Tsavkko Garcia, Raphael; Junior, Victor Luiz Barone; Ranulfo, Carlos; Neto, Moysés Pinto; Avelar, Idelber; Romano, Roberto
Entrevista à Revista Semana On
Publication year: 2016

A direita nunca deixou de ser direita, mas a esquerda deixou de ser esquerda. A explicação pode parecer simplista, mas é a única que contempla todos os aspectos da questão. Para serem participantes mais ou menos tolerados nos jogos do poder, os partidos de esquerda correram todos para o centro, onde, infalivelmente, se encontraram com uma direita política e económica já instalada que não tinha necessidade de se camuflar de centro. Entrou-se, então, na farsa carnavalesca de denominações caricaturais com as de centro-esquerda ou centro-direita. Assim está Portugal, a Itália, a Europa.

A reflexão acima, do escritor português José Saramago – feita em seu livro La República (2007) – seja talvez uma das melhores traduções para o impasse ideológico em que o Partido dos Trabalhadores se meteu nos últimos anos. Apontado pela direita estridente como patrocinadores do comunismo no Brasil, lideranças do “PT Governo” são, na verdade, representantes fieis de um centrismo político muito próximo de alguns de seus detratores, especialmente peemedebistas e tucanos. Pouco há de diferença nas políticas econômicas promovidas pelo PT e as que poderão ser promovidas por estes partidos. Se haverá diferença, ela esteja nas ações de caráter assistencialista que têm sido a característica principal dos governos que se posicionam na centro-esquerda latino-americana.

Na verdade, dizer que o Brasil está se livrando do comunismo a partir da derrocada petista é de uma inocência abissal, ou de uma má fé gritante. A extrema direita e a direita burra que infestam as ruas e as redes sociais nadam de braçada no misticismo ideológico e contribuem para o aprofundamento da ignorância política que nos confirma como um país habitado por uma turba de analfabetos políticos.

Entrevista concedida ao jornalista Victor Luiz Barone Junior para a Revista Semana On em 28/04/2016.

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