que a população não seja refém de burocracias e direções partidárias viciadas e corruptas.
Mas sabemos como é a política brasileira. Boas intenções e idéias costumam mascarar os reais interesses dos "do andar de cima", que raramente são os mesmos dos nossos.
O PT é um dos partidos que defende o sistema de voto em lista fechada, ou seja, em que os filiados do partido em teoria decidiriam os candidatos e sua ordem. Caberia ao povo apenas votar no partido:
Proposta do PT que é defendida por boa parte da esquerda, propõe que os
votos para deputado sejam dados aos partidos, que definiriam listas
determinando a ordem de entrada dos candidatos a deputado definidos pelo
partido, de acordo com a proporção de votos.
Neste sistema, uma ampla democracia interna seria minimamente necessária. Mas se isto seria pedir demais para o DEM e o PSDB.. e mesmo para o PT!
Ao mesmo tempo em que a direção do partido defende este modelo, caminha a passos largos para neutralizar a militância de esquerda, tornando o PT um partido de caciques e consolidando a social-democracia de suporte ao capitalismo como ideologia central. Um socialismo cor-de-rosa, em que o capitalismo é sustentado sob o falso manto de um Estado de bem-estar e de consumismo/endividamento popular.
Com a saída dos “esquerdistas” que organizaram os seus próprios partidos (PSTU, PCO e PSOL) a linha da tendência majoritária (Construindo um Novo Brasil –CNB) vem se apropriando de todas as instancias partidárias e levando consigo o grupo menor denominado de Mensagem ao Partido. O que demonstra que a outrora “democracia petista” vai, aos poucos, sendo sepultada e em seu lugar vai sendo edificada a política do pensamento único, monolítico. Não há mais lugar para velhos debates teóricos e programáticos e nem para as disputas ideológicas que marcaram a história do PT.
O PT do século 21 é uma sombra desfigurada daquele partido que conseguia
aglutinar milhões de trabalhadores, estudantes e a juventude em geral. O
PT deste século é o partido do “lulismo” e do “dilmismo”. É o partido
das alianças espúrias, dos acordos secretos e dos conchavos com as
classes dominantes. Mais que partido da ordem o PT é o partido do
pragmatismo radical. Danem-se antigas bandeiras, antigos sonhos e
princípios. O que guia o partido não é mais o velho sonho socialista. Em
seu lugar cresceu uma espécie de monstro institucional calcado no
maquiavelismo distorcido pelos interesses políticos e econômicos dos
atuais donos da legenda. Até podemos afirmar que o PT é hoje uma pequena
oligarquia.
Por trás desta defesa das lideranças do PT ao sistema de voto em lista fechada, se esconde um profundo processo de burocratização e "desempoderamento" da militância.
O PT de hoje, de seu IV congresso, é o PT que mantém Ana de Hollanda destruindo a Cultura, que aposta em um PNBL que garante apenas o lucro das teles em detrimento dos interesses do país e da população, que investe em latifundiários e em obras faraônicas ao invés de na Reforma Agrária e no real desenvolvimento do país, e que investe em educação privada sem qualidade em detrimento de um ensino público de qualidade e mancipatório, precarizando a mão de obra dos professores.
No papel alguns lampejos do antigo PT, como a tese do controle social da mídia, mas sabemos que tudo não passa de balela. É o pão e circo da direção petista para uma militância cada vez mais apáticae cordata.
Alguns efetivamente vendidos.
Questões cruciais, como o direito das mulheres sobre seu corpo (aborto, por exemplo), Reforma Agrária, democratização da mídia, direitos LGBT's e etc ficam bonitos no papel, mas de lá não sairão. Os evangélicos, Garotinhos e Magno Maltas que o digam!
Mas uma das maiores demonstrações da falsidade do discurso das lideranças petistas está na Reforma Política.
Ao mesmo tempo em que defendem as listas fechadas, sob a tese de que automaticamente levariam a uma maior democracia interna e comprometimento dos políticos com as teses dos partidos (eliminando diferenças e suprimindo tendências, ao invés de garantir a pluralidade responsável), propõem uma diminuição significativa e absurda da democracia interna partidária ao dificultar e virtualmente eliminar a possibilidade de prévias internas.
A partir de agora, os diretórios municipais ou estaduais poderão barrar
as prévias caso haja apoio de dois terços dos dirigentes.
Neste caso, o candidato do PT a prefeito, senador, governador ou
presidente será definido em encontro de delegados do partido, e não por
voto direto dos filiados.
