terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Genocídio inígena em curso no país... E a Funai conivente.

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Não costumo dar publicidade aos meus posts no Global Voices Online aqui no blog, mas desta vez acho importante para denunciar o genocídio silencioso que vem ocorrendo no Brasil contra as populações indígenas que tem patrocínio e incentivo estatal:
As ameaças ao povo Awá por madeireiros, garimpeiros e agricultores interessados em tomar suas terras não são novidade, assim como contra outras etnias do Maranhão, como os Canela e os Krikati. As comunidades convivem há muito tempo com ameaças de morte e com o medo. Em 2008 uma criança Guajajara de 7 anos de idade foi assassinada com um tiro por um motoqueiro na cidade de Arame, e indígenas de outras etnias foram também vítimas de violência semelhante, além de estupros, na região.
A violência contra a população indígena, no Brasil, tem se espalhado e tomado proporções alarmantes. O genocídio em curso contra os Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, vem recebendo crescente atenção na mídia alternativa, notadamente na blogosfera, mas ainda é um assunto proibido na grande mídia. O governo federal brasileiro tampouco tem tomado medidas para dar publicidade aos crimes e, especialmente, para evitar novas mortes.
Outras populações tradicionais também são vítimas de violência, em grande parte cometida pelo próprio governo federal, que usa as forças armadas para intimidar Quilombolas - populações negras tradicionais - e expulsá-los de suas terras. A construção da Usina de Belo Monte é outra grave ameaça à sobrevivência de comunidades indígenas inteiras na região amazônica.
Outro perigo que se apresenta para as populações indígenas e tradicionais do Brasil é a possível aprovação do novo Código Florestal, apresentado pelo político comunista Aldo Rebelo em conjunto com a ruralista Kátia Abreu, e que é objeto de contestação por parte de ambientalistas e ativistas das mais diferentes áreas.
Há pouco mais de um ano publiquei um artigo sobre o genocídio contra os Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul e há pouco mais outro post foi publicado no GV sobre o mesmo tema. Impressiona como mesmo com um ano de diferença, ambos sejam semelhantes e pudessem ter sido escritos em qualquer época.

Belo Monte, tão amplamente dsicutido, é outro passo rumo ao extermínio de indígenas. Apontar uma arma para a cabeça dos índios não é a única forma de abreviar suas vidas, mas a pressão sobre eles e suas terras os levam ao suicídio - muito comum entre os Guarani-Kaiowá - e nada é feito para conter o avanço deste mal, muito pelo contrário, cada vez mais os índiossão tratados como lixo.

Belo Monte é, hoje, o exemplo máximo, pois trata-se de uma ação direta e deliberada do Governo Federal.

Como disse o @Luckaz, o slogan do governo federal deveria ser "País rico é país sem criança indígena", especialmente quando soubemos do assassinato cruel de uma criança Awá-Gwajá no Maranhão, queimada viva por madeireiros em conluio com a Funai que, de forma tosca, disse que ali nada havia acontecido.


Em todos esses casos vemos não só a omissão, mas o incentivo da violência por parte de governos. O Maranhão é feudo de Sarney, ou Sarneilândia. Nada acontece por lá sem seu conhecimento ou apoio. E não surpreende que Sarney seja um dos principais nomes do governo federal, figura por trás do ministro Lobão, que tem a intenção de impor Belo Monte à todo custo, assim como sua chefe, Dilma, que já esmurrou uma mesa gritando que Belo Monte sairia de qualquer forma, custe o que custar.

E custa vidas indígenas.

Parece que nada do que é feito importa ou serve para alterar a realidade. Quando a mídia cita um ou outro caso, ou é para apoiar, ou para jogar panos quentes ou para mostrar uma revolta que não dura nem uma semana e não causa qualquer reação digna.

Voltando ao caso da criança Awá-Gwajá assassinada, a Funai divulgou um relatório que é simplesmente risível. Imagino que o Sarney tenha escrito ou supervisionado enquanto a Dilma demonstrava sua preocupação com o caso com um singelo "Ah tá".

Segundo a Funai, ali nada aconteceu. Não entraram sequer nas terras Awá, mas perguntaram a um Guajajara se sabia do ocorrido e, diante da negativa, foram embora. Isso mesmo, perguntaram a uma pessoa e pronto. Está aí a imensa investigação.

O relatório ainda é assinado e contém fotos - talvez para provar que saíram do gabinete. Mas, com um protuguês macarrônico e detalhes absolutamente inúteis, o tal relatório parece acusar a tudo e todos de alarmismo, de espalhar boatos... Um tom que simplesmente não combina com um documento oficial.

Sobre a violência que ronda os povos indígenas do Maranhão, em especial os Awá, o governo federal tem conhecimento da situação desde pelo menos agosto de 2010, quando uma carta assinada por diversos membros dos movimentos sociais e universidades foi enviada diretamente à Dilma.

Como vimos, nada foi feito. Os indígenas foram, mais uma vez, ignorados. E morreram por isso.

Enfim, segue a matança de índios pelo país que só tende a aumentar, com apoio governamental, vista grossa das autoridades e silêncio midiático, além do eterno apoio incondicional dos Progressistas, que acham que tudo é boato.

Como disse a @fcera: "Tão fofa a fúria da Funai contra a ~mídia de variados interesses~. Parece alguém, alguéns, na verdade, que eu conheço."

Algumas reações:
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Link para baixar o relatório da Funai, que também pode ser lido no blog Conexão Brasília Maranhão.
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