A mudança atende a desejo da ala majoritária do partido. Em São Paulo, o
ex-presidente Lula tenta convencer outros prefeitáveis a abrir mão da
disputa em favor do ministro Fernando Haddad (Educação).
A definição sobre o sistema de escolha de candidatos criou, na prática,
dois tipos de prévias. O sistema atual de prévias fica mantido, com
consulta a todos os filiados. Nos casos em que 2/3 do Diretório
Municipal decidir pela não realização de prévias, será feita uma eleição
de delegados do partido na cidade. Os delegados então escolherão o
candidato, numa prévia indireta.
Dilma foi escolhida por Lula para ser presidente, não pelo partido ou pelos militantes. Apenas a vontade de um ou um grupo de dirigentes se impôs sobre todo o partido e sua história, e agora tudo se torna oficial. As direções irão decidir os candidatos, sem prévias, com o consentimento forçado da militância.
É realmente uma festa da/de democracia.
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E será ainda maior se apoiarem o PSD do Kassab. O Congresso do PT não vetou a possibilidade de coligação.
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Recentemente o Paulo Teixeira comentou sobre a iniciativa do PT em defender o Voto Proporcional Misto, ou seja, modelo proporcional de voto em lista fechada e em candidato. Além disso, é preciso lembrar que o PT, ao menos, faz a defesa da paridade entre homens e mulheres, ou seja, um candidato homem para uma candidata mulher, o que é louvável e, claro, não surpreende que tenha vindo do Paulo, um político competente e honesto.
Depois de anos se falando na tão aguardada e desacreditada reforma da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, eis que nos deparamos com o "lado b" da situação, o lado ruim e, enfim, o lado capitalista.
Nada vem de graça. Os comerciantes e moradores da Praça passaram anos exigindo que algo fosse feito para revitalizar a área, para garantir a segurança e permitir que se caminhasse sem medo de ser vítima de violência no entorno.
A reforma, enfim, saiu. Para alegria de todos. Mas apenas por um tempo.
A Praça está, com boa vontade, na metade da obra. Tudo demolido e apenas começando a construir os canteiros e a estrutura básica de suporte para as obras que ainda virão, como o posto da GCM, da PM, floriculturas, espaços para árvores e etc. Mas desde já a especulação imobiliáia faz vítimas
A HQ Mix, livraria já famosa na Praça deixará o local. Os teatros estão ameaçados (exceto o Parlapetões, que é dono do imóvel) e até o tradicional PPP (Papo, Pinga e Petisco), bar sempre lotado, está ameaçado de despejo. Arazão? A sanha capitalista dos donos dos imóveis que preferem passar meses com o local desocupado à procura de quem pague os preços exorbitantes pedidos pelo aluguel a manter os negócios abertos.
Longe de se tratar de uma defesa dos comerciantes em si, a defesa da manutenção dos negócios abertos - teatros, bares, livraria e etc - é a defesa da vida da Praça. Foram os teatros e os bares quem, inicialmente, começaram o processo de revitalização de um local que era perigoso e sem vida.
Saindo a razão da vida que garante movimento de dia e de noite, trazendo segurança, fama e mesmo diversão ao local, os moradores ficarão novamente reféns andando por ruas escuras e pouco movimentadas.
Achar que base da PM ou da GCM garantem segurança é colocar demais fé em duas organizações que sequer deveriam existir. A Praça manteve, por anos, uma delegacia na sua ponta que liga à Consolação e nem por isso havia garantia de segurança.
A igreja contratou um segurança e colocou um rottweiler nos fundos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras afirma que dez guardas particulares fazem a segurança da praça. E a Polícia Militar diz que há policiamento 24 horas, duas câmeras e que, nos últimos três meses, não houve nenhuma ocorrência na Roosevelt.
Eu NUNCA vi mais de um segurança durante a noite, caminhando vez ou outra pela praça e só. E não há nenhum policiamento por parte da PM, apenas durante a noite e só nos fins-de-semana, quando o movimento é maior. Mas uma mentira da PM não é novidade.
No vídeo que abre o post, o Mario Bortolotto, que foi baleado dentro do Parlapatões (e a tal delegacia na esquina da Praça estava lá), comenta com conhecimento de causa: De que adianta a prefeitura trazer árvore e banquinho pra praça se o comércio fechar?
A Praça reformada é pra trazer vida pra região e não afastar aquilo que traz o movimento e a animação. Muito preocupante! Até os teatros tão ameaçados pela especulação, ou seja, aquilo que fez a Praça voltar a ter vida e sentido.
Os teatros, no entanto, temem que a obra eleve demais os aluguéis. Dos sete que estão na praça, o grupo Parlapatões, que no ano passado atraiu uma plateia de 30 mil pessoas, é o único proprietário do imóvel que ocupa.
Esta especulação imobiliária sem sentido, criminosa, que alguns chamam de "livre mercado" não pode ficar impune, ou melhor, os donos de imóveis, canalhas, deveriam ser interpelados e forçados a respeitar a comunidade da Praça.
"Já houve muitos projetos. Agora, eu só acredito vendo. Se não houver zeladoria, a área vai continuar abandonada", afirma a aposentada Bartira Cataldi Rocha, 68, que cresceu na região.
O mais assutador é ver que d polo cultura, a Roosevelt pode virar apenas um local de passagme pra quem quer cortar o cabelo:
Até quem passou por maus bocados pensa em voltar. É o caso do salão Jacques Janine, que funcionava ali na década de 1990. "Chegou uma hora em que os clientes não queriam ir até a praça. Agora, temos uma linha popular e penso em abrir uma unidade ali", diz Thony Rodrigues, sócio-proprietário da nova marca, a Basic Beauty.
Já existem dois salões, um deles que vive às moscas, ao lado da HQ Mix. A Praça realmente precisa de um terceiro concorrente (contando que na rua de trás, Nestor Pestana, há ainda outros 2 salões)?
O barulho e a movimentação até altas horas são as principais reclamações de quem vive nos prédios. "Algumas pessoas esquecem que há gente nos andares de cima. Esperamos que o bom-senso predomine e se chegue a um meio termo. Tenho janela antirruído e, mesmo assim, muitas vezes ainda escuto o barulho", diz Fábio de Siqueira Branco.
Pese as críticas que existem ao modelo de reurbanização do centro, é inegável o relativo sucesso do retorno à vida da Praça Roosevelt e a necessidade da manutenção deste polo cutural. Apesar de alguns insatisfeitos, a grande maioria não quer a volta da terra de ninguém anterior. Um pouco de barulho compensa.
A praça é nova Ainda envolta em tapumes, obra milionária na Roosevelt já causa impactos na vida de moradores e comerciantes
Filipe Redondo/Folhapress
Operário caminha sobre a antiga estrutura da praça
NATÁLIA ZONTA No fim da tarde, o entra e sai de caminhões termina e as calçadas da praça Roosevelt, no centro, começam a ficar cheias. O "happy hour" no boteco La Barca reúne engravatados, jovens atores e um travesti. Comum nos dias de hoje, essa cena era rara em 2000, quando o primeiro teatro chegou ao endereço para disputar espaço com traficantes e prostitutas. Vivendo mais altos do que baixos desde então, a praça está prestes a mudar novamente.
Há quase um ano, a prefeitura está reformando o local, com um orçamento de R$ 38,6 milhões (85% serão fornecidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento). A grande estrutura de concreto apelidada de "pentágono" já foi demolida, e, mesmo envolta em tapumes, a obra, prevista para acabar em agosto de 2012, já provoca efeitos na vizinhança.
Um dos primeiros a sentir o impacto foi Gualberto Costa, dono da livraria HQ Mix. Por causa do aumento do aluguel, de R$ 1.700 para R$ 4.000, ele se prepara para deixar o ponto em novembro. "É um preço que não posso pagar. Estou de mudança e procuro espaços na Vila Madalena", diz.
O dono do imóvel foi um dos primeiros moradores a apostar na região. "Quando cheguei, há 14 anos, tudo era muito barato e me achavam excêntrico por viver aqui. Havia venda de crack e eu tinha medo de dormir próximo à janela, já que vivo em um andar baixo", afirma o funcionário público Fábio de Siqueira Branco, 57.
Em 2004, quando a HQ Mix abriu, ele diz ter alugado o local por um valor mais baixo para ajudar Gualberto. "Hoje, tenho de cobrar um preço mais real. Era uma situação válida quando não tinha interessados. Agora, há."
A disputa por imóvel atinge a vizinhança. No mês passado, a Brookfield lançou na rua Augusta, onde até 2009 estava o hotel Ca'd'Oro, um complexo com duas torres que vão abrigar 375 apartamentos, 387 salas comercias e um hotel. Tudo foi vendido em quatro dias por a partir de R$ 9.000 o metro quadrado. O valor médio em Pinheiros, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, é de R$ 9.520,93.
Até quem passou por maus bocados pensa em voltar. É o caso do salão Jacques Janine, que funcionava ali na década de 1990. "Chegou uma hora em que os clientes não queriam ir até a praça. Agora, temos uma linha popular e penso em abrir uma unidade ali", diz Thony Rodrigues, sócio-proprietário da nova marca, a Basic Beauty.
Toda essa movimentação, segundo Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, tende a melhorar a região. "São Paulo vai ganhar uma praça em um lugar estratégico que irá agregar pessoas. Isso reforça o fato de que grandes intervenções são necessárias para mudar a região central."
Os teatros, no entanto, temem que a obra eleve demais os aluguéis. Dos sete que estão na praça, o grupo Parlapatões, que no ano passado atraiu uma plateia de 30 mil pessoas, é o único proprietário do imóvel que ocupa.
A Ação Local da Roosevelt, entidade que une moradores e comerciantes, analisa uma maneira de impedir a debandada dos artistas. "A beleza dessa praça é a boemia", diz Luis Cuza, presidente da organização.
Novas questões
O processo de revitalização trouxe novas questões também para a igreja da Consolação. Apesar da sensação de segurança entre os moradores, a igreja está sofrendo com furtos. No mês passado, o para-raios foi levado, um dos vitrais, quebrado, e até um botijão sumiu. "A visibilidade é pouca com os tapumes. Os seguranças da obra não dão conta de vigiar toda a praça", se queixa o padre José Roberto Pereira.
A igreja contratou um segurança e colocou um rottweiler nos fundos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras afirma que dez guardas particulares fazem a segurança da praça. E a Polícia Militar diz que há policiamento 24 horas, duas câmeras e que, nos últimos três meses, não houve nenhuma ocorrência na Roosevelt.
As novidades dividem a opinião dos moradores. A psicóloga Martina Rillo Otero, 35, que há seis anos vive ali, anseia pela área verde para passear com os filhos. "Nosso único espaço de lazer é o térreo do Copan, sem nenhum verde. A praça vai integrar mais. Será um local de convivência, não apenas de passagem", diz. Há os que veem as intervenções com desconfiança. "Já houve muitos projetos. Agora, eu só acredito vendo. Se não houver zeladoria, a área vai continuar abandonada", afirma a aposentada Bartira Cataldi Rocha, 68, que cresceu na região.
Preocupado com o futuro da Roosevelt, o servidor público João Carlos dos Santos, 55, participa de todas as reuniões entre os moradores e a prefeitura. "Ainda estamos negociando mais benefícios, como a melhoria das calçadas, para acabar com as barreiras que prejudicam o acesso de quem usa cadeira de rodas, como eu." A praça, garante, não será abandonada. "Nós vamos cuidar muito bem dela."
Altos e baixos
A pior fase da região foi entre o fim dos anos 1990 e o início da década seguinte, quando os teatros começaram a se instalar ali. A chegada mais marcante foi a do grupo Os Satyros, em 2000. Antes deles, desde 1997 já funcionava na praça o Studio 184.
"A praça estava destruída. A rotina com os traficantes era muito difícil. Eles quebravam as luzes das calçadas e ninguém queria passar por aqui", conta Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores do grupo. "O primeiro período foi heroico. Ninguém que frequentava a região aceitava a gente."
Para Rodolfo, a virada ocorreu entre 2003 e 2005. "Foi uma época louca. Era uma mistura de todos os tipos de público, os espetáculos começaram a fazer sucesso. Em 2005, recebemos a última ameaça de traficantes." Nesse período, a região foi descoberta pela dramaturga Dea Loher, que levou aos palcos do Brasil e da Europa a peça "A Vida na Praça Roosevelt", na qual ela contava histórias de figuras típicas dali, como travestis e policiais.
Desde então, a vida cultural passou a atrair a atenção do poder público, do mercado imobiliário e dos vizinhos. "A gente revitaliza e depois o aluguel dispara. Também há pressão de alguns moradores para que as salas deixem o endereço", afirma Hugo Possolo, do Parlapatões.
O barulho e a movimentação até altas horas são as principais reclamações de quem vive nos prédios. "Algumas pessoas esquecem que há gente nos andares de cima. Esperamos que o bom-senso predomine e se chegue a um meio termo. Tenho janela antirruído e, mesmo assim, muitas vezes ainda escuto o barulho", diz Fábio de Siqueira Branco.
Gente das antigas
A vocação boêmia não é novidade. Nos anos 1960, a praça abrigava boates por onde circulavam artistas. No bar Papo, Pinga e Petisco, o famoso PPP, há 15 anos ali, Esdras Vassalo, 78, orgulha-se de o imóvel fazer parte do passado da Roosevelt. "Elis Regina fez seu primeiro show em São Paulo neste salão. Era a década de 1960 e aqui funcionava a boate Djalma's."
"A Roosevelt era uma comunidade. Na ditadura, fizemos daqui o nosso reduto. Todas as pessoas ligadas à arte vinham aqui. Com a construção da praça, em 1970, a região foi decaindo", lembra Dulce Muniz, 64, atriz e diretora do teatro Studio 184.
Nessa época, a travesti cubana Phedra D. Córdoba, 72, já era um rosto conhecido. Desde 2000 nos Satyros, ela fez sua primeira visita à praça nos anos 1950. "Tinha cafés, agito, parecia a Europa." Durante a conversa em frente ao La Barca são poucos os momentos em que Phedra não é interrompida por alguém.
O mesmo ocorre com o dramaturgo Mário Bortolotto, 49, que, em 2009, levou três tiros durante um assalto ao bar do Espaço Parlapatões. Quando se recuperou, voltou a frequentar os mesmos bares e teatros. "A minha maior contribuição não foram as peças. Foi trazer gente de outras áreas para cá." Sem traumas do passado, ele, assim como as outras figuras do entorno, espera uma nova vida na praça Roosevelt.
6 décadas de Roosevelt 1950
Depois de desapropriações, surge uma área livre atrás da igreja da Consolação. O espaço vira um estacionamento para 700 carros. O teatro Cultura Artística é aberto
1960
A região onde depois seria construída a praça vive sua fase áurea. São inaugurados cinemas de arte, como o Bijou, e boates frequentadas por artistas
1970
Com pouco do que previa o projeto original, a praça é inaugurada em 25 de janeiro com o nome de Franklin Roosevelt
1971
O elevado Costa e Silva, o Minhocão, é inaugurado em 25 de janeiro. As críticas à praça começam a aparecer
1980
O perfil da praça começa a mudar e muitas das casas de show deixam o endereço. A região é descoberta pelos skatistas
1997
O Studio 184 abre as portas em fevereiro. A prefeitura anuncia a demolição da praça no ano seguinte
2000
É anunciada uma nova obra que promete demolir a estrutura chamada de "pentágono". A companhia Os Satyros abre um teatro na praça, em 1o de dezembro
2005
Os Satyros abrem seu segundo espaço na praça. A Emurb apresenta um projeto preliminar de revitalização da Roosevelt
2006
Os Parlapatões inauguram a sua sede na Roosevelt, em 11 de setembro
2008
A prefeitura anuncia que até o fim daquele ano começaria a reforma na praça. O teatro Cultura Artística é destruído por um incêndio em 17 de agosto
2009
Em dezembro, o dramaturgo Mário Bortolotto leva três tiros durante um assalto ao bar do Espaço Parlapatões
2010
Em outubro, começa a reforma na praça
a reforma Veja como a praça vai ficar com a obra, prevista para acabar em 2012
- Um batalhão da Polícia Militar
- 223 árvores (37 tiveram de ser removidas temporariamente para a reforma e 48 novas mudas serão plantadas)
- Duas floriculturas
- Um "cachorródromo"
- A igreja da Consolação também planeja construir dentro de sua área um espaço de convivência, com aparelhos de ginástica e brinquedos para crianças
- Um posto da Guarda Civil Metropolitana
o subsolo
Embaixo da praça haverá um estacionamento com 556 vagas distribuídas em dois andares. Um elevador será instalado para facilitar o acesso
as mudanças no entorno
- Os imóveis desta esquina devem ser demolidos (um deles é a boate Kilt) para construção de uma rotatória que vai facilitar o acesso ao teatro Cultura Artística e ao estacionamento da praça. Por conta desse projeto, foi criada uma nova entrada do teatro, ainda sem data para reabrir
- A Escola Estadual Caetano de Campos já está sendo restaurada. O investimento é de R$ 3 milhões
- Dois edifícios da rua João Guimarães Rosa devem ser recuperados. Uma das possibilidades é a volta da EMEI Patrícia Galvão, que ocupava parte das estruturas demolidas
- Os imóveis dessa esquina estão sendo desapropriados. A ideia é derrubá-los para integrar o prédio do Instituto Clemente Ferreira à praça
- As calçadas da rua Nestor Pestana devem ser alargadas. Estima-se que todas as mudanças viárias custem R$ 17 milhões**
Fontes: Ação Local da Roosevelt, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras
** Valor não inclui os custos das desapropriações 25.100 m2
é o tamanho da praça
R$ 38,6 milhões
é quanto vai custar o projeto
10.600 m3
é a quantidade de entulho que foi reciclado para virar base para o asfalto da cidade
os vizinhos
7 teatros
6 bares
1 livraria
2 salões de beleza
12 prédios residenciais
3 prédios comerciais (um deles vazio)
1 igreja
1 escola
1 "pet shop"
1 mercado
1 minimercado
1 armarinho
1 autoescola
1 papelaria
1 chaveiro
2.000 pessoas em 825 apartamentos
a capa
A ilustração da capa foi feita, a pedido da sãopaulo, pelo quadrinista Rafael Coutinho, 31. "Busquei mostrar esse sujeito paulistano que participa das mudanças da metrópole com um olhar desconfiado", explica ele, que frequenta na praça a livraria HQ Mix e os teatros.
Algo que todo blogueiro sabe - ou deveria saber - é que ele é o responsável não só pelos posts que escreve, como também pelos de terceiros que publica, mas também pelos comentários de qualquer um em seu blog.
Esta regra norteia ou deveria nortear toda a blogosfera, especialmente a política, a mais suscetível a processos, críticas e ataques. Não cabe aqui concordar ou discordar da jurisprudência (tenho minhas críticas a ela, pois não concordo que o blogueiro vire juiz, ou pior, censor da opinião alheia, especialmente quando muiso comentários podem levar a interpretações dúbias e parecer ofensa apenas a um ou outro), mas sim ter em mente que ela existe.
Mas vejam os comentários postados em uma notícia da Folha sobre os mais recentes (e constantes) ataques homofóbicos, ocorridos na madrugada de sexta para sábado na Rua da Consolação, no centro de São Paulo:
Este "Comandante Melk" tem - na data em que escrevo o post - 30 outros comentários carregados de boçalidade, como "opinar" que índios deveriam ser "trazidos pra civilização", um claro sentimento de perseguição e outras pérolas homofóbicas como:
É LAMENTAVEL QUE TENHA MORRIDO, CREIO QUE, CONVÉM ANALIZARMOS MELHOR O CASO, PARA APRENDERMOS ALGO. VEJAMOS: O CRIME OCORREU "NA MADRUGADA" EM UM "BAR". PERGUNTO, OQUE O SUJEITO QUER FAZER DE "MADRUGADA" EM UM "BAR DE ESQUINA" ?? COM PESSOAS DE COMPORTAMENTO DUVIDOSO ?? TÁ TUDO ERRADO, SE O RAPAZ ESTIVESSE EM OUTRO "AMBIENTE", COM OUTRAS "COMPANHIAS", POR CERTO PODERIA ESTAR VIVO AGORA. ISSO NOS REMETE AO FATO DE QUE, DEVEMOS ESTAR ATENTOS, PARA SEMPRE FAZERMOS BOAS ESCOLHAS EM NOSSA VIDA...
Há ainda o "pertinente" comentário de Patrícia Macedo, que parece ser mestra em homofobia:
A infeliz tem outras pérolas no estilo, além de ter se especializado em selecionar pessoas para atacar em seus comentários:
E há coisas até piores:
Em comum na maioria dos comentários de caráter homofóbico ou simplesmente fanático cristão está a maioria de votos favoráveis a seu teor do que negativos. E em comum entre todos está o "disclaimer" maroto da Folha no rodapé:
O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem
Me pergunto, porque a Folha pode liberar todos os comentários de usuários que são CADASTRADOS, não importa o quão criminosos sejam, mas um blogueiro que usar a mesma frasezinha marota de que não é responsável não o libera de um processo?
Porque a Folha pode mais que qualquer um? E digo a Folha, mas são vários os jornais que usam o mesmo recurso de liberar comentários - quaisquer comentários.
Ou será que a jurisprudência vale também para os jornalões que, porém, gozam de suprema e inabalável "liberdade de empresa", acima da liberdade de imprensa e de expressão alheia?
O pior para os jornalões, ainda, é que os comentários vem de pessoas cadastradas, ou seja, minimamente identificadas. Se somos responsáveis até por comentários anônimos, porque a grande mídia não é nem pelos seus usuários cadastrados